Cidades

ENTREVISTA - THEMIS OLIVEIRA

"Meu compromisso é fortalecer o diálogo e a parceria com o Executivo"

Novo diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, Themis Oliveira falou sobre os desafios à frente da concessionária e a sua mudança do saneamento básico para o transporte coletivo

Continue lendo...

Há uma semana no cargo, o novo diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, Themis Oliveira, é o entrevistado desta semana do Correio do Estado. Na conversa, o gestor da concessionária falou sobre suas expectativas à frente da empresa e como espera manter uma postura de diálogo com a Prefeitura de Campo Grande.

O CEO do grupo que controla o transporte coletivo e urbano campo-grandense assumiu durante as tratativas a responsabilidade referente à nova tarifa do serviço, que deve ser reajustada pelo Executivo municipal.

“O meu compromisso é fortalecer o diálogo e a parceria com o Executivo. Estamos trabalhando para agendar reuniões com a prefeitura, para que tanto a empresa quanto a administração pública possam se alinhar em um esforço conjunto, buscando soluções que beneficiem a população e atendam às necessidades do transporte coletivo de forma eficiente e justa”, afirmou.

Oliveira assumiu o cargo no dia 6, no lugar do então diretor-presidente, João Resende, que estava no cargo desde 2012, quando o Consórcio Guaicurus venceu a disputa pela concessão do transporte público na Capital.

Antes de lidar com o transporte coletivo, no entanto, Oliveira vinha de uma longa carreira no saneamento básico, tendo sido diretor-presidente da Águas Guariroba, concessionária de tratamento e abastecimento de água e esgoto de Campo Grande.

Para ele, isso pode colaborar para o Consórcio Guaicurus, uma vez que, conforme o entrevistado, os anos à frente da concessionária de abastecimento de água trouxe “uma visão valiosa” em relação à importância de se manter uma cordialidade entre a prefeitura e a empresa prestadora de serviço público.

“Acredito que a minha experiência na gestão de outra concessionária me trouxe uma visão valiosa sobre a importância de cultivar um bom relacionamento com o Executivo. O Consórcio Guaicurus já conta com uma boa relação com a prefeitura, e tenho a certeza de que posso fortalecer ainda mais esse contato”, declarou.

A constante briga judicial entre o Consórcio Guaicurus e a Prefeitura de Campo Grande também foi abordada na entrevista. Confira a seguir.

 
O que você espera para a sua gestão à frente do Consórcio Guaicurus?

Espero contribuir para a transformação e a modernização do transporte público em Campo Grande, aprimorando constantemente o que já vem sendo feito, tornando o serviço mais eficiente, dinâmico e alinhado às reais necessidades da população. Minha gestão será pautada pela busca incessante por soluções inovadoras em mobilidade urbana e, claro, pela melhoria contínua da eficiência operacional.

Pretendo trabalhar em estreita colaboração com todos os colaboradores e os parceiros e ter uma escuta ativa com a população, para oferecer um serviço de qualidade que faça jus ao que a cidade e seus cidadãos merecem.

Você trabalhou muitos anos na área do saneamento básico. Como foi fazer essa troca para o transporte coletivo? Terá dificuldade nessa mudança? Qual foi o seu prepara para assumir esse desafio?

Embora o saneamento básico e o transporte público tenham características distintas, ambos compartilham o desafio de fornecer serviços essenciais e de qualidade à população. A experiência adquirida na gestão público-privada será de grande valia para implementar soluções eficazes no transporte coletivo.

Tenho a plena confiança de que a transição será bem-sucedida, pois estou me dedicando ao máximo para entender as necessidades do setor. Estou pronto para trabalhar com a equipe do Consórcio Guaicurus para construir um futuro ainda melhor para o transporte público de Campo Grande.

Por mais que você tenha recém-assumido o cargo, quais serão os principais desafios da empresa para os próximos anos?

Estou fazendo uma imersão nos serviços prestados à população. Nos próximos dias, em conjunto com a diretoria, vamos definir as prioridades para o presente e o futuro próximo. O que posso garantir é que o nosso principal objetivo será atender às demandas da população da melhor forma possível, com foco na qualidade, na eficiência e na inovação. Sabemos que a cidade está em constante crescimento e, portanto, precisamos de soluções adaptáveis e de longo prazo para um transporte público mais ágil e acessível.

Uma das brigas na Justiça entre o Consórcio Guaicurus e a prefeitura tem sido a busca pelo cumprimento do contrato, tanto em relação ao reajuste quanto em relação ao reequilíbrio. Porém, como ficam pontos que são descumpridos pela concessionária, como o seguro contra acidentes e a idade dos ônibus?

Primeiramente, é importante destacar que a nossa posição é sempre pela busca do cumprimento integral do contrato por ambas as partes. O que está sendo descumprido é uma preocupação legítima. Manteremos um diálogo aberto e transparente com todos os envolvidos para encontrar soluções equilibradas que atendam a todos os aspectos do contrato e, ao mesmo tempo, e que promovam o bem-estar e a segurança da população.

Há alguma reunião marcada com o Executivo, para um começo de melhora no relacionamento entre o consórcio e a prefeitura, uma vez que todos os anos anteriores a empresa e a administração nunca se entenderam sobre os prazos de reajuste?

O meu compromisso é fortalecer o diálogo e a parceria com o Executivo municipal. Estamos trabalhando para agendar reuniões com a prefeitura, para que tanto a empresa quanto a administração pública possam se alinhar em um esforço conjunto, buscando soluções que beneficiem a população e atendam às necessidades do transporte coletivo de forma eficiente e justa.

Você esteve muitos anos à frente de uma outra concessionária que tem um bom relacionamento com o Executivo. Acredita que isso vai lhe ajudar a trazer essa mesma colaboração para o Consórcio Guaicurus?

Sim, acredito que a minha experiência na gestão de outra concessionária me trouxe uma visão valiosa sobre a importância de cultivar um bom relacionamento com o Executivo. 

O Consórcio Guaicurus já conta com uma boa relação com a prefeitura, e tenho a certeza de que posso fortalecer ainda mais esse contato. O objetivo é criar um entendimento mútuo que coloque sempre os interesses da população em primeiro lugar.

Qual foi o principal pedido da concessionária a você quando houve esse convite? O que eles buscaram com essa troca na gestão da empresa?

O principal pedido foi justamente dar continuidade às transformações necessárias para melhorar os serviços prestados à população. 

A gestão do Consórcio Guaicurus está ciente dos desafios do setor e tem a intenção de inovar, aprimorar processos e aumentar a qualidade do serviço.

Como está o processo de perícia nas contas do Consórcio Guaicurus? Quando começou e quando deve terminar? Há a expectativa de que desta vez a conclusão seja diferente da primeira perícia?

O processo de perícia começou recentemente e está sendo conduzido pelo Poder Judiciário. Estamos aguardando a sua conclusão, conforme os prazos definidos pelo juiz.

Perfil - Themis Oliveira

Formado em Geologia, com especialização em Finanças Corporativas, Themis Oliveira acumula mais de 40 anos de carreira, sendo 36 anos dedicados aos setores de saneamento, infraestrutura e administração pública e privada. Foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), oficial de gabinete na Câmara dos Deputados e assessor técnico da Comissão de Minas e Energia, em Brasília (DF).

No setor público, ocupou cargos de destaque, como conselheiro fiscal do Banco do Estado de Mato Grosso (Bemat), diretor de Expansão da Companhia de Saneamento do Estado de Mato Grosso (Sanemat) e diretor-geral do Sanear, em Rondonópolis (MT).

Também foi secretário de Planejamento, Administração e Governo da prefeitura de Rondonópolis e chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Educação do governo de Mato Grosso. Entre 2019 e 2024, em Campo Grande, foi diretor-presidente da Águas Guariroba.

Assine o Correio do Estado

Campo Grande

Prefeitura monta plano para privatizar unidades 24 horas

Proposta apresentada pela Sesau para o Conselho Municipal de Saúde foi rejeitada pela maioria; ideia seria conceder a parte administrativa dos CRSs

26/03/2026 08h35

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital Gerson Oliveira

Continue Lendo...

A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), montou um plano para privatizar duas Unidades de Saúde com atendimento 24 horas da Capital e apresentou a proposta para o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal.

Ontem, membros da Sesau se reuniram com representantes do CMS para apresentar uma proposta de terceirização dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e do Tiradentes. O plano é alterar o modelo de gestão dessas unidades para Organizações Sociais de Saúde (OSSs), sem mudanças estruturais previstas inicialmente.

A ideia seria entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada, o que, segundo a Sesau em sua apresentação, daria celeridade a processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

Em nota enviada à reportagem, o CMS se posicionou contrário à intenção da Sesau de privatizar ambos os Centros de Saúde, por entender que a alteração no modelo de gestão não vai resolver os principais problemas das unidades, podendo, inclusive, piorar a situação dos gargalos que hoje elas enfrentam.

“O Conselho Municipal de Saúde não se opõe a essa proposta por mero posicionamento político circunstancial. O conselho se opõe porque compreende, à luz de sua história, de suas atribuições legais e da experiência acumulada no SUS, que a terceirização da gestão das Unidades Públicas de Saúde não enfrenta os principais problemas hoje vividos pela população de Campo Grande e ainda pode agravar fragilidades já existentes”, pontua.

“Transferir a gestão administrativa dessas unidades não cria leitos hospitalares, não reorganiza de forma automática a retaguarda assistencial e não elimina, por si só, os fatores que produzem superlotação e desassistência”, completa o CMS.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente do CMS, Jader Vasconcelos, disse que as duas Unidades de Saúde não recebem financiamento do Ministério da Saúde e, por isso, viraram alvo de privatização por parte da Sesau.

Durante a tarde, foi a vez dos vereadores da Comissão Permanente de Saúde receberem os representantes da Sesau para debater a proposta de terceirização. 

O vereador Lívio Viana de Oliveira Leite, o Dr. Lívio (União Brasil), que integra a comissão, disse que não esperava esta atitude do Município, além de esclarecer que é contrário ao plano.

“Fomos pegos de surpresa. Não sabíamos nada disso e fomos alertados pelo Conselho Municipal de Saúde. Hoje [quarta-feira] a reunião é um pedido da Comissão de Saúde para estes esclarecimentos. Eu, pessoalmente, sou contrário a essa terceirização”, afirma o vereador.

Cabe ressaltar que as OSSs são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em conjunto com o poder público no gerenciamento de Unidades de Saúde via contratos de gestão. Focadas em eficiência e agilidade, buscam maior produtividade no SUS, mas enfrentam desafios de transparência.

A conversão de administração pública para OSS já foi feita no âmbito estadual. A ideia começou em 2016, quando o secretário de Estado de Saúde era Nelson Tavares. Algumas das empresas que ingressaram naquela época, no entanto, foram retiradas posteriormente por problemas na gestão dos hospitais.

PLANO INICIAL

Em contato com a Sesau para mais informações sobre esse plano, a secretaria limitou-se a declarar que se trata de uma ideia inicial, ainda em análise, que será amplamente debatida com outros órgãos.

“Uma ideia de proposta para implementação de OSS na Remus [Rede Municipal de Saúde], que será amplamente discutida com o Conselho Municipal de Saúde, Câmara Municipal, Tribunal de Contas, entre outros”, afirma a Sesau.

A reportagem também questionou o gasto mensal da prefeitura para gerir as CRSs Aero Rancho e Tiradentes. Contudo, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

Assine o Correio do Estado

Inquérito

Juiz diz que Bernal é "risco" e mantém ex-prefeito preso

Magistrado afirmou que ainda não havia provas para considerar o caso como legítima defesa

26/03/2026 08h15

Juiz diz que Bernal é considerado um

Juiz diz que Bernal é considerado um "risco" Álvaro Rezende

Continue Lendo...

O juiz Ronaldo Gonçalves Onofri, que comandou a audiência de custódia do ex-prefeito Alcides Bernal, na manhã de ontem, manteve o advogado na cadeia. Entre as suas razões para mantê-lo preso está o fato de que o magistrado o considerou um “risco à segurança das pessoas envolvidas e à ordem pública”.

Alcides Bernal foi preso na tarde de terça-feira, após matar a tiros o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, que havia entrada na sua casa, imóvel que havia sido arrematado pela vítima, mas que ainda não estava em sua posse.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva pelo magistrado durante a audiência de custódia, realizada na manhã de ontem no Fórum da Comarca de Campo Grande. 

O magistrado derrubou todos os argumentos da defesa em sua deliberação. Sobre a tese de legítima defesa, principal linha dos advogados de Bernal, o juiz alegou falta de provas para subsidiá-la.

“A defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento. Ao contrário, os elementos constantes dos autos indicam versão distinta”, afirma Onofri.

“Destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho e efetuado disparos de imediato. Relatou, ainda, que nem ele nem a vítima estavam armados, tampouco houve discussão ou confronto prévio”, completou.

Em outro ponto, o juiz afirma que a alegação de que o ex-prefeito tem saúde fragilizada ainda não foi comprovada, por isso não viu necessidade de converter a prisão para outras medidas.

“No que tange às condições de saúde, deverá o custodiado ser submetido à avaliação médica, a fim de se aferir a real dimensão de eventuais necessidades clínicas. Todavia, até o presente momento, não há elementos que indiquem a impossibilidade de tratamento no âmbito da unidade prisional, tampouco prova de enfermidade grave que justifique a substituição da prisão preventiva por medida diversa. Assim, não se verifica, neste momento, a necessidade de conversão da prisão preventiva em outra medida, permanecendo adequada a custódia cautelar nos termos já delineados”, alega.

Por fim, Onofri alega que pelo fato de Alcides Bernal ter antecedentes criminais, já que foi condenado por crime de calúnia, em processo que já transitou em julgado, e pela gravidade do crime, a sua soltura representaria insegurança para pessoas ligadas ao fato.

“O custodiado é acusado da prática de crime doloso contra a vida, o que, por si só, evidencia elevada gravidade concreta. Soma-se a isso o contexto fático, no qual se verifica a existência de conflito patrimonial ainda em curso, o que potencializa o risco à segurança das pessoas envolvidas e à ordem pública, caso lhe seja concedida liberdade”, defende o magistrado.

“É certo que a prisão preventiva constitui medida excepcional. Contudo, no presente caso, estão presentes elementos concretos que evidenciam o perigo gerado pelo estado de liberdade do custodiado, revelando-se a medida extrema necessária e adequada, sendo insuficientes quaisquer medidas cautelares diversas da prisão para a preservação da ordem pública”, completa Onofri.

O CRIME

A vítima foi morta com dois tiros nas laterais da barriga. Um dos disparos transfixou e saiu nas costas, de acordo com o boletim de ocorrência.

Roberto Carlos e Bernal disputavam a posse de uma verdadeira mansão, localizada na Avenida Antônio Maria Coelho, no Bairro Jardim dos Estados. A propriedade havia sido arrematada pela vítima, em um leilão feito pela Caixa Econômica Federal, porém, o ex-prefeito continuava no imóvel e recusava-se a sair.

Segundo testemunhas disseram à polícia, Bernal havia, inclusive, trocado, por várias vezes, a fechadura da residência. Na terça-feira, no entanto, Roberto Carlos, acompanhado de um chaveiro, se dirigiu até a casa. O profissional abriu o portão e quando estava abrindo a porta da frente os dois foram surpreendidos pelo ex-prefeito.

Conforme depoimento do chaveiro, Maurilio da Silva Cardoso, o ex-prefeito teria apontado a arma para Roberto Carlos e perguntado o que ele estava fazendo no local.

A testemunha afirma que antes mesmo da vítima responder foi atingida por um tiro e caiu. Já Bernal garante que haviam três homens e que ele teria sido atacado, por isso respondeu com os tiros.

Por outro lado, o chaveiro garantiu, em depoimento, ter ouvido apenas um disparo, no entanto a vítima foi atingida por dois tiros. 

Após atirar, Bernal foi até a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) e confessou o crime, alegando legítima defesa. O caso segue em investigação.

* Saiba

O caso foi registrado como homicídio qualificado como traição e emboscada e pode ser levado ao Tribunal do Júri.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).