Cidades

SUSPENSÃO

Mesmo após morte de menina em MS, Nikolas Ferreira defende Discord

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou que a plataforma suspenda as transmissões ao vivo no Brasil

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou as medidas de restrição impostas às lives do Discord, durante uma coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara dos Deputados, na quarta-feira (12).

A discussão ocorre porque a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou que a plataforma suspenda as transmissões ao vivo no Brasil após a morte de uma sul-mato-grossense, de apenas 13 anos, ser transmitida virtualmente por grupos extremistas através das redes sociais. 

"Segundo a lógica da esquerda, você sempre tem que derrubar a plataforma, nunca o criminoso. Então, se for assim, tem que proibir faca também, porque faca mata gente. Nós vamos ter que proibir o Instagram também, porque também tem lives e postagens criminosas. Nós vamos ter que proibir os carros também, carro também usa para poder matar gente. Então, é inacreditável que derrube as lives no Discord, mas não tem nada para combater o criminoso", disse o parlamentar.

O deputado ironizou Janja e disse que ela tem influência sobre a medida da ANPD. Ao final do discurso, Nikolas Ferreira provocou a primeira-dama: “Mais uma vez, obrigado, porque o eleitorado jovem deste país vai amar. Uma salva de palmas para a Janja”.

O que diz o Discord?

Em documento encaminhado ao governo, o Discord relatou que há indícios de que os atos que culminaram na morte da jovem em Naviraí tenham sido articulados previamente ou de forma paralela em outras plataformas, especificamente Telegram e TikTok.

Segundo a empresa, a existência de interações fora de sua plataforma ajudaria a explicar por que seus sistemas não identificaram o risco de imediato.

O TikTok nega que tenham ocorrido atividades de coordenação ligadas ao caso em sua plataforma. Segundo a Folha de São Paulo, a empresa afirmou ter realizado buscas sobre o episódio e disse não ter encontrado indícios de que o incidente tenha sido articulado ou de que usuários tenham sido redirecionados a ele por meio da rede social.

No documento, O Discord afirma que seu sistema trabalha com uma pontuação de risco. A transmissão específica teria recebido pontuação de 0,12, enquanto o limite para identificação automatizada é de 0,95.

Além disso, a plataforma afirmou que o resultado está sendo reexaminado e poderá servir para avaliar eventuais aprimoramentos na sensibilidade do sistema, buscando um equilíbrio entre a capacidade de detecção e a produção de falsos positivos.

A empresa afirmou ainda ter recebido uma comunicação de um órgão de segurança sem muitas informações às 3h50. E que, menos de 25 minutos depois, o servidor da transmissão foi removido.

A ANPD concluiu que a plataforma não possui ferramentas que viabilizem mecanismos de análise de conteúdo e detecção de violações em tempo real. De acordo com a nota técnico da agência reguladora, o Discord "depende de sistemas automatizados falhos e de denúncias pelos próprios participantes desses ambientes voltados à prática dessas violações".

"O caso relatado pela empresa [...] evidencia falha grave no modelo implementado, uma vez que fato gravíssimo recebeu uma sinalização de risco erroneamente baixa porque o sistema automatizado de detecção não foi bem calibrado", diz a nota técnica da ANPD.

Medidas e recursos

Para além da suspensão da "Go Live", conforme a medida cautelar, o Discord precisa suspender recursos de transmissão e compartilhamento de vídeos equivalentes. Além disso, é necessária a implantação de mecanismos tecnicamente eficazes contra a burla. 

"A medida incide especificamente sobre funcionalidade que a ANPD entendeu apresentar evidências robustas de configurar o maior risco para menores de 18 anos, não representando impedimento da continuidade de outras atividades da plataforma, ou de seus potenciais usos legítimos". 

Essa suspensão deve valer até que a plataforma demonstre implementação e efetividade de medidas técnicas, de segurança e de governança adequadas aos riscos identificados para crianças e adolescentes. 

Uma vez em conformidade com o determinado, o Discord poderá obter autorização expressa e prévia da própria ANPD para reativar, total ou parcialmente, o recurso de lives em sua plataforma. 

Caso sejam constatadas irregularidades, a ANPD poderá determinar medidas corretivas e aplicar sanções em âmbito administrativo, conforme prevê o artigo número 35 do ECA Digital. 

Notificados pela Superintendência da Agência Nacional de Proteção de Dados, diante de irregularidades, isso significa que o Discord pode sofrer a aplicação de uma multa de até R$50 milhões por infração. 

Fica aberto agora o prazo de três dias úteis para o Discord comprovar o cumprimento integral da suspensão no território nacional.

Além disso, há ainda o prazo de dez dias úteis para apresentar recurso junto à Superintendência de Fiscalização. Diante de uma ausência de reconsideração por parte SFI, haverá possibilidade de recorrer ao Conselho Diretor da ANPD. 

Relembre

Na manhã de 22 de julho, em Naviraí, distante aproximadamente 365 quilômetros da Capital do Mato Grosso do Sul, Lívia foi encontrada sem vida pelos familiares após ter sido incitada ao autoextermínio por grupos extremistas.

O trabalho do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP), identificou que esse caso inicialmente reportado como suicídio tratava-se, de fato, de um homicídio resultante de manipulação feita por organização criminosa no ambiente online.

Já nesta última terça-feira (04) foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul a Operação Livia, através da qual foram cumpridas de forma simultânea, seis medidas de busca e apreensão contra adolescentes e um mandado de prisão contra um adulto.

Várias são as terminologias que esses envolvidos usam internamente, reunindo-se, por exemplo, nas chamadas "panelas" para prática dos crimes virtuais.

Antes desse momento, porém, os adolescentes acusados revelaram após apreensão que há toda uma "engenharia social" para cooptar as vítimas para exploração nas redes sociais. Operando de forma anônima, eles sequer saberiam as identidades ou localizações reais uns dos outros, criando inclusive perfis falsos com fotos de pessoas de outro sexo para conseguir atrair as vítimas. 

"Então eles começam a procurar pela família; onde estuda, e diante de todas aquelas informações, se passa por outra pessoa. Importante frisar que nenhuma rede social dessas pessoas condizia com a foto delas. Era sempre outro tipo de pessoa, de sexo, realmente para conseguir trazer a vítima".

Reunidos nas mais diversas plataformas, como por exemplo o Discord, os administradores desses grupos eram responsáveis por marcar o que chamavam de "evento". 

"Nessa noite que teve esse 'evento' (morte da Lívia), porque é assim que eles chamam dentro dos grupos nomeados por eles de 'panelas', ocorreu uma automutilação. Logo na sequência que é divulgado esse suicídio, porque não houve moderação, houve falha na plataforma Discord que não foram derrubados, teve essa automutilação em outro Estado", comenta a titular da Depca.

Segundo explicação dada pela delegada, é como se os administradores de cada "panela" se tornassem os donos dessas vítimas e que, apesar de não ser o caso de Lívia, há vítimas que se cortavam e tinham que escrever o nome do administrador com o próprio sangue.

"Para mostrar: 'eu sou de fulana de tal', porque elas eram obrigadas a fazer isso, porque elas estavam acreditando que vai acontecer algo", complementa. 

Panelas virtuais

Através da Operação Lívia uma grande quantidade de material foi apreendido, evidenciando uma verdadeira organização criminosa para manutenção de escravas virtuais, o que atingiria principalmente meninas. 

Essas vítimas seriam manipuladas e pressionadas até a prática do suicídio, que eram transmitidos para várias pessoas por meio das redes sociais. 

Essas "panelas" virtuais competiriam por "hype", uma hierarquia de popularidade medida através de atos de violência cada vez maiores, que davam status para seus integrantes que inclusive repassavam o passo a passo para as vítimas "do que" e "como" fazer.

Alguns desses alvos vitimados recebiam bonificações conforme avançavam no "jogo" ao cumprirem os atos de "luz". Justamente a recusa de Lívia de encarregar-se de fazer a "luz" e matar seu próprio gato foi o "estopim" da morte da adolescente em MS

"A Lívía antes de se matar ela tinha que fazer o que eles chamam de 'Luz', que é a agressão. Ela tinha que matar o gato dela e não cumpriu o que deveria ter cumprido. É como se eles estivessem jogando um videogame... tem que passar de fase", explica a delegada.

Como bem esclarece a respeito da "engenharia social" dos criminosos, muitas vítimas eram alvos do chamado "doxxing", que seria a busca e exposição de dados particulares de uma pessoa na internet sem a devida permissão dela. 

Nessa prática criminosa, o objetivo costuma ser a busca por aterrorizar, envergonhar ou ameaçar a vítima com a exposição de dados que podem incluir nome real, endereço, CPF, telefone, etc. 

"A Lívia mesmo, antes de tomar a decisão de realmente se matar, ela tinha sido 'doxada' por esses adolescentes, e isso exercia muita ameaça, porque estavam envolvidas ali a família, então ela não sabe o que vai acontecer, se 'é só comigo', 'é pra minha família também', então ela acabou tirando a vida após essa pressão", afirma. 

Segundo a delegada, foi o adolescente infrator apreendido no Rio de Janeiro o responsável por repassar e determinar as coordenadas para Lívia, fornecendo esse "passo a passo" para a vítima sul-mato-grossense. 

Sobre o esquema, é esclarecido ainda que para além da satisfação pessoal com o sofrimento das vítimas, esses indivíduos ganhavam "status" e valores eram pagos para que as pessoas praticassem determinados atos, bonificadas após uma automutilação ou maus-tratos animais. 

"O adolescente infrator que foi apreendido na Baixada Fluminense deu para ela todas as coordenadas que Lívia teria que fazer para se suicidar", completa a delegada.

Esses indivíduos devem agora responder pelos crimes de homicídio qualificado, organização criminosa e possivelmente também pelos maus-tratos contra animais. 

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CORUMBÁ/BOLÍVIA

PCC e CV viram "inimigos" prioritários na fronteira

Plano para a região foi lançado oficialmente ontem e prevê ações da Polícia Federal e da polícia boliviana entre os países, além de apoio dos EUA

14/08/2026 08h00

Divulgação

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O governo boliviano está com uma ofensiva, em conjunto com a Polícia Federal (PF) brasileira, para tentar bloquear ações criminosas coordenadas que o Primeiro Comado da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão implantando no país vizinho.

Esse trabalho conjunto foi chamado de Plano Fronteira Segura e foi lançado ontem, em Guayaramerín, cidade boliviana que faz fronteira com Guajará-Mirim (RO).

Apesar do lançamento oficial dessa estratégia de guerra contra organizações criminosas brasileiras e grupos bolivianos ocorrer na região Norte do País, o Ministério do Governo da Bolívia identificou que as regiões críticas são: Cobija/Brasiléia (AC), Guayaramerín/Guajará-Mirim (RO), Puerto Suárez/Corumbá (MS) e San Matías/Cáceres (MT).

O presidente boliviano, Rodrigo Paz, enfatizou que os operativos vão ser empenhados por tempo indeterminado nas faixas de fronteira consideradas sob maior risco de atuação de facções criminosas. 

“Lançamos o Plano Fronteiras Seguras com empenho permanente da polícia boliviana em cinco pontos fronteiriços para desarticular o crime organizado transnacional, porque um país seguro é um país onde bolivianos investem em seu próprio território”, afirmou.

O comandante geral da polícia boliviana, Mirko Sokol, participou do lançamento do plano e afirmou que as ações ostensivas estão voltadas para dificultar a atuação das facções.

“Estamos atacando estas organizações criminosas no lugar onde elas estão pretendendo atuar. E isso acontece principalmente nas fronteiras. São nesses locais que temos que evitar o ingresso de grupos criminosos e tentar evitar que cheguem nas cidades. Eles geram violência, mortes”, disse.

Pelo lado brasileiro, as autoridades não fizeram manifestação pública. Isso foi atribuído ao período de defeso eleitoral. Contudo, participaram do lançamento do plano o ministro de Segurança e Justiça Pública, Wellington Lima e Silva, além do diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues.

Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, participou do lançamento - Foto: Divulgação

AÇÕES PRÁTICAS

Já foi definido que mais de 300 policiais bolivianos especializados vão atuar no Departamento de Santa Cruz, que envolve as fronteiras com Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Atualmente, há um conflito em andamento em San Matías, divisa com Cáceres, onde o policial boliviano subtenente Yerson Salazar Aliendres acabou morto, no dia 30 de julho, após uma emboscada.

Já em Corumbá, também em julho, houve um atentado ligado ao PCC que resultou na morte do soldado PM Marcelo Pimenta da Silva. O ataque ocorreu contra um homem que vivia em Ladário e os policiais militares foram alvejados quando tentaram prender os suspeitos.

Todos os criminosos envolvidos, sendo a maioria deles brasileiros, acabaram mortos pela PM do Estado. Nessa resposta da polícia, dois bolivianos também morreram, mas quando estavam em Corumbá.

O governo boliviano apontou que os operativos conjuntos, e principalmente o combate ao crime organizado atuando na fronteira, resultou na expulsão de 17 pessoas apontadas com algum grau de liderança em organizações criminosas, entre elas do PCC e algumas do CV. 

Também ocorreram as apreensões de 58 aeronaves, 370 imóveis e 573 veículos durante os últimos oito meses. As ações também destruíram 10 pistas clandestinas e apreenderam 283 toneladas de droga.

“A Bolívia não será terra livre para as máfias. Não há espaço para respostas frágeis, dispersas ou meramente declarativas. Os narcotraficantes não são atores sociais, nem interlocutores políticos. São organizações criminais que destroem famílias, financiam violência, capturam territórios, corrompem instituições, tomam fronteiras e ameaçam a democracia”, declarou o ministro boliviano da Defesa, Ernesto Justiniano.

A Bolívia está alinhada com ações também com os Estados Unidos e neste mês teve reunião com o secretário de Defesa estadunidense, Pete Hegseth, e o general Francis L. Donovan, que atua no Comando do Sul, unidade do exército dos EUA que exerce atividade na América Latina.

107 mortes

Dupla morre em confronto com PM horas após ataques no interior de MS

Rafael e Daniel eram apontados como suspeitos de atirarem contra dois homens, um atingido na cabeça e o outro morto no quintal de casa

14/08/2026 07h50

Com essas duas ocorrências, o número de mortes por agentes de Estado subiu para 107

Com essas duas ocorrências, o número de mortes por agentes de Estado subiu para 107 Foto: Maikon Leal / Coxim Agora

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Na madrugada desta sexta-feira (14), a Força Tática da Polícia Militar localizou uma dupla suspeita de atirar contra duas pessoas no bairro Senhor Divino, em Coxim. Os suspeitos fugiram após os ataques e se esconderam no Vale do Taquari. Durante a ação policial, houve confronto entre os militares e os dois homens.

Os suspeitos foram identificados como Rafael da Silva Nogueira, de 38 anos, e Daniel Braz dos Santos Silva, de 40 anos, vulgo “Nego Drama”. Ambos foram atingidos por disparos na região do tórax.

Os dois foram socorridos ainda com vida e encaminhados ao Pronto-Socorro do Hospital Regional Álvaro Fontoura. De acordo com as informações do site Coxim Agora, eles chegaram com vida à unidade hospitalar e equipes médicas realizaram procedimentos de reanimação, porém, apesar dos esforços, ambos não resistiram aos ferimentos e morreram.

Rafael e Nego Drama são apontados como suspeitos de envolvimento nos ataques que deixaram David Alexandre Morais de Souza, de 36 anos, gravemente ferido, e Almir de Araújo Bernardo, de 37 anos, morto no quintal de sua residência, no bairro Senhor Divino.

A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar, Força Tática, Polícia Civil e Perícia. As circunstâncias do confronto e a dinâmica dos ataques serão investigadas pelas autoridades.

Ataques horas antes

Dois homens foram baleados na noite de quinta-feira (13), em Coxim, após a dupla que estava em uma motocicleta preta realizar disparos em diferentes pontos do bairro Senhor Divino.

O primeiro caso ocorreu na Rua Walmor Rocha Soares, onde David Alexandre foi atingido por um disparo na cabeça e também agredido com coronhadas. Ele ficou gravemente ferido e foi socorrido por uma equipe do Corpo de Bombeiros.

O segundo ataque ocorreu na Rua Ângelo de Souza, também no bairro Senhor Divino, onde os suspeitos efetuaram quatro disparos na direção de Almir de Araújo Bernardo, no quintal de sua residência. Uma equipe do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionada e esteve no local, mas os socorristas constataram que a vítima já estava sem vida.

107 mortes

Conforme dados disponibilizados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Mato Grosso do Sul já registrou 107 mortes por intervenção legal de agentes do Estado, em 2026.

O painel estatístico da Sejusp mostra que, até julho, os registros vinham aumentando ao longo do ano. Foram 11 vítimas em janeiro, seis em fevereiro, nove em março, 14 em abril, 16 em maio, 16 em junho e 22 em julho. Em agosto, o painel apresenta 13 registros.

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