Cidades

investigação do MPMS

"Mais louco do Brasil" terá de explicar aluguel de 150 banheiros para festa

Contrato assinado pelo prefeito de Ivinhema às vésperas da Festa da Mandioca, em julho, previa 140 banheiros químicos convencionais de 10 para portadores de deficiências

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Embora não haja nenhum precedente indicando que a ingestão da tradicional mandioca ou de seus derivados possa gerar algum desconforto ou mal estar intestinal, o "prefeito mais louco do Brasil", Juliano Ferro, de Ivinhema,  possivelmente estava preocupado com esta possibilidade quando organizou a Festa da Mandioca, realizada nos dias 18 e 19 de julho deste ano. 

Evidência disso é que pegou "carona" em uma ata de registro de preços da prefeitura de Jardim e firmou contrato para locação de nada menos de 140 banheiros químitos convencionais e mais dez para portadores de deficiência física. O município de Ivinhema, no sul de Mato Grosso do Sul, tem em torno de 29 mil habitantes. 

Esta grande quantidade de banheiros, porém, chamou a atenção de empresas que atuam no setor e o prefeito youtuber, com mais de 1,3 milhão de seguidores nas redes sociais, acabou sendo denunciado ao Ministério Público, que nesta sexta-feira divulgou a abertura de um inquérito civil para exigir explicações de Juliano Ferro, que em setembro trocou o PSDB pelo PL. 

Além de pedir explicações sobre a grande quantidade de banheiros, a promotora Lenize Pedreira também quer saber se a prefeitura de Ivinhema utilizou os 12 geradores de energia e uma série de outros equipamentos que contratou ao aderir à ata de registro de preços.

O valor do contrato da prefeitura de Ivinhema com a empresa Leo Palcos e Eventos foi de R$ 509,3 e a principal explicação que a promotoria exige é se este valor foi efetivamente pago à empresa. Nota de empenho foi emitida no valor integral. 

De acordo com os autores da denúnica, que  inclusive enviaram fotos ao MPMS, nos dois dias de festa havia somente 14 banheiros químicos no local. Além disso, alegam que os geradores de energia foram cedidos gratuitamente pelo Governo do Estado. 

A denúncia diz ainda que oito camarins teriam sido contratados, mas somente dois efetivamente teriam sido instalados nos dias de festa. Outra suposta irregularidade é relativa ao uso de 250 metros quadrados de estrutura metálica usada para montagem de palcos. Nada disso, porém, teria sido usado na festa. 

A promotora já exigiu explicações do prefeito, mas ele não se manifestou no prazo previsto e por conta disso foi instaurado o inquérito civil. Em lives, porém, ele já teria informado que somente uma parte dos R$ 509 mil previstos teriam sido efetivamente pagos à empresa contratada. 

Esta mesma Festa da Mandioca já está na mira do MPE desde julho. Isso porque a prefeitura chegou a abrir licitação para aluguel de equipamentos. Porém, antes da homologação, o certame foi anulado e a prefeitura decidiu pegar "carona" na ata de registro de preços de Jardim. 

A alegação do prefeito é de que os valores apresentados ofertados pela própria administração municipal e levado em consideração pelas concorrentes estavam muito acima daquilo que seria razoável e que a adesão ao pregão de Jardim garantiria uma economia de até R$ 427 mil à prefeitura de Ivinhema. 

Em sua defesa, os advogados de Juliano Ferro classificaram a denúncia como sendo fruto do “descontentamento  de licitante que participou de certame realizado pelo município, e cuja revogação foi fundamentada em estrito cumprimento aos princípios da legalidade, eficiência e economicidade…”

Depois da investigação inicial sobre suposta ilegalidade na "carona" é que vieram a público os detalhes do contrato que previa, por exemplo, o aluguel dos 150 banheiros. Por conta disso o leque na investigação está sendo ampliado agora pela promotoria. 

FESTEIRO

Antes desta denúncia, o prefeito, que tem pouco mais de um milhão seguidores no Instagran e 316 mil no Facebook, já havia virado alvo de investigação do Ministério Público porque, supostamente, utilizava as festas populares, como a do peão e da mandioca, para promoção pessoal, já que costuma subir no palco e literalmente fazer shows com os artistas contratados para animação do público. 

Além disso, chegou a ser investigado porque teria favorecido determinados artistas por valores que, supostamente, estavam acima do valor de mercado. 

IMPORTÂNCIA DA MANDIOCA

Embora não seja o maior produtor de mandioca do Estado, a produção tem papel importante na economia de Ivinhema. São em torno de 3,5 mil hectares e em torno de cem mil toneladas por ano, representandoe 10% da produção estadual. 

A maior parte daquilo que é produzido em Mato Grosso do Sul se destina às fábricas de fécula, sendo boa parte à exportação. Em 2022, por exemplo, foram exportadas 23 mil toneladas do produto, que renderam 17 milhões de dólares à economia da região. 

O Correio do Estado entrou em contato com o prefeito Juliano Ferro na manhã desta sexta-feira, mas até a publicação da reportagem não havia obtido retorno.
 

Conferência das Partes

PF age na COP15 em Campo Grande e fiscaliza segurança privada do evento

Polícia Federal tanto compõe e estrutura esquema especial de segurança, quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais

26/03/2026 09h44

Agentes estão  empregados de forma estratégica e preventiva

Agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional".  Reprodução/PF/CS.SRMS

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Até o próximo domingo (29), a Polícia Federal atua e também fiscaliza a segurança privada da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada no espaço Bosque Expo em Campo Grande. 

Nessas duas frentes, a PF tanto compõe e estrutura um esquema especial de segurança quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais. 

Durante essa semana acontecem ações de fiscalização dos vigilantes privados que atuam durante a Conferência, que basicamente garantem que toda a segurança contratada da COP15 "esteja de acordo com a legislação vigente". 

Como bem esclarece a PF, através do setor de comunicação social da superintendência regional em Mato Grosso do Sul, essa fiscalização da segurança privada é essencial em eventos de grande porte, garantindo um ambiente seguro e regulado para servidores, público e os profissionais que realizam o evento. 

Esquema de segurança

Além de fiscalizar a segurança privada, o emprego das chamadas equipes especializadas do Comando de Operações Táticas (COT) estrutura um esquema especial responsável por reforçar as ações preventivas e proteger as autoridades e delegações participantes. 

Dessas medidas, por exemplo, cabe destacar que esses agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional". 

Ou seja, esses agentes do Comando de Operações Táticas (COT) trabalham a todo o tempo durante a COP15 com objetivo de identificar e de neutralizar eventuais ameaças. 

"A atuação envolve vigilância qualificada, posicionamento tático em locais estratégicos e capacidade de pronta resposta a incidentes que podem comprometer a segurança das autoridades, das delegações estrangeiras, do público e das estruturas relacionadas ao evento", complementa a PF em nota.

Além disso, como bem acompanha o Correio do Estado, até mesmo "fuzis anti drones" estão sendo usados pela Polícia Federal durante a COP15, para inclusive neutralizar eventuais voos irregulares de aeronaves remotamente pilotadas (RPAs) nas áreas sob proteção.

É importante esclarecer que há protocolos específicos para inclusive resposta imediata, por isso a PF reforça que o emprego de aeronaves remotamente pilotadas nas áreas de interesse da segurança do evento deve observar as normas vigentes e eventuais restrições temporárias de espaço aéreo estabelecidas para a COP15.
 

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Campo Grande

Prefeitura monta plano para privatizar unidades 24 horas

Proposta apresentada pela Sesau para o Conselho Municipal de Saúde foi rejeitada pela maioria; ideia seria conceder a parte administrativa dos CRSs

26/03/2026 08h35

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital Gerson Oliveira

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A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), montou um plano para privatizar duas Unidades de Saúde com atendimento 24 horas da Capital e apresentou a proposta para o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal.

Ontem, membros da Sesau se reuniram com representantes do CMS para apresentar uma proposta de terceirização dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e do Tiradentes. O plano é alterar o modelo de gestão dessas unidades para Organizações Sociais de Saúde (OSSs), sem mudanças estruturais previstas inicialmente.

A ideia seria entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada, o que, segundo a Sesau em sua apresentação, daria celeridade a processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

Em nota enviada à reportagem, o CMS se posicionou contrário à intenção da Sesau de privatizar ambos os Centros de Saúde, por entender que a alteração no modelo de gestão não vai resolver os principais problemas das unidades, podendo, inclusive, piorar a situação dos gargalos que hoje elas enfrentam.

“O Conselho Municipal de Saúde não se opõe a essa proposta por mero posicionamento político circunstancial. O conselho se opõe porque compreende, à luz de sua história, de suas atribuições legais e da experiência acumulada no SUS, que a terceirização da gestão das Unidades Públicas de Saúde não enfrenta os principais problemas hoje vividos pela população de Campo Grande e ainda pode agravar fragilidades já existentes”, pontua.

“Transferir a gestão administrativa dessas unidades não cria leitos hospitalares, não reorganiza de forma automática a retaguarda assistencial e não elimina, por si só, os fatores que produzem superlotação e desassistência”, completa o CMS.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente do CMS, Jader Vasconcelos, disse que as duas Unidades de Saúde não recebem financiamento do Ministério da Saúde e, por isso, viraram alvo de privatização por parte da Sesau.

Durante a tarde, foi a vez dos vereadores da Comissão Permanente de Saúde receberem os representantes da Sesau para debater a proposta de terceirização. 

O vereador Lívio Viana de Oliveira Leite, o Dr. Lívio (União Brasil), que integra a comissão, disse que não esperava esta atitude do Município, além de esclarecer que é contrário ao plano.

“Fomos pegos de surpresa. Não sabíamos nada disso e fomos alertados pelo Conselho Municipal de Saúde. Hoje [quarta-feira] a reunião é um pedido da Comissão de Saúde para estes esclarecimentos. Eu, pessoalmente, sou contrário a essa terceirização”, afirma o vereador.

Cabe ressaltar que as OSSs são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em conjunto com o poder público no gerenciamento de Unidades de Saúde via contratos de gestão. Focadas em eficiência e agilidade, buscam maior produtividade no SUS, mas enfrentam desafios de transparência.

A conversão de administração pública para OSS já foi feita no âmbito estadual. A ideia começou em 2016, quando o secretário de Estado de Saúde era Nelson Tavares. Algumas das empresas que ingressaram naquela época, no entanto, foram retiradas posteriormente por problemas na gestão dos hospitais.

PLANO INICIAL

Em contato com a Sesau para mais informações sobre esse plano, a secretaria limitou-se a declarar que se trata de uma ideia inicial, ainda em análise, que será amplamente debatida com outros órgãos.

“Uma ideia de proposta para implementação de OSS na Remus [Rede Municipal de Saúde], que será amplamente discutida com o Conselho Municipal de Saúde, Câmara Municipal, Tribunal de Contas, entre outros”, afirma a Sesau.

A reportagem também questionou o gasto mensal da prefeitura para gerir as CRSs Aero Rancho e Tiradentes. Contudo, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

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