Apesar dos altos investimentos nas rodovias federais em Mato Grosso do Sul, com obras de recapeamento e alargamento das pistas, o número de mortes não para de crescer. Comparando os dez primeiros meses deste ano com igual período do ano passado, o aumento chega a 17,5%, passando de 138 para 162 casos, conforme dados divulgados ontem pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
E não é só a quantidade de óbitos que cresce. No mesmo período, o total de acidentes teve salto de 26% nos cerca de 3,5 mil quilômetros de estradas federais. A PRF aponta que nos primeiros dez meses de 2009 foram registrados 2.248 casos, contra 2.836, em 2010. Se considerarmos 2008, quando houve 2.197 ocorrências, a progressão é ainda maior de ocorrências se a comparação for feita com o ano vigente, representando um acréscimo de 29%.
Quanto ao número de feridos, entre os meses de janeiro a novembro, o ano de 2008 registrou 1.633 vítimas; 1.614, em 2009 e, em 2010, até o momento, 1.960 casos. O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Estado, Marcelo Miranda, considera que ao mesmo tempo em que as obras foram realizadas, também aumentou o fluxo de carros trafegando pelas estradas, bem como a imprudência dos motoristas que têm agora a possibilidade de trafegar com velocidade maior. "Com uma via em melhores condições, os motoristas costumam abusar mais da velocidade", relacionou. No trecho norte da BR-163, a velocidade máxima permitida passou de 80 quilômetros para 100 quilômetros por hora.
Outra questão seria a maior quantidade de carros, o que impacta o trânsito urbano e também nas estradas. "Isso é inevitável. O problema vai aparecer", reiterou o superintendente.
BR-163
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informa que metade dos números de registros de acidente nas estradas federais, em Mato Grosso do Sul, são ocorrências na BR-163, que corta o Estado de norte a sul. Conhecida como "rodovia da morte" – principalmente em seu trecho norte, localizado entre Campo Grande e a divisa com Mato Grosso, a via recebe desde 2003 obras de infraestrutura que totalizaram cerca de R$ 300 milhões até o momento, segundo o superintendente do DNIT.
Três etapas foram concluídas entre a Capital e Sonora BR-163: primeiro, a fase de recapeamento; depois alargamento da pista, com o acostamento – que passou de 7 para 12 metros – e por fim, a criação da 3ª faixa em 37 quilômetros da via, o que representa parte da necessidade de uma pista extra no trecho norte da BR. "Estamos com projeto pronto para construirmos a 3ª faixa ao longo dos 388 quilômetros entre Campo Grande e a divisa com Mato Grosso. Na próxima semana (dia 9/11) estaremos em Brasília (DF) para reunião no Ministério dos Transportes e assim pleitearemos recursos para o projeto", apontou Marcelo Miranda, que ainda vai buscar recursos para a 3ª faixa na BR-262, entre Campo Grande e Três Lagoas. O cálculo do DNIT é de que sejam necessários cerca de R$ 1 milhão para cada quilômetro de rodovia.
Queda aconteceu durante transferência de emulsão asfáltica entre tanques (Foto: Vinícius Santos / Nova Lima News)



