Cidades

MEDO CONSTANTE

Mães de crianças autistas expõem problemas por falta de profissionais especializados em escolas

Descompassado diante da demanda de alunos autistas, sem especificar o total, Secretaria de Educação promete novos trabalhadores em ações ainda para março

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Falta de profissionais especializados para acompanhamento de alunos autistas, em Campo Grande, é um problema que se estende há tempos e, enquanto a Secretaria Municipal de Educação tenta equilibrar a quantia de profissionais com a demanda de estudantes, mães vivem momentos de terror que vão de encontrar suas crianças com marcas pelo corpo e até mesmo totalmente defecados. 

Ainda no ano passado, o Correio do Estado ilustrou a situação da falta de assistente educacional inclusivo, em pelo menos três escolas da Rede Municipal de Ensino (REME), Prof.ª Oliva Enciso, no Bairro Tiradentes; Wilson Taveira Rosalino, no Aero Rancho e Padre José de Anchieta, na Vila Planalto.

Dessa vez, mães de alunos autistas da Escola Municipal Nerone Maiolino, no bairro Vida Nova, é quem relatam dificuldades que enfrentam diante da falta de cuidado para com seus filhos. De marcas de unha pelo corpo; não deixar a criança brincar no intervalo; encontrar o filho trancado no banheiro com a professora e até todo defecado, as reclamações se acumulam. 

Números da REME apontam que, ainda em 2022, a Rede somava, aproximadamente, 3,2 mil alunos com algum tipo de deficiência, dos quais mais de 1,4 mil eram autistas, com cerca de 1,1 mil profissionais de apoio. 

Mais recente, a Semed detalha que, o número de alunos na educação especial aumentou quase uma unidade de milhar e hoje somam 4.072 estudantes. 

Entretanto, os dados mostram redução no número de autistas, que contabilizam 1.277 em 2023.

Problemas na escola

Ana Paula, mãe do pequeno Yan, que é autista não verbal, revela que está na saga por uma educação de qualidade há tempos e é ela quem conta o episódio de encontrar o filho todo defecado, quando foi buscar a criança na escola. 

"Fui pegar meu filho e ele estava todo 'cagado', com fezes até no cabelo, na orelha. Eles tentaram limpar meu filho, trocaram ele com a roupa que mando na mochila, mas o despreparo é nítido", comenta. 

Reprodução/ Arquivo Pessoal

Sobre o episódio de encontrar o filho defecado, através da Semed, a direção da unidade escolar comentou, dizendo que a situação aconteceu próximo ao horário da saída e o aluno foi levado para o banheiro, momento em que a mãe chegou para buscá-lo, conforme o texto.

Ainda, a nota da Semed aponta que: "conforme relatado pela escola, a professora estava acompanhada de outra profissional que a auxiliava no momento em que realizava a higiene do aluno".

"É a coisa mais triste você ir buscar seu filho na escola e ele todo cheio de merd*, no cabelo, no ouvido. Disseram que deram um banho, porque eu mando roupa reserva, mas que ele tinha feito na sala e foi tirando a roupa, pisando em tudo. Pelo que eu sou mãe eu sei, ficou muito tempo ele começou a enfiar a mão na roupa e jogar para fora, a ficar nervoso e pisotear. Elas, sem preparo nenhum, ficaram no desespero", diz a mãe.

Desanimada e desmotivada para levar seu filho na escola, Ana cita que cada dia escuta uma reclamação diferente da unidade escolar, chegando a deixar o filho por um período menor de tempo, para ver se seu transtorno também diminui

"Não tenho segurança para deixar meu filho na escola. Fui buscar e a professora estava com ele trancado no banheiro. Quando vou questionar, elas me perseguem, não posso falar nada. Não tô dizendo que ela é uma assediadora, mas o seguro morreu de velho, as coisas estão acontecendo e meu filho não sabe falar", expõe. 

Ela revela que o filho já apareceu com diversas marcas no corpo e, ao buscar respostas, diz que a reunião para tratar do assunto o encontro tomou outro rumo. 

"Disseram que meu filho fala até palavrão na escola, sendo que ele é autista, não verbal, não fala nem 'mãe', que dirá o palavrão que elas comentam que ele falou, que é horrível. Percebo que não querem meu filho lá", completa ela.  

Fabyana, mãe do pequeno Bruno, é outra mãe que enfrentou problemas no Nerone, até que foi necessário mudar a criança de escola. 

"Ele [Bruno] reclamou que a professora bateu nele e agora não está indo na escola. Arrumaram um professor para atender uma ou duas horas em casa, mas na unidade não pode e não tem", diz ela. 

Em conversa com um dos professores que auxiliavam seu filho, o profissional chegou a contar que a ideia seria manter essas crianças em casa e pagar pouco. Porque, por disponibilidade, o profissional conseguiria atender os alunos na unidade.  

"Eles estão correndo do problema e jogando para dentro de casa. Eu e o diretor discutimos feio. Ele não quer arrumar, diz que não tem como. Também falei que não quero o tutor em casa. Vou acionar o Conselho antes que acionem para mim, dizer que não quero levar o Bruno na escola", complementa Faby. 

Por fim, Ana Paula ainda diz que questionou os funcionários do motivo de andarem segurando Yan pelo pulso, no que ela classifica como "um presidiário dentro da escola". 

"Tem que deixar um pouco a vontade. Para você ver o despreparo, tratando como um doente ou bicho que se soltar vai causar algum dano a alguém. Tem diferença em andar segurando a mão e segurando o pulso".

Ana Paula conclui dizendo que, para ela, infelizmente, seu sofrimento teve início desde quando o Yan começou a frequentar Centros de Educação Infantis. 

"Já fui pegar meu filho até ensanguentado, tem uma marca na testa que derrubaram ele e não sei nem como. E eu tive que me virar, para levar no posto, no médico, tem a cicatriz até hoje. Elas querem que eu não leve mais, mas levo e fico pedindo a Deus para que nada de ruim aconteça com meu filho", finaliza ela. 

 

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PAC | CIDADES HISTÓRICAS

MS tira mais uma reforma de prédio histórico do papel com recurso federal

Fechada há mais de duas décadas, construção atribuída ao italiano Fernando Mármore, ainda no início do século XX, contribui para a identidade visual e patrimonial da área central de Corumbá

01/06/2026 13h00

Recuperação e devidas adequações nas instalações servirão para que o espaço abrigue novas dependências públicas.

Recuperação e devidas adequações nas instalações servirão para que o espaço abrigue novas dependências públicas. Reprodução/PMC

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Através da edição do Diário Oficial Eletrônico de Mato Grosso do Sul (DOE-MS) desta segunda-feira (1° de junho), o Estado pretende tirar mais uma reforma de prédio histórico do papel com recursos federais, quase quatro milhões para o prédio do antigo Hotel Internacional, que fica na rua Frei Mariano, no Coração do Pantanal. 

Há aproximadamente duas semanas era anunciado o empenho de mais de R$5 milhões para restauração do prédio da antiga prefeitura de Corumbá, Cidade Branca, que ganha o próximo passo de outro prédio histórico prestes a ser restaurado. 

Pelo menos desde 2013 foi prometida a restauração desse antigo Hotel Internacional, da antiga Prefeitura e da Casa do Artesão no município corumbaense, tudo através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, como confirmado pelo próprio Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O projeto de restauração do antigo Hotel Internacional havia sido aprovado pelo próprio Iphan em dezembro do ano passado, sendo liberados exatos R$3.834.292,75 para contratar empresa especializada para elaboração de projeto executivo e execução de obras de restauração do espaço. 

Pelo menor preço global, o prazo para encaminhamento das propostas abre na próxima segunda-feira (08) e encerra às 08h29min (pelo horário do Mato Grosso do Sul) do dia 22 de junho, com a sessão pública marcada para para começar às 08h30 desse mesmo dia, conduzida pela Secretaria Executiva de Licitações e Contratações, sob a gestão da Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico (Fuphan).

Cabe esclarecer que este modelo de certame também se dará através da chamada "licitação com inversão de fases", onde basicamente acontece primeiro a etapa de julgamento das propostas para somente depois ocorrer a verificação dos documentos para habilitação da empresa.

Estabelecido através da nova lei de licitações que data de 2021, na prática é feita primeiro a publicação de edital, apresentação das propostas e disputa de lances e o julgamento, sendo somente a empresa com melhor oferta a que passará pela verificação das documentações. Em resumo, essa atualização da legislação de 93 proporciona maior agilidade e economia de tempo.

Monumento histórico

Mantendo características históricas e arquitetônicas, o prédio em questão é considerado um símbolo dentro do conjunto urbano corumbaense, com as recuperações e devidas adequações nas instalações servindo para que o espaço abrigue novas dependências públicas. 

Localizado na região central de Corumbá, esse Antigo Hotel Internacional está situado no número 38 da Rua Frei Mariano, o espaço carrega consigo a relevância histórica, urbana e estética. 

Fechada há mais de duas décadas, a construção atribuída ao italiano Fernando Mármore, ainda no início do século XX, contribui para a identidade visual e patrimonial da área central de Corumbá, próxima ao Antigo Hotel Galileo, atual sede da Fuphan. 

Entre as características arquitetônicas no centro histórico da cidade, destacam-se as semelhanças entre os elementos decorativos das fachadas; proporções volumétricas e características arquitetônicas dos edifícios. 

Originalmente servindo como hospedaria, o prédio já abrigou diversas atividades comerciais com o passar dos anos, como, por exemplo, o icônico estabelecimento administrado por José Peinado batizado de Salão Elegante, que funcionou como alfaiataria e barbearia no coração do Pantanal. 

 

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RODOVIÁRIA VELHA

Cinco são assaltados a pedradas e três vão parar na UTI em Campo Grande

Três celulares foram subtraídos das vítimas, sendo dois da marca Motorola e um da marca Samsung

01/06/2026 12h15

DEPAC Cepol, onde o caso foi registrado - imagem de ilustração

DEPAC Cepol, onde o caso foi registrado - imagem de ilustração Governo de MS

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Cinco homens foram assaltados e agredidos a pedradas, na tarde deste domingo (31), na esquina das ruas Joaquim Nabuco com Marechal Rondon, bairro Amambai, nas proximidades da rodoviária velha, em Campo Grande.

Dos cinco, três sofreram lesões na cabeça e tiveram que ser encaminhados a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa, onde recebem cuidados médicos.

Três celulares foram subtraídos das vítimas, sendo dois da marca Motorola e um da marca Samsung.

De acordo com o boletim de ocorrência, duas pessoas assaltaram cinco homens nas imediações da rodoviária velha. Em seguida, as vítimas entraram em luta corporal com os assaltantes, na tentativa de recuperar os objetos.

Mas, elas foram agredidas com pedradas, tiveram graves ferimentos na cabeça, foram socorridas por populares e encaminhadas a UTI da Santa Casa.

Conforme apurado pela reportagem, a Polícia Militar foi acionada e conseguiu localizar os indivíduos na esquina das ruas Allan Kardec com Dom Aquino.

Ambos apresentavam lesões pelo corpo, decorrente da luta corporal. Eles foram algemados, presos e encaminhados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (DEPAC-CEPOL).

O caso foi registrado como “roubo majorado pelo concurso de pessoas” e “roubo, se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca” na DEPAC-CEPOL e segue em investigação pelas autoridades competentes.

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