Cidades

Mato grosso do sul

Mais Social era usado para pagar de cachaça a Netflix

O uso indevido dos R$ 300 repassados mensalmente pelo governo estadual para famílias em vulnerabilidade social gerou a suspensão do benefício para 3,9 mil pessoas

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Cachaça, cerveja, cigarro, jogos on-line, streaming de filmes e séries e até motel foram custeados com o cartão do Mais Social, o que é proibido. Por conta dos usos indevidos e por problemas com informações do Cadastro Único (CadÚnico), 3.985 pagamentos do benefício foram suspensos ontem, em Mato Grosso do Sul.

O programa de transferência de renda e apoio às famílias em vulnerabilidade social deve ser usado para compra de alimentos, itens de higiene pessoal e gás de cozinha em estabelecimentos como mercados, minimercados e supermercados dentro de MS.

A compra de bebidas alcoólicas e produtos à base de tabaco, como fumo, cigarro e similares, é proibida pela Lei nº 5.639, de 5 de abril de 2021, que criou o Mais Social. O decreto nº 15.653, de 15 de abril de 2021, que regulamenta a Lei, prevê ainda a possibilidade de exclusão do beneficiário pelo uso indevido do cartão.

As irregularidades nos 3.985 benefícios foram descobertas nos levantamentos mensais feitos pela Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead).

Conforme levantamento da Pasta, entre alguns exemplos de mau uso do Mais Social foram constatadas, pelo menos, 56 casos em que houve a contratação de serviços de streaming, como Globo Play, Netflix, Disney, Amazon e Spotify.

O cadastro do cartão em aplicativos de transporte ocorreram por 30 vezes, além de 51 identificações do uso do Mais Social em lotéricas.

A secretária de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos, Elisa Cleia Nobre, explicou que, com dados do Banco do Brasil, emissor do cartão, situações críticas são avaliadas pelos servidores do Mais Social e, em caso de irregularidades, o benefício pode ser suspenso.

“Analisamos os casos críticos e procuramos entender se a ocorrência se trata mesmo de uma irregularidade. Em casos de uso indevido, o benefício pode ser perdido definitivamente”, alerta Nobre.

A secretária explica ainda que nos 79 municípios do Estado há coordenações próprias do Mais Social, o que facilita o acompanhamento do beneficiário e sua evolução com o apoio do programa.

“Não só pagamos o benefício, que é disponibilizado em forma de cartão de débito, mas também orientamos cada pessoa para que faça a utilização correta do Mais Social”, pontuou Elisa.

MAIS SOCIAL

A secretaria afirma que todos os beneficiários recebem orientação de como fazer o uso correto do serviço. Por meio de um cartão com a função débito, o programa Mais Social paga R$ 300 mensais para beneficiários que têm renda mensal familiar per capita inferior a meio salário mínimo (R$ 651).

Ainda de acordo com Nobre, o monitoramento é importante para zelar pelo dinheiro público e garantir o pagamento para quem precisa.

Ontem, o programa social foi pago para 87.920 pessoas, totalizando mais de R$ 26,3 milhões repassados diretamente para famílias carentes.

De acordo com o governador Eduardo Riedel (PSDB), o Mais Social é uma das prioridades da gestão, pois representa comida na mesa daqueles que mais precisam.

“Existe uma camada grande de pessoas que estão em situação de vulnerabilidade, principalmente em função da pandemia [de coronavírus]. Por isso estamos cumprindo nosso papel de prestar assistência a estas famílias”, disse Riedel.

Conforme o governador, os programas sociais são fundamentais para garantir cidadania aos moradores de MS. “Faremos uma gestão inclusiva e não deixaremos ninguém para trás”, acrescentou.

AMPLIAÇÃO

O governo de Mato Grosso do Sul anunciou ainda, em 2022, que já planejava para este ano a ampliação do valor da bolsa do programa Mais Social de R$ 300 para R$ 450 em 2023.

Conforme a titular da Sead, Elisa Cleia Nobre, estudos para viabilizar o aumento dos repasses aos beneficiários estão em andamento.

“Isso depende de um monitoramento que estamos fazendo com as famílias que hoje estão no programa para verificarmos aquelas que estão atendendo os critérios que são do programa. Então, após esse estudo que está progredindo de forma rápida, nós vamos ter esse acréscimo de R$ 300 para R$ 450 por família beneficiária do Mais Social”, reiterou Elisa.

Em relação ao aumento de beneficiários para 100 mil moradores de MS, a secretária salientou ao Correio do Estado que o governo estadual possui recursos garantidos e, conforme a necessidade, o Mais Social avança em número de beneficiários.

“Nosso Estado é forte e está em desenvolvimento, e isso abre vagas de emprego, gerando oportunidades para as nossas famílias. O que é muito bom, e quem precisa [de auxílio financeiro] está sendo atendido”, destacou Nobre.

Saiba: No caso do não recebimento do pagamento, o beneficiário deve procurar a coordenação local do programa em sua cidade para saber o motivo da suspensão. Dúvidas sobre o Mais Social também podem ser sanadas pelo telefone (67) 3368-9000.
 

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Epidemia de Chikungunya

Chikungunya recua nas aldeias de Dourados, mas cenário ainda preocupa autoridades de saúde

Informe do COE aponta queda nos atendimentos e casos agudos nas aldeias Bororó e Jaguapiru, porém município ainda registra internações e mantém força-tarefa com mutirões de limpeza e ações de combate ao mosquito transmissor

05/05/2026 18h32

Chikungunya recua nas aldeias de Dourados, mas cenário ainda preocupa autoridades de saúde

Chikungunya recua nas aldeias de Dourados, mas cenário ainda preocupa autoridades de saúde Foto: Divulgação/ Assecom

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Os números divulgados pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pela Prefeitura de Dourados para coordenar o enfrentamento à epidemia de Chikungunya na Reserva Indígena e no perímetro urbano do município, apontam recuo da doença nas aldeias Bororó e Jaguapiru.

Apesar disso, a situação ainda é considerada preocupante, e as equipes de saúde, de combate às endemias e de recolhimento de resíduos sólidos seguem atuando de forma intensiva na região.

As ações seguem as diretrizes do Plano de Ação de Incidente para o Enfrentamento da Chikungunya, documento que reúne um conjunto de medidas voltadas à contenção da doença.

Segundo o secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo, o recuo está diretamente ligado às estratégias adotadas.

“Esse resultado é fruto das ações firmes definidas pelo COE, sobretudo os decretos de emergência e calamidade, que permitiram reforço na atenção à saúde, mutirões de limpeza, contratação de profissionais e implementação da vacina contra a Chikungunya na rede básica”, destacou.

A redução pode ser observada na queda do número de notificações e atendimentos de pacientes com sintomas da doença.

Na segunda-feira (4), a Equipe 2 da Aldeia Bororó realizou 54 consultas clínicas e identificou quatro pacientes com sintomas da fase aguda da doença (entre 1 e 14 dias), seis na fase subaguda (15 a 90 dias) e nenhum caso na fase crônica (acima de 90 dias).

A Equipe 1 da mesma aldeia não precisou realizar remoções hospitalares nem busca ativa de novos casos.

Na Aldeia Jaguapiru, a Equipe 1 realizou 82 atendimentos, com três pacientes na fase aguda, oito na fase subaguda e um na fase crônica. Também não houve necessidade de encaminhamentos hospitalares, e foram coletadas três amostras para exames PCR.

Já a Equipe 2 contabilizou 29 consultas, sem registro de casos agudos, apenas cinco subagudos e um crônico, sem remoções.

No assentamento Nhuvera, localizado dentro da reserva, foram realizadas 29 consultas clínicas, sem identificação de casos na fase aguda. Três pacientes apresentaram sintomas da fase subaguda e não houve necessidade de encaminhamento hospitalar.

Informe epidemiológico

O informe epidemiológico divulgado nesta terça-feira (5) pelo COE aponta que, até o momento, foram registradas:

  • 3.141 notificações de casos suspeitos
  • 2.418 casos prováveis
  • 2.071 casos confirmados
  • 723 casos descartados
  • 347 casos em investigação

Apesar do recuo, a doença ainda está presente no município. Atualmente, 35 pacientes permanecem internados por complicações da Chikungunya, sendo:

  • 1 no Hospital Indígena Porta da Esperança (Missão Caiuá)
  • 18 no Hospital Universitário HU-UFGD
  • 1 no Hospital Cassems
  • 7 no Hospital Regional
  • 2 no Hospital Unimed
  • 3 no Hospital da Vida
  • 3 no Hospital Evangélico Mackenzie

Limpeza da aldeia

Até esta terça-feira (5), o mutirão de recolhimento de resíduos sólidos já retirou cerca de 250 toneladas de lixo em toda a extensão da Reserva Indígena de Dourados.

A ação tem como objetivo eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da doença.

A força-tarefa envolve Defesa Civil (estadual e municipal), Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), Secretaria Municipal de Saúde (Sems), Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), além do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai).

As ações seguem coordenadas pelo COE e fazem parte do Plano de Ação de Incidente para o Enfrentamento da Chikungunya, com foco na contenção da doença e prevenção de novos casos

CIDADE EMPREENDEDORA

Programa de Costa Rica que fortalece empresas locais conquista prêmio estadual

A premiação foi nesta terça-feira (5), em Campo Grande (MS), durante cerimônia que reuniu gestores municipais de todo o Estado

05/05/2026 17h24

O prefeito de Costa Rica, Delegado Cleverson (PP), durante a entrega do prêmio nesta terça-feira em Campo Grande (MS)

O prefeito de Costa Rica, Delegado Cleverson (PP), durante a entrega do prêmio nesta terça-feira em Campo Grande (MS) Divulgação

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A Prefeitura de Costa Rica foi consagrada vencedora do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora – Edição 2026, na categoria Compras Governamentais, com o programa “Empresa Parceira”. A premiação ocorreu nesta terça-feira (5), em Campo Grande, durante cerimônia que reuniu gestores municipais de todo o Estado.

Criado para reverter um cenário de baixa adesão de micro e pequenas empresas (MPEs) locais às licitações municipais, o “Empresa Parceira” enfrentou um problema comum a diversas cidades brasileiras: a evasão de recursos públicos para fornecedores de outras regiões, o que acaba enfraquecendo a economia local.

“Antes, o pequeno empreendedor via a burocracia como barreira e a fiscalização como ameaça. Com o selo ‘Empresa Parceira’ e um programa estruturado de capacitação e desburocratização, a prefeitura passou a atuar como parceira estratégica. O resultado é concreto: mais negócios locais vendendo para o poder público, mais empregos e dinheiro circulando em Costa Rica”, destacou o prefeito Delegado Cleverson (PP).

Selo

Um dos principais diferenciais do programa foi a criação do Selo Empresa Parceira por meio de Decreto Municipal, garantindo segurança jurídica à política pública. A iniciativa, somada a uma trilha de qualificação gratuita e a um atendimento mais ágil pela Sala do Empreendedor, contribuiu para recuperar a confiança dos empresários locais.

Ao todo, 81 selos “Empresa Parceira” foram concedidos a fornecedores ativos, atestando sua regularidade e capacidade técnica. Outro avanço significativo foi a redução do tempo médio para abertura de empresas, que caiu de 48 para apenas 12 horas, com meta de atingir 2 horas até 2028. Também foi registrado um crescimento de 64% no saldo anual de empresas formais no município entre 2024 e 2025.

O programa ainda impulsionou diretamente o empreendedorismo e a formalização do trabalho. Entre 2025 e 2026, 125 novas empresas foram abertas em Costa Rica, principalmente nos setores de comércio e serviços. A estimativa é de que cada novo negócio tenha gerado entre 3 e 4 empregos diretos, fortalecendo a economia local e reduzindo a dependência de fornecedores externos.

“As compras públicas deixaram de ser uma fonte de receita que escapava do município. Agora, elas são um motor de desenvolvimento local. Esse prêmio é um reconhecimento do Sebrae a uma gestão que ousa inovar, simplificar e apostar no pequeno negócio como protagonista”, afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento, Airton Pereira.

Investimento

Com investimento direto estimado em cerca de R$ 32,8 mil — incluindo identidade visual, selos e produção de materiais confeccionados por costureiras locais do projeto Rica Trama —, o programa teve capacitações realizadas sem custos adicionais, graças a parcerias. O modelo, considerado de fácil replicação, já desperta o interesse de outros municípios de Mato Grosso do Sul.

O “Empresa Parceira” concorreu com outras iniciativas inovadoras na área de compras governamentais e foi selecionado pelo comitê avaliador do Sebrae devido à sua eficácia comprovada, engajamento comunitário, uso estratégico da Lei Complementar nº 123/2006 (Lei Geral da MPE) e capacidade de transformar a relação entre o poder público e os empreendedores.

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