Cidades

MEIO AMBIENTE

Mau cheiro pode ser causado por gás que prejudica a saúde

Por causa da situação, o deputado estadual Pedro Pedrossian Neto apresentou um projeto para derrubar licença concedida pelo Imasul à fábrica de frigorífico

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Segundo a engenheira ambiental Kamilla Ajala, o mau cheiro verificado na região oeste de Campo Grande que afeta cerca de 100 mil moradores pode ser causado por gás que faz mal à saúde. Nesta semana, o Correio do Estado vem reportando os capítulos da situação, que seria causada pela fábrica de farelo de ossos e sangue do frigorífico JBS, localizada na Avenida Duque de Caxias. 

Acerca dos impactos que a liberação desses gases podem causar ao meio ambiente e à população afetada, Kamilla cita que o cheiro de ovo podre, como descreveram alguns moradores, é causado por um gás incolor que, quando afeta a pessoa durante muito tempo, pode gerar consequências graves para a saúde.

“O cheiro forte e desagradável que pode ser liberado pela JBS, similar a ovo podre, é geralmente causado pelo sulfeto de hidrogênio [H2S]. O H2S é conhecido como o ‘gás da morte’, por ser extremamente tóxico em altas concentrações, causando perda de consciência imediata e a morte”, explica.

“O sulfeto de hidrogênio pode ter efeitos negativos no meio ambiente, principalmente devido à sua toxicidade e potencial para causar poluição atmosférica e acidificação. Na atmosfera, o H2S é convertido em dióxido de enxofre [SO2], que por sua vez pode formar ácido sulfúrico, contribuindo para a chuva ácida”, complementa.

Desde 2023, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu inquérito civil para apurar as condições da unidade. Após algumas vistorias técnicas, foram constatadas inúmeras irregularidades ambientais, como vazamento de fumaças nas laterais do empreendimento. 

A fim de mitigar o problema, o órgão recomendou a instalação de uma cortina arbórea, uma barreira vegetal densa, composta por árvores e arbustos, utilizada para controlar impactos ambientais. Sobre isso, Kamilla diz que a medida é importante e pode ser eficaz, mas as manutenções operacionais precisam ser feitas.
“A cortina arbórea é uma das medidas mitigadoras, porém, a manutenção do sistema operacional é de grande importância”, explica a engenheira ambiental.

A especialista disse, ainda, que um termo de ajustamento de conduta (TAC) seria uma boa alternativa, já que, em caso de descumprimento, o poder público poderia autuar a empresa. Porém, em maio do ano passado, o MPMS chegou a oferecer o acordo durante uma reunião, mas foi recusado pelos representantes da JBS.

“Já que na questão ambiental a empresa não está sendo correta, não está atendendo aos requisitos das leis ambientais, entra na parte econômica, multando, autuando a empresa. Daí ela começa a agir”, recomenda Kamilla.

Após duas matérias e a produção desta reportagem, o Correio do Estado ainda não obteve um retorno da JBS para prestar esclarecimentos sobre o caso e a possível suspensão da licença operacional da fábrica.

RELATOS

Na edição de ontem, moradores dos Bairros Nova Campo Grande e Jardim Carioca relataram ao Correio do Estado que o mau cheiro na região incomoda há anos. Eles chegaram a dizer que sentem vergonha de receber visitas e que seus imóveis desvalorizaram consideravelmente por causa deste problema.

“A minha casa, se ela estivesse em qualquer outro bairro, acho que, pelo menos, ela valeria 30%, 40% a mais. A gente constrói, a gente deseja morar no local, eu tenho um carinho imenso pelo bairro, tanto que eu comprei esse terreno vazio, eu construí a minha casa, coloquei tudo do bom e do melhor, para uma empresa fazer isso”, explica Fábia Britez, que mora no Bairro Nova Campo Grande há 24 anos.

“Uma empresa desse tamanho não tem a pachorra de resolver um problema simples. A gente não mora em invasão, a gente não se apossou de terreno que não podia, a gente tem documento, a gente comprou terreno, a gente pagou o Crea, a gente paga IPTU, então, ou seja, somos todos organizados. O poder público tem dois pesos e duas medidas: se desrespeitarmos alguma lei, o poder público vem como um leão para cima da gente, agora, vão como um gatinho para cima de uma empresa gigantesca”, complementa.

Mesmo com o problema perdurando há anos e com as consequências citadas acima, os moradores pedem que seja encontrada uma solução que não prejudique os trabalhadores da fábrica, já que muitos moram na região.

PROJETO

Além do MPMS, o caso agora está na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), que analisa projeto de decreto legislativo, de autoria do deputado estadual Pedro Pedrossian Neto (PSD), que pretende sustar duas licenças de operação da fábrica de farelo de ossos, concedidas pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), sob justificativa de que o processamento desses subprodutos está gerando danos ambientais e sociais.

Este projeto já foi distribuído à Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Alems e, agora, está nas mãos do deputado estadual Paulo Duarte (PSB). Ele será o relator do projeto e vai determinar a constitucionalidade da suspensão da licença. Se aprovado, vai para o plenário, onde terá duas votações sobre seu mérito.

Conferência das Partes

PF age na COP15 em Campo Grande e fiscaliza segurança privada do evento

Polícia Federal tanto compõe e estrutura esquema especial de segurança, quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais

26/03/2026 09h44

Agentes estão  empregados de forma estratégica e preventiva

Agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional".  Reprodução/PF/CS.SRMS

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Até o próximo domingo (29), a Polícia Federal atua e também fiscaliza a segurança privada da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada no espaço Bosque Expo em Campo Grande. 

Nessas duas frentes, a PF tanto compõe e estrutura um esquema especial de segurança quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais. 

Durante essa semana acontecem ações de fiscalização dos vigilantes privados que atuam durante a Conferência, que basicamente garantem que toda a segurança contratada da COP15 "esteja de acordo com a legislação vigente". 

Como bem esclarece a PF, através do setor de comunicação social da superintendência regional em Mato Grosso do Sul, essa fiscalização da segurança privada é essencial em eventos de grande porte, garantindo um ambiente seguro e regulado para servidores, público e os profissionais que realizam o evento. 

Esquema de segurança

Além de fiscalizar a segurança privada, o emprego das chamadas equipes especializadas do Comando de Operações Táticas (COT) estrutura um esquema especial responsável por reforçar as ações preventivas e proteger as autoridades e delegações participantes. 

Dessas medidas, por exemplo, cabe destacar que esses agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional". 

Ou seja, esses agentes do Comando de Operações Táticas (COT) trabalham a todo o tempo durante a COP15 com objetivo de identificar e de neutralizar eventuais ameaças. 

"A atuação envolve vigilância qualificada, posicionamento tático em locais estratégicos e capacidade de pronta resposta a incidentes que podem comprometer a segurança das autoridades, das delegações estrangeiras, do público e das estruturas relacionadas ao evento", complementa a PF em nota.

Além disso, como bem acompanha o Correio do Estado, até mesmo "fuzis anti drones" estão sendo usados pela Polícia Federal durante a COP15, para inclusive neutralizar eventuais voos irregulares de aeronaves remotamente pilotadas (RPAs) nas áreas sob proteção.

É importante esclarecer que há protocolos específicos para inclusive resposta imediata, por isso a PF reforça que o emprego de aeronaves remotamente pilotadas nas áreas de interesse da segurança do evento deve observar as normas vigentes e eventuais restrições temporárias de espaço aéreo estabelecidas para a COP15.
 

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Campo Grande

Prefeitura monta plano para privatizar unidades 24 horas

Proposta apresentada pela Sesau para o Conselho Municipal de Saúde foi rejeitada pela maioria; ideia seria conceder a parte administrativa dos CRSs

26/03/2026 08h35

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital Gerson Oliveira

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A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), montou um plano para privatizar duas Unidades de Saúde com atendimento 24 horas da Capital e apresentou a proposta para o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal.

Ontem, membros da Sesau se reuniram com representantes do CMS para apresentar uma proposta de terceirização dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e do Tiradentes. O plano é alterar o modelo de gestão dessas unidades para Organizações Sociais de Saúde (OSSs), sem mudanças estruturais previstas inicialmente.

A ideia seria entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada, o que, segundo a Sesau em sua apresentação, daria celeridade a processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

Em nota enviada à reportagem, o CMS se posicionou contrário à intenção da Sesau de privatizar ambos os Centros de Saúde, por entender que a alteração no modelo de gestão não vai resolver os principais problemas das unidades, podendo, inclusive, piorar a situação dos gargalos que hoje elas enfrentam.

“O Conselho Municipal de Saúde não se opõe a essa proposta por mero posicionamento político circunstancial. O conselho se opõe porque compreende, à luz de sua história, de suas atribuições legais e da experiência acumulada no SUS, que a terceirização da gestão das Unidades Públicas de Saúde não enfrenta os principais problemas hoje vividos pela população de Campo Grande e ainda pode agravar fragilidades já existentes”, pontua.

“Transferir a gestão administrativa dessas unidades não cria leitos hospitalares, não reorganiza de forma automática a retaguarda assistencial e não elimina, por si só, os fatores que produzem superlotação e desassistência”, completa o CMS.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente do CMS, Jader Vasconcelos, disse que as duas Unidades de Saúde não recebem financiamento do Ministério da Saúde e, por isso, viraram alvo de privatização por parte da Sesau.

Durante a tarde, foi a vez dos vereadores da Comissão Permanente de Saúde receberem os representantes da Sesau para debater a proposta de terceirização. 

O vereador Lívio Viana de Oliveira Leite, o Dr. Lívio (União Brasil), que integra a comissão, disse que não esperava esta atitude do Município, além de esclarecer que é contrário ao plano.

“Fomos pegos de surpresa. Não sabíamos nada disso e fomos alertados pelo Conselho Municipal de Saúde. Hoje [quarta-feira] a reunião é um pedido da Comissão de Saúde para estes esclarecimentos. Eu, pessoalmente, sou contrário a essa terceirização”, afirma o vereador.

Cabe ressaltar que as OSSs são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em conjunto com o poder público no gerenciamento de Unidades de Saúde via contratos de gestão. Focadas em eficiência e agilidade, buscam maior produtividade no SUS, mas enfrentam desafios de transparência.

A conversão de administração pública para OSS já foi feita no âmbito estadual. A ideia começou em 2016, quando o secretário de Estado de Saúde era Nelson Tavares. Algumas das empresas que ingressaram naquela época, no entanto, foram retiradas posteriormente por problemas na gestão dos hospitais.

PLANO INICIAL

Em contato com a Sesau para mais informações sobre esse plano, a secretaria limitou-se a declarar que se trata de uma ideia inicial, ainda em análise, que será amplamente debatida com outros órgãos.

“Uma ideia de proposta para implementação de OSS na Remus [Rede Municipal de Saúde], que será amplamente discutida com o Conselho Municipal de Saúde, Câmara Municipal, Tribunal de Contas, entre outros”, afirma a Sesau.

A reportagem também questionou o gasto mensal da prefeitura para gerir as CRSs Aero Rancho e Tiradentes. Contudo, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

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