Cidades

TRANSPORTE DE MINÉRIOS

Ambientalistas vencem queda de braço sobre dragagens no Rio Paraguai

Com as restrições à remoção de bancos de areia no fundo do leito, o transporte continuará parado em períodos em que o nível do rio em Ladário ficar abaixo de um metro

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Representante do Ministério do Meio Ambiente no grupo que está elaborando o edital de concessão da hidrovia do Rio Paraguai, o secretário-executivo da pasta, João Paulo Capobianco, deixou claro nesta segunda-feira (30), durante visita ao Correio do Estado, que haverá limites para as atividades de dragagem e que, assim como ocorre atualmente, o transporte terá de ser suspenso nos períodos de estiagem. 

Em agosto de 2024, o DNIT chegou a anunciar que as dragagens de manutenção permitiriam que o transporte seria possível o ano todo, inclusive em períodos de baixa significativa do nível do Rio Paraguai, já que existiam naquela época “18 passos críticos e 15 passos potencialmente críticos”, os quais seriam remanejados no fundo do leito.

Na época, o DNIT chegou a adotar as medidas iniciais para fazer esta dragagem, mas o Ibama barrou os trabalhos por entender que havia necessidade de estudos de impacto ambiental mais detalhados. A expectativa daqueles que devem a dragagem mais radical era que isso fosse permitido depois da concessão da hidrovia. 

Porém, agora o secretário deixa claro que isso não deve ocorrerr. "Para manter o leito original navegável, isso não tem nenhum problema. Isso ocorre em qualquer lugar. O problema é que quando chegou o pedido, não era uma dragagem de manutenção.  Era muito mais. Era um volume muito grande de metros cúbicos de areia de terra que tinham que ser removidos", afirmou João Paulo Capobianco nesta segunda-feira.

Número dois do Ministério do Meio Ambiente e aliado da ministra Marina Silva faz mais de duas décadas, Capobianco deixou claro que o que "alguns pleiteiam é uma ampliação da navegabilidade, inclusive em períodos onde não se navega. Hoje, a hidrovia não funciona em alguns  momentos porque não é possível, em função da redução do nível da água. Alguns gostariam de fazer alterações no rio para navegar o ano inteiro. Isso não é possível", enfatiza, deixando claro que as restrições à dragagem de manutenção continuarão mesmo após a concessão da hidrovia. 

Embora participa da equipe que esta definindo os detalhes do Edital, ele não se arrisca e apontar uma data para que ocorra esta concessão, inicialmente prevista para o segundo semestre do ano passado. A mais recente previsão era julho de 2026, mas até este prazo tende a ser adiado. 

"O  Ministério do Ambiente participa da comissão que define isso, eu sou representante dessa comissão. Então, o que nós entendemos e o que nós definimos? É que será feito edital, mas na chamada vai estar explicitado que não será permitido derrocamento nem a dragagem de aumento do leito navegável. Não vai poder tirar barranco ou aprofundar a calha. O que será permitido é a dragagem de manutenção. Então, aquele que se interessar por assumir essa concessão, vai saber de início", explica. 

Nesta segunda-feira, o nível do rio amanheceu em 1,75 metro na régua de Ladário, o que significa água suficiente para que as embarcações navegem a plena carga. No ano passado foram despachadas em torno de 8 milhões de toneladas de minérios pela hidrovia. A meta, porém, é chegar a 25 milhões de toneladas ao longo dos próximos anos. 

Mas, quando nível do rio fica abaixo de 1,5 metro na régua de Ladário, o que pode ocorrer por até seis meses por ano, os comboios já são obrigados descer com cerca de 70% da capacidade. E, depois que fica abaixo de um metro, o transporte de minérios é praticamente todo suspenso. 

O que é necessário, diz Capobianco, é que o setor de transportes se adapte à hidrovia, e não o contrário. Embarcações com menor profundidade seriam a saída, lembra ele. 

"Você não pode inverter a lógica. Você navega num rio navegável. Você não cria um rio navegável. Ele é ou não é navegável. Se ele é navegável, você utiliza ele de forma adequada, mas você não adapta ele à navegação, porque aí, se você fizer isso, você tem impactos ambientais muito severos", reforça Capobianco,

Com isso, ele deixa claro que existem severas divergências entre representantes do DNIT e do Ministério do Meio Ambiente. Para ele, porém, isso é absolutamento normal. Existem divergências em todos os setores da vida pública e privada, argumenta, reforçando que já se chegou a um consenso sobre as restrições à dragagem que serão colocadas no edital da concessão. 

REMANEJAMENTO

Dragagem de manutenção não significa retirada da areia do leito. Segundo o DNIT, “a dragagem de manutenção promove um novo arranjo do leito, retirando sedimentos de um canal natural identificado e depositando-o dentro do próprio rio, em ponto que não traga riscos à navegação”.

Esta metodologia de trabalho, explica a superintendência, “visa não reduzir a altura da lâmina d'água, o que significa que a dragagem de manutenção não interfere no ciclo de transbordamento do rio”. 

FAZENDA 5 ESTRELAS

Milho substitui girassol em fazenda que virou 'ponto turístico' em MS

Fazenda Cinco Estrelas, famosa pelo campo de girassóis que bombou nas redes sociais, plantou milho no lugar de girassol para 'despistar' a erva daninha

21/06/2026 19h00

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026 Gerson Oliveira

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Milho tomou o lugar do girassol, neste ano, na Fazenda Cinco Estrelas, localizada no Indubrasil, próximo a BR-060/BR-262, perto de Campo Grande/Terenos.

Famosa pelo campo de girassóis que bombou nas redes sociais, a fazenda suspendeu a plantação de girassóis em 2026, para plantar milho.

De acordo com o gerente da fazenda, Carlos de Lima Rosa, a substituição se deu por conta do aparecimento de erva daninhas, planta invasora que nasce em locais indesejados.

“Esse ano aqui tem girassol e não milho por conta da erva daninha. Nós não estávamos conseguindo controlar o caruru, então, com os herbicidas que nós passamos no milho, nós não podemos passar no girassol, então por isso o milho. Girassol esse ano só na Fazenda Guariroba, que é outra fazenda do seu Stefanello”, disse o capataz ao Correio do Estado.

O local se tornou um ‘ponto turístico temporário’ nos meses de agosto e setembro, por vários anos, onde centenas de pessoas visitavam a plantação diariamente para fazer ensaios fotográficos de casamento, gestação, noivado, 15 anos ou simplesmente atualizar o perfil das redes sociais.

Confira a paisagem da fazenda (antes e depois) em 2025 e 2026:

2025

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026Plantação de girassol na Fazenda Cinco Estrelas, em 2025. Foto: Marcelo Victor/arquivo

2026

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026. Foto: Gerson Oliveira

O campo de girassóis estará de volta, na Fazenda Cinco Estrelas, em 2027.

MILHO

O milho (Zea mays) é um cereal (grão) que produz espigas cheias de grãos amarelos. É uma das principais culturas agrícolas de Mato Grosso do Sul.

Os principais municípios produtores são Maracaju, Dourados, Ponta Porã, Sidrolândia e Itaporã, que concentram grande parte da produção de grãos do Estado.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento apontam que 12,49 milhões de toneladas de milho foram produzidas, na safra 2024/25, no Estado. Em grãos, a produção chegou a 27,79 milhões de toneladas.

O preço da saca de milho (60 kg) gira em torno de R$ 48 a R$ 52 em Mato Grosso do Sul. A área total do Estado é de 6,6 milhões de hectares.

GIRASSOL

O girassol é uma planta da família Asteraceae e do gênero Heliantheae. É nativo da América do Norte. É uma planta anual, que nasce, cresce, floresce uma vez por ano e morre logo em seguida.

De acordo com o biólogo Pedro Isaac, a planta tem cerca de dois metros de altura e o recorde, já registrado no mundo, é de nove metros. Mas, em épocas de seca, pode não alcançar nem um metro.

É rico em reserva energética e estrutural, como açúcares, proteínas e ácidos graxos, sendo estes a matéria prima do óleo.

É cultivado com matéria orgânica. "Não é das plantas mais exigentes quanto à adubação, podendo usar estrume, fertilizantes químicos e chorume de composteira, mas é bom sempre lembrar de diluir estes dois últimos e nunca usar fertilizantes demais, pois podem causar queimaduras químicas ou até intoxicar a planta", detalhou Pedro Isaac.

De acordo com o biólogo, o óleo é retirado da semente do girassol para consumo humano. “No entanto, como o maior produto consumido é o óleo, naturalmente pode causar alguns problemas, contribuindo para a obesidade, doenças cardiovasculares, entre outras”.

As sementes também são utilizadas como alimento para animais, especialmente aves de estimação como periquitos e canários.

O preço da saca de girassol (60 kg) gira em torno de R$ 65 a R$ 80 em Mato Grosso do Sul.

AÇÃO

Empreiteiro compra prostíbulo em leilão e aciona Justiça para tomar posse de imóvel

Proprietário de construtora com contratos estaduais arrematou bem por R$ 750 mil após inadimplência de cooperativa; ocupante alega contrato verbal e resiste à desocupação

21/06/2026 18h00

Casa da Barbie, em Inocência, comprada pelo empreiteiro Bruno Trindade, da Avance Construtora Ltda.

Casa da Barbie, em Inocência, comprada pelo empreiteiro Bruno Trindade, da Avance Construtora Ltda. Foto: Arquivo

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Bruno Cesar de Souza Trindade, sócio-administrador da Avance Construtora Ltda., ajuizou ação de imissão na posse contra o ocupante de um imóvel em Inocência (MS) onde funciona um estabelecimento denominado "Casa da Barbie". O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou a desocupação do local em 30 dias, decisão confirmada por unanimidade pela 3ª Câmara Cível em 31 de março de 2026.

O imóvel pertencia à Cooperativa Agroindustrial e Pecuária de Inocência (Coapi). Em 2019, a cooperativa deu o bem em alienação fiduciária ao Sicredi Celeiro Centro Oeste como garantia de financiamento de R$ 200 mil. Com a inadimplência, o banco consolidou a propriedade em seu nome e conduziu leilão extrajudicial.

Em 28 de outubro de 2025, Trindade arrematou o imóvel em 2ª praça por R$ 750.488,56, pagos à vista, conforme carta de arrematação. O empreiteiro tem diversos contratos com o governo do Estado na região, inclusive sendo proprietário de uma usina nas proximidades do terreno onde está a "Casa da Barbie". Entre 2025 e 2026, a Avance teve R$ 141.662.386,41, entre pagamentos e empenhos da Agesul.

Casa das meninas

O imóvel é ocupado por Maicon Martins Brandão, comerciante residente em Inocência, que instalou no local o estabelecimento "Casa da Barbie", descrito pela defesa de Trindade nos autos como "prostíbulo sem qualquer regularização junto ao poder público". Fotos juntadas ao processo mostram construção pintada de rosa com a identificação do nome.

Brandão alega ter locado o bem verbalmente da antiga proprietária, a Coapi. Segundo o processo, o próprio Maicon assinou, em 2 de dezembro de 2025, a notificação extrajudicial enviada pelo advogado de Trindade. Não houve desocupação voluntária.

Com a recusa extrajudicial, Bruno Trindade ajuizou ação de imissão na posse na Vara Única da Comarca de Inocência. O juiz Edimilson Barbosa Ávila indeferiu o pedido de liminar, entendendo que a desocupação imediata poderia causar "prejuízos irreparáveis à atividade econômica exercida pelo demandado", considerando o risco de dano ao réu como contrapeso ao direito do autor.

Inocência passa por um boom imobiliário e comercial por conta da instalação da Arauco no município, com muito fluxo de pessoas, principalmente homens solteiros.

Recurso

Em 27 de janeiro de 2026, o desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa deferiu tutela antecipada recursal ao empreiteiro e fixou prazo de 30 dias para desocupação, sob pena de despejo.

Brandão apresentou contrarrazões em março de 2026, informando ter realizado R$ 200 mil em benfeitorias no imóvel,construção de cômodos, reforma de dormitórios e banheiros e instalação de piscina, em propriedade que, segundo a defesa, era "um prédio abandonado de uma cooperativa de produtores de leite". Requereu prazo de 60 dias para concluir obras em outro local para onde transferiria o negócio.

O tribunal negou a ampliação do prazo. No acórdão de 31 de março de 2026, a 3ª Câmara Cível, por unanimidade, deu provimento ao recurso de Trindade.

O relator, Des. Odemilson Roberto Castro Fassa, decidiu que "a alegação de benfeitorias não tem o condão de afastar o direito possessório do proprietário".

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