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Mosquito da dengue sobrevive comendo somente planta

Mosquito da dengue sobrevive comendo somente planta

Da Redação

06/07/2011 - 09h40
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Ter a planta conhecida como Coroa de Cristo em casa significa risco à saúde dos moradores e da vizinhança. O arbusto espinhoso, muito usado em residências como cerca viva, serve de alimento para o mosquito transmissor da dengue, que pode passar a vida toda alimentando-se apenas do néctar contido nas flores da planta.
A descoberta é do biólogo e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Antônio Pancrácio de Souza e da orientanda dele no curso de Biologia da universidade, Nathalia Cavichiolli de Oliveira, que há 12 meses estudam os hábitos alimentares do Aedes aegypti.
Segundo o professor, que é doutor em Entomologia (ciência que estuda os insetos), já se sabe que o Aedes aegypti macho não se alimenta de sangue humano, mas que a fêmea depende do sangue para a maturação os ovos antes de botar e é no momento da picada que ela transmite o vírus da dengue para as pessoas. Contudo, de acordo com Pancrácio, tanto o mosquito macho, quando a fêmea são capazes de completar o ciclo de vida, que dura em média 30 dias, alimentando-se apenas das flores da Coroa de Cristo.
O pesquisador explica que a planta, portanto, “contribui para a manutenção da população do mosquito transmissor da dengue”. Segundo Pancrácio, não se pode dizer que a Coroa de Cristo necessariamente funciona como atrativo para o inseto, mas a fêmea pode manter-se viva e nutrida nas proximidades do arbusto até encontrar o humano para alimentar-se do sangue, amadurecer os ovos e, então, procriar. “Ter esta planta em casa facilita a sobrevivência da população de Aedes aegypti e mantém o mosquito perto de quem ele não deveria estar”.

Motivação
Antônio Pancrácio afirma que há alguns anos pesquisa plantas que serviriam como inseticida contra o mosquito e que teve a ideia de estudar os hábitos alimentares do inseto para poder contribuir com mais informações sobre o transmissor da dengue para que autoridades em Saúde Pública tenha subsídios para combater o vetor. “Já se sabe que as orquídeas e as bromélias são planta propícias para a sobrevivência dos ovos e larvas do mosquito da dengue, mas nosso objetivo era estudar o adulto. E a nossa descoberta só mostrou que alguns pontos da ecologia e da biologia básica do inseto ainda precisam ser estudadas”.
Segundo o biólogo, o primeiro passo da pesquisa foi perguntar em diversas floriculturas de Campo Grande quais eram as plantas mais vendidas para uso em residências. Foram elencadas sete plantas. Os mosquitos foram mantidos confinados com cada planta e apenas os que estavam alimentando-se do néctar da Coroa de Cristo sobreviveram.

Última fase
A pesquisa caminha para a reta final. Segundo o professor, ainda este semestre serão feitos mais estudos que servirão como prova definitiva de que o Aedes aegypti pode alimentar-se apenas da Coroa de Cristo. “Vamos verificar se os açucares existentes no néctar da planta estão no organismo do mosquito. Se estiverem, ficará provado que ele realmente estava alimentando-se destas flores”.
De um modo geral, Pancrário afirma que ficou constatado que as plantas ornamentais presentes em nossos quintais podem favorecer a sobrevivência dos mosquitos adultos e isso deve servir de alerta para a população. “Estamos padronizando os experimentos nesta planta, de modo a servir como modelo para testes com outras espécies”, justifica.
No final do ano, o biólogo pretende publicar artigo científico para divulgar a descoberta. A pesquisa desenvolvida pelo professor e a aluna foi financiada pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado do Mato Grosso do Sul (Fundect).

SAÚDE

Vacinação entra no calendário escolar, mas ainda enfrenta resistência de mães

O Senado aprovou essa semana a imunização em escolas, mas algumas vacinas provocam receio nos responsáveis

23/05/2024 09h00

Vacinação nas escolas vai é aprovada à sanção do presidente

Vacinação nas escolas vai é aprovada à sanção do presidente Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Projeto de Lei n° 826/2019, que visa instituir o Programa Nacional de Vacinação em Escolas Públicas foi aprovado no Senado Federal na última terça-feira (21), e vai à sanção do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).

O Correio do Estado ouviu cinco mães de Campo Grande, que são a favor da iniciativa, mas algumas possuem ressalvas a respeito do tema. 

A arquiteta Joice Tiago Campos é mãe da pequena Lorena, de 7 anos, e autorizaria a vacinação da filha no ambiente escolar, no entanto, relata ter receio quanto as reações, já que algumas crianças choram e ficam mais sensíveis, então, gostaria de acompanhar a filha. 

"Os pequenos choram tanto, que teriam que estar acompanhados de nós, pais, alguns tem reações. No dia eu acompanharia, mesmo autorizando", comenta a arquiteta. 

Joice também possui outros receios, em relação a algumas vacinas, como a contra a Covid-19.

"Uma das vacinas que eu sou contra é a da Covid, em crianças, o resto das vacinas, da gripe e as outras, eu sempre corro atrás para vacinar", informa. A arquiteta acredita que falta informações sobre o imunizante nas crianças. 

A dentista e estudante de biologia, Leticia Maciel Pavesi, também é a favor, principalmente porque o índice de vacinação contra doenças como a dengue, está abaixo do esperado, e como alguém da área da saúde e biologia, acredita que são imunizantes importantes de serem incorporados no calendário vacinal. 

"Principalmente contra a dengue, acho que as pessoas não têm noção do quanto faz falta, do quanto é importante essa vacinação. E sobre as outras, tanto gripe quanto Covid, eu acho que são superimportantes e é uma iniciativa do governo que é inexplicável", expõe Pavesi, que é mãe do Lucas, de 10 anos de idade. 

A servidora pública, que não quis se identificar, acredita que a decisão do Senado Federal é importante para que os índices de imunização aumentem.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau), em 2023 a vacina contra a febre amarela obteve apenas 79,19% de cobertura, o menor índice vacinal do ano, enquanto o imunizante BCG teve a maior adesão, com 109,42% de cobertura. 

"É uma política de saúde bem necessária, principalmente devido a várias doenças que já foram erradicadas com vacina, e hoje em dia a gente tem caso de óbito, por exemplo, de criança com meningite, que era uma doença que já tinha sido erradicada no Brasil. Além disso também a gente consegue otimizar bastante o tempo dos pais, que por muitas vezes não tem tempo de levar a criança pra tomar vacina", informa a servidora. 

De acordo com dados da Sesau, a vacina Meningo C, teve apenas 88,27% de adesão em 2023, índice um pouco menor que em 2022, quando teve 88,57% de adesão. De 2018 até o ano passado, o ano que a vacina contra a meningite teve maior cobertura foi em 2019, quanto atingiu 96,51% do público. 

Jordana Vilarins é mãe da Catarina, de 6 anos, e relembra que na sua época de escola a vacinação nos colégios era algo "super normal", e foi devido a essa iniciativa que diversas doenças foram erradicadas. 

"Eu sou a favor, dependendo da vacina, porque antigamente, na minha época do ensino fundamental, tinha vacina nas escolas, na época da minha mãe também, era super normal e foi graças a essa vacinação nas escolas que muitas doenças foram erradicadas, e de um tempo para cá, até a coqueluche voltou", pontua Jordana. 

A mãe comenta ainda que apesar de ter dado a vacina contra a Covid para sua filha, ficou atenta devido ao tempo que o imunizante foi desenvolvido.

"A gente teve que avaliar os prós e os contras de vacinar a Cata, que é asmática, e tinha receio de que a condição dela agravasse caso pegasse Covid, que mesmo com a vacina pegamos quatro vezes aqui em casa", relata Jornada. 

A publicitária e tatuadora, Carla Souza, é mãe de Otto, de um ano e dois meses, e também acha válida a vacinação nas escolas.

"Muitas crianças passam mais tempo na escola do que em casa, além da praticidade, o exemplo com os amigos", diz a publicitária. 

Carla pontua que, devido a necessidade de autorização, se os pais não concordarem com a iniciativa, é "só não autorizar", o que torna a medida algo simples. 

INICIATIVA 

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que desde o ano passado possui o programa Aluno Imunizado, que é uma iniciativa da coordenadoria de Imunização e do Programa Saúde na Escola (PSE), voltada para a vacinação de crianças e adolescentes de 0 a 15 anos de idade, com o "objetivo de promover a integração e a comunização entre a Unidade Básica de Saúde (UBS) e escolas, de forma a ampliar o alcance de suas ações". 

A SES informa em nota que o trabalho feito no ano passado obteve bons resultados, mas não repassou um balanço dessas ações. Este ano, a secretaria relata que "a campanha vem acompanhada de incentivo financeiro aos municípios e Estado, para custeio das ações via Ministério da Saúde. 

A Sesau também informou que já realiza vacinação nas escolas, e que todas as unidades de ensino da Rede Municipal de Ensino (Reme), fazem parte da iniciativa, que pode ser feita tanto por busca ativa, que é quando os agentes de saúde vão em locais que a adesão está baixa, quanto em atividades de rotina das unidades de saúde. 

Para o médico infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, a aprovação da lei no Senado é importante como uma forma de garantir mais acesso a população, principalmente para aqueles que tem dificuldades de ir até as unidades de saúde. 

"Isso acontece em outros países, a checagem do cartão vacinal, a completude e a complementação desse cartão durante a matrícula. Ano a ano, o acompanhamento dessa criança", reforçou Julio.

Croda chamou atenção para a vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano, sigla em ingês), que previne contra alguns tipos de câncer, sendo o principal, o de colo do útero, e têm baixa cobertura no Brasil.

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Previsão do tempo

Confira a previsão do tempo para hoje (23) em Campo Grande e demais regiões de Mato Grosso do Sul

Chove na maior parte do estado nesta quinta-feira

23/05/2024 04h30

Chuva em Campo Grande

Chuva em Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Nesta quinta-feira (23), avança sobre o estado uma nova frente fria aliada a cavados, que provocam uma baixa pressão atmosférica.

Estes sistemas irão favorecer o aumento de nebulosidade e há probabilidade para chuvas e tempestades, principalmente nas regiões sudoeste, centro-sul e pantaneira. 

Os ventos atuam do quadrante sul com valores entre 40km/h e 60 km/h. Pontualmente, podem ocorrer rajadas de vento acima de 60 km/h.

Confira abaixo a previsão do tempo para cada região do estado:

Para Campo Grande, estão previstas temperatura mínima de 21°C e máxima de 31°C, com possibilidade de haver tempestade.

A região do Pantanal deve registrar temperaturas entre 21°C e 32°C, com chance de tempestade.

Em Porto Murtinho é esperada a mínima de 15°C e a máxima de 29°C, com tempestade.

O Norte do estado deve registrar temperatura mínima de 20°C e máxima de 33°C.

As cidades da região do Bolsão, no leste do estado, terão temperaturas entre 17°C e 32°C, com possibilidade de tempestade em Três Lagoas.

Anaurilândia terá mínima de 20°C e máxima de 33°C, com chuva.

A região da Grande Dourados deve registrar mínima de 19°C e máxima de 31°C, com tempestade.

Estão previstas para Ponta Porã temperaturas entre 16°C e 27°C, com chance de chuva.

Já a região de Iguatemi terá temperatura mínima de 19°C e máxima de 31°C, com tempestade.

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