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Lotesul

Licitação da "jogatina" no Estado fica para o mês que vem

Certame está "empacado" e empresas Dodmax e PayBrokers só devem ser confirmadas como operadoras da loteria estadual após fim do prazo de recursos

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O governo do Estado deve assinar o contrato com o operador da Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul) até o fim de julho deste ano. A demora na confirmação do consórcio formado pelas empresas Dodmax Tecnologia S.A. e PayBrokers Loterias Ltda. se deve ao fato de as outras concorrentes terem apresentado recursos contra o resultado, que só será homologado após as respostas a essas reclamações.

De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), responsável pela licitação, atualmente o processo está paralisado para que sejam respondidos os recursos e a previsão é de que esta semana esta fase seja encerrada. “O recurso será analisado pela Sefaz e pela SAD [Secretaria de Estado de Administração]”.

Após esse período é que as empresas devem ser confirmadas como operadoras da Lotesul, em licitação que se arrasta desde o ano passado. Da confirmação até a efetiva assinatura do contrato, porém, ainda deve demorar mais um mês.

“Superada a fase recursal, caso não haja novos impedimentos, o processo seguirá para a publicação do resultado final e, posteriormente, para a assinatura do contrato com a empresa vencedora do certame. A estimativa é que a assinatura aconteça até o fim de julho ou início de agosto”, informou a Sefaz, em nota.

“Somente após a conclusão dessa etapa contratual será possível avançar para o edital de credenciamento dos operadores lotéricos, que são as empresas responsáveis pela oferta efetiva dos jogos”, completou a secretaria ao Correio do Estado.

Os recursos aconteceram porque em chamadas anteriores a administração estadual desclassificou três empresas.

A primeira foi a LottoPro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas Ltda. (atuante no Paraná, Maranhão, Paraíba, Tocantins, Rio de Janeiro e Mato Grosso), que havia oferecido ao Estado 43,36% da arrecadação.

Outras desclassificadas foram a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação Ltda., controlada pela família Baungartner, tradicional no mercado de jogos em vários estados, com proposta de 36,11%, e a Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria, que tem sede em São Paulo e tinha oferecido 35,33%.

A Dodmax, que depois acrescentou a PayBrokers à licitação, e propôs ficar com 69% da arrecadação para operar a Lotesul.

Em outras palavras, isso significa que o Estado deve receber R$ 31 milhões a cada R$ 100 milhões arrecadados, e a empresa ficar com R$ 69 milhões.

NOVELA

A licitação foi publicada pelo governo do Estado em janeiro do ano passado e deveria ter sido disputada em março do ano passado, mas foi paralisada por problemas no edital.

Segundo denúncia feita por supostos interessados no certame, entre eles Jamil Name Filho, que está preso na Penitenciária Federal de Mossoró (RN), o primeiro edital estaria com vícios e favoreceria apenas uma empresa a vencer.

Como todos os pedidos de impugnação foram rejeitados pelo governo, os interessados recorreram ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), que iniciou avaliação sobre o edital.

Antes mesmo que o TCE-MS desse um retorno, o governo decidiu paralisar a licitação. Logo depois, em abril do ano passado, o tribunal suspendeu a licitação para os pedidos de impugnação.

O certame foi destravado apenas em janeiro deste ano, quando houve a concorrência da Lotesul.

“FAVORITA”

A empresa paranaense PayBrokers, que comanda a Loteria do Estado do Paraná (Lottopar) e acumula polêmicas policiais nos últimos anos, juntou-se à Dodmax apenas após todas as etapas terem sido cumpridas pela empresa.

Conforme consta no site de compras estadual, a empresa sul-mato-grossense oficializou um pedido para constituir um consórcio com a PayBrokers. 

Depois de consulta no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF) e no Tribunal de Contas da União (TCU), o pregoeiro confirmou que não teriam sido “encontradas sanções que pudessem impedir a participação no certame ou a futura contratação”, e habilitou as empresas.

Matérias do Correio do Estado do ano passado já mostravam que a PayBrokers acumula algumas polêmicas em seu histórico. 

A empresa paranaense foi alvo de operação da Polícia Civil do Pernambuco em 2024, em investigação sobre a atuação de jogos de azar por meio de bets legalizadas no Brasil, que levou à prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, em setembro do mesmo ano.

Segundo informações veiculadas na época, a PayBrokers estaria atuando como meio de pagamentos para jogos de azar no exterior do Brasil.

A investigação, segundo o G1 Paraná, ainda mostra que, entre 2022 e 2023, a Sports Entretenimento e Promoção de Eventos Esportivos Ltda. recebeu mais de R$ 19 milhões e repassou o dinheiro a outras três empresas, entre elas a PayBrokers.

A PayBrokers tem entre as empresas parceiras a Blaze, que chegou a ser investigada por estelionato. A plataforma tem entre os seus jogos o Fortune Tiger – o “jogo do tigrinho” –, que levou influenciadores digitais para a prisão em 2023, e o Crash – ambos no estilo de um cassino.

O contrato dela com a loteria paranaense também foi alvo de investigação por parte do TCE do Paraná.

Apesar de relatório apontar problemas no edital, que teria favorecido a empresa, o resultado do certame foi mantido.

* Saiba 

O termo de referência do edital feito pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) mostra que a estimativa de ganhos da empresa vencedora pode ser de até 0,85% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a projeção do PIB de Mato Grosso do Sul para 2025 era de mais de R$ 227,8 bilhões, o que representaria mais de R$ 2 bilhões ao ano para a empresa vencedora.

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Mens Occulta

Operação da PF apreende 3 toneladas de cocaína no interior de MS

Ação da Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Corumbá

02/06/2026 07h45

Espingardas e munições foram apreendidas durante a operação

Espingardas e munições foram apreendidas durante a operação Divulgação: PF

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Na manhã desta terça-feira (2), a Polícia Federal deflagrou a Operação Mens Occulta, com o objetivo de conter a ação de um grupo criminoso especializado no tráfico internacional de drogas. Em Mato Grosso do Sul, são cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Campo Grande.

Ao longo das investigações, em Corumbá, onde também ocorre a intervenção, os policiais apreenderam cerca de 2,9 toneladas de cocaína.

O grupo criminoso, sediado na cidade de Uberlândia (MG), é suspeito de movimentar R$ 70 milhões em valores sem lastro, no período de cinco anos, conforme relatórios de inteligência financeira.

Para lavar o dinheiro do crime organizado, empresas de fachada eram usadas para adquirem bens de luxo, como ranchos, apartamentos, cavalos de raça, embarcações e veículos. Os policiais apreenderam motos, armas e munições durante a ação.

Espingardas e munições foram apreendidas durante a operação

A operação conta com a participação de 230 policiais federais. A Subseção Judiciária de Uberlândia (TRF6) autorizou o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão e 25 de prisão preventiva.

As cidades onde ocorrem a operação são: Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba, Araguari, Centralina, Araporã e Belo Horizonte, em Minas Gerais; Cariacica, no Espírito Santo; Campo Grande e Corumbá, em Mato Grosso do Sul.

Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas, de formação de organização criminosa e de lavagem de dinheiro.

Exoneração

Justiça manda Agesul exonerar comissionados e abrir concurso público

Decisão atende ação do MPMS e aponta uso irregular de cargos de confiança para funções técnicas desempenhadas sem concurso

01/06/2026 19h02

Foto: Divulgação

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A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que o Governo do Estado e a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) exonerem servidores nomeados irregularmente para cargos comissionados e realizem concurso público no prazo de até 12 meses.

A decisão atende a uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que identificou o uso indevido de cargos de confiança para a execução de atividades técnicas permanentes.

A sentença, assinada pelo juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, acolheu os argumentos apresentados pela 31ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, que apontou desvio de finalidade na ocupação de cargos comissionados na estrutura da autarquia estadual.

Servidores exerciam funções técnicas

De acordo com a investigação do MPMS, ocupantes de cargos de Direção Especial e Assessoramento (DCA-5) desempenhavam atividades incompatíveis com a natureza dos cargos de confiança.

Entre as funções identificadas estão fiscalização de obras, análise de projetos e contratos, elaboração de pareceres técnicos, conferência de medições e apoio a processos licitatórios.

Segundo o promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, a apuração revelou que diversos trabalhadores contratados temporariamente foram nomeados para cargos comissionados logo após o encerramento de seus contratos, em alguns casos no dia seguinte ao término do vínculo, apenas para permanecerem nas mesmas funções sem a realização de concurso público

Para o Ministério Público, a prática configurou uma forma de manter servidores em atividades permanentes da administração pública sem observar a exigência constitucional de seleção por concurso.

Entendimento segue posição do STF

Na decisão, o magistrado destacou que cargos em comissão devem ser utilizados exclusivamente para funções de direção, chefia e assessoramento, que exijam relação de confiança pessoal entre o servidor e a autoridade responsável pela nomeação.

Ao analisar os cargos questionados, o juiz concluiu que as atribuições exercidas possuíam natureza eminentemente técnica, sem características de assessoramento estratégico ou direção administrativa.

"As funções desempenhadas pelos servidores comissionados indicados na ação não são, de fato, de direção, chefia ou assessoramento, mas atividades técnicas que poderiam ser organizadas em carreira própria de servidor público com formação em engenharia ou arquitetura", registrou na sentença.

Alegação sobre gastos foi rejeitada

Durante a tramitação do processo, a Agesul argumentou que não realizou concurso público em razão das limitações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), especialmente em relação aos gastos com pessoal.

A justificativa, entretanto, foi rejeitada pela Justiça. Conforme a sentença, a substituição dos servidores comissionados por concursados não representa aumento significativo de despesas, uma vez que os cargos atualmente ocupados poderão ser extintos após a posse dos novos servidores efetivos.

Concurso deverá ser concluído em até 12 meses

Para evitar prejuízos à continuidade dos serviços prestados pela agência e ao andamento das obras públicas estaduais, a decisão autoriza a permanência dos atuais ocupantes dos cargos até a conclusão do concurso.

Após a homologação do certame, o Estado e a Agesul deverão promover a exoneração dos servidores comissionados irregulares e a posse dos aprovados.

A sentença também prevê multa diária de R$ 5 mil para cada um dos réus em caso de descumprimento das determinações judiciais. O valor poderá chegar ao limite de R$ 500 mil para o Estado e para a Agesul.

A decisão ainda cabe recurso.

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