Cidades

33ª edição

Marcha para Jesus reúne milhares em maior evento gospel do Estado

O evento marca o encerramento das comemorações dos 126 anos de Campo Grande

Continue lendo...

A 33ª edição da Marcha para Jesus reuniu fiéis de todas as denominações nesta terça-feira (26) em Campo Grande, no evento que já é considerado o maior evento gospel do Estado. 

De acordo com a prefeita da Capital, Adriane Lopes, a marcha já faz parte do calendário de eventos do aniversário da cidade e é uma oportunidade de reunir a comunidade cristã e agradecer a Deus. 

“Estou muito feliz em estar aqui nos 126 anos de Campo Grande celebrando o aniversário da cidade, mas também, reunindo os cristãos para adorar a Deus neste dia tão importante. Estamos com o coração agradecido pela oportunidade de governar essa cidade que tanto amo, fazer a vontade de Deus nesse tempo, trabalhando pelas pessoas, implementando novas ações e fazendo o que precisa ser feito”, afirmou. 

Mesmo sendo um ato voltado à religiosidade, a presença política foi marcante no evento. Além da prefeita, estiveram no palco a vice-prefeita, Camilla Nascimento, o deputado estadual Lídio Lopes, deputado Rinaldo Modesto, Rose Modesto, o deputado federal Rodolfo Nogueira, o vereador Herculano Borges, vereador Clodoilson Pires. 

Para o pastor Wilton Acosta, a programação da Marcha foi dentro da expectativa e que a programação deve seguir até às 23 horas com uma estimativa de público que chegue aos 40 mil no palco montado no Parque das Nações. 

“Seguimos sem intercorrências, esperando sempre superar as expectativas. Durante a caminhada, mais gente deve se unir a nós, já temos um bom público lá no Parque das Nações, o público vai alternando. Aqui na praça, tivemos de 10 a 15 mil pessoas, estamos bem animados”, relatou ao Correio do Estado. 

Mas, para o público geral, a parte política não interfere na programação e o que importa é estar adorando a Deus junto com os amigos e a comunidade. Seja em grupo menores ou em família, o sentimento de alegria era unânime. 

Amanda Fidélis Galvão, de 35 anos, é líder de um grupo de jovens do Ministério Graça Adonai no Jardim Aeroporto. Ela conta que é a terceira vez que o grupo marca presença na Marcha, mas, como líder, é a primeira vez e que o desafio é levado com muita leveza. 

“Eu me divirto muito, acaba que eu sou muito mais jovem. Aqui temos a oportunidade de buscar o Único que é digno de ser adorado e mostrar pra essa galera que a união faz a força, e estamos aqui firme e fortes”, afirma. 

O evento não é ligado a nenhuma denominação específica, sendo um evento que reúne diversas igrejas e até os que não são ligados a nenhuma religião, como é o caso do Daphiny Sophie Moreira, de 16 anos. 

“Eu sigo os valores cristãos, mas não sou de nenhuma igreja. Eu e minhas amigas viemos porque viemos em 2023 e gostamos, então voltamos esse ano de novo. A Marcha é um momento de união entre as pessoas pra mostrar o amor de Deus. Eu sinto que, estando aqui, eu estou contribuindo pra mostrar esse amor também”. 

O evento contou com, pelo menos, 400 voluntários, entre organização, logística, estrutura, segurança e programação. Parte desse voluntariado veio pelos Legendários de Campo Grande, que aproveitaram a ocasião para mostrar o que aprendem na montanha: servir. 

“O que nos motiva é servir. Saímos da montanha com esse propósito, e na Marcha, que é um grande culto a céu aberto, uma oportunidade de servir a comunidade. Estamos aqui servindo na área de segurança, brigadistas e socorristas. Não estamos aqui fazendo marketing, mas, com certeza, nossa presença desperta curiosidade e traz uma nova imagem que pode estar distorcida de que somos um grupo exclusivo, mas como um grupo que trabalha em unidade com a igreja”, explicou o coordenador do Legendários Campo Grande, Paulo Fernando Pereira Barbosa, de 38 anos. 

Comércio

O evento também mexe com a economia da cidade através da venda de ambulantes espalhados na Praça e nas ruas. Entre camisetas, bandeiras, pipoca, churros, bebidas e outras opções, a Marcha é uma oportunidade de fazer uma renda extra e de gerar visualização para o seu negócio. 

Jardelson Santos Costa contou à reportagem que viu no evento uma oportunidade de apresentar o empreendimento às pessoas. Ele e a esposa começaram a vender batidinha na porta de casa, uma bebida com leite e frutas, e decidiram apostar na Marcha para a visibilidade do produto. 

“O nosso foco não foi tanto de lucrar hoje, mas sim, de apresentar as nossas bebidas, principalmente a batida de coco, a manga temperada e o abacaxi temperado com leite condensado. O pessoal amou aqui, gente que veio do outro lado da praça porque ouviu de alguém que tinha aqui. É algo novo e saboroso e o resultado foi excelente, pessoas me conheceram e vão voltar a me procurar”, disse. 

Investimento

O evento é idealizado pelo Consepams (Conselho Estadual de Pastores de Mato Grosso do Sul) e realizado pelo Consepacg (Conselho de Pastores de Campo Grande), em parceria com a prefeitura de Campo Grande e o governo do Estado. 

Neste ano, conforme apurou o Correio do Estado, o Governo de Mato Grosso do Sul investiu, pelo menos, R$245 mil somente na contratação das bandas Disco Praise (R$80 mil), Doze Dois (R$15 mil), Jariston Lima (R$15 mil), Bruno Roques (R$15 mil) e da cantora Midian Lima (R$140 mil). 

Além de recursos estaduais, também são repassados recursos municipais e valores dos conselhos de pastores. 

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

Assine o Correio do Estado

testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

Continue Lendo...

O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).