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Ladrões invadem farmácia e saem com cofre após ameaçar funcionários na fronteira

Em pleno raiar da manhã, loja teria aberto as portas às 06h30 e assaltantes chegaram cerca de 20 minutos depois

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Distante quase 300 quilômetros da Capital de Mato Grosso do Sul, bandidos invadiram uma farmácia na madrugada desta sexta-feira (21), localizada na fronteira do Brasil com o Paraguai, ameaçando funcionários e deixando o local com o cofre e dinheiro do estabelecimento. 

No bairro Santo Antônio, da cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, o crime aconteceu na esquina entre as ruas Teniente Herrero e "Campeões de 65", na altura do número 8.500, em uma farmácia da rede Americana. 

Aos portais locais, o comissário responsável pelo caso, Carlos Toledo, detalhou o desenrolar da ação criminosa que, conforme publicado no Ligado na Notícia e Ponta Porã News, ele estima ter começado aproximadamente 20 minutos após a farmácia abrir. 

"Segundo as vítimas, a loja abriu por volta das 6h30 e os assaltantes chegaram por volta das 6h50", descreveu. 

Conforme apurações iniciais, a suspeita é que dois homens aparentemente jovens sejam os responsáveis pelo crime, chegando até o local da farmácia a bordo de um  veículo Hyundai HB20, cinza, que até possuía placas paraguaias, identificação essa, porém, que não pertencia ao carro.

Roubo do cofre

Segundo repassado pelas autoridades, uma vez no interior do estabelecimento, os suspeitos ameaçaram os funcionários e se encaminharam rumo ao escritório do administrador do local, onde arrancaram um cofre de 50x50 centímetros que estaria inclusive preso à parede. 

Ainda não é possível apontar a premeditação do crime, se os indivíduos suspeitos, de fatos, estariam vigiando o local e há quanto tempo, porém o comissário frisa que o alvo em si, o cofre em questão, não estaria necessariamente escondido, sendo até mesmo um alvo visível. 

"Não posso confirmar [a premeditação], mas digamos que a localização do cofre é visível. O escritório está ali e já é possível ver o cofre ao lado da porta", disse. 

Também não há um valor estimado de quanto pode ter sido subtraído pelos criminosos, com a esperança da investigação sendo as câmeras de identificação da área que podem favorecer o reconhecimento dos suspeitos. 

Fim da paz na fronteira

Mato Grosso do Sul possui um total de 13 municípios fronteiriços com outros países, seja Paraguai ou Bolívia, entre eles: Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Caracol, Bela Vista, Antônio João, Ponta Porã, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas, Japorã e Mundo Novo.

Nesse sentido, com pouco mais de 12% da população sul-mato-grossense, as regiões de fronteira de MS concentram 21% dos assassinatos registrados no Estado, índice esse de vítimas de homicídio doloso que é 27,12% comparado com o mesmo período de 2024. 

Entre os diversos fatores que impulsionam esses números, a "guerra" entre facções na disputa pelo comando das fronteiras acaba respondendo como um dos maiores fatores geradores de homicídios dolosos, segundo especialistas. 

Como bem acompanha o Correio do Estado sobre a situação, até meados de 2023 a fronteira Brasil/Paraguai conseguiu experimentar um curto período de paz após anos de guerra, quando registrou o menor número de mortes desde 2019 para os primeiros quatro meses de um ano. 

Então secretário Municipal de Segurança Pública de Ponta Porã à época, Marcelino Nunes de Oliveira frisou a "pausa" no enfrentamento entre facções rivais na faixa fronteiriça entre Brasil e Paraguai, cenário esse que ficou no passado. 

Há aproximadamente de uma semana, por exemplo, o País vizinho chegou a registrar três tiroteios no intervalo de 24 horas, que vitimaram dois brasileiros no Paraguai.

No fim da tarde de segunda-feira (20), Jonathan Medeiro da Fonseca, de 36 anos, foi executado no estacionamento do Shopping China, morto em Pedro Juan Caballero após ser atingido por pelo menos 16 tiros, que atingiram a região da cabeça, rosto e peito. 

Ex-candidato a vereador, o brasileiro Jonathan concorreu pelo MDB e teve a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral, com sua morte comentada até mesmo pelo deputado paraguaio, Santiago Benítez (ANR-HC).

Ex-vereador de Pedro Juan Caballero, Santiago Benítez inclusive Desistiu recentemente de disputar a prefeitura de PJC por estar recebendo ameaças em meio à onda de atentados no Paraguai. 

O tiroteio seguinte teve alvo específico, semelhante ao terceiro caso que acabou vitimando outro brasileiro, nesse caso inocente, já que o mecânico atingido por uma bala perdida estaria no interior de uma loja de peças de reposição para motocicletas.

Essa ocasião de terceiro atentado ocorreu próxima às vias General Bruguez e Yegros, distante menos de 1,5 km do centro de Ponta Porã, com o alvo dos criminosos sendo Luiz César Argüello, homem conhecido como "Anguja que estaria a bordo de seu Jeep Compass cinza que ficou com 37 marcas de bala ao todo. Ele sobreviveu em um primeiro momento e foi removido para o hospital particular de San Lucas

 

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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