Na 10ª operação contra corrupção em prefeituras do Estado, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu ofensiva contra fraude em licitações no município de Itaporã. Este é o 11º Executivo municipal de MS a virar alvo de investigações só neste ano.
A Operação Fake Cloud, deflagrada ontem por meio de investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), em apoio à 1ª Promotoria de Justiça de Itaporã, apura os crimes de organização criminosa, fraude em contratações públicas e corrupção ativa e passiva.
Segundo o MPMS, os investigadores descobriram a existência de um “grupo criminoso estruturado que atua fraudando, sistematicamente, processos de contratações públicas por dispensa de licitação, voltados ao fornecimento de licença de sistemas de backup de dados em armazenamento em nuvem para o Poder Executivo municipal de Itaporã, desde 2022”.
Dos três mandados de prisão cumpridos ontem, um deles mirou Nilson dos Santos Pedroso, que atuou como superintendente de Compras e Aquisições Governamentais em Itaporã durante a primeira gestão do prefeito Marcos Pacco, que não foi alvo da operação.
Atualmente, Pedroso é secretário municipal de Governo e Gestão Estratégica em Corumbá e, segundo apurou o Correio do Estado, teria saído algemado da prefeitura corumbaense.
O segundo alvo de mandado de prisão foi o empresário de Campo Grande George Willian de Oliveira. Ele é o dono da empresa de nome fantasia Citiz Tecnologia, que, segundo a prefeitura de Itaporã, é a responsável pelo contrato investigado pelo MPMS nesta operação.
Segundo apurou o Correio do Estado, a licitação é referente à contratação para serviço especializado em fornecimento de uma licença anual do sistema de backup em nuvem, chamado cloud computing, no valor de R$ 53.745,00.
“De acordo com os elementos colhidos, após negociações ilícitas dos empresários com agentes públicos, diversos processos foram simulados e direcionados para beneficiar determinada empresa, mediante propostas fictícias e exigências técnicas previamente elaboradas para restringir a concorrência”, diz nota do MPMS.
Ainda conforme o MPMS, os servidores públicos ligados à investigação tinham o papel de fornecer informações privilegiadas e “organizar a fraude procedimental, com vistas ao sucesso do grupo criminoso, em contrapartida a constantes recebimentos de vantagens indevidas”.
Além dos três mandados de prisão, foram cumpridos outros seis mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Corumbá e Itaporã.
OUTRAS INVESTIGAÇÕES
Matéria do Correio do Estado do início deste mês mostrou que os núcleos investigativos do MPMS, Gecoc e Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), já haviam aberto ofensiva contra 11 municípios neste ano. Só neste mês as prefeituras de Miranda, Bonito e, agora, Itaporã já receberam a visita das autoridades.
Além delas, também foram alvo de operações do Gaeco e do Gecoc, 10 ao todo, as administrações de Água Clara, Rochedo, Três Lagoas, Coxim, Sidrolândia, Nioaque e Terenos, além da Câmara de Aquidauana, todas por corrupção em licitações.
(Colaborou João Pedro Flores)


