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Cidade morena

Mortandade de pássaros em esquina do centro traz dúvidas sobre isolamento na rede elétrica

Desde bem-te-vis até urubus filhotes e adultos, ponto no "coração" da região central de Campo Grande têm se tornado local recorrente de pássaros "explodindo" na fiação

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Populares, trabalhadores e moradores no geral começam a se questionar a respeito da qualidade do isolamento da rede elétrica na região central de Campo Grande, já que a mortandade de pássaros que "explodem" na fiação têm sido recorrentes e chama a atenção. 

Antes do relógio bater 11h neste sábado (14), quem passava pela esquina das ruas 26 de agosto com a 14 de julho - distante duas quadras da Praça Ary Coelho, no coração da região Central de Campo Grande -, pôde notar o clarão e ouvir o barulho característico da falha elétrica também conhecida como "curto-circuito". 

Em resumo, essa falha acontece quando há um drástico e súbito aumento da corrente elétrica, geralmente quando condutores (neutro/fase) se tocam, ou quando basicamente essa corrente encontra um caminho inesperado de baixa resistência. 

Nesse caso, como mostram as imagens do animal encontrado próximo à rede elétrica, tudo indica que o corpo de mais um bem-te-vi foi o responsável por ser esse caminho inesperado de baixíssima resistência a receber a descarga. 

Com isso, não há qualquer chance de sobrevivência do animal e a morte é súbita, já que essa descarga elétrica "explode" o corpo do animal, que ainda foi encontrado ainda com forte cheiro de queimado, com parte do corpo chamuscado e já sem as extremidades das patas além das patas incineradas. 

Caso isolado? 

Diferente de outras vezes, os populares e trabalhadores da quadra em questão afirmam que desta vez não houve, por exemplo, a interrupção da energia, o que por si só indica que esse não trata-se de um caso isolado. 

Justamente nesta esquina, como bem acompanha o Correio do Estado, dois pássaros morreram da mesma forma no intervalo de duas semanas, o que assustou tanto os trabalhadores pela frequência como os transeuntes pelo susto que cada um desses curtos-circuitos causam. 

Em meados de outubro do ano passado, um caso de um urubu que morreu na fiação e ganhou notoriedade por deixar a quadra sem luz revelou uma realidade que parece passar despercebida, casos como esse na região acontecem com mais frequência do que deveriam. 

“No vizinho ao lado, um bem-te-vi pousou na fiação e aconteceu a mesma coisa. Agora, esse casal de urubus... Um filhote, de manhã, causou um curto. Acho que a mãe, à tarde viu o filhote, pousou e aconteceu novamente”, explicou o comerciante Anderson Cistraldo, de 58 anos, à época. 

Conforme relato, um casal de urubus estava com um filhote que acabou morrendo eletrocutado e ficou pendurado na rede, até o momento em que o urubu veio planando e pousou na tentativa de retirá-lo, recebendo como consequência a descarga elétrica que causou uma sequência de explosões.

O proprietário de uma banca de lanches que fica na esquina com a Rua 14 de Julho, Robert Willian Dutra de Oliveira, de 38 anos, confirmou a situação do bem-te-vi que havia causado o estouro e, consequentemente, a falta de energia na quadra, na semana anterior. 

 “Hoje foi só barulho, não teve queda de energia, foi só a explosão mesmo”, disse ele na ocasião. Até mesmo um vídeo de circuito de monitoramento revela o momento do susto. 

A própria Energisa, concessionária de energia responsável pelo fornecimento e manutenção dos serviços, já manifestou-se em nota afirmando que esses episódios são "pontuais". 

"A distribuidora esclarece que os registros envolvendo aves na rede elétrica são pontuais e não representam uma ocorrência frequente. Em condições normais, por exemplo, é comum observar pássaros pousados sobre os fios. As redes de distribuição contam com sistemas de isolamento e proteção que contribuem para a segurança do fornecimento de energia e reduzem significativamente os riscos de acidentes".


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Conferência das Partes

PF age na COP15 em Campo Grande e fiscaliza segurança privada do evento

Polícia Federal tanto compõe e estrutura esquema especial de segurança, quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais

26/03/2026 09h44

Agentes estão  empregados de forma estratégica e preventiva

Agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional".  Reprodução/PF/CS.SRMS

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Até o próximo domingo (29), a Polícia Federal atua e também fiscaliza a segurança privada da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada no espaço Bosque Expo em Campo Grande. 

Nessas duas frentes, a PF tanto compõe e estrutura um esquema especial de segurança quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais. 

Durante essa semana acontecem ações de fiscalização dos vigilantes privados que atuam durante a Conferência, que basicamente garantem que toda a segurança contratada da COP15 "esteja de acordo com a legislação vigente". 

Como bem esclarece a PF, através do setor de comunicação social da superintendência regional em Mato Grosso do Sul, essa fiscalização da segurança privada é essencial em eventos de grande porte, garantindo um ambiente seguro e regulado para servidores, público e os profissionais que realizam o evento. 

Esquema de segurança

Além de fiscalizar a segurança privada, o emprego das chamadas equipes especializadas do Comando de Operações Táticas (COT) estrutura um esquema especial responsável por reforçar as ações preventivas e proteger as autoridades e delegações participantes. 

Dessas medidas, por exemplo, cabe destacar que esses agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional". 

Ou seja, esses agentes do Comando de Operações Táticas (COT) trabalham a todo o tempo durante a COP15 com objetivo de identificar e de neutralizar eventuais ameaças. 

"A atuação envolve vigilância qualificada, posicionamento tático em locais estratégicos e capacidade de pronta resposta a incidentes que podem comprometer a segurança das autoridades, das delegações estrangeiras, do público e das estruturas relacionadas ao evento", complementa a PF em nota.

Além disso, como bem acompanha o Correio do Estado, até mesmo "fuzis anti drones" estão sendo usados pela Polícia Federal durante a COP15, para inclusive neutralizar eventuais voos irregulares de aeronaves remotamente pilotadas (RPAs) nas áreas sob proteção.

É importante esclarecer que há protocolos específicos para inclusive resposta imediata, por isso a PF reforça que o emprego de aeronaves remotamente pilotadas nas áreas de interesse da segurança do evento deve observar as normas vigentes e eventuais restrições temporárias de espaço aéreo estabelecidas para a COP15.
 

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Campo Grande

Prefeitura monta plano para privatizar unidades 24 horas

Proposta apresentada pela Sesau para o Conselho Municipal de Saúde foi rejeitada pela maioria; ideia seria conceder a parte administrativa dos CRSs

26/03/2026 08h35

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital Gerson Oliveira

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A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), montou um plano para privatizar duas Unidades de Saúde com atendimento 24 horas da Capital e apresentou a proposta para o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal.

Ontem, membros da Sesau se reuniram com representantes do CMS para apresentar uma proposta de terceirização dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e do Tiradentes. O plano é alterar o modelo de gestão dessas unidades para Organizações Sociais de Saúde (OSSs), sem mudanças estruturais previstas inicialmente.

A ideia seria entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada, o que, segundo a Sesau em sua apresentação, daria celeridade a processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

Em nota enviada à reportagem, o CMS se posicionou contrário à intenção da Sesau de privatizar ambos os Centros de Saúde, por entender que a alteração no modelo de gestão não vai resolver os principais problemas das unidades, podendo, inclusive, piorar a situação dos gargalos que hoje elas enfrentam.

“O Conselho Municipal de Saúde não se opõe a essa proposta por mero posicionamento político circunstancial. O conselho se opõe porque compreende, à luz de sua história, de suas atribuições legais e da experiência acumulada no SUS, que a terceirização da gestão das Unidades Públicas de Saúde não enfrenta os principais problemas hoje vividos pela população de Campo Grande e ainda pode agravar fragilidades já existentes”, pontua.

“Transferir a gestão administrativa dessas unidades não cria leitos hospitalares, não reorganiza de forma automática a retaguarda assistencial e não elimina, por si só, os fatores que produzem superlotação e desassistência”, completa o CMS.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente do CMS, Jader Vasconcelos, disse que as duas Unidades de Saúde não recebem financiamento do Ministério da Saúde e, por isso, viraram alvo de privatização por parte da Sesau.

Durante a tarde, foi a vez dos vereadores da Comissão Permanente de Saúde receberem os representantes da Sesau para debater a proposta de terceirização. 

O vereador Lívio Viana de Oliveira Leite, o Dr. Lívio (União Brasil), que integra a comissão, disse que não esperava esta atitude do Município, além de esclarecer que é contrário ao plano.

“Fomos pegos de surpresa. Não sabíamos nada disso e fomos alertados pelo Conselho Municipal de Saúde. Hoje [quarta-feira] a reunião é um pedido da Comissão de Saúde para estes esclarecimentos. Eu, pessoalmente, sou contrário a essa terceirização”, afirma o vereador.

Cabe ressaltar que as OSSs são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em conjunto com o poder público no gerenciamento de Unidades de Saúde via contratos de gestão. Focadas em eficiência e agilidade, buscam maior produtividade no SUS, mas enfrentam desafios de transparência.

A conversão de administração pública para OSS já foi feita no âmbito estadual. A ideia começou em 2016, quando o secretário de Estado de Saúde era Nelson Tavares. Algumas das empresas que ingressaram naquela época, no entanto, foram retiradas posteriormente por problemas na gestão dos hospitais.

PLANO INICIAL

Em contato com a Sesau para mais informações sobre esse plano, a secretaria limitou-se a declarar que se trata de uma ideia inicial, ainda em análise, que será amplamente debatida com outros órgãos.

“Uma ideia de proposta para implementação de OSS na Remus [Rede Municipal de Saúde], que será amplamente discutida com o Conselho Municipal de Saúde, Câmara Municipal, Tribunal de Contas, entre outros”, afirma a Sesau.

A reportagem também questionou o gasto mensal da prefeitura para gerir as CRSs Aero Rancho e Tiradentes. Contudo, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

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