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EDUCAÇÃO

Mato Grosso do Sul tem mais de 2,8 mil pré-selecionados no Prouni

Instituições sul-mato-grossenses participantes ofertaram 7.200 bolsas

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Em Mato Grosso do Sul, 2.802 estudantes foram pré-selecionados na primeira chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni), no processo seletivo do primeiro semestre de 2024.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), as instituições de ensino do Estado ofertaram 7,2 mil bolsas de Estudo pelo Prouni.

No total, foram 7.473 estudantes inscritos, mas o número de inscrições chegou a 12.980 no Estado. Isto porque cada candidato podia escolher até dois cursos para concorrer às bolsas.

De acordo com o balanço, dos inscritos sul-mato-grossenses, as mulheres representaram 68% (5.052), e os homens, 32% (2.421).

Quanto à faixa etária, os estudantes com idade entre 19 e 20 anos são maioria, somando 2.745. Já os inscritos que têm até 18 anos totalizam 2.392. Em seguida, estão os candidatos com idade entre 21 e 30 anos, somando 1.833 inscritos. 

Houve apenas uma pessoa inscrita com idade entre 61 e 70 anos.

Confira a faixa etária dos inscritos do Mato Grosso do Sul:

Faixa etária Inscritos
Até 18 anos 2.392
19 a 20 anos 2.745
21 a 30 anos 1.833
31 a 40 anos 340
41 a 50 anos 133
51 a 60 anos 29
61 a 70 anos 1
71 a 80 anos 0

Primeira chamada

O resultado da primeira chamada do Prouni foi divulgado no dia 6 de fevereiro, pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.

O candidato pré-selecionado nessa chamada deverá entregar a documentação na instituição de ensino superior na qual foi pré-aprovado até o dia 20 de fevereiro.

O procedimento visa à comprovação das informações prestadas na inscrição e pode ser realizado presencialmente na instituição ou por meio eletrônico. 

As instituições deverão registrar a aprovação ou reprovação dos candidatos pré-selecionados na primeira chamada no Sistema do Prouni (SisProuni) entre os dias 6 e 23 de fevereiro. No mesmo período, também é necessário que elas emitam os respectivos Termos de Concessão de Bolsa ou Termos de Reprovação.  

A segunda chamada ocorrerá no dia 27 de fevereiro. 

ENTREVISTA

"O governo húngaro oferece bolsas de estudo para estudantes brasileiros"

Pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, o embaixador da Hungria no Brasil fala dos intercâmbios educacionais e culturais e também das possibilidade de cooperação

28/02/2026 07h50

Miklós Tamás Halmai - Embaixador da Hungria no Brasil

Miklós Tamás Halmai - Embaixador da Hungria no Brasil Marcelo Victor / Correio do Estado

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Em sua primeira visita a Mato Grosso do Sul, o embaixador da Hungria no Brasil, Miklós Tamás Halmai, esteve em Campo Grande, onde cumpriu agenda institucional e visitou o Correio do Estado.

A passagem pelo Estado incluiu encontros com representantes do setor produtivo, da educação e da cultura, além de visitas a instituições de Ensino Superior.

Durante a entrevista, o diplomata abordou o atual estágio das relações entre Brasil e Hungria, as perspectivas de cooperação econômica e os possíveis desdobramentos do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Também comentou as oportunidades de intercâmbio cultural e destacou o potencial de aproximação entre Mato Grosso do Sul e seu país em áreas como agricultura, indústria e turismo.

Um dos principais enfoques da conversa foi a área educacional. Halmai detalhou o programa de bolsas de estudo oferecido pelo governo húngaro a estudantes brasileiros, especialmente em nível de pós-graduação, e ressaltou que o Brasil está entre os países com maior número de vagas disponíveis.

Segundo ele, o intercâmbio acadêmico é um dos instrumentos mais eficazes para fortalecer relações de longo prazo entre as duas nações.

É a primeira vez do senhor em Mato Grosso do Sul. Para começar, como o senhor avalia hoje as relações entre Brasil e Hungria?

As relações entre os dois países estão em uma condição boa. O último ano foi muito frutífero, com dois encontros de alto nível. Tivemos consultas políticas, em Budapeste, entre representantes do governo federal brasileiro e do governo húngaro.

No fim do ano, depois de seis anos, a Comissão Mista de Assuntos Econômicos dos dois países voltou a se reunir.

Tratamos de vários temas da cooperação econômica, envolvendo diferentes áreas de governo, e identificamos possibilidades concretas para desenvolver as relações e dar os próximos passos na parceria entre Brasil e Hungria.

Houve avanços concretos nessa área econômica?

Sim. Durante a reunião da comissão mista, discutimos diferentes setores e oportunidades. Também já há presença de produtos húngaros no Brasil, inclusive em áreas específicas como a de segurança.

O objetivo agora é aprofundar essa cooperação, ampliar contatos empresariais e incentivar novos investimentos.

Mato Grosso do Sul tem forte vocação agropecuária. O Estado importa máquinas agrícolas da Hungria. Como é o setor agrícola húngaro?

A Hungria tem um setor agrícola bem desenvolvido. Produzimos, pelo menos, duas vezes mais do que consumimos internamente. É um setor moderno, com empresas inovadoras.

Ao mesmo tempo, sabemos que o Brasil, e especialmente Mato Grosso do Sul, tem um agronegócio muito forte. Tenho certeza de que podemos aprender muito uns com os outros, estabelecer contatos, trocar experiências e até realizar investimentos conjuntos.

Quais são os principais produtos agrícolas da Hungria?

Produzimos trigo, milho, girassol e óleo de girassol, entre outros grãos. Temos também um setor forte de leite e derivados. Exportamos esses produtos para diversos mercados. Além disso, produzimos frutas e vegetais. Naturalmente, a escala é diferente da brasileira.

Somos um país de cerca de 10 milhões de habitantes, com território de aproximadamente 93 mil quilômetros quadrados, mais ou menos o tamanho do estado de Santa Catarina. Mas, dentro da nossa dimensão, o setor é bastante estruturado e relevante para a economia.

A Hungria negocia no contexto da União Europeia. Como o senhor vê as perspectivas do acordo entre Mercosul e União Europeia?

Tenho certeza de que, no longo prazo, o acordo pode trazer ganhos importantes. Existem algumas reservas por parte de determinados governos europeus, mas acredito que, se essas questões forem tratadas, o acordo poderá avançar.

Ele pode beneficiar tanto a indústria quanto os serviços, ampliando as oportunidades de exportação e de investimentos.

O Brasil poderá exportar mais para a Europa, e empresas europeias também poderão investir mais no Brasil.

Com maior competição, as indústrias tendem a se tornar mais eficazes e competitivas. No fim do dia, o maior beneficiário deve ser o cidadão comum.

Além da economia, a cultura é um ponto forte da Hungria. O senhor acredita que o acordo e a aproximação política podem estimular também o intercâmbio cultural e turístico?

Tenho certeza de que sim. O Brasil tem muitos laços históricos e culturais com países europeus. No caso da Hungria, há uma comunidade de cerca de 100 mil descendentes vivendo no Brasil, principalmente na região Sul e em São Paulo. Esses laços ajudam a fortalecer as relações.

Acredito que podemos ampliar o intercâmbio turístico permitindo que mais brasileiros conheçam a Hungria e que mais húngaros descubram o Brasil. O Brasil é um país fantástico, com muitos lugares atrativos, como o Pantanal e Bonito, que pretendo conhecer nesta visita.

Quais são suas primeiras impressões sobre Mato Grosso do Sul?

Ainda estou conhecendo o Estado. Mas já me preparei antes de vir e tenho a impressão de que é um estado extremamente interessante. Tem natureza, indústria, agricultura, serviços e cultura. É uma mistura muito interessante.

Cumpro uma agenda intensa de encontros oficiais e vou conhecer Bonito. Ao final da visita, espero ter uma imagem ainda mais completa.

Na área educacional, existem programas de intercâmbio entre os dois países?

Sim, existem programas estruturados. O governo húngaro oferece bolsas de estudo para estudantes brasileiros, principalmente em nível de pós-graduação.

O programa contempla áreas como medicina, agricultura, veterinária, tecnologia, engenharia e outras. O Brasil tem uma das maiores cotas de bolsas disponibilizadas pela Hungria, com cerca de 250 estudantes por ano.

Miklós Tamás Halmai - Embaixador da Hungria no Brasil Embaixador da Hungria em entrevista ao Correio do Estado - Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

Essas bolsas cobrem estudos em universidades húngaras e representam uma oportunidade importante para jovens brasileiros ampliarem sua formação acadêmica em um ambiente europeu.

Por isso, estamos visitando universidades estaduais e federais aqui no Estado e também dialogando com autoridades da área de Educação, para divulgar essas possibilidades.

O intercâmbio estudantil é um caminho muito eficaz para estabelecer relações duradouras entre países.

Quando um estudante passa alguns anos em outro país, ele cria laços culturais, acadêmicos e até profissionais. Isso contribui para uma cooperação de longo prazo, que vai além dos governos e das conjunturas políticas. 

A música é uma marca importante da cultura húngara. O senhor poderia explicar o que é o método Kodály?

O método Kodály é uma forma de educação musical desenvolvida na Hungria. A ideia central é que a música deve fazer parte do nosso dia a dia. A educação musical deve começar muito cedo, ainda na infância, e caminhar junto com a alfabetização.

Nas escolas públicas da Hungria, as aulas de música são obrigatórias por dez anos. O método se baseia principalmente no canto. Primeiro, precisamos saber usar bem a nossa voz e o nosso corpo. Se conseguimos reproduzir sons com o próprio corpo e cantar bem, depois será mais fácil aprender instrumentos.

Outro princípio importante é que a música deve ser acessível a todos. Não pode ser algo exclusivo, precisa ser inclusivo. Uma população que canta é, segundo essa visão, uma população mais feliz e mais madura.

A expectativa é de que essa visita resulte em novas parcerias?

A expectativa é de fortalecer contatos e de abrir caminhos para a cooperação futura. Minha agenda inclui reuniões com representantes da indústria, do setor rural, da educação e da cultura. São encontros importantes para identificar interesses comuns e oportunidades específicas.

A Hungria é um país pequeno, mas com tradição cultural significativa e setores econômicos bem estruturados. Mato Grosso do Sul, por sua vez, é um estado com grande potencial na agricultura, na indústria e no turismo.

Ao aproximar instituições, empresários e universidades, criamos condições para que surjam projetos concretos, seja na área econômica, educacional ou cultural.

Além disso, a visita também tem um caráter simbólico. É a primeira vez que venho ao Estado, e conhecer a realidade local é essencial para que possamos construir pontes mais sólidas. Acredito que, a partir desses encontros, poderemos avançar em parcerias que tragam benefícios para ambos os lados.

{Perfil}

Miklos Tamás Halmai

Miklos Tamás Halmai é embaixador no Brasil desde 2023. Antes, foi embaixador de seu país em Portugal, entre 2019 e 2023. Concomitantemente, Halmai é o embaixador credenciado a outros países da América do Sul, onde a Hungria não tem representação diplomática.

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CIRURGIA

Paraplégico de Sidrolândia deve ser o 2º de MS a receber molécula polilaminina

Daniel Costa sofreu um acidente de trabalho em dezembro do ano passado que o deixou sem os movimentos das pernas

28/02/2026 07h00

Arquivo pessoal

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Lesões medulares como a paraplegia e a tetraplegia, em muito casos, significavam a perda dos movimentos dos membros para o resto da vida. Porém, os poucos pacientes que já receberam a molécula polilaminina, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), têm obtido avanços notórios. 

Daniel Costa, que completa 32 anos neste sábado e mora em um assentamento em Sidrolândia, quer ser o segundo em Mato Grosso do Sul a passar pela cirurgia.

Daniel com a filha pequena no colo, um mês após o acidente - Foto: Arquivo pessoal

De acordo com o advogado Gabriel Traven Nascimento, que cuida do processo em a cirurgia de Daniel é pedida, na semana passada, a Justiça deferiu o pedido de tutela de urgência para que o procedimento seja realizado.

Após conseguir confirmar o hospital onde será realizado o procedimento, o advogado conta que eles aguardam apenas a definição da equipe da UFRJ para que a data da cirurgia seja marcada.

“A cirurgia será no Proncor, estou só esperando confirmação da equipe do Rio de Janeiro, mas está tudo dentro dos conformes, como foi a do Luiz [Otávio Santos Nunez]. O ideal é que aconteça antes do dia 9 de março”, afirma o advogado.

A data marca três meses do acidente de Daniel, que ocorreu em 9 de dezembro de 2025, enquanto ele trabalhava.

Daniel é montador de silos (onde são armazenados soja e milho) e contou à reportagem do Correio do Estado que uma parte do equipamento usado no serviço foi amarrada errada e caiu em cima dele.

“Eu estava trabalhando e fui fazer a retirada de um equipamento que nós usamos no nosso dia a dia, chamado de tripé, que tem uma talha na ponta. Ela foi amarrada errada e caiu em cima de mim”, detalha ao Correio do Estado.

Local da cirurgia após sofrer o acidente de trabalho, em dezembro - Foto: Arquivo pessoal

O acidente ocorreu em Comodoro (MT), mas a empresa em que ele trabalhava alugou um avião e conseguiu levá-lo até Dourados, onde fez todos os procedimentos cirúrgicos até o momento.

Daniel sofreu uma lesão medular e perdeu os movimentos da perna (paraplegia), um pouco diferente do caso do jovem Luiz, que foi o primeiro a receber a molécula polilaminina. Apesar da lesão diferente, ele está apto a receber a molécula por também se tratar de um tipo de lesão medular grave.

Daniel mora em um assentamento chamado Nazareth, que fica a 16 quilômetros de Anhanduí e pertence a Sidrolândia. Hoje, enquanto aguarda a definição sobre a cirurgia, está em casa.

Para o advogado, o caso está 90% encaminhado, já que recebeu decisão favorável da Justiça e conseguiu o hospital. A indefinição da data é apenas pela equipe do Rio de Janeiro, que desde a descoberta da molécula tem recebido milhares de pedidos de cirurgia.

“Tem mais de 20 mil pedidos no laboratório”, comenta o advogado Gabriel Nascimento.

EXPECTATIVA

Daniel conheceu a polilaminina por meio da internet e de amigos, que mandavam as reportagens de pessoas na mesma situação e tiveram êxito após passarem pela cirurgia.

Foi então que ele decidiu entrar em contato com o advogado Gabriel Traven Nascimento, que já havia cuidado do caso de Luiz Otávio, para saber se conseguiria ser mais um a passar pelo procedimento.

Agora, com a decisão judicial favorável, Daniel fala sobre a expectativa de ter a data do procedimento marcada e de seus resultados.

“As expectativas são as melhores. Olhando as reportagens de pessoas que estão se recuperando, querendo ou não, é uma luz que pessoas como eu não tiveram”, conta.

OUTROS INTERESSADOS

Após o caso de Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, que foi o primeiro de Mato Grosso do Sul a fazer o procedimento, o advogado já foi procurado por várias pessoas com lesão medular grave.

Segundo ele, além de Daniel, o caso de uma idosa de 65 anos de Mato Grosso do Sul também já recebeu decisão favorável para a cirurgia e outros três casos de fora do Estado estão em espera.

“Eu tenho um outro caso de um paciente do Rio de Janeiro, mas é um caso com mais tempo, são sete meses de lesão, e outros dois casos com mais ou menos esse tempo de lesão que estão na espera desse rapaz do Rio de Janeiro. Se der certo o dele, vou ingressar com o pedido para esses outros dois”, relata o advogado, que contou que esses outros pedidos também são de pessoas de outros estados.

AVANÇO

Matéria do Correio do Estado mostrou que após o procedimento com a molécula polilaminina, Luiz Otávio agora já recuperou movimentos da mão e faz coisas que antes não conseguia, como comer um pedaço de bolo sozinho.

Em outubro do ano passado, o jovem foi atingido por um tiro acidental no pescoço, que causou uma lesão medular grave que o deixou sem o movimento dos membros inferiores e superiores.

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