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Ministério Público quer mais controle na investigação de homicídios em Mato Grosso do Sul

Locais de crime envolvendo mortos em confronto com a Polícia também deverão ser periciados

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul publicou no Diário Oficial de segunda-feira (8) uma recomendação para que a Polícia Civil padronize as investigações mínimas a serem realizadas na instrução de Inquéritos Policiais que apurem homicídios e tentativas de homicídio.

As investigações devem ser realizadas, inclusive, nos casos em que a morte for causada por agentes policiais, ficando a dever da polícia realizar exame de local da morte violenta, ainda que não haja preservação e mesmo que a vítima tenha sido socorrida.

Dentre as recomendações, o MPMS menciona também a produção de um laudo pericial de todas as armas de fogo, sejam as portadas pelos integrantes da guarnição, sejam portadas pelas eventuais vítimas, assim como das munições apreendidas no local, sem embargo do exame necroscópico direto a ser realizado pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol). 

Em 2023, Mato Grosso do Sul teve o ano recorde em mortes causadas por agentes do Estado, com 131 óbitos registrados de janeiro a dezembro, quantidade 156,8% superior ao observado em 2022, quando 51 foram mortos.

Nos primeiros três meses deste ano, o estado já soma 28 óbitos de civis em confronto com a polícia. 

"Modelo de Atuação Padrão"

O documento, direcionado ao Delegado-Geral e Presidente do Conselho Superior da Polícia Civil, Dr. Roberto Gurgel de Oliveira Filho, propõe a criação de um “Modelo de Atuação Padrão nos Inquéritos Policiais que apurem a prática de crimes dolosos contra a vida, consumados ou tentados”.

As recomendações de atuação foram listadas em sete itens, que vão desde as diligências iniciais no local onde ocorreu a morte (ou tentativa de homicídio) até o registro das informações do autor e da vítima.

O primeiro item mencionado pelo documento é o pronto comparecimento das autoridades policiais - ou equipe designada - no local do delito, e que sejam realizadas buscas e, quando possível, apreensão imediata de câmeras de vigilância que circundem o local do crime, "atentando-se aos procedimentos relacionados à cadeia de custódia, para o posterior encaminhamento ao Órgão Pericial para realização dos exames que se façam necessários".

Nos casos de tentativa de homicídio, o MPMS que mesmo que não tenha havido preservação do local e tenha se dado
o socorro da vítima, que haja o comparecimento da Autoridade Policial e o acionamento da perícia técnica para a realização dos exames de praxe, notadamente o exame de local de crime.

Caso a perícia técnica não compareça, será necessária a captura de imagens amplas do local, "de forma a registrar elementos que possam indicar indícios sobre uma possível dinâmica delituosa".

O terceiro ponto destacado no documento diz sobre a tomada de declarações, seja da vítima ou de seu cônjuge ou familiares, pedindo que seja coletado “Termo de Autorização para acesso à cópia de prontuário médico-hospitalar”, para que a Autoridade Policial possa solicitar às unidades de saúde que enviem diretamente prontuários médico-hospitalares ao IMOL para a elaboração de laudo necroscópico ou de lesão corporal indireto.

"Caso seja narrada a ocorrência de crime conexo, que por lei dependa de representação, que a Autoridade Policial proceda a coleta de Termo de Representação, mesmo que seja para constar o desinteresse do ofendido em representar naquele momento, devendo, neste caso, constar o prazo decadencial para que o mesmo represente em desfavor do suposto autor dos fatos", diz texto.

A vítima também deverá ser questionada sobre eventuais lesões sofridas, sequelas e tratamentos ainda pendentes, bem como se sofreu abalo psicológico e se suportou prejuízos financeiros para tratamento, apontando ou estimando o montante, a fim de embasar pedido de dano moral e/ou material na denúncia.

No quarto item, a recomendação é que as investigações referentes à localização e apreensão da arma do crime constem no relatório de ordem de serviço, "assim como, em caso de apreensão, que haja sempre o encaminhamento do instrumento utilizado para exame pericial, seja qual for a sua natureza".

O MPMS também pede o registro dos dados para localização futura de todas as pessoas mencionadas no Inquérito, inclusive testemunhas.

Já o último ponto diz respeito a elaboração das Guias de Identificação, recomendando que conste nelas a altura e peso do autor dos fatos à época da investigação.

Segundo o Ministério Público, as sugestões já haviam sido encaminhadas atualmente. Agora, o Delegado-Geral e Presidente do Conselho Superior da Polícia Civil, Dr. Roberto Gurgel de Oliveira Filho, terá um prazo de 60 dias para informar se a recomendação foi ou não atendida, e em caso negativo, deverá apontar as razões.

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Nova Andradina

Ministério Público apura denúncias de maus-tratos em creche de MS

Após repercussão, instituição anunciou a suspensão temporária das atividades

21/09/2026 14h45

Fotos: Reprodução / Redes Sociais

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou procedimento para apurar denúncias de possíveis maus-tratos e violações de direitos de crianças no Espaço Pedagógico Tia Lú, creche particular de Nova Andradina, município localizado a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram crianças deitadas sobre placas de EVA e até diretamente no chão, além de outras situações que levantaram questionamentos sobre as condições oferecidas pelo estabelecimento às crianças.

O caso está sendo acompanhado pelo MPMS em duas frentes. Na área criminal, a 3ª Promotoria de Justiça acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Civil para apurar os fatos e verificar a eventual ocorrência de crimes.

Já na área de proteção dos direitos da criança e do adolescente, a 2ª Promotoria de Justiça instaurou procedimento próprio para averiguar a situação e adotar as medidas cabíveis diante de possíveis violações.

Antes da manifestação do Ministério Público, o Conselho Tutelar de Nova Andradina já havia iniciado a apuração após receber denúncias acompanhadas de fotos e vídeos que indicariam supostas situações de violação de direitos no estabelecimento.

Segundo o órgão, equipes do Conselho Tutelar estiveram na creche na última sexta-feira (18), acompanhadas de policiais militares, para verificar as denúncias.

“Durante a vistoria, foram observadas e registradas as condições do ambiente e dos equipamentos utilizados pelas crianças”, informou o Conselho Tutelar em nota.

Entenda

As imagens que passaram a circular nas redes sociais e na mídia local apontam diferentes situações sob investigação. 

Entre os registros estão crianças acomodadas em placas de EVA e diretamente no chão, além de possíveis irregularidades relacionadas ao armazenamento de utensílios infantis próximos a produtos de limpeza e às condições da estrutura do estabelecimento.

Diante da repercussão do caso, o Espaço Pedagógico Tia Lú anunciou a suspensão temporária das atividades, além de retiras do ar as redes sociais. 

Documentos cadastrais consultados sobre o estabelecimento, aberto em 2022, indicam ainda que a empresa aparece como inapta na Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim) desde 17 de junho, em razão de “omissões de declarações”.

A situação cadastral, contudo, não significa, por si só, que o estabelecimento estivesse impedido de funcionar.

Em manifestação sobre o caso, o Espaço Pedagógico Tia Lú informou que trabalha para o esclarecimento dos fatos e que não fará manifestação pública sobre as denúncias.

Além do Ministério Público, o caso foi encaminhado formalmente ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e à Polícia Civil.

O Conselho Tutelar afirmou que mantém o acompanhamento da situação e reiterou o compromisso de zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes no município.

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chefão do CV

Mesmo com penas extintas, Marcinho VP continuará no presídio federal

Chefão do Comando Vermelho está preso há 30 anos e poderia ser colocado em liberdade neste mês, mas Justiça considerou que há outros mandados de prisão contra ele; Atualmente, traficante está no presídio federal de Campo Grande

21/09/2026 14h30

Marcinho VP está preso na Penitenciária Federal em Campo Grande

Marcinho VP está preso na Penitenciária Federal em Campo Grande Arquivo

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O traficante Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, um dos chefões da facção criminosa Comando Vermelho, completou 30 anos preso neste mês de setembro e, em tese, poderia ser colocado em liberdade devido ao tempo máximo de cumprimento de pena. No entanto, a 8ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou que, mesmo com a extinção da pena, o traficante deverá permanecer em presídio federal longe do estado de origem. Atualmente, ele está na Penitenciária Federal de Campo Grande.

De acordo com a Justiça fluminense, há dois mandados de prisão preventiva emitidos contra Marcinho VP que continuam em vigor e, por este motivo, o Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou que o traficante permaneça sob custódia federal até que se finalize o processo que decidirá a situação.

Conforme reportagem do Correio do Estado, preso desde 1996, Marcinho VP completa os 30 anos de prisão em setembro e, desde o começo do ano, delegados e promotores buscavam diversas alternativas para impedir a soltura, enquanto a defesa do traficante tentava derrubar mandados em vigor e evitar novas condenações.

A mobilização contra a liberdade se baseou no fato de que mesmo preso há quase três décadas, o cárcere não impediu que Marcinho VP continuasse a cometer crimes, se tornando um dos principais nomes do Comando Vermelho mesmo atrás das grades, sendo considerado um dos detentos de maior periculosidade, segundo as autoridades.

Marcinho VP possui cinco cartas de execução de sentença por homicídio, associação criminosa, corrupção ativa, desacato, associação para o tráfico (duas vezes) e tráfico de drogas. Acumuladas, as penas superam 55 anos, mas a legislação em vigor na época das condenações estipulava os 30 anos como tempo máximo de cumprimento.

Desde 2019, quando entrou em vigor o Pacote Anticrime, o limite aumentou para 40 anos, mas a nova regra só se aplica a processos iniciados após esse ano.

Marcinho VP 

Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, é apontado com nome proeminente da criminalidade do Rio de Janeiro há quase três décadas, sendo um dos principais chefes do Comando Vermelho, ao lado de Fernandinho Beira Mar.

Preso desde 1996 , ele está em penitenciárias federais desde 2010, atualmente em Campo Grande.

No entanto, o encarceramento não impediu que Marcinho VP continuasse no mundo no crime. Mesmo de dentro do presídio, ele ordenou uma série de crimes que foram cometidos por outros faccionados. Nos últimos 14 anos, ele cumpre pena em unidades federais.

Marcinho VP é pai do rapper Oruam, que já fez manifestações públicas pedindo a liberdade do pai.

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