Cidades

SEGURANÇA PÚBLICA

Mato Grosso do Sul tem queda no volume de estelionatos

Em 2025, o Estado teve queda de 18% em relação aos dados de 2024; vice-governador atribui resultado a investimentos

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Com cerca de 11,5 mil ocorrências, os casos de estelionato em Mato Grosso do Sul alcançaram o menor patamar desde o boom desse tipo de crime no período da pandemia da Covid-19. Segundo o governador em exercício, José Carlos Barbosa, o Barbosinha, a redução é reflexo dos investimentos recentes na Segurança Pública, principalmente no serviço de inteligência.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), no ano passado foram registrados 11.479 estelionatos, uma redução de 17,93% em relação aos números de 2024, quando tiveram 13.987 ocorrências – recorde até o momento.

Entre os municípios, Campo Grande lidera com 3.437 casos, seguido por Dourados (1.270), Corumbá (397) e Coxim (247).

Os casos de estelionato tiveram um boom no Estado durante a pandemia da Covid-19, e se mantiveram em alta depois dela. Por exemplo, no início da pandemia, em 2020, Mato Grosso do Sul registrou 7.205 casos e, de 2016 a 2019, variou de 3,6 mil a 5,2 mil casos por ano.

Já em 2021 houve um aumento de ocorrências, de 63,43% em comparação com o ano anterior, batendo o recorde à época, com 11.775 estelionatos. Em 2022 e 2023, os dados aumentaram e se estabilizaram em quase 14 mil casos.

Somando os dados de 2016 a 2025, Mato Grosso do Sul está próximo da marca de 90 mil ocorrências de estelionato, com precisamente 87.441 casos.

Nesta semana, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) emitiu um alerta à população sobre um novo golpe envolvendo falsos magistrados, com o objetivo de obter informações pessoais, cadastrais ou valores indevidos.

Diante disso, o Judiciário afirmou que “magistrados não entram em contato com jurisdicionados para solicitar dados pessoais, informações bancárias ou pagamento de taxas, custas ou qualquer outro valor por meio de ligações telefônicas, mensagens de aplicativos, e-mails ou redes sociais”.

MOTIVOS

Em conversa com o Correio do Estado, o governador em exercício afirmou que a redução nos estelionatos foi conquistada após investimentos na Segurança Pública.

“A questão do estelionato também, isso é fruto de inteligência policial, de investigação, de elucidação de crime, porque a falta de punição também é um estímulo à criminalidade. Acho que é o trabalho conjunto das nossas forças de segurança, que é diferente de Mato Grosso, Polícia Civil, Polícia Militar, o trabalho integrado que é realizado”, disse.

“Investimentos no efetivo, qualificação, investimento em inteligência. Eu acho que é um ponto fundamental, cada vez mais temos que investir em tecnologia e inteligência, e acredito que o Estado tem que continuar avançando em inteligência policial e tecnologia”, complementa.

Além disso, Barbosinha disse que as vítimas têm vergonha de denunciar que sofreram golpe, o que dificulta a identificação policial e a recuperação do dinheiro ou bem perdido.

“A vítima de estelionato normalmente fica com um sentimento depois de vergonha, e, muitas vezes, ela acaba nem procurando a autoridade policial para relatar que ela foi vítima de estelionato. Quando você esclarece, às vezes você não tem condições de reaver a questão dos recursos”, afirma, lembrando que idosos e pessoas desavisadas são o perfil mais frequente das vítimas.

idoso celular estelionatoPrincipal alvo dos golpistas são pessoas idosas e vice-governador orienta atenção para esse público - Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

EXEMPLO

Em novembro do ano passado, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul ofereceu apoio à Polícia Civil de Santa Catarina durante a Operação Alvará Fantasma, a qual cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e 7 mandados de prisão temporária nas cidades de Nova Andradina, Dourados, Campo Grande e Três Lagoas.

Durante a investigação, iniciada em junho, em Florianópolis (SC), foi descoberto o esquema de estelionato conhecido como golpe do falso advogado, no qual uma das vítimas catarinenses sofreu prejuízo de cerca de R$ 100 mil.

Foi constatado que a quadrilha operava a partir de Nova Andradina e já havia aplicado golpes em, pelo menos, outras três vítimas em Santa Catarina, gerando danos superiores a R$ 170 mil.

Segundo o delegado Caio Bicalho, titular da Delegacia de Nova Andradina, os criminosos utilizavam aplicativos de mensagens para se passar por advogados, usando fotografias, nomes e registros reais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para aparentar legitimidade.

As vítimas eram convencidas a efetuar pagamentos supostamente relacionados a custas processuais ou alvarás judiciais, baseando-se em documentos falsificados com timbres e assinaturas simuladas do Poder Judiciário.

Durante a ação, foi apreendido o celular utilizado nas fraudes, bem como outros aparelhos pertencentes aos suspeitos, que servirão para aprofundar as investigações.

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inquérito

Investigação sobre jovem morto pelo Choque ficará a cargo da PM

Polícia Civil afirmou que a apuração de latrocínio, atribuído ao rapaz que morreu, será feita pela Defurv, porém, o suposto confronto será analisado internamente

23/10/2026 08h05

Bruno Rafael morava nesta casa, nos fundos do terreno do pai, com a namorada e o filho de 4 meses

Bruno Rafael morava nesta casa, nos fundos do terreno do pai, com a namorada e o filho de 4 meses Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Polícia Militar será responsável pela investigação do caso do suposto confronto que terminou com a morte do jovem pedreiro Bruno Rafael Souza da Silva, de 18 anos, e envolveu policiais do Batalhão de Choque da PM, ou seja, o caso será apurado apenas internamente, sem envolvimento da Polícia Civil.

Em resposta ao Correio do Estado, a assessoria de imprensa da Polícia Civil afirmou que o único caso que está sob o comando da corporação é o latrocínio (roubo seguido de morte) ocorrido no dia 16 de outubro, que teria entre os suspeitos de participação o jovem que foi morto pelo Choque.

“Informamos que, em relação ao latrocínio, as investigações estão sendo desenvolvidas pela Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv). Já em relação ao confronto, as investigações ficam a cargo da Polícia Militar”, disse a Polícia Civil, em nota.

O caso ganhou repercussão porque a família de Bruno Rafael alega que o jovem não teve envolvimento com o roubo que culminou na morte de Gian Marcelo Samaniego Ramão, de 27 anos, e que ele também não tinha arma.

Segundo a família, o irmão do jovem de 18 anos, Miguel Souza da Silva, de 20 anos, é que estaria envolvido com o crime. Ele, inclusive, confessou sua participação tanto no roubo quanto na morte do rapaz.

LATROCÍNIO

O roubo que resultou na morte de uma pessoa ocorreu no Bairro Parque Lageado, em Campo Grande. Segundo imagens de câmera de segurança da região, o crime ocorreu às 19h20min de sexta-feira. Três homens teriam participado do crime, que, segundo Miguel, seriam ele, Yuri Silva Santos Modesto e Matheus Pereira da Silva Lima.

Durante a ação, após render os dois filhos de Gian e sua sogra, que estavam na residência, os bandidos carregaram um Volkswagen Gol prata com as mercadorias. Nesse momento, a vítima chegou à casa com a mulher e com mercadorias vindas do Paraguai.

Os bandidos conseguiram render a mulher, mas Gian correu e foi atingido com um tiro nas costas, o que causou sua morte.

Após o crime, os bandidos também utilizaram na fuga um Volkswagen Gol vermelho, que era da vítma e estava com as mercadorias vindas do Paraguai.

Após o crime, eles fugiram nos dois carros e abandonaram o veículo de Gian, porém, a polícia conseguiu chegar ao primeiro envolvido, Yuri, em razão de o Gol prata estar em seu nome. 

Com a prisão de Yuri, que havia fugido para Corumbá, a polícia chegou aos outros envolvidos, porém, um dos endereços passados por ele como sendo de Miguel teria levado a polícia a vincular Bruno Rafael ao caso.

MORTE DE BRUNO

Com o endereço em mãos, o Choque foi até uma casa no Bairro Caiobá, na madrugada de segunda-feira, em busca de uma pessoa de apelido Neguinho. No local moravam o pai, a madrasta de Bruno e um filho dela, assim como o jovem e sua namorada e filho.

Segundo a versão do Choque, quando eles chegaram ao local e estavam indo em direção a uma casa nos fundos do terreno, um jovem foi até a porta e, ao ver os policiais, teria retornado para dentro do imóvel e pegado uma arma.

A polícia ainda conta que teria mandado o jovem largar a arma, o que não aconteceu, por isso, foi efetuado um tiro, que atingiu o peito da vítima. O Choque garante que levou Bruno para atendimento ainda com vida e que ele morreu após ser deixado no local.

A família, entretanto, contesta essa afirmação e diz que Bruno estava deitado quando a polícia chegou e só levantou quando os policiais mandaram.

A namorada de Bruno, Alexandra Raquele, de 18 anos, conta que, quando os policiais do Choque entraram na casa, ela estava com o filho, de 4 meses, no colo, próxima do rapaz, que ainda estava só de cueca, e foi retirada do local pelos agentes de segurança. Logo depois ela disse ter ouvido um tiro.

“O policial falou assim: ‘Cadê a arma, seu f…?’ Aí ele falou: ‘Não estou com arma, senhor’. E então escutei o barulho do tiro. Deu 10 minutos certinho e o policial falou para o meu sogro: ‘Ele apontou a arma para a gente’. Eu falei: ‘Mentira, não tinha arma lá dentro’. Aí deu nisso”, explicou.

A família também conta que, quando o Choque chegou, eles disseram procurar por Neguinho, ao que responderam que não tinha ninguém lá com esse apelido.

“O policial falou para mim que ele veio atrás do Neguinho. Ele perguntou para mim: ‘Qual que era o vulgo do seu namorado?’ Eu falei que eu vejo às vezes o pessoal chamando ele de Takusha. Então ele falou: ‘Quem é o Neguinho, o Neguinho é o seu marido?’ Eu falei: ‘Não, o Neguinho é o Miguel, o irmão dele’. Mostrei uma foto minha e do meu namorado. Aí ele pegou, olhou para cara do outro policial e falou: ‘A gente matou a pessoa errada’”, comentou Raquele, que também disse que Bruno já saiu morto da casa.

Em seu depoimento, após ser preso no interior de São Paulo enquanto fugia, Miguel garantiu que o irmão, que foi morto na segunda-feira pelo Choque, não participou do crime.

“O Bruno não estava envolvido, senhor. Só eu, o Mateus e o Yuri. O Bruno Rafael Souza da Silva ele é meu irmão, ele foi morto hoje [segunda-feira]”, garantiu o rapaz ao delegado. Ele também contou que foi ele quem atirou em Gian.

* SAIBA 

Em nota, a Polícia Militar, que deverá investigar a conduta dos policiais do Choque na morte de Bruno, afirmou que “todo o procedimento seguiu rigorosamente os protocolos operacionais da corporação, com formalização perante a autoridade de polícia judiciária para a devida apuração dos fatos”.

TRIBUNAL DO JÚRI

Homem é condenado a mais de 30 anos por feminicídio em Campo Grande

Crime ocorreu em 27 de dezembro de 2024, quando Edvan da Silva Rodrigues matou Bruna dos Santos Amaro por asfixia

23/10/2026 07h45

Caso foi julgado no Tribunal do Júri de Campo Grande

Caso foi julgado no Tribunal do Júri de Campo Grande Divulgação: MPMS

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O Tribunal do Júri de Campo Grande condenou Edvan da Silva Rodrigues a 30 anos e 8 meses de prisão em regime fechado pelo feminicídio da companheira, Bruna dos Santos Maroto. Além da condenação criminal, o Juízo fixou indenização mínima de R$ 15 mil em favor da família da vítima pelos danos causados pelo crime.

O Conselho de Sentença acolheu a tese acusatória de feminicídio qualificado pelo meio cruel, reconhecendo que a vítima foi espancada e morta por asfixia.

O crime ocorreu em 27 de dezembro de 2024, em Campo Grande. Conforme a denúncia, o casal mantinha um relacionamento de cinco anos, marcado por episódios de violência doméstica, tendo sido concedidas à vítima quatro medidas protetivas de urgência. Na ocasião, o acusado matou a companheira por meio de agressões físicas e asfixia.

Após o crime, Edvan tentou apresentar uma versão incompatível com as evidências encontradas no local. Com a aproximação da polícia e do socorro médico, o autor fugiu, sendo localizado horas depois armado com uma faca. Os laudos de necropsia e de local confirmaram que o óbito foi causado por asfixia e espancamento severo.

Julgamento

Durante a sessão de julgamento, a defesa de Edvan sustentou insuficiência de provas, negativa de autoria e exclusão das qualificadoras. Na sustentação e na réplica, a Promotora de Justiça Daniele Borghetti Zampieri de Oliveira contrapôs as alegações com os laudos periciais que atestaram a brutalidade dos fatos.

O Conselho de Sentença acolheu a tese sustentada pelo MPMS e condenou o réu por feminicídio praticado mediante crueldade.

Na fixação da pena, a 2ª Vara do Tribunal do Júri elevou a pena-base ao considerar altamente reprovável a culpabilidade do réu, destacando que o homicídio foi o ápice de frequentes agressões físicas e psicológicas contra a mulher. As circunstâncias do crime também pesaram contra o acusado, já que o ataque ocorreu em uma área isolada e sem iluminação pública, dificultando qualquer pedido de socorro. 

 

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