Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Mais de 70 toneladas de carne clandestina foram apreendidas em 2023

Somente neste ano, a polícia realizou 20 operações de apreensão de carne clandestina em Mato Grosso do Sul, sendo 13 na Capital e 7 no interior do Estado

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A apreensão de carnes inapropriadas para o consumo e de procedência duvidosa estão se tornando cada dia mais comuns nos açougues e casas de carne de Mato Grosso do Sul. Somente neste mês, foram seis casos na Capital e três no interior. Em 2023, já são 70,2 toneladas de alimentos recolhidos no Estado. 

As apreensões acontecem por meio de uma força tarefa da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon) e da Agência Estadual de Defesa Sanitária e Animal (Iagro), em conjunto com Secretaria Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor (Procon).

Ao Correio do Estado, o delegado titular da Decon, Reginaldo Salomão, revelou que, entre janeiro e maio deste ano, foram registrados 20 flagrantes em mercados e açougues do Estado, sendo 13 flagrantes na Capital e sete em estabelecimentos do interior. No ano de 2022, entre julho e dezembro, foram oito flagrantes.

De acordo com Salomão, a maioria dos mercados e casas de carnes fiscalizadas apresentam o mesmo problema, são alimentos vencidos, embalados de forma irregular, guardados com larvas e moscas, além da comercialização de carnes de caça sem as devidas medidas sanitárias obrigatórias.

“Recentemente na cidade de Inocência, foi encontrada carne clandestina embalada com mosca e barata”, contou o delegado. “No final do mês passado, foram apreendidos 36 toneladas em mercados e açougues clandestinos que abatiam animais no município de Ribas do Rio Pardo. Ao todo, foram 10 mandados de busca e apreensão em comércios da cidade”.

A operação no município prendeu seis pessoas que responderão por crimes contra as relações de consumo e podem pegar até cinco anos de cadeia. De acordo com a polícia, carnes de origem clandestina aumentam o risco de contaminação para as pessoas que consomem o alimento.

De acordo com o delegado, em outra apreensão no bairro Vila Fernanda, em Campo Grande, foi encontrada carne de dois animais na qual a equipe não conseguiu identificar a espécie. “Tivemos que chamar um veterinário e um perito, mas não foi possível verificar a procedência dos animais”, afirmou Salomão.

O delegado contou que, em alguns casos, os donos dos açougues e mercados afirmam que a carne já teria sido enviada pelos frigoríficos nesse estado. “Os comerciantes reclamam e jogam a culpa no frigorífico, mas nós conseguimos verificar algumas características de carne clandestina, como o modo que foi desossada, por exemplo”, explicou Salomão.

“Fulano também faz” e “foi um erro não vou fazer de novo", também estão entre as desculpas proferidas pelos comerciantes ao terem as carnes clandestinas apreendidas.

O abate clandestino é considerado crime ambiental e crime contra a saúde pública. Para aqueles que forem autuados em flagrante, a Lei Federal n°8.137/90 prevê pena de detenção de 2 a 5 anos, ou multa. 

Cuidados ao comprar 

Ao Correio do Estado, a nutricionista Paula Saldanha, explicou que durante a compra das carnes é preciso tomar alguns cuidados para ter certeza que não está adquirindo um alimento impróprio para o consumo. “Devemos olhar o local onde estamos comprando, a procedência dessa carne, verificar o odor e principalmente se existe um controle higiênico sanitário”. 

Saldanha revela também alguns pontos importantes que devem ser considerados no momento do preparo do alimento. “A carne deve estar com sangue vibrante, devemos olhar a firmeza e textura da peça no processo de corte, ela não pode se desfazer, deve estar macia. Após o preparo é preciso observar o gosto também”, indicou a nutricionista.

Para as carnes comercializadas em embalagens, é preciso verificar se está bem fechada e intacta, sem avarias e bem armazenada. “A partir do momento que eu retiro do plástico, acondicionado em temperatura ambiente, a carne deve voltar a vivacidade que é o vermelho sangue, mesmo depois de passar por esse processo a vácuo”, explicou Saldanha.

Últimos casos

Na última segunda-feira (22) a Decon e a Iagro iniciaram a fiscalização na cidade de Cassilândia, onde o serviço de inteligência apurou que a carne vendida à comunidade era fruto de abate clandestino, sem observância das medidas sanitárias obrigatórias, o que coloca em risco a saúde do consumidor.

A proprietária do mercado, uma mulher de 42 anos, foi presa em flagrante. Na ocasião, foi feito também o descarte sanitário de 968 kg de carne. De acordo com o delegado titular da Decon, Reginaldo Salomão, foram encontrados pedaços de osso, unhas e sangue nas carnes.

Em um segundo mercado, a força tarefa localizou 10 kg de carne de abate clandestino, mas como não estava à venda o proprietário não foi autuado em flagrante, porém 362 kg de carne foram apreendidos e descartados por risco de contaminação.

As investigações seguem para apurar a origem do animal, bem como seu estado de saúde, se vacinado, podendo a conclusão agravar a situação do conduzido que será encaminhado à audiência de custódia.

No município de Bonito, a operação resultou na apreensão de 1,3 tonelada de carne imprópria para o consumo que estava sendo vendida por comércios situados no Assentamento Guaicurus.

De acordo com as informações, a apreensção contou com a ajuda de denúncias anônimas que apontaram a existência de carne proveniente de caça ilegal sendo comercializada em um mercado daquela região.

Na semana passada (16), em Campo Grande, a Decon aprendeu 1100 kg de carne imprópria para consumo e 1120 ovos em uma casa de carne localizada no bairro Pioneiros. A ação conjunta com o Procon e Iagro.

De acordo com a polícia, o proprietário do mercado, de 56 anos, foi preso em flagrante e deve responder por expor à venda produto impróprio para consumo, podendo pegar até 5 anos de prisão.

No local a fiscalização constatou o funcionamento de um açougue sem autorização legal dos órgãos de controle, proteção do consumidor, sem alvará de funcionamento e com alvará da vigilância sanitária vencido, além da ausência de responsável técnico. Também foram encontrados insetos na gôndola de venda principal.

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Renovação da Frota

Após comprar Consórcio Guaicurus, HP avalia quais ônibus continuarão em Campo Grande

Empresa analisa a frota atual antes de assumir a operação e ainda não confirmou se veículos novos serão destinados a Campo Grande

24/08/2026 16h48

Novo controlador do Consórcio Guaicurus avalia quais veículos da atual frota poderão continuar em circulação em Campo Grande..

Novo controlador do Consórcio Guaicurus avalia quais veículos da atual frota poderão continuar em circulação em Campo Grande.. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A HP Mobilidade começou na semana passada a avaliar os ônibus que integram a atual frota do transporte coletivo de Campo Grande. O levantamento será utilizado para definir quais veículos deixados pelo Consórcio Guaicurus poderão continuar em circulação quando a empresa goiana assumir o comando da operação na Capital.

A informação foi repassada ao Correio do Estado por uma fonte que acompanha o processo de transição e preferiu não se identificar. Segundo a apuração, a análise já está em andamento e deverá indicar quais coletivos apresentam condições de permanecer no sistema e quais precisarão ser retirados ou substituídos.

Atualmente, o Consórcio Guaicurus possui 460 ônibus em sua frota, dos quais 197, o equivalente a 42%, estão com idade acima do limite estabelecido no contrato de concessão.

O número de veículos em operação também encolheu ao longo dos anos. No início do contrato, em 2012, a frota era composta por 574 ônibus.

A expectativa também é de que todos os funcionários do atual Consórcio Guaicurus sejam absorvidos pela HP Mobilidade e continuem trabalhando na operação do transporte coletivo de Campo Grande. 

Ainda não há informações sobre quantos ônibus estão sendo avaliados nem sobre o número de veículos que poderá ser aproveitado pela nova controladora.

No entanto a expectativa é de que a maioria da frota ayual seja substituida. Também não foram divulgados os critérios técnicos adotados na inspeção, como idade, estado de conservação, histórico de manutenção, acessibilidade e condições mecânicas.

A avaliação representa um dos primeiros movimentos concretos da HP Mobilidade em direção à futura operação do transporte coletivo de Campo Grande.

O levantamento deverá subsidiar o plano de reestruturação que a empresa terá de apresentar ao município para obter autorização para assumir efetivamente o serviço.

A principal dúvida, agora, é se a companhia pretende renovar a frota apenas com a substituição gradual dos veículos reprovados ou se enviará um conjunto de ônibus novos para Campo Grande.

Até o momento, a HP não informou quantos coletivos poderão ser incorporados, quando chegariam à cidade e se seriam veículos zero-quilômetro ou transferidos de operações mantidas pelo grupo em outros municípios.

A definição tem impacto direto sobre a qualidade do serviço oferecido aos passageiros. Caso uma parcela significativa da frota atual seja considerada inadequada, a empresa terá de apresentar uma estratégia para substituir os veículos sem reduzir a quantidade de ônibus disponíveis nas linhas da Capital.

Embora a compra das empresas que formam o Consórcio Guaicurus tenha sido anunciada em julho, a transferência do controle da concessão ainda depende da autorização da Prefeitura de Campo Grande.

Como o transporte coletivo é um serviço público concedido, a negociação entre os grupos empresariais não resulta automaticamente na troca da operadora.

A administração municipal condicionou a entrada da HP Mobilidade à apresentação de um plano com investimentos e prazos definidos.

Entre as exigências anunciadas estão a renovação da frota, a colocação de ônibus com ar-condicionado, a reforma dos terminais e melhorias na qualidade do atendimento aos passageiros.

A transferência somente deverá ser autorizada depois da análise das propostas apresentadas pela compradora.

O sistema permanece sob intervenção da Prefeitura de Campo Grande. A medida começou em 16 de junho e foi estabelecida inicialmente pelo prazo de 180 dias.

Durante esse período, a equipe interventora realiza auditorias, levanta dados financeiros e operacionais e acompanha o cumprimento do contrato de concessão. A intervenção foi mantida mesmo depois do anúncio da venda. 

A HP Mobilidade já havia informado que preparava um projeto de modernização e reestruturação do transporte coletivo da Capital, mas não detalhou as medidas, o volume de investimentos nem o cronograma previsto. A avaliação dos ônibus da atual frota deverá fazer parte desse planejamento.

HP Mobilidade ainda não detalhou plano para renovação da frota 

O Correio do Estado questionou a empresa sobre a quantidade de ônibus analisados, o número de veículos que poderá continuar em circulação, os critérios utilizados na avaliação e o prazo para a conclusão do levantamento.

A reportagem também perguntou se a HP Mobilidade enviará ônibus novos para Campo Grande, quantos veículos serão incorporados, se eles serão zero-quilômetro ou transferidos de outras operações e se existe um cronograma para a renovação completa da frota.

Até a publicação desta reportagem, a empresa não havia encaminhado as respostas. O espaço permanece aberto para manifestação.

Estratégia de expansão

Como pano de fundo, a chegada da HP Mobilidade ocorre em meio a uma estratégia de expansão nacional do grupo, que pretende se tornar um dos principais conglomerados de transporte urbano do País.

Conforme já mostrou o Correio do Estado, a aquisição do Consórcio Guaicurus pode abrir caminho para uma repactuação do contrato de concessão, atualmente válido até 2032 e com possibilidade de renovação por mais 20 anos, em troca de novos investimentos no sistema.

Entre as mudanças projetadas estão a modernização da frota, com a possível incorporação de ônibus com ar-condicionado, e melhorias na infraestrutura do transporte coletivo.

O valor da aquisição não foi oficialmente divulgado pelas empresas, mas, durante as negociações, a concessão chegou a ser avaliada em cerca de R$ 200 milhões.

Saúde Pública

Hospital Regional de MS avança para ampliação de R$ 966 milhões e 577 leitos

Empresa responsável pela Parceria Público-Privada solicitou autorização prévia à Planurb para empreendimento no complexo hospitalar; projeto prevê R$ 966 milhões em modernização e expansão para 577 leitos

24/08/2026 15h58

Fachada do Hospital Regional de MS, em Campo Grande, que passará por ampliação e modernização.

Fachada do Hospital Regional de MS, em Campo Grande, que passará por ampliação e modernização. Foto: Divulgação.

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A ampliação do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), em Campo Grande, avançou mais uma etapa administrativa com o início do processo de licenciamento ambiental. A Inova Saúde MS S.A., empresa responsável pela parceria público-privada da unidade, solicitou à Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) a emissão de licença prévia para o complexo hospitalar.

O pedido foi publicado nesta segunda-feira (24) no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) e abrange atividades hospitalares em uma estrutura com área superior a 10 mil metros quadrados, localizada na Avenida Engenheiro Lutero Lopes, nº 36, no Aero Rancho, mesmo endereço onde funciona o Hospital Regional.

A publicação, porém, não detalha quais blocos ou intervenções estão incluídos nesta etapa do licenciamento.

A solicitação representa um movimento concreto dentro do projeto de modernização do maior hospital público de Mato Grosso do Sul, mas ainda não autoriza o início das obras.

A licença prévia corresponde à fase inicial do processo ambiental e serve para avaliar a localização, a concepção e a viabilidade do empreendimento, além de estabelecer exigências que deverão ser cumpridas nas etapas seguintes.

Somente depois da análise e eventual concessão dessa autorização o projeto poderá avançar para as licenças necessárias à instalação das novas estruturas.

Dessa forma, a publicação indica que a empresa começou a encaminhar as obrigações ambientais relacionadas ao empreendimento, mas não significa que as intervenções físicas estejam liberadas.

Projeto prevê quase R$ 1 bilhão em obras

A Inova Saúde MS é uma subsidiária da Construcap, vencedora da licitação para assumir os serviços não assistenciais do Hospital Regional por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada). O contrato foi formalizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul em maio deste ano e terá duração de 30 anos.

Segundo o Governo do Estado, estão previstos R$ 966 milhões em investimentos destinados à ampliação, reforma e renovação tecnológica do hospital.

Outros R$ 7,3 bilhões deverão ser empregados, ao longo das três décadas de concessão, na operação, hotelaria hospitalar e manutenção dos serviços não assistenciais.

A proposta prevê ampliar em aproximadamente 60% a capacidade do Hospital Regional, que deverá passar a contar com 577 leitos. A área construída do complexo deve praticamente dobrar, avançando dos atuais 37 mil para cerca de 71 mil metros quadrados.

O planejamento inclui a construção de dois novos blocos antes do início da reforma das estruturas existentes. A estratégia foi definida para permitir que os atendimentos continuem durante as obras, sem a paralisação das atividades hospitalares.

Depois da conclusão das novas edificações, os serviços deverão ser transferidos gradualmente para esses espaços. Somente então os blocos antigos passarão pelo processo de reforma e modernização, também chamado de retrofit.

A previsão apresentada pelo Estado estabelece dois anos para a construção dos novos blocos e outros dois para a reforma completa das instalações existentes.

O cronograma, entretanto, depende do cumprimento das etapas técnicas, contratuais e ambientais necessárias para a execução do projeto.

Novos centros e mais atendimentos

Entre as mudanças previstas estão a reestruturação do pronto-socorro, a renovação do centro cirúrgico, a ampliação da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e o fortalecimento da maternidade de alto risco.

O projeto também contempla a implantação de dois novos centros especializados: um voltado à cardiologia e outro à oncologia. A expectativa é ampliar tanto a capacidade de internação quanto o número de procedimentos realizados pela unidade.

Com a modernização, o hospital deverá elevar de aproximadamente 30 mil para 42 mil o número de atendimentos anuais. A quantidade mensal de internações poderá quase dobrar, passando de cerca de 1,4 mil para 2,7 mil pacientes.

Além das obras, estão previstas a renovação do parque tecnológico, a automatização da farmácia, a implantação de sistemas de transporte pneumático e a modernização dos equipamentos utilizados nos atendimentos e diagnósticos.

Apesar da entrada da iniciativa privada na administração de parte da estrutura, o Hospital Regional continuará sendo público e atendendo exclusivamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

A assistência médica, de enfermagem e dos demais profissionais de saúde permanecerá sob responsabilidade do Governo do Estado.

A Inova Saúde ficará encarregada principalmente dos serviços não assistenciais, como limpeza, segurança, recepção, alimentação, lavanderia, manutenção predial, tecnologia, engenharia clínica e logística hospitalar.

O pedido de licença ambiental abre agora uma nova frente no cronograma da PPP. A análise da Planurb deverá verificar a viabilidade ambiental das intervenções e definir as condições que precisarão ser cumpridas antes que a empresa possa avançar para a instalação das novas estruturas.

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