O Tribunal do Júri do Pará condenou, na noite de ontem, o homem acusado de ser o mandante da morte do sindicalista José Dutra, o Dezinho. O crime ocorreu em 2000, na cidade de Rondon do Pará (PA).
O fazendeiro José Décio Barroso Nunes, o Delsão, foi condenado a 12 anos de prisão, inicialmente em regime fechado, mas poderá recorrer da sentença em liberdade.
Os jurados do caso, que teve repercussão internacional à época, concluíram que havia provas suficientes a ligar o fazendeiro ao crime.
No julgamento, o réu negou participação no crime e disse ainda que nunca se envolveu em conflitos agrários. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Nunes.
O julgamento foi realizado no plenário do Fórum Criminal de Belém.
Desde o assassinato do sindicalista, o fazendeiro José Nunes aguardava o julgamento em liberdade.
Cerca de dez pessoas, entre testemunhas de acusação e defesa, foram ouvidas no julgamento.
Dezinho foi morto em 21 de novembro de 2000, na porta de casa. Segundo a acusação, ele morreu em decorrência de sua atuação como sindicalista em conflitos agrários no Estado.
Ele era presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará e reportava sofrer ameaças.
Condenados e absolvidos
Apesar da condenação de Nunes, ainda resta esclarecer a participação de outros dois supostos intermediários do crime.
À época do assassinato, Ygoismar Mariano e Rogério Dias tiveram contra si mandados de prisão preventiva decretados pela Justiça, mas nunca foram presos e nem julgados.
O primeiro condenado pelo assassinato foi o pistoleiro Wellington de Jesus Silva. Ele foi sentenciado a 27 anos de prisão em dois julgamentos realizados em 2006.
O condenado acabou beneficiado por uma progressão de regime e saiu da cadeia por um indulto de Natal, em 2007, sem nunca mais ter voltado à prisão.
Em outubro do ano passado, Domínio de Souza Neto e Lourival de Souza Costa "outros dois acusados no crime" foram julgados, mas acabaram absolvidos pelo júri.


