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RECURSOS PÚBLICOS

Ministério da Saúde defende auditoria retroativa nas contas da Santa Casa

Superintendente de Mato Grosso do Sul da Pasta federal disse que a Capital ou Estado podem pedir a avaliação contábil

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Em meio ao conflito jurídico entre a Santa Casa e o poder público nos últimos meses, o Ministério da Saúde defende que a utilização dos repasses mensais oriundos do acordo tripartite do convênio do Sistema Único de Saúde (SUS) seja analisada por meio de uma auditoria, podendo ela ser solicitada pelo Município, Estado ou até pelo governo federal.

Em conversa com o Correio do Estado, o superintendente estadual do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, Ronaldo de Souza Costa, criticou a atitude da atual gestão do hospital e, por isso, pede que o poder público realize uma auditoria retroativa nas contas da Santa Casa – processo que avalia eventos e transações financeiras que já ocorreram, focando em períodos passados.

“A Santa Casa precisa de uma atitude decente de gestão, que defina uma auditoria retrógrada, para saber o que está ou não correto. E essa auditoria é uma decisão do Município, que pode ou não fazer, com uma condição pré-existente de muitos conflitos de interesses. É do Município a grande decisão. O Estado e a União, se solicitada, também podem fazer”, reforça.

“O Município precisa constatar que as estruturas, os aparelhos e equipamentos ofertados com recursos públicos para as instituições, como a Santa Casa, estão produzindo para o SUS”, complementa Ronaldo.

Inclusive, em 2019, a Câmara Municipal de Campo Grande realizou uma investigação acerca do convênio entre a Santa Casa e a Prefeitura, motivada pelo fechamento dos portões para as ambulâncias por causa da superlotação do setor de urgência e emergência, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e setor cirúrgico ocorridos no decorrer de 2017, além de outros problemas relatados e observados por pacientes.

Na época, o relatório constatou que havia “desídia da Associação Beneficente Campo Grande (ABCG) e a má gestão administrativa aparente”, da qual “os eventos ou condições futuras podem levar a Entidade a não se manterem em continuidade operacional”.

Também já havia sido apontada a calamidade financeira da instituição, que acumulava um deficit superior a R$ 291 milhões. De 2019 até agora, o superintendente acredita que a situação não mudou, o que seria mais um motivo para a realização de uma auditoria.

“Esse processo deve ser ponto de partida, para se romper com falas tendenciosas unilaterais. Acredito que não houveram mudanças, porque o discurso de crise se repete”, disse.

SEM DEFINIÇÃO

Atualmente, a Santa Casa recebe R$ 392,4 milhões por ano (R$ 32,7 milhões por mês) do acordo tripartite entre governo federal, Prefeitura de Campo Grande e governo do Estado. Porém, o repasse estaria estagnado há dois anos, fonte de reclamação do hospital, que alega que o valor não seria suficiente para suportar a demanda atual da unidade de saúde.

Por isso, o hospital foi à Justiça pedir que a renovação do contrato seja feita e o repasse mensal seja corrigido para R$ 45,9 milhões (R$ 550,8 milhões por ano), além da recomposição retroativa referente aos últimos dois anos sem reajuste. O juiz responsável pela ação definiu que um prazo até o fim deste mês para que a organização filantrópica, a Prefeitura e o governo do Estado entrem em comum acordo.

Vale destacar que, hoje, cerca de 56% do total do repasse mensal (R$ 18,3 milhões) é de responsabilidade do governo federal. Os outros 44% são oriundos do Estado (R$ 9 milhões) e do Município (R$ 5,2 milhões).

Mesmo diante do alegado caos financeiro da entidade, Ronaldo acredita que o pedido da Santa Casa é exagerado.

“Os recursos transferidos mensalmente são bastante significativos. Se houve aumento dos atendimentos em relação às séries históricas, pode haver justificativa para aumento do repasse. Mas se a estrutura contratualizada e o número de atendimentos não são atingidos, é natural haver ajuste na contratualização para os números reais atingidos”, explica o superintendente do ministério.

Em contraponto, a instituição reafirma que o repasse mensal atual realizado pelo poder público é desproporcional em relação às despesas operacionais da estrutura, o que já resultou na suspensão do atendimento de 15 serviços menos essenciais à população.

INTERNAÇÕES

De acordo com documento que o Correio do Estado teve acesso com exclusividade, a Santa Casa de Campo Grande em 2024 recebeu 40% do total destinado aos hospitais no Estado para gastos com internações.

A alta complexidade é a maior responsável por esses dois valores, já que a entidade fatura 62,1% em Mato Grosso do Sul e 61,8% em Campo Grande nesta categoria de internação. Como referência foram utilizados os números totais de 2023 e 2024.

O documento também mostra que, de acordo com o orçamento anual de 2024 do governo do Estado, foram destinados R$ 1 bilhão de recursos somente para internação em unidades hospitalares, o que corresponde a 42,52% dos R$ 2,3 bilhões investidos na saúde ano passado. Somente para a Santa Casa foram R$ 108,9 milhões no decorrer do ano.

Para este ano, houve uma pequena mudança: foram retirados cerca de R$ 90 milhões do recurso para internações em unidades hospitalares, ou seja, diminuiu para R$ 919 milhões.

Porém, o destinado para a Santa Casa se manteve no mesmo patamar, mas mesmo assim a unidade tem reclamado por conta da estagnação dos valores repassados.

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Inquérito

Juiz diz que Bernal é "risco" e mantém ex-prefeito preso

Magistrado afirmou que ainda não havia provas para considerar o caso como legítima defesa

26/03/2026 08h15

Juiz diz que Bernal é considerado um

Juiz diz que Bernal é considerado um "risco" Álvaro Rezende

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O juiz Ronaldo Gonçalves Onofri, que comandou a audiência de custódia do ex-prefeito Alcides Bernal, na manhã de ontem, manteve o advogado na cadeia. Entre as suas razões para mantê-lo preso está o fato de que o magistrado o considerou um “risco à segurança das pessoas envolvidas e à ordem pública”.

Alcides Bernal foi preso na tarde de terça-feira, após matar a tiros o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, que havia entrada na sua casa, imóvel que havia sido arrematado pela vítima, mas que ainda não estava em sua posse.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva pelo magistrado durante a audiência de custódia, realizada na manhã de ontem no Fórum da Comarca de Campo Grande. 

O magistrado derrubou todos os argumentos da defesa em sua deliberação. Sobre a tese de legítima defesa, principal linha dos advogados de Bernal, o juiz alegou falta de provas para subsidiá-la.

“A defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento. Ao contrário, os elementos constantes dos autos indicam versão distinta”, afirma Onofri.

“Destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho e efetuado disparos de imediato. Relatou, ainda, que nem ele nem a vítima estavam armados, tampouco houve discussão ou confronto prévio”, completou.

Em outro ponto, o juiz afirma que a alegação de que o ex-prefeito tem saúde fragilizada ainda não foi comprovada, por isso não viu necessidade de converter a prisão para outras medidas.

“No que tange às condições de saúde, deverá o custodiado ser submetido à avaliação médica, a fim de se aferir a real dimensão de eventuais necessidades clínicas. Todavia, até o presente momento, não há elementos que indiquem a impossibilidade de tratamento no âmbito da unidade prisional, tampouco prova de enfermidade grave que justifique a substituição da prisão preventiva por medida diversa. Assim, não se verifica, neste momento, a necessidade de conversão da prisão preventiva em outra medida, permanecendo adequada a custódia cautelar nos termos já delineados”, alega.

Por fim, Onofri alega que pelo fato de Alcides Bernal ter antecedentes criminais, já que foi condenado por crime de calúnia, em processo que já transitou em julgado, e pela gravidade do crime, a sua soltura representaria insegurança para pessoas ligadas ao fato.

“O custodiado é acusado da prática de crime doloso contra a vida, o que, por si só, evidencia elevada gravidade concreta. Soma-se a isso o contexto fático, no qual se verifica a existência de conflito patrimonial ainda em curso, o que potencializa o risco à segurança das pessoas envolvidas e à ordem pública, caso lhe seja concedida liberdade”, defende o magistrado.

“É certo que a prisão preventiva constitui medida excepcional. Contudo, no presente caso, estão presentes elementos concretos que evidenciam o perigo gerado pelo estado de liberdade do custodiado, revelando-se a medida extrema necessária e adequada, sendo insuficientes quaisquer medidas cautelares diversas da prisão para a preservação da ordem pública”, completa Onofri.

O CRIME

A vítima foi morta com dois tiros nas laterais da barriga. Um dos disparos transfixou e saiu nas costas, de acordo com o boletim de ocorrência.

Roberto Carlos e Bernal disputavam a posse de uma verdadeira mansão, localizada na Avenida Antônio Maria Coelho, no Bairro Jardim dos Estados. A propriedade havia sido arrematada pela vítima, em um leilão feito pela Caixa Econômica Federal, porém, o ex-prefeito continuava no imóvel e recusava-se a sair.

Segundo testemunhas disseram à polícia, Bernal havia, inclusive, trocado, por várias vezes, a fechadura da residência. Na terça-feira, no entanto, Roberto Carlos, acompanhado de um chaveiro, se dirigiu até a casa. O profissional abriu o portão e quando estava abrindo a porta da frente os dois foram surpreendidos pelo ex-prefeito.

Conforme depoimento do chaveiro, Maurilio da Silva Cardoso, o ex-prefeito teria apontado a arma para Roberto Carlos e perguntado o que ele estava fazendo no local.

A testemunha afirma que antes mesmo da vítima responder foi atingida por um tiro e caiu. Já Bernal garante que haviam três homens e que ele teria sido atacado, por isso respondeu com os tiros.

Por outro lado, o chaveiro garantiu, em depoimento, ter ouvido apenas um disparo, no entanto a vítima foi atingida por dois tiros. 

Após atirar, Bernal foi até a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) e confessou o crime, alegando legítima defesa. O caso segue em investigação.

* Saiba

O caso foi registrado como homicídio qualificado como traição e emboscada e pode ser levado ao Tribunal do Júri.

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Cidades

Júri nos EUA considera Instagram e YouTube responsáveis em julgamento sobre vício em redes

Após mais de 40 horas de deliberação ao longo de nove dias, os jurados da Califórnia decidiram que a Meta e o YouTube foram negligentes no design ou operação de suas plataformas

25/03/2026 23h00

Crédito: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil

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Um júri considerou a Meta e o YouTube responsáveis nesta quarta-feira, 25, em um processo inédito que visava responsabilizar as plataformas de mídia social por danos a crianças que usam seus serviços, concedendo a autora US$ 3 milhões em danos.

Após mais de 40 horas de deliberação ao longo de nove dias, os jurados da Califórnia decidiram que a Meta e o YouTube foram negligentes no design ou operação de suas plataformas.

O júri também decidiu que a negligência de cada empresa foi um fator substancial na causa do dano à autora, uma mulher de 20 anos que afirma ter se tornado viciada em mídias sociais quando criança e que esse vício exacerbou seus problemas de saúde mental.

Este é o segundo veredicto contra a Meta esta semana, depois que um júri no Novo México determinou que a empresa prejudica a saúde mental e a segurança das crianças, violando a lei estadual

Meta e YouTube (de propriedade do Google) emitiram declarações discordando do veredicto e prometendo explorar suas opções legais, o que inclui apelações.

O porta-voz do Google, Jose Castañeda, afirmou na declaração da empresa que o caso "não entende o YouTube, que é uma plataforma de streaming construída de forma responsável, não um site de mídia social". Fonte: Associated Press.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

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