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Justiça mantém prisão de "empresário do trap", acusado de lavar dinheiro do tráfico

Segundo a polícia, objetivo era criar uma fachada de sucesso e legitimidade por meio da música para mascarar dinheiro ilícito

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 A Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu manter a prisão preventiva do empresário paulista Darlan de Jesus, de 41 anos, ligado ao ramo musical e acusado de envolvimento com tráfico de drogas e associação para o tráfico. A decisão foi tomada após audiência de custódia, depois que Darlan foi preso em flagrante na madrugada do dia 11 de outubro por agentes da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assalto e Sequestro (Garras). 

Segundo a polícia, a prática consistia em criar uma fachada de sucesso e legitimidade por meio do investimento em atividades culturais, mascarando os ganhos do tráfico de drogas.

O empresário foi detido em uma residência no bairro Los Angeles, em Campo Grande, após a polícia localizar 1.341 kg de maconha acondicionados em caixas de papelão dentro de uma Volkswagen Kombi. O entorpecente, avaliado em aproximadamente R$ 2,86 milhões, era parte de uma operação de tráfico interestadual, com rota de transporte entre Ponta Porã e a capital sul-mato-grossense, para posterior envio a São Paulo.

O ocorrido

Segundo as investigações, um jovem de 21 anos, identificado como Ryan Vinícius dos Santos Silva, atuava como “batedor” da droga, monitorando a movimentação policial na rodovia que liga a fronteira a Campo Grande. A polícia descobriu que o imóvel onde a droga era armazenada havia sido alugado especificamente para essa finalidade. Darlan foi preso no local.  

Após a detenção, a polícia ainda descobriu que Darlan possuía um flat em bairro de alto padrão na capital, onde estava sua namorada.

Durante a audiência de custódia, o empresário alegou sofrer maus-tratos por parte dos policiais. Ele relatou ter sido retirado de casa na madrugada, sem mandado judicial, e levado a um local isolado, onde teria sido espancado, asfixiado com saco plástico, levado a choques elétricos e ameaçado para assumir a posse da droga.

O juiz responsável pela audiência, Francisco Vieira de Andrade Neto, determinou que o caso fosse investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GACEP) do Ministério Público e pela Corregedoria da Polícia Militar. Também foi solicitado à Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) que garantisse a integridade física e emocional de Darlan enquanto estiver detido.

Apesar das denúncias, o magistrado considerou que havia indícios suficientes de que Darlan participava de atividades ligadas ao tráfico e decidiu manter a prisão preventiva, citando risco de reincidência e necessidade de resguardar a investigação em curso. O empresário teve a prisão registrada no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP) e seu processo foi encaminhado para a vara criminal de Campo Grande, onde seguirá o trâmite judicial.

Desdobramentos

Ryan Vinícius, por sua vez, conseguiu liberdade provisória mediante medidas cautelares, incluindo comparecimento periódico à Justiça e a proibição de manter contato com Darlan. Ele alegou não ter participação direta no comércio de entorpecentes e afirmou que apenas acompanhava o empresário durante as ações investigadas.

Durante a abordagem, foram encontrados tabletes de maconha e materiais utilizados para embalar a droga. Todo o material apreendido foi lacrado, fotografado e enviado à perícia para análise laboratorial.

O laudo médico de Darlan, realizado após a prisão, indicou escoriações e marcas compatíveis com agressões físicas, embora não tenha sido conclusivo quanto à autoria. O documento foi anexado ao processo para subsidiar as investigações sobre abuso policial.

Números

Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública mostram que, entre 1º de janeiro e 13 de outubro de 2025, foram apreendidos 11.732 quilos de cocaína, 415.275 quilos de maconha e 378 quilos de outras substâncias ilícitas. 

Com a prisão preventiva em vigor, Darlan permanece detido, enquanto o Ministério Público avalia se apresentará denúncia formal por tráfico e associação para o tráfico. Paralelamente, o GACEP e a Corregedoria da Polícia Militar devem apurar as denúncias de tortura. Caso confirmadas, os policiais envolvidos poderão responder por abuso de autoridade e lesão corporal.

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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