Cidades

Justiça do Trabalho

Justiça nega vínculo de emprego e indenização a pastor da Igreja Universal

Pastor alegou que trabalhou por 13 anos na Igreja Universal do Reino de Deus e pleiteava rescisões trabalhistas e indenização por danos morais por ter sofrido suposto assédio

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A Justiça do Trabalho negou a existência de vínculo de emprego a um pastor evangélico, que atuou por 13 anos em uma igreja da Universal do Reino de Deus, em Mato Grosso do Sul. Ele pleiteava o pagamento de verbas rescisórias e indenização por danos morais, por supostamente ter sofrido assédio moral nos anos de trabalho, que também foram negadas pela justiça.

De acordo com o processo, o pastou entrou com a ação alegando que, por mais de uma década, realizou cultos, evangelizações, venda de bíblias e livros, além de administrar ofertas e dízimos e que a atividade exercida preenchia requisitos para caracterização de vínculo empregatício.

Segundo a versão do pastor, ele teria exercido as atividades de pastor para a igreja de 2011 a 2024, inicialmente na cidade de Bataguassu, sendo transferido posteriormente para Campo Grande, Pedro Gomes, Cassilândia e, em 2016, para o Equador e depois Venezuela e Colômbia, retornando ao Brasil em março de 2024, quando foi mandado para Bom Jesus (RN).

O pastor afirmou que prestava serviços de forma pessoal e contínua, de segunda a sexta-feira e aos domingos, com folga aos sábados, por vezes sendo acionado para realizar trabalhos de evangelização e limpeza também na folga, com subordinação e contraprestação.

Ainda conforme o pastor, no Brasil, seu salário era R$ 3,2 mil e na Colômbia, de R$ 5,5 mil, enquanto sua esposa também era obrigada a trabalhar na parte administrativa da igreja, sem receber nada.

Assim, ele sustentou que nunca tirou férias e, ao ser dispensado em junho de 2024, não recebeu o pagamento das verbas rescisórias, acrescentando que estariam presentes os requisitos previstos no Artigo 3º da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Neste artigo citado, a CLT dispõe que "considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário".

Desta forma, o pastor pediu, na ação, o reconhecimento do vínculo empregatício, a anotação na carteira de trabalho e o pagamento das verbas contratuais e rescisórias devidas.

Em defesa, a Universal refutou as alegações e pretensões do pastor e invocou a impossibilidade jurídica do pedido em razão dos termos do Decreto 7.107/10 e da Lei nº 14.647/2023, que proíbe o vínculo de empregado entre pastores e a igreja. 

Decisão

O juiz Denilson Lima de Souza, da Vara do Trabalho de Coxim, destacou, em sua decisão, que os valores recebidos pelo pastor não configuravam salário, sendo natureza de “prebenda”, que é a ajuda destinada à subsistência do ministro religioso.

O magistrado também citou que o art. 442, §2º, da CLT, com redação dada pela Lei 14.647/2023, afasta expressamente o vínculo de emprego entre entidades religiosas e ministros de confissão religiosa, ainda que estes exerçam atividades de administração da entidade.

Testemunhas ouvidas em juízo revelaram ainda que a igreja fornecia moradia ao pastor e custeava despesas de vida familiar, o que, segundo o juiz, reforçou o entendimento da decisão sobre a natureza vocacional da atividade e negou o vínculo.

Além disso, em depoimento, o próprio pastor teria afirmado que largou o seu emprego anterior para ser pastor de forma voluntária, por professar sua fé e com o "intuito de ganhar almas".

"A  igreja  reclamada  naturalmente  possuía  hierarquia organizacional e vinculava o reclamante na condição de pastor. Assim, o fato dele se reportar ao pastor  regional  e/ou  a  outros  de  hierarquia  superior  no  exercício  das atividades  vocacionais  não  configura  subordinação  jurídica  típica  das  relações empregatícias", disse o juiz.

"Ante todo o exposto e ainda considerando que não foi demonstrado o desvirtuamento dos objetivos da entidade eclesiástica, entendo que não se configurou o vínculo  empregatício  alegado na petição inicial e, em consequência, julgo improcedentes todos os pedidos formulados pelo reclamante", concluiu o magistrado.

Recurso

O pastor recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRF-24), com objetivo e reformar a decisão de primeira instância, buscando a modificação do julgado no tocante ao reconhecimento do vínculo empregatício e à indenização por danos morais.

Conforme o relator do processo, desembargador Marcio Vasques Thibau de Almeida, não houve prova do desvirtuamento, inexistindo subordinação jurídica, onerosidade típica e demais requisitos do art. 3° da CLT. 

O relator destacou também que a legislação trabalhista impede o vínculo empregatício entre instituições religiosas e pastores, conforme disposto no art. 442, §2º, da CLT.

"Não existe vínculo empregatício entre organizações religiosas e ministros de confissão religiosa, membros de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa, em relação às atividades religiosas, vocacionais ou similares", diz a lei.

Quanto aos danos morais, o pastor alegou fazer jus sob o argumento de que teria sido compelido pela igreja a submeter-se a cirurgia de vasectomia e vítima de assédio moral organizacional, caracterizado por cobranças excessivas de metas, ingerência em sua vida privada, ameaças de transferência, impedimento de gozo de férias e fiscalização constante.

Neste ponto, o desembargador afirma que, embora a sentença não tenha se pronunciado sobre este pedido, provas apresentadas comprovam a realização do procedimento de vasectomia, mas não demonstram que ele foi obrigado a realizá-la ou que tenha sido coagido.

Da mesma forma, referente ao alegado assédio moral, as provas juntadas não evidenciaram comportamentos típicos de pressão abusiva ou reiterada, tampouco ameaças com a finalidade de desestabilizar emocionalmente o pastor.

"Dessa forma, não havendo prova suficiente da imposição do procedimento cirúrgico ou de práticas configuradoras de assédio moral, o pedido de indenização por danos morais não merece prosperar", disse o magistrado, ao negar provimento ao recurso.

Os demais desembargadores da Primeira Turma do TRT-24, por unanimidade, aprovar o relatório e negaram provimento, nos termos do voto do relator.

Este agravo também foi negado, em decisão monocrática do ministro presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Melo.

FOLIA

Mocidade da Nova Corumbá e Pesada na disputa pelo título do maior carnaval de MS

Com público menor que as edições anteriores, a passagem das dez escolas de samba pela Avenida General Rondon mostrou evolução do maior carnaval de rua do Centro-Oeste

17/02/2026 13h30

Depois do desfile, a Mocidade da Nova Corumbá se tornou uma das favoritas ao Carnaval de Corumbá

Depois do desfile, a Mocidade da Nova Corumbá se tornou uma das favoritas ao Carnaval de Corumbá Foto: Silvio Andrade

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Depois de dois dias de grandes espetáculos na Avenida General Rondon, durante os desfiles de dez escolas de samba em Corumbá, a cidade dividida se envolve agora na discussão sempre polêmica das notas dos jurados. A apuração vai ocorrer nesta quarta-feira, a partir das 16h, e duas escolas está com maiores chances de conquistar o título de campeã: A Pesada e a Mocidade da Nova Corumbá.

Uma das favoritas, a Império do Morro fez uma apresentação grandiosa, na noite desta segunda-feira, mas pecou em detalhes – como os vazios na pista – e vacilou no final ao ultrapassar em um minuto o tempo cronometrado de 70 minutos previsto no regulamento. Encerrando o segundo dia de desfile, a Mocidade da Nova Corumbá veio no vácuo da concorrente e arrasou, com favoritismo ao campeonato.

A passagem das dez escolas de samba pela avenida mostrou evolução do maior carnaval de rua do Centro-Oeste, porém o público foi menor em relação aos anos anteriores, cuja explicação a organização vai buscar após fazer um diagnóstico do que foi a festa, que começou em janeiro e teve uma programação oficial de oito dias. A ausência de shows nacionais pode ser um dos efeitos da participação maciça da população.

Púbico menor

A Capital do Pantanal recebeu muitos turistas brasileiros e bolivianos – mais de 70% de ocupação da rede hoteleira -, e a cidade consumiu carnaval nas últimas semanas com uma extensa programação organizada pela prefeitura. O clima ajudou, sem chuvas, no entanto a mudança de comportamento do público se notava nos 1.500 lugares disponibilizados nos camarotes, que permaneceram parcialmente lotados nos dois dias de desfiles.

Na passarela do samba, o samba no pé prevaleceu com o show de passistas, destaques dos carros alegóricos e as rainhas e a explosão das baterias. O desfile de ontem superou o de domingo com a passagem da Mocidade da Nova Corumbá e Império do Morro, com o público se manifestando com aplausos e cantando os enredos. O último dia contou com um convidado especial: o governador Eduardo Riedel, acompanhado da esposa, Mônica.

As lideranças políticas e os carnavalescos não se manifestaram publicamente, aproveitando a visita do governador e do diretor-presidente da Fundação de Turismo, Cultura e Esporte, Marcelo Miranda, sobre a redução do repasse financeiro do Governo do Estado para as escolas de samba. A imprensa local também não questionou, mas cobrou de Riedel um maior apoio para alavanca a folia pantaneira além do Rio Paraguai.

Show na passarela

Terceira escola a desfilar, depois da Imperatriz Corumbaense e Estação Primeira do Pantanal, a Império do Morro, campeã em 2024, entrou triunfante na avenida com 700 componentes, 18 alas e quatro carros alegóricos, apresentando muito luxo, mas pouca energia de seus integrantes, com a maioria não cantando o samba-enredo “Entre devaneios e mistérios – a vida é um sonho”. No final, a constatação: passou um minuto regulamentar no seu desfile, o que vale penalização de dois décimos.

O clima de expectativa aumentou no circuito do samba. Passou a escola Marques de Sapucaí, discretamente com avanços em sua concepção técnica, e a entrada da Mocidade da Nova Corumbá, já na primeira hora de terça-feira, foi emocionante. O público logo reagiu, acenava e aplaudia das arquibancadas e camarotes, e a escola se agigantou com um samba-enredo - “Mocidade grita forte Salve Tereza, Rainha do Quilombo, A Voz da Liberdade”, fácil de cantar.

Com alegorias e fantasias bem elaboradas e uma energia tomando conta dos seus integrantes, a escola foi ovacionada na passarela e não havendo erros apontados pelos jurados é a franca candidata ao título de campeã de 2026. A bateria foi o ponto alto, com interpretação impecável do carioca Braguinha, ecoando musicalidade e ritmo forte pela avenida. A Mocidade fechou o desfile às 2h20 arrastando o público das arquibancadas.

INTERIOR

Anta é flagrada 'passeando' por corredores de hospital em MS

Flagrante impressionante foi registrado no Hospital Sagrado Coração de Jesus, no município de Anaurilândia

17/02/2026 12h52

Imagens circulam nas redes sociais, mostrando o tranquilo animal em um momento de calmo passeio pelo hospital.

Imagens circulam nas redes sociais, mostrando o tranquilo animal em um momento de calmo passeio pelo hospital. Reprodução

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 Batizada de "Tico", uma famosa anta sul-mato-grossense que já é praticamente mascote municipal foi flagrada recentemente, nesta segunda-feira (16), "passeando" por entre os corredores de um hospital na cidade de Anaurilândia, distante aproximadamente 376 quilômetros de Campo Grande, 

Informações apontam que o flagrante impressionante foi registrado no Hospital Sagrado Coração de Jesus, no município de Anaurilândia, localizado a cerca de 377 quilômetros de Campo Grande. 

As imagens, divulgadas através do portal JCANews, passaram a circular pelas mais diversas páginas através das redes sociais, mostrando o tranquilo animal - de nome científico Tapirus terrestris - em um momento de calmo passeio pelo hospital.

"Ele vai chegar lá na cozinha", é possível ouvir de uma das funcionárias que tentava "rebanhar" Tico para fora da unidade hospitalar, enquanto outros comentam encontros que já tiveram com a popular anta.

A anta, que como é descrito chegou como quem diz "vim só medir a pressão e tomar um cafezinho", é conhecida por transitar pela cidade e garantir a alegria da população local, encantando desde os pequenos até os mais velhos, sendo que até os motoristas costumam parar para "dar um oi". 

Nas redes sociais, os comentários demonstram o carinho dos populares para com o gigantesco animal, com frases exaltando que Tico fez uma "visita maravilhosa", que é "querido pelas pessoas" e estaria de visita na unidade apenas "fiscalizando", brincam os moradores da região.

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