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Jovem de 22 anos morre após comer sanduíche envenenado em MS

O ex-padrasto, um homem de 62 anos e com restrições de mobilidade, foi preso em flagrante e confessou ter colocado "chumbinho" no alimento

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Um jovem de 22 anos morreu intoxicado neste domingo depois de comer um pão recheado com mortadela e raticida (chumbinho). O caso ocorreu em Bataguassu, cidade  a cerca de 340 quilômetros de Campo Grande, na divisa com São Paulo. 

Cleber Arguelho Neto, conhecido como "Binha", comeu um sanduíche preparado pelo seu ex-padrasto, João do Nascimento Batista, de 62 anos, que foi preso em flagrante horas depois de envenenar o jovem. 

Segundo o boletim de ocorrência, o próprio "Binha" teria revelado que havia começado a passar mal depois de comer o sanduíche. Moradores que atenderam ao seu pedido de ajuda acionaram os bombeiros e ele chegou a ser levado para atendimento médico, mas morreu ainda na manhã de domingo. 

Policiais que atenderam a ocorrência recolheram parte do sanduíche que ele havia abandonado no local. E, ao tomarem depoimento de uma mulher que chamou os bombeiros ela declarou que "Binha" afirmou que havia começado a passar mal depois de comer o pão com mortadela que tinha recebido do "João, pai da Mariana".

Os policiais então localizaram a casa do ex-padrasto de "Binha" e lá encontraram  "no lixo um plástico usado para mortadela, um pão e sacos verdes iguais ao encontrado em posse de Cleber", diz trecho do boletim de ocorrência. 

Inicialmente o idoso, que tem dificuldades de locomoção por ser sofrido AVC, afirmou que Cleber havia passado em sua casa já com os alimentos e que havia descartado os materiais na lixeira. 

Posteriormente, contudo, ele admitiu ter colocado chumbinho no sanduíche e afirmou que constantemente era ameaçado de morte com faca e o jovem, segundo a polícia, ficava "querendo suas coisas da casa e ficou com medo de que ele fizesse algo contra sua pessoa, pois era usuário de droga". 

Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, o idoso, que acabou sendo preso em flagrante "possui muita dificuldade de locomoção e quase não sai de sua residência, sendo que foi dificultosa sua condução para esta unidade policial para as providências". Nesta segunda-feira, ele passou por audiência de custódia e passou a cumprir prisão domiciliar.

Em nota divulgada pela Polícia Civil, o jovem "era conhecido no meio policial por ser usuário de drogas e estar envolvido em furtos diversos, sendo suspeito de ter furtado, inclusive, cabos de energia de postes de iluminação pública do município".

De acordo com registros policiais, Cleber tinha um longo histórico. Seu primeiro registro policiais é de 2018, por furto, quando tinha apenas 15 anos. Desde então, acumulou diversas passagens, principalmente por crimes contra o patrimônio, como furto e roubo, além de ameaças. 

Seu último registro de furto  foi lavrado na última terça-feira, dia 21 de outubro. Na ocasião, ele foi apontado como autor do furto de 280 metros de fios de cobre de 16 milímetros, pertencentes à rede de iluminação pública de Bataguassu. Segundo o boletim de ocorrência, foi necessário realizar uma escavação no local para a retirada dos fios.

Por outro lado, também consta que Cleber figurava como vítima em diversas outras ocorrências policiais, incluindo registros de violência doméstica, lesão corporal e ameaça. 

O jovem pegou os pães no começo da manhã de domingo e por volta das 11:30 horas já estava morto. No sanduíche que a polícia recolheu no local em que o jovem pediu socorro sobrou uma sanduíche inteiro. 

Nele, conforme a imagem divulgada pelos policiais, é possível ver que o idoso esfarelou o veneno antes de colocá-lo em meio ao pão, mas nem mesmo tentou dissimular seu ato, já que o pó preto ficou visível em meio ao alimento. 

O QUE É O VENENO

O "chumbinho" é um veneno ilegal e altamente tóxico, cuja venda é proibida no Brasil desde 2012 pela Anvisa. Mesmo assim, continua a ser comercializado ilegalmente. O termo se popularizou por ser a forma mais conhecida de raticida clandestino. 

Ele é um dos maiores causadores de intoxicação letal no Brasil e tem sido associado a uma série de casos recentes de mortes em diferentes estados brasileiros. No Piauí, por exemplo, foram quatro mortes no começo do ano. A estimativa é de que nos últimos seis anos tenham sido cerca de 2,3 mil mortes.

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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