Cidades

JUSTIÇA

Marquinhos Trad é indiciado por assédio e estupro em inquérito da Polícia Civil

Caso foi encerrado ontem pela Delegacia da Mulher de Campo Grande e será encaminhado para o Ministério Público de MS

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A Polícia Civil indiciou o ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD) pelos crimes de estupro, importunação sexual e assédio sexual. A informação foi obtida pela reportagem do Correio do Estado com fontes da polícia.

Os crimes contra a dignidade sexual, apurou o Correio do Estado, foram cometidos contra três mulheres. As denúncias foram feitas em julho deste ano, e os atos sexuais ou tentativa de atos sexuais, em algumas ocasiões, ocorreram no gabinete da Prefeitura de Campo Grande, conforme o relato das vítimas. 

Na manhã ontem, Marquinhos Trad compareceu à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para prestar depoimento no inquérito que investigava os crimes. 

O depoimento do investigado, conforme o rito dos inquéritos policiais, foi a última fase da investigação. 

Depois de falar à delegada Maíra Pacheco Machado por aproximadamente três horas, Marquinhos Trad atacou o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e evitou falar de fato das acusações. Para ele, o caso foi “armação política”. 

“Uma das maiores armações políticas, institucionais e estatais que este Estado já viu. Infelizmente refletiu nas urnas, e o tempo vai mostrar que foi uma verdadeira crueldade que fizeram. Logo vocês vão ficar sabendo”, comentou, depois de horas de depoimento.

Sobre a investigação, o ex-prefeito disse apenas que seria inocente e preferiu atacar adversários políticos.

O indiciamento ocorre no último dia que a Polícia Civil tinha para encerrar o caso. Em conversa anterior com a reportagem, a delegada responsável chegou a cogitar pedir nova prorrogação das investigações.

Com a decisão de indiciar o ex-prefeito, o caso segue agora para o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), para que ele apresente ou não denúncia no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
 
Caso seja denunciado pelo MPMS, Marquinhos será réu por estupro, importunação sexual e assédio sexual.

INVESTIGAÇÃO

Marquinhos Trad começou a ser investigado em julho deste ano, quando três mulheres procuraram a Polícia Civil para se queixarem dos abusos que teriam sido praticados por ele enquanto ocupava o cargo de prefeito de Campo Grande. 

No depoimento, elas afirmaram que o ex-prefeito prometia emprego em troca de relações sexuais.

Em dois casos houve relação sexual consentida com as mulheres. Mas em um deles uma das mulheres ficou assustada ao ver o ex-prefeito seminu no banheiro. Este caso foi tratado como tentativa de estupro na ocasião. 

Durante a investigação, mais de 13 mulheres procuraram a Polícia Civil para se queixar de episódios abusivos envolvendo o ex-prefeito. 

Ao todo, Marquinhos Trad foi denunciado por 16 mulheres por assédio sexual, tentativa de estupro e favorecimento à prostituição, entretanto, no mês passado, a defesa do ex-prefeito já havia conseguido desqualificar como vítimas 10 mulheres, restando ainda seis em investigação.

No início deste mês, porém, Trad conseguiu uma vitória parcial na Justiça de Mato Grosso do Sul. A 3ª Câmara Criminal do TJMS concedeu habeas corpus e trancamento do inquérito policial em relação a três vítimas. 

Segundo o relator do último habeas corpus, desembargador Luiz Claudio Bonassini da Silva, da 3ª Câmara Criminal do TJMS, o relato de três mulheres que se disseram vítimas do ex-prefeito não configurou crime.

“Resta cristalino que, inobstante na percepção de [o nome da vítima será preservado] o paciente tenha expressado uma intenção libidinosa, o que não se discute, o fato é que nenhuma conduta que possa configurar qualquer ato libidinoso, mesmo na forma tentada, foi posta em prática. Mesmo no que toca às mensagens posteriormente remetidas via aplicativo de celular, pelas quais resta clara a efetiva intenção libidinosa, ao receber a resposta firme em sentido contrário, o paciente recuou, sem qualquer insistência. Diante de tais fundamentos, conclui-se que a conduta do paciente em relação a [vítima], conforme as declarações por ela prestadas, e acima transcritas, é penalmente atípica”, afirmou o desembargador sobre um dos casos encerrados.

No entanto, o político ainda era investigado por outros três casos, que resultaram no indiciamento desta terça-feira.

OUTRO INDICIADO

No dia 9 de setembro, Victor Hugo Ribeiro Nogueira, que era servidor comissionado do gabinete de Marquinhos Trad no período em que ele era prefeito, foi indiciado pelos crimes de corrupção ativa de testemunhas, coação no curso do processo e favorecimento à prostituição, tornando-se réu no dia 22 de agosto.

A conexão do caso de Victor Hugo com o caso de Marquinhos é que o ex-servidor teria supostamente coagido uma das vítimas a mudar sua versão em cartório.

* Colaboraram Beatriz Feldens e Alanis Netto

LONGA ESPERA

Reajuste de servidores deve ficar abaixo do crescimento da receita

Alta nos quatro primeiros meses é de 5,9% na comparação com o ano passado e a previsão é de que seja concedido reajuste de 4,39% aos servidores

29/05/2026 12h46

Inflação desde o último reajuste linear concedido aos servidores de Campo Grande acumula alta da ordem de 33%

Inflação desde o último reajuste linear concedido aos servidores de Campo Grande acumula alta da ordem de 33%

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Se estiverem corretos e baseados na vida real, os números do site da transparência da prefeitura de Campo Grande demonstram que a administração elevou em 5,9% seu faturamento nos primeiros quatro meses do ano se comparados com igual período de 2025. E, por conta disso, a prefeita Adiane Lopes (PP) está prevendo conceder o primeiro reajuste linear a servidores desde que assumiu, em abril de 2022. 

Nos primeiros quatro meses do ano passado entraram R$ 2,173 bilhões nos cofres municipais, somando o faturamento próprio e as transferências estaduais e federais. Neste ano, o valor aumentou para R$ 2,301 bilhões. O crescimento de 5,9% está um pouco acima do índice da inflação, que nos últimos doze meses está na casa dos 4,4%. 

Mas, uma das principais apostas para melhorar a arrecadação, que foram as mudanças no IPTU (reajuste de 5,32% , redução do desconto de 20% para 10% no pagamento à vista e o aumento do valor da taxa de lixo) surtiram efeito quase nulo até agora.

Apesar de todas estas medidas, a arrecadação aumentou em apenas 1,4% nos quatro primeiros meses, passando de R$ 392,5 milhões para R$ 398 milhões. 

Porém, por conta do maior número de contribuintes que parcelou o pagamento do imposto, nos próximos meses a receita tende a superar a dos anos anteriores. Em abril, por exemplo, entraram R$ 43 milhões, ante R$ 28,3 milhões em abril do ano passado. Nos primeiros 28 dias de maio deste ano foram R$ 39,9 milhões, o que equivale a R$ 13,5 milhões a mais que em maio do ano passado.

O repasse do ICMS feito pelo Governo do Estado, outra importante fonte de receita, está literalmente estagnada. No ano passado foram repassados R$ 173,9 milhões nos primeiros quatro meses. Agora, o valor subiu para R$ 174 milhões. 

Se os repasses tivessem pelo menos acompanhado o índice da inflação, o volume de dinheiro repassado pelo Governo do Estado deveria ter ultrapassado os R$ 181,5 milhões. Na prática, então, o repasse estadual teve recuo real da ordem de R$ 7,5 milhões. 

Até mesmo os repasses relativos ao Iposto de Renda, sobre os quais havia previsão de queda significativa, tiveram desempenho melhor. Por conta da isenção concedida aos assalariados que recebem até R$ 5 mil mensais, a secretaria de finanças esperava queda da ordem de R$ 3 milhões mensais. 

Em vez disso, porém, ocorreu aumento. No ano passado a retenção do imposto de renda rendeu R$ 101,2 milhões nos primeiros quatro meses aos cofres municipais. Em 2026, o valor aumentou para R$ 104 milhões. 

Uma ds principais explicações para o aumento de 5,9% na arrecadação total é o bom desempenho do ISS, que nos últimos dois anos passou a ser a principal fonte de receita da prefeitura de Campo Grande.

No ano passado o imposto sobre o setor de serviços garantiu R$ 225 milhões nos quatro primeiros meses. Agora, o montante somou R$ 239 milhões, representando alta de quase 6,3%. 

Índice de crescimento parecido foi o repasse do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM, rateado pelo Governo Federal. O valor passou de R$ 101,3 milhões para R$ 106,1 milhões. 

A principal explicação para o aumento médio de quase 6% nos cofres municipais está no item "demais receitas". No ano passado, conforme os dados da transparência, foram contabilizados R$ 523 milhões. Agora, o valor chegou a R$ 619 milhões, o que é 18,3% acima do valor do ano passado. 

Embora apareça como o de maior relevância para os cofres municipais, na contabilidade da prefeitura o item "Demais Receitas" é uma rubrica para agrupar todas as rendas correntes ou de capital que não possuem valor ou volume suficiente para serem detalhadas individualmente. 

Reajuste

E, com base nesta melhora é que a prefeitura de Campo Grande já informou a lideranças sindicais que até o fim da próxima semana vai definir o índice de reajuse que deve ser concedido a servidores. 

A previsão inicial é de que seja reposta, em duas parcelas, a inflação dos últimos 12 meses, de 4,39%. Porém, desde o último reajuste linear, concedido em 2021, ainda pelo prefeito anterior, a inflação acumulada chega a 33%. 

Neste período, professores, guardas municipais e algumas outras categorias obtiveram melhorias salariais. O salário da própria prefeita, que serve de teto para os demais servidores, teve dois reajustes nos últimos dois anos e tem outro aumento previsto para fevereiro do próximo ano. 

O primeiro reajuste entrou em vigor em abril do ano passado, quando o salário passou de R$ 21,2 mil para R$ 26.943,05. A segunda parcela entrou em vigor no começo de fevereiro de 2026, quando o salário passou para R$ 31.912,56. E, conforme a previsão, em fevereiro do próximo ano ele sobe para R$ 35.462,22. Isso significa alta de 67% no salário da prefeita e da elite do funcionalismo municipal em dois anos. 
 

OPERAÇÃO CONTENÇÃO

Mulher é presa em Campo Grande durante operação contra o CV

Mandados cumpridos pela Denar em MS integram ofensiva interestadual da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra esquema que teria movimentado R$ 453 milhões em quatro anos

29/05/2026 12h15

Operação teve desdobramentos em seis estados e mira estrutura financeira ligada ao Comando Vermelho

Operação teve desdobramentos em seis estados e mira estrutura financeira ligada ao Comando Vermelho Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul cumpriu, nesta sexta-feira (29), um mandado de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão em Campo Grande durante apoio à “Operação Contenção”, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro contra o esquema financeiro ligado à facção criminosa Comando Vermelho (CV).

A ação em Mato Grosso do Sul foi realizada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar). A investigada, identificada pelas iniciais B.P.M.F., de 33 anos, é suspeita de participação em organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.

A operação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do Rio de Janeiro e teve desdobramentos também nos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Maranhão.

Conforme as investigações, o grupo utilizava empresas de reciclagem e comércio de sucatas para ocultar recursos obtidos com o tráfico de drogas, especialmente na região do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), área considerada estratégica para atuação da facção.

As equipes apontam que o esquema incluía empresas de fachada, emissão de notas fiscais fraudulentas, contas bancárias de terceiros e intensa movimentação financeira entre empresas para dar aparência de legalidade ao dinheiro ilícito.

Segundo informações divulgadas pela imprensa do Rio de Janeiro, a organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 453 milhões em um período de quatro anos. A operação também mira integrantes apontados como responsáveis pela administração financeira do grupo.

Entre os alvos da ofensiva está Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho. Ele não foi localizado e segue foragido. A esposa dele, Raquel Neves dos Santos Mendonça, foi presa durante o cumprimento dos mandados.

Outro investigado é Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como “Tek”, apontado pela polícia como responsável pela gestão financeira da facção. Ele também não foi encontrado.

As apurações foram conduzidas com base em relatórios de inteligência financeira, quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático, além do cruzamento de dados patrimoniais.

De acordo com a Polícia Civil, a ofensiva tem como principal objetivo desarticular a estrutura econômica que sustenta o tráfico de drogas e enfraquecer financeiramente o Comando Vermelho.

A Denar disponibiliza os telefones (67) 99995-6105, via WhatsApp, e (67) 3345-0000 para denúncias anônimas.

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