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Motoristas de ônibus param em Campo Grande 10 dias antes do Natal

Manifestação acontece porque categoria não recebeu o salário corretamente e há possibilidade de também não receber o 13º

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Os motoristas de ônibus de Campo Grande entraram em greve a partir de hoje sem previsão para retomar o serviço. A 10 dias do Natal, época de muita movimentação no comércio, a categoria reclama por ainda não ter recebido o salário referente ao mês de novembro, que deveria ter sido pago até o quinto dia útil, e também pela possibilidade de não ser pago o 13º salário.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG), Demétrio Freitas, o Consórcio Guaicurus realizou o pagamento de parte do salário dos funcionários, porém, não cumpriu com o pedido da categoria, que aprovou em assembleia que apenas o pagamento do salário, do 13º e do “vale” fariam a greve ser cancelada.

“Não aconteceu nada de novo, e nem tem como no fim de semana, então a greve está mantida até que o consórcio efetue os pagamentos. Foi pago só 50% do valor que deveria ter sido pago no dia 5 de dezembro, então a greve está mantida”, declarou Demétrio ao Correio do Estado.

A paralisação foi aprovada na quinta-feira, uma semana após o anúncio feito pelo Consórcio Guaicurus de que não pagaria o salário dos funcionários e também que não tinha recursos para cumprir com o 13º salário.

O não pagamento, segundo a concessionária responsável pelo transporte coletivo, ocorre por conta de um atraso alegado por eles do repasse do poder público referente a gratuidades e ao passe do servidor público.

Em ofício encaminhado pelo Consórcio Guaicurus à Prefeitura Municipal de Campo Grande, o grupo de empresas cobra o repasse do subsídio e da passe do servidor com o valor da nova tarifa técnica, que foi decretada em outubro, aumentando de R$ 6,17 (valor colocado em março deste ano) para R$ 6,57.

Segundo o consórcio, mesmo com o aumento, não teria sido feito o repasse da diferença. As empresas cobram também um repasse extra pela diferença da tarifa técnica com a tarifa pública, que é de R$ 4,95.

“O atraso e a iminente ameaça de paralisação são causados pela grave crise financeira imposta ao Consórcio, decorrente da inadimplência nos repasses devidos pelo poder público. O poder público não tem efetuado a regularização dos pagamentos contratuais essenciais. Estes repasses englobam o vale-transporte, subsídios e demais componentes tarifários definidos para a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do sistema”, disse o Consórcio Guaicurus em nota, na sexta-feira.

Greve / ônibusMotoristas de ônibus trabalharam ontem normalmente, mas a partir de hoje entram em greve por tempo indeterminado na Capital - Foto: Marcelo Victor

Por outro lado, a Prefeitura de Campo Grande e o governo do Estado, que pagam subsídio referente às gratuidades do transporte coletivo, declararam que não estão em dívida com as empresas de ônibus da Capital.

“A Prefeitura de Campo Grande reafirma que todos os repasses previstos em lei referentes à subvenção Municipal estão rigorosamente em dia, inclusive com antecipação de 57% do valor correspondente a novembro, sendo inaceitáveis quaisquer alegações de que eventual paralisação do serviço esteja relacionada a questões financeiras envolvendo a Administração Municipal”, disse o Poder Executivo, em nota.

Conforme reportagem do Correio do Estado, a possibilidade de greve levou a Prefeitura a ameaçar a aplicação de sanções contra o Consórcio Guaicurus.

De acordo com a Prefeitura, a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) notificou o Consórcio Guaicurus, “solicitando posicionamento do consórcio quanto a medidas a serem adotadas de forma a evitar prejuízos à população, após comunicado de greve pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande”.

A Administração Municipal também afirmou que, caso a greve se confirmasse, poderia aplicar “sanções contratuais previstas”, sem especificar quais medidas seriam adotadas.

O contrato de concessão, assinado entre Prefeitura e Consórcio Guaicurus em outubro de 2012, prevê uma série de sanções em caso do não cumprimento do acordo, entre elas, advertência, multa e até a decretação da caducidade do contrato.

Em outro trecho, o documento assinado em 2012 aponta que a Prefeitura pode também optar por uma intervenção no serviço de transporte público, “com o fim de assegurar a adequação da prestação dos serviços, bem como o fiel cumprimento das normas contratuais”.

DÍVIDA

Matéria do Correio do Estado de semana passada trouxe que documentos do Consórcio Guaicurus apontam uma dívida de R$ 15,2 milhões, conta que vai de débitos com fornecedores a funcionários.

O deficit maior é relacionado ao pagamento da folha salarial de novembro e do 13º salário dos funcionários, valores que as empresas do grupo alegam que não têm condições de pagar. Por causa disso, a concessionária pede que o valor do subsídio pago pelo poder público seja ampliado.

A maior parte se refere às despesas com o pessoal (funcionários), somando R$ 8,2 milhões, resultado da folha salarial e do 13º inadimplente. Ainda segundo o documento, há R$ 6,5 milhões de tributos em atraso, além de débito com fornecedores, de R$ 454,1 mil.

*SAIBA

A paralisação dos motoristas não tem previsão para ser encerrada e acontece pouco mais de uma semana antes do início das festividades de fim de ano.

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Cidades

Conselho de Farmácia critica nome de energético por alusão a remédio para disfunção erétil

O lançamento do energético "Baly Tadala", da marca Baly Energy Drink, gerou repercussão nas redes sociais

05/02/2026 22h00

Divulgação

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O lançamento do energético "Baly Tadala", da marca Baly Energy Drink, gerou repercussão nas redes sociais. Só no TikTok, publicações sobre a bebida, uma edição limitada para o carnaval de Salvador, já somam mais de dois milhões de visualizações. Isso porque os internautas associaram o nome do produto ao medicamento tadalafila. Indicado para o tratamento da disfunção erétil, esse remédio ganhou fama no pré-treino, como estratégia para melhorar o desempenho na prática esportiva - um movimento que traz riscos e preocupa profissionais da saúde.

Em nota, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) demonstrou preocupação com o uso de trocadilhos e referências explícitas a um medicamento que exige prescrição médica para ser comercializado e que pode trazer implicações à saúde.

A Baly Brasil destaca, por sua vez, que a bebida não contém tadalafila ou nenhum outro fármaco na composição e que segue todas as normas sanitárias e regulatórias vigentes. "Assim, o produto ‘Baly Tadala’ é completamente regular e não apresenta qualquer risco do ponto de vista toxicológico ou regulatório, enquadrando-se como bebida energética", afirma a empresa.

Banalização

Apesar de não ter o medicamento na bebida, o CFF entende que a campanha contribui para a banalização do uso de fármacos e pode estimular a automedicação. Para eles, a ideia de um produto que remete ao medicamento reforça, no imaginário coletivo, a noção equivocada de que seu consumo é simples, seguro e livre de consequências.

"Campanhas publicitárias que flertam com a medicalização do consumo recreativo exigem reflexão, responsabilidade e atenção das autoridades sanitárias e da sociedade. Medicamento não é produto de entretenimento, não é acessório de festa e não deve ser tratado como brincadeira. Medicamento não é brincadeira, nem mesmo no Carnaval", critica a entidade.

Vale destacar que, em quatro anos, o consumo de tadalafila aumentou em 216% no Brasil. Os números saltaram de 21,4 milhões de unidades em 2020 para 67,7 milhões em 2024, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O CFF ainda destaca que a automedicação é um problema histórico no Brasil. A prática, segundo a entidade, contribui para o atraso no diagnóstico de doenças, pode agravar problemas de saúde já existentes, provocar reações adversas que poderiam ser evitadas e elevar o número de internações por intoxicação medicamentosa.

"Nenhum medicamento deve ser utilizado com base em modismos, piadas ou promessas implícitas de desempenho. O uso racional de medicamentos pressupõe indicação correta, dose adequada, tempo de tratamento definido e acompanhamento contínuo", pontua.

Embora o bordão publicitário usado pela empresa seja "a Baly que te leva para cima", a marca alega que o termo "tadala" não é uma referência ao medicamento, mas ao conceito de energia e vigor. De acordo com eles, o termo "vem sendo utilizado cotidianamente, inclusive em músicas e produtos em geral existentes no mercado"

O que é a tadalafila?

A principal função da tadalafila é auxiliar em problemas de disfunção erétil, mas também pode ser indicada para tratar hiperplasia prostática benigna (HPB), que gera problemas urinários, e hipertensão arterial pulmonar (HAP).

O medicamento atua bloqueando de forma seletiva a enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), o que potencializa a ação do óxido nítrico no organismo. Como consequência, há relaxamento da musculatura lisa e dilatação dos vasos sanguíneos, favorecendo o aumento do fluxo de sangue em diferentes partes do corpo, inclusive nos músculos. "Essa ação explica seu uso aprovado para disfunção erétil, hipertensão arterial pulmonar e sintomas do trato urinário inferior", explicou o urologista Luiz Otávio Torres, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), em reportagem sobre o uso indiscriminado do medicamento.

Por conta de seu efeito vasodilatador e da melhora no fluxo sanguíneo, com maior fornecimento de oxigênio para os músculos, surgiu a crença de que o medicamento poderia potencializar os resultados físicos durante os treinos. A suposta vantagem, no entanto, não é respaldada por evidências científicas.

Os riscos da tadalafila

O uso recreativo e sem orientação médica, especialmente entre o público mais jovem, pode gerar uma série de riscos, como uma dependência psicológica. "Isso pode evoluir para um quadro de disfunção erétil de origem psicogênica. A pessoa se condiciona ao efeito da medicação a ponto de acreditar que, sem ela, irá falhar. Com isso, passa a tomar todos os dias, não por uma dependência química, mas por um bloqueio psicológico que se instala", explicou Torres.

O uso do medicamento também pode esconder sinais importantes de doenças, como a redução da testosterona causada pelo hipogonadismo ou alterações cardíacas. Quando a disfunção erétil é consequência de outra condição de saúde, o remédio pode aliviar o sintoma temporariamente e levar ao adiamento da busca por diagnóstico e tratamento. Com isso, a ereção melhora por um período, mas a doença responsável continua evoluindo de forma silenciosa. Por isso, é importante sempre buscar um acompanhamento médico.

Entre os efeitos colaterais mais comuns do medicamento estão dor de cabeça, tontura, rubor facial, dor nas costas, desconforto gástrico, queda da pressão arterial e alterações visuais.

A queda súbita da pressão arterial pode levar a desmaios e complicações, e o uso em treinos intensos, especialmente quando a tadalafila é combinada com substâncias pré-treino ou álcool, pode provocar desmaios e problemas cardiovasculares.

Caso Orelha

Defesa contesta autoria por jovem com vídeo do cão após horário das agressões do cão Orelha

Os investigadores tiveram acesso imagens que registraram a saída e depois o retorno do jovem ao local

05/02/2026 21h00

Cão Orelha

Cão Orelha Reprodução

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Um vídeo divulgado pelos advogados de defesa do adolescente indiciado por maus-tratos contra o cão Orelha mostra o animal caminhando nas ruas da região da Praia Brava, em Florianópolis, por volta das 7h do dia 4 de janeiro, depois do horário que a Polícia Civil afirma que o cão teria sido atacado. Orelha morreu devido à gravidade dos ferimentos.

Segundo a versão da Polícia Civil, Orelha foi agredido na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30 da manhã, na Praia Brava. De acordo com os laudos da Polícia Científica, ele sofreu uma pancada contundente na cabeça, que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa. No dia seguinte, Orelha foi resgatado por populares e morreu em uma clínica veterinária.

A Polícia Civil aponta que o adolescente indiciado saiu do condomínio onde mora às 5h25. Às 5h58 da manhã, ele retornou para o condomínio com uma amiga. Os investigadores tiveram acesso imagens que registraram a saída e depois o retorno do jovem ao local.

No novo vídeo divulgado pela defesa do adolescente, o cão aparece circulando pelas ruas após esse horário - não é possível ver o focinho, detalhes da cabeça do animal ou os ferimentos. A defesa alega que a polícia não apresentou provas de que o adolescente é o autor da agressão que levou à morte do cachorro.

A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal da Capital, confirmou que o cão que aparece nas imagens é o Orelha, mas reforçou que ele não morreu imediatamente após a agressão. De acordo com ela, há relatos de moradores que teriam visto Orelha machucado ao longo do dia 4 de janeiro.

"Desde o início das investigações, seja por meio de depoimentos de testemunhas, tanto pessoas que já viram esse animal machucado no dia, quanto a pessoa que veio a socorrer ele no dia 5 e levá-lo ao atendimento médico veterinário, se confirmou a versão de que essa lesão veio a evoluir ao longo desses dias. O profissional informou que não se tratava de uma lesão imediata", afirmou.

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu na terça-feira, 3, as investigações sobre a morte do cão Orelha. De acordo com a instituição, agentes analisaram cerca de mil horas de filmagens, ouviram 24 testemunhas e contaram com um software francês para analisar a localização do adolescente apontado como responsável pela agressão.

Em nota divulgada anteriormente, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do adolescente, afirmaram que as informações divulgadas dizem respeito a "elementos circunstanciais", que não podem ser considerados prova nem "autorizam conclusões definitivas'. A defesa afirmou que o caso está "politizado".

As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA). A polícia pediu a internação do adolescente e indiciou três adultos por coação a testemunha.

De acordo com a conclusão final da investigação, o adolescente não sabia que a polícia possuía as imagens dele saindo do condomínio e disse que havia ficado dentro do local, na piscina, no momento do crime. Além das imagens, testemunhas e outras evidências também comprovaram que ele estava fora do condomínio, segundo a Polícia Civil.

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