Um dos mais importantes patrimônios históricos e culturais da cidade, a Morada dos Baís deve reabrir as portas nesta quinta-feira (28) após quatro anos fechado.
De volta a receber o público, o local passa a contar com uma programação voltada à preservação da história e o incentivo à arte através de salas reformadas e novos acervos.
No espaço de dentro, será possível visitar uma sala com exposições temporárias, voltadas à exposições de artistas locais convidados, além de poder conhecer o acervo particular da Morada, que pertence à Prefeitura de Campo Grande, com obras e objetos de Lídia Baís, além de quadros originais, pinturas e peças da família.
Algumas obras foram cedidas pelo SESC, que ampliou a riqueza do acervo exposto. Outra sala irá apresentar a trajetória do casarão e da família Baís, através de fotografias e documentos.
O pátio externo será palco de programações culturais, com atividades artísticas e apresentações ao ar livre. O espaço também terá uma área dedicada ao artesanato local, trazendo valorização aos trabalhos dos artesãos da região.
A revitalização do prédio contou com a participação de artistas locais em vários pontos criativos, como o artista Hélder, que instalou luminárias na árvore de entrada; Matheus do Carmo, que fez o grafite na parte externa da Casa; Ali Gonçalves, com várias artes digitais e intervenção visual na área externa.
A Confraria Sociartista de Campo Grande também colaborou com a doação de uma obra coletiva feita por vários artistas da Capital, além do retrato de Lídia Baís assinado pela artista Dani-se, que estarão expostas na sala do acervo fixo.
A solenidade de reabertura acontecerá amanhã, às 17h30 e contará com a participação do músico Lucas Rosa na sala de oficinas, e da Orquestra de Campo Grande e do Grupo Coro Cant'arte, com repertórios de música erudita.
A retomada das visitações já despertou a preocupação da prefeitura em realizar uma programação diversificada, com a inclusão de saraus, exposições, oficinas e outras expressões culturais, que devem transformar a Morada dos Baís em um espaço vivo e acessível.
A trajetória
A Morada dos Baís foi casa da artista Lídia Baís, que confrontou o conservadorismo na cidade no começo do século XX. Fundada em 1918 pelo primeiro prefeito de Campo Grande, Bernardo Franco Baís, o local foi o segundo sobrado da cidade e o primeiro construído em alvenaria.
O prédio já foi morada, pensão, sapataria, escola, casa lotérica e alfaiataria, sendo oficialmente tombado como patrimônio em 4 de julho de 1986 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural de Campo Grande, durante a gestão do Prefeito Juvêncio César da Fonseca.
O Casarão fechou as portas em 2021, quando a Prefeitura de Campo Grande encerrou a parceria com o Sesc Cultura devido à pandemia, que impossibilitou a realização de eventos destinados ao público.
O fechamento do prédio trouxe o abandono da estrutura que seguiu por anos sem manutenção, refletindo a situação na pintura desgastada, ausência de puxadores nas portas e até o letreiro sem letras.
Atualmente, apenas a parte externa do local funciona como ponto de venda de artesanato, mas segue com as vendas bem abaixo do esperado, já que quase não há movimento.
Para a reabertura, o prédio passou por reparos estruturais, respeitando a arquitetura original e atendendo às exigências de preservação de um imóvel tombado.
Também foi desenvolvido pela Energisa um projeto de eficiência energética, modernizando toda a instalação elétrica, incluíndo fiação, interruptores e iluminação, garantindo mais sustentabilidade e segurança ao espaço.


