Cidades

"Rodovia da morte"

Após morte de criança, manifestantes ocupam BR-163 pedindo por melhorias

Trecho é palco de diversos acidentes, dentre eles um que vitimou uma criança de 9 anos no último domingo (2)

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O km 251 da BR-163, em Dourados, na saída para Caarapó, amanheceu ocupado por manifestantes, que pedem por mais segurança e melhorias na sinalização do trecho. Segundo a CCR MSVia, concessionária responsável pela rodovia, o tráfego está intenso na região, com congestionamento de 1 km, entre os km 250 e 251.

Manifestação consta no painel de monitoramento da CCR MSVia.

O trecho em questão vem sendo palco de diversos acidentes, dentre eles um ocorrido no último domingo (2) envolvendo três veículos, que restultou em uma criança de 9 anos morta, outra de 6 anos em estado grave e deixou outras quatro pessoas hospitalizadas.

A manifestação foi organizada por moradores de bairros e sitiocas próximas à rodovia, que precisam usá-la diariamente e convivem com os riscos do trânsito, que se tornou mais intenso nos últimos anos com a chegada de indústrias na região.

Dentre as reivindicações, estão acostamento e a implantação de acessos seguros às sitiocas, já que a falta da infraestrutura coloca em risco os que trafegam na via, desde os caminhoneiros e carros de passeio até os ciclistas e pedestres.

Além disso, os manifestantes cobram que o local receba mais sinalização, também com o intuito de tentar frear o aumento no número de acidentes nas proximidades. 

Em conversa com o portal Dourados Agora, moradores destacaram que não foram feitas melhorias na região desde que a CCR MSVia assumiu a concessão, há uma década.

“A gente precisa de uma entrada segura. O movimento cresceu demais e estamos expostos ao perigo todos os dias”, afirmou um dos organizadores. 

Os manifestantes aguardam que autoridades e representantes da CCR MSVia compareçam no local para apresentar soluções aos problemas apontados.

A BR-163 é a principal rodovia de Mato Grosso do Sul, cortando o estado de norte a sul, e sendo uma das vias de escoamento de produtos.

Acidente fatal

Na noite do último domingo (2), um acidente envolvendo três veículos deixou um morto e cinco feridos na BR-163, entre Dourados e Caarapó.

A vítima fatal foi identificada como Carlos Riklme Gomes de Freitas, de 9 anos. Ele chegou a ser reanimado com massagem cardíaca por 40 minutos, mas não resistiu e morreu no local.

Os outros cinco feridos foram encaminhados para o Hospital da Vida de Dourados, dentre eles uma criança de 6 anos, que está em estado grave.

Conforme noticiado pelo Correio do Estado, uma Toyota Hilux e uma Volkswagen Kombi seguiam no sentido Dourados-Caarapó quando, por motivos desconhecidos, a caminhonete bateu na traseira da Kombi. Com a colisão, os motoristas de ambos os veículos perderam a direção, saíram da pista e capotaram diversas vezes na vegetação às margens da rodovia.

Um Chevrolet Corsa, que vinha no sentido contrário, precisou sair da pista para não ser atingido frontalmente pelos veículos.

Pior índice desde 2017

Um levantamento realizado pelo Correio do Estado em novembro do ano passado mostrou que a BR-163 registra, em média, 71 acidentes por mês. De janeiro a outubro de 2024, a rodovia, que corta Mato Grosso do Sul da divisa com o Paraná à divisa com Mato Grosso, foi cenário de 709 acidentes, que resultaram em 57 óbitos.

A média de 71 acidentes por mês é o pior índice visto desde 2017. De janeiro a dezembro daquele ano, foram registrados 877 acidentes, uma média de 73 acidentes mensais.

Se comparados os óbitos registrados, os números mostram que 2024 é mais mortal na rodovia. Os índices apontam para uma média de 5,7 mortes por mês, mais do que a média de 5,1 mortes mensais registradas em 2017. Nos 12 meses daquele ano, 62 pessoas morreram na BR-163.

O ano de 2017 marcou ainda o início de uma queda no número de acidentes. No entanto, em 2020 esses índices voltaram a subir. Confira o levantamento:


Rodovia da morte

A BR-163 teve, por muitos anos, o título de "rodovia que mais mata", sendo que a privatização de 2013 buscava tirar o título macabro do trecho. 

Os números de 2015 apontam para uma queda significativa no número de mortos, que foi de 88 para 58 entre 2014 e 2015. No entanto, os índices voltaram a subir, principalmente porque a CCR MSVia, não cumpriu com o contrato, que previa a duplicação de todos os 845 km da BR-163, de Mundo Novo, na divisa com o Paraná, a Sonora, na divisa com o Mato Grosso.

O prazo para a duplicação completa terminaria em 2024, mas a concessionária fez apenas a duplicação necessária para iniciar a cobrança de pedágio, de cerca de 155 km.

A rodovia não recebe investimentos desde 2017, quando a empresa solicitou o reequilíbrio do contrato. A CCR chegou a dizer em 2019 que não tinha interesse em permanecer com a rodovia e até cobrou a devolução de ativos da União, no valor de R$ 1,4 bilhão.

O acordo final para a manutenção da empresa na gestão só foi alcançado em 2023, e aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em novembro de 2024.

Com essa decisão, espera-se um investimento de R$ 12 bilhões, que incluirá a duplicação de 170 km da via, a construção de uma terceira faixa em outros 190 km e diversas obras adicionais.

Colaborou: Naiara Camargo

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CAMPO GRANDE

Justiça nega liberdade a médica veterinária que ateou fogo no marido

Defesa pleiteava a revogação da prisão ou substituição por domiciliar, mas juiz considerou gravidade do crime e indeferiu o pedido

29/06/2026 18h30

Revogação da prisão foi indeferida pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande

Revogação da prisão foi indeferida pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 1ª Vara do Tribunal de Júri de Campo Grande, negou o pedido de liberdade provisória e manteve a prisão preventiva de uma médica veterinária, de 42 anos, acusada de atear fogo no marido, um servidor público federal de 41 anos.

O crime aconteceu no dia 22 de junho e a vítima teve cerca de 80% do corpo queimado, estando internado em estado considerável grave. A mulher foi presa em flagrante, sendo a prisão convertida em preventiva no dia seguinte, em audiência de custódia.

A defesa entrou com pedido de revogação de prisão preventiva e, subsidiariamente, a sua substituição por domiciliar cumulada com outras medidas alternativas, alegando que ela teria residência fixa, trabalho lícito e um filho menor sob sua guarda.

Ao analisar o caso, o juiz afirmou que a fundamentação utilizada na audiência de custódia permanece inalterada, utilizando trechos onde o magistrado que converteu a prisão em preventiva ressalta a gravidade do estado de saúde da vítima, que permanece internada, e afirma que "a gravidade concreta do delito, somada às severas consequências produzidas à vítima, evidencia risco à ordem pública, especialmente diante da expressiva repercussão social de crimes praticados nestas circunstâncias".

Aluizio Pereira dos Santos ressalta ainda que apenas a residência fixa e a ocupação lícita não são suficientes para a concessão da liberdade, assim como ter filho menor de idade, já que ela tem outra filha, de 22 anos, que está responsável pela criança, não sendo comprovada a imprescindibilidade da mãe nos cuidados.

"Assim, sopesadas as demais circunstâncias que determinaram a preventiva, reputo não ser cabível a substituição pretendida. Ressalto, ainda, que em razão da gravidade concreta do delito, aliás crime com violência extremada, tem previsão da impossibilidade da pretensão nesses casos, razão pela qual a aplicação de outras cautelares neste momento não se mostram suficientes e, sobretudo, não sendo medida socialmente recomendada; prudência que sempre deve atinar o julgador. Desse modo, mantenho a prisão", disse o juiz, na decisão

Relembre o caso

Conforme reportagem do Correio do Estado, o servidor público federal deu entrada no Hospital Proncor com queimaduras em praticamente 80% do corpo na última quarta-feira (22). 

No momento em que chegou ao hospital, ele estava consciente e informou a equipe de atendimento que sua esposa teria ateado fogo nele.

Pouco depois, a veterinária chegou ao local pedindo para vê-lo, mas não foi autorizada por funcionários da unidade, que a informaram que não estava em horário de visita. Temendo que a mulher retornasse, eles acionaram a Polícia Militar (PM).

Quando os policias chegaram ao  local, foram informados pelo médico responsável pelo atendimento que a vítima apresentava queimaduras extensas e estado saúde grave. Ainda segundo o médico, em razão da gravidade das lesões, o diretor administrativo se encontra internado, em coma e sob cuidados intensivos.

Os policiais apuraram junto ao médico, com base em informações repassadas pela vítima antes de entrar em coma, que o casal teria iniciado uma discussão e a esposa teria atirado álcool 70% nele, ateando fogo em seguida. Não há informações sobre o motivo da discussão inicial.

A mulher ainda estava no local e foi presa em flagrante, tendo a prisão convertida para preventiva em audiência de custódia, realizada no dia 23 de junho.

O caso foi registrado como lesão corporal dolosa e está sob investigação da Polícia Civil.

  

1° de julho

TJMS implanta sistema 'eproc' e reforça modernização do Judiciário

'eproc' é um sistema de processo judicial eletrônico que permite a tramitação, movimentação e controle de processos de primeiro e segundo grau

29/06/2026 18h10

Fachada do TJMS, em Campo Grande

Fachada do TJMS, em Campo Grande GERSON OLIVEIRA

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Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) vai implantar o sistema ‘eproc’, a partir de quarta-feira (1°), nas Varas de Execução Fiscal (estadual, municipal e do interior), Vara de Falências e Recuperações e 1ª e 2ª Varas de Execução de Título Extrajudicial da comarca de Campo Grande. Remessas e ações originárias no 2º Grau também passarão pelo ‘eproc’.

O sistema já está em funcionamento nos processos cíveis dos Juizados Especiais de MS e nas ações referentes à competência delegada previdenciária em 39 comarcas.

O ‘eproc’ é um sistema de processo judicial eletrônico que permite a tramitação, movimentação e controle de processos de primeiro e segundo grau.

A plataforma foi desenvolvida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e cedida ao TJMS.

A ferramenta marca mais um avanço na modernização tecnológica do TJMS. O objetivo é garantir eficiência, segurança, transparência e tecnologia no Judiciário.

“O eproc é, por sua essência, um sistema colaborativo, que se origina e se desenvolve por meio de uma rede de cooperação entre tribunais, respeitando a autonomia institucional. Com uma arquitetura aberta e flexível, o sistema permite adaptações à realidade local de cada tribunal e a criação de modelos próprios de gestão processual”, informou o TJMS por meio de nota enviada à imprensa.

Veja aqui a resolução que regulamenta a tramitação dos processos judiciais eletrônicos e a portaria que regulamenta o cadastro de usuários externos e internos no sistema ‘eproc’.

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