O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou um grupo de cinco pessoas por integrar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação na região de Aquidauana e cidades vizinhas.
A instauração do procedimento ocorreu após a ocorrência de pichações em locais públicos para reivindicar territórios, intimidar grupos rivais e demonstrar força organizacional no Estado. O Gaeco destacou ainda a audácia dos criminosos, que planejavam portar armas de fogo em eventos públicos de grande circulação, como exposições agropecuárias, demonstrando desprezo pela segurança da população local.
A investigação aponta uma estrutura hierarquizada dedicada ao tráfico de drogas, demarcação de território e planejamento de crimes violentos. Todos os réus tiveram a prisão preventiva decretada.
De acordo com as descobertas feitas pelo Gaeco/MPMS, o grupo era liderado por um criminoso que exercia a função de “geral de disciplina” na facção. Ele era o responsável por coordenar as ações dos membros da célula nas ruas, manter o controle sobre os demais criminosos e aplicar sanções internas.
A ação penal foi recebida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e segue para fase de instrução processual, que começa pelos depoimentos da acusação.
Plano de expansão
As apurações do Gaeco/MPMS apontam que o grupo planejava uma estratégia de expansão da "Regional Pantanal", subdivisão territorial da maior máfia existente no Brasil, fundada entre 2018 e 2019. Os criminosos atuavam nos municípios de Aquidauana, Anastácio, Miranda, Ladário, Corumbá e Porto Murtinho.
O grupo utilizava rotas alternativas para transportar drogas vindas da Bolívia, via Corumbá, escondendo em pneus para evitar fiscalizações. Uma das rodovias utilizadas para a prática criminosa era a "Estrada do 21" (MS-345), uma rota turística inaugurada em julho de 2024, liga as cidades de Anastácio e Aquidauana a Bonito.
Tribunal do crime
Além do tráfico, os réus são apontados como participantes de “tribunais do crime”. Um dos casos citados envolve a execução de um ex-membro do PCC em Miranda, motivada por dívidas de drogas e pela migração da vítima para uma organização rival.
Entre os denunciados está um integrante que, mesmo custodiado no sistema prisional, mantinha comunicação ativa com os comparsas externos.
Na peça acusatória, o MPMS requer a condenação dos envolvidos pelo crime de integrar organização criminosa armada (Lei nº 12.850/2013).

