Cidades

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Libanês suíço

Libanês suíço

HEITOR FREIRE, CORRETOR DE IMÓVEIS – ADVOGADO IMÓ[email protected]

05/02/2010 - 01h28
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Antigamente se falava que Campo Grande era uma ilha de japoneses cercada de turcos (que de turcos só tinham o passaporte) por todos os lados. Ou vice-versa. Eu, particularmente, me dou muito bem tanto com nipônicos como com libaneses, sírios, árabes. É interessante a identificação dos libaneses com os brasileiros. Eles logo que chegaram pegavam suas malas cheias de armarinhos, meias, quinquilharias e se internavam pelo interior do país, sem saber falar a nossa língua, mas sabendo muito bem fazer contas, com um papel onde estava escrito o fundamental para iniciar uma conversa e assim se comunicavam. É de ressaltar também a cordialidade com o nosso povo; nos chamavam de primos, aliás de “brimos”. Esta digressão inicial vem a propósito de um cidadão que, como todo bom libanês, descendente dos maiores mercadores que este mundo já conheceu – os fenícios, que desafiavam os oceanos e partiam com suas mercadorias em seus barcos d’antanho para negociar em todas as partes, mesmo sem conhecer as línguas locais – é comerciante. Mas é um comerciante diferente de todos os outros que conhecemos. Muito simpático, de uma simpatia natural, alegre, comunicativo, sempre com a barriga encostada no balcão, onde se dispõe a conversar com seus clientes que gostam muito dele e da sua prosa. Pois este cidadão libanês que para cá veio juntamente com seus pais, aos 9 anos de idade, tem o seu comércio instalado na Rua 7 de Setembro há mais de 30 anos. É o Thomaz. Dentre seus irmãos, destacamos o Chafic. Chafic João Thomaz, que, egresso das forças armadas, elegeu-se vereador e exerceu o seu mandato por diversas legislaturas, em todas exercendo o seu munus com muita dedicação, competência e responsabilidade e que, certamente, teria muito a ensinar aos atuais vereadores. A nossa Câmara de Vereadores já teve entre seus componentes, gente da estirpe de um Plínio Barbosa Martins, de um David Balaniuc, de um Humberto Canale Júnior, de um Clodoaldo Hugueney Sobrinho e de tantos outros que tanto dignificaram aquela casa de leis, cujo nome Casa de Leis Vespasiano Barbosa Martins, homenagem justa e merecida àquele que tanto contribuiu para a nossa história e que deve estar um tanto decepcionado com a atual safra de vereadores. E o Thomaz, nosso personagem, dono da esfiharia mais popular da nossa cidade: muito pela qualidade do produto, mas mais ainda por sua personalidade cativante, atraente, e por seu sistema de trabalho. A esfiharia do Thomaz existe há tanto tempo que muitas gerações de campo-grandenses – alunos da Mace, que escapavam na hora do recreio para dar uma namoradinha rápida no seu estabelecimento –, hoje continuam como seus fiéis fregueses. E ele tem uma característica especial que deveria merecer até estudo sociológico pela raridade do seu comportamento: ele confia no ser humano. O que, aliás, deveria ser um procedimento normal para todos, mas que, infelizmente, não é a regra. Lá quem fala quanto consumiu é o cliente. Ninguém toma nota de nada. É fácil identificar um cliente novo, pois este, quando chega ao caixa, pela primeira vez, pergunta: “Quanto é?” E o caixa, invariavelmente: “O que o senhor comeu?” E este, surpreendido pela pergunta responde: “tantos salgados”, ao que o caixa faz a conta e lhe diz o valor da sua despesa. Os clientes antigos já chegam dizendo comi tanto e estou levando tanto. Naturalmente. No burburinho do movimento mais intenso, ao final da tarde, quando a sua esfiharia fervilha de tanta gente, lá está ele, sorrindo, no balcão, normalmente ao lado do caixa, conversando, conversando, conversando. É por isso que o título deste artigo é “Libanês suíço”. Na Suíça, as bancas de jornais não têm atendente. O cliente chega, escolhe o seu jornal, vai até o caixa – que é somente um lugar físico, sem funcionário – e faz o seu próprio troco, deixando o pagamento correspondente, correto. O exemplo do Thomaz deveria prosperar, influenciando as pessoas a ter um comportamento igual. Pois ele, a seu modo afável, tranquilo, não tem a menor preocupação com a veracidade da informação do seu cliente. Confia e pronto. E assim, também dá, através do seu exemplo, uma maravilhosa lição de amor ao próximo. Acredito que ele nunca tenha levado calote. Belo exemplo.

jogatina

Após duas reprovações, governo convoca terceira empresa no leilão da Lotesul

A empresa ofereceu repasse de 35,33% ao governo do Estado e será convocada para a prova de conceito, etapa onde outras duas foram reprovadas

11/03/2026 17h30

Governo prevê faturamento bilionário para parceria da Lotesul

Governo prevê faturamento bilionário para parceria da Lotesul Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após duas empresas serem reprovadas na prova de conceito da segunda etapa do leilão para assumir a Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul), a Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria Ltda. será convocada para a prova de conceito. A empresa ofereceu repasse de 35,33% ao governo do Estado na nova rodada do pregão realizada nesta quarta-feira (11).

Após a realização de negociação direta e da documentação apresentada, foi constatado que os documentos atendem às exigências do edital.

Desta forma, a licitação foi suspensa para a realização da prova de conceito, que é a etapa na qual as duas empresas anteriores foram reprovadas. Foram desclassificadas a Lottopro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas Ltda e a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação.

A convocação da Idea Maker será publicada no Diário Oficial do Estado, onde constará a data de realização da prova.

A Prova de Conceito em licitação é uma etapa técnica, onde o licitante mais bem classificado demonstra, na prática, que seu produto ou serviço atende aos requisitos funcionais do edital. A prova de conceito valida a viabilidade técnica e a qualidade da solução antes da contratação final, sendo comum em Tecnologia da Informação (TI) e serviços complexos para evitar riscos.

A Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria Ltda. tem sede em Santana de Parnaíba. A empresa é uma Fintech, fundada em 2011, especializada em soluções digitais focadas em e-commerce de produtos com venda incentivada, soluções de pagamento e gestão e transação de dados.

Conforme consta no site da empresa, ela atua no setor de gestão e transação de dados com soluções para registro de contratos eletrônicos de financiamentos de veículos e sistema de gestão lotérica com ferramentas de monitoramento e fiscalização dos gestores lotéricos e órgãos reguladores de sorteios.

Leilão

O governo do Estado está em busca de uma empresa especializada para implantação e operação de solução tecnológica (plataforma) que controle as atividades lotéricas, integrada com meios de pagamentos, para gerenciar e controlar as atividades e fluxo financeiro dos operadores lotéricos da loteria de MS, incluindo manutenção, customização e atualizações que se fizerem necessárias durante a vigência contratual, com entrega total do código-fonte e banco de dados ao final do contrato.

A licitação foi suspensa duas vezes no ano passado e sofreu alterações no edital em comparação com quando foi lançado. Porém, pelo seu potencial de arrecadação ser na casa dos bilhões de reais, segue atraindo atenção das empresas de loterias espalhadas pelo País.

A primeira disputa pela Lotesul foi em março do ano passado, mas foi paralisada logo no início do certame, para, supostamente, responder a uma dúvida de interessados.

A empresa que vencer a licitação para comandar a Lotesul poderá ter um faturamento anual bilionário, segundo estimativa macro feito pelo governo do Estado.

Apesar de no edital de licitação constar que a “estimativa da receita média anual de remuneração da plataforma é de R$ 51.474.339,31”, no termo de referência feito pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), organizadora do certame, o valor que a ferramenta pode chegar é muito maior.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul em 2022 foi de R$ 166,8 bilhões. A fatia de 0,85%, portanto, significa uma receita de R$ 1,417 bilhão.

Na última divulgação feita pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o Produto Interno Bruto (PIB) foi de R$ 184,4 bilhões. A estimativa para 2025 era de mais de R$ 227,8 bilhões, o que representaria mais de R$ 2 bilhões ao ano.

A Lottopro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas LTDA. havia ganhado o primeiro leilão em 23 de janeiro, mas, foi reprovada na prova de conceito por falta de cofre de regulação (eletrônico), o que é uma exigência do edital feito pelo governo de Mato Grosso do Sul para a Lotesul.

A segunda colocada, a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação LTDA, também foi reprovada na segunda etapa do processo licitatório, no dia 6 de março.

   

CAMPO GRANDE

Alagamentos em galpões de recicláveis colocam vida dos catadores em risco

O Ministério Público Estadual recomendou que Prefeitura de Campo Grande e Solurb adotem medidas para melhorar a infraestrutura dos barracões e garantir a segurança dos trabalhadores

11/03/2026 17h15

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Durante o período de chuvas intensas em Campo Grande, catadores de lixo passam por dificuldades na Unidade de Tratamento de Resíduos (UTR), localizada no Parque do Lageado. De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), estes profissionais trabalham com pés na água e correm o risco de tomarem choques elétricos devido a falhas na estrutura e drenagem.

Com isso, o MPMS, por meio da 26ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, expediu recomendação à prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e à concessionária Solurb, responsável pela gestão da limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos da Capital, para que adotem providências imediatas na UTR do Parque do Lageado.

A recomendação é fundamentada em um relatório de vistoria elaborado pelo Núcleo Ambiental de Apoio ao CAOMA, que identificou cenários críticos durante períodos de chuva.

De acordo com o MPMS, as estruturas de operação da UTR de Campo Grande possuem altura elevada, grande abertura e telhas que necessitam de reparos. Devido à altura excessiva das coberturas e à falta de vedação lateral, a água invade os barracões, causando alagamentos nas áreas de triagem.

Barracões de armazenamento de materiais para triagem / Reprodução

Além disso, o ponto crítico destacado pelo MPMS é que os catadores da UTR de Campo Grande estão submetidos a condições precárias de trabalho. Eles foram flagrados operando prensas e esteiras elétricas com os pés submersos, devido ao transbordamento da rede de drenagem pluvial e à infiltração nos pavilhões. Foi identificado que o coletor pluvial direciona o fluxo da água para dentro de um dos barracões.

Prensa em piso com água acumulada / Reprodução

Além da questão de segurança do trabalho, a infraestrutura precária afeta diretamente a renda dos catadores, pois a falta de espaço coberto adequado para o volume de resíduos recebidos obriga o armazenamento de materiais ao ar livre.

Assim, expostos às condições climáticas desfavoráveis, os recicláveis ficam úmidos e perdem o valor de mercado, inviabilizando a operação eficiente das cooperativas COOPERMARAS, Novo Horizonte e CATA-MS, além da associação que atua no local.

Recomendações

O Ministério Público Estadual recomenda ao Município de Campo Grande e à concessionária Solurb, que adotem, no prazo de até 60 dias, as medidas necessárias para implementar infraestrutura adequada, para garanir a proteção dos catadores, o armazenamento correto dos materiais manuseados e a operação eficiente da unidade, são elas:

  • a adequação da cobertura e telhas; e a vedação lateral dos barracões para impedir a entrada de águas pluviais nas áreas de triagem, de modo que o ambiente de trabalho e os materiais não fiquem expostos às intempéries;
  • a disponibilização de local adequado para armazenamento dos materiais destinados à triagem, compatível com o volume da coleta seletiva recebido pela unidade, evitando sua disposição fora de área coberta;
  • a realização de reparos e manutenção periódica nas coberturas e na rede de drenagem pluvial (limpeza/desobstrução, caixas de passagem, grelhas, caimento e pontos de lançamento), dentre outros necessários, a fim de sanar problemas de transbordamento e alagamento;
  • a adoção de medidas imediatas para que os equipamentos elétricos não fiquem alojados em áreas com acúmulode água ou sujeitas a alagamentos, garantindo a segurança dos cooperados e a adequada utilização dos equipamentos.

A recomendação reforça que, embora o serviço seja delegado à Solurb, o Município de Campo Grande é o titular da gestão de resíduos e deve garantir a segurança e continuidade do serviço.

Com isso, ambos têm 30 dias para informar ao MPMS sobre o acatamento da recomendação e apresentar o cronograma de obras. O não cumprimento das medidas poderá resultar em ações judiciais por danos ambientais e ao patrimônio público.

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