Cidades

CAMPO GRANDE

MP defende sequência de queixa-crime de Marquinhos contra Adriane Lopes

Parecer aponta indícios e defende continuidade de ação por falas sobre suposto protesto

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O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul se manifestou contra o arquivamento e a favor da continuidade da queixa-crime movida pelo vereador Marquinhos Trad contra a prefeita Adriane Lopes - acusada de calúnia e difamação por declarações feitas em dezembro de 2025 sobre um suposto protesto organizado durante evento natalino em Campo Grande.

No documento, o procurador-geral de Justiça aponta que a ação apresenta “suporte legitimador”, com existência de materialidade do fato e indícios suficientes de autoria, além de correspondência entre os fatos narrados e os tipos penais apontados.

O parecer também destaca que a queixa-crime atende às exigências previstas para a ação penal privada e não apresenta irregularidades que impeçam sua tramitação neste momento.

Diante disso, o MP se manifestou expressamente pelo prosseguimento da queixa-crime, deixando a análise definitiva para etapas posteriores.

O que motivou a ação

A queixa-crime foi protocolada após declarações públicas feitas por Adriane Lopes, em 2 de dezembro de 2025, durante entrevista a um programa de rádio.

Na ocasião, a prefeita afirmou que um protesto ocorrido durante evento natalino na Capital teria sido organizado por “manifestantes contratados” por Marquinhos Trad e pela ex-deputada Rose Modesto.

Segundo o processo, a prefeita também mencionou que haveria pessoas armadas e com diversas passagens policiais envolvidas na manifestação, além de atribuir ao vereador participação em ações coordenadas para tumultuar eventos públicos.

Para a defesa de Marquinhos, as falas configuram calúnia, por imputar crimes e difamação por atingir sua reputação pública, inclusive com menções a episódios passados já analisados pela Justiça.

O que a prefeita pediu na Justiça

Na resposta apresentada ao processo, a defesa de Adriane Lopes solicitou uma série de medidas para barrar ou reduzir o alcance da ação. Entre os principais pontos, estão:

  • a) a rejeição liminar da queixa-crime por inépcia; 
  • b) o não recebimento parcial da queixa-crime em relação aos fatos que pretender tutelar a honra de terceiros, que ampliem a imputação por interpretação extensiva; 
  • c) a delimitação das expressões atribuídas à Querelada; 
  • d) o afastamento da causa de aumento; 
  • e) o indeferimento do pedido de fixação de indenização mínima

A defesa também argumenta que não houve intenção de difamar ou caluniar (ausência de animus difamandi), e que as declarações devem ser interpretadas dentro do contexto político. 

Possíveis crimes apontados

Na queixa-crime, Marquinhos Trad sustenta que as declarações da prefeita atribuíram a ele práticas criminosas graves, como:

  • incitação ao crime;
  • associação criminosa;
  • financiamento de atos ilegais;
  • além de crimes contra a honra.

O pedido principal é a condenação por calúnia e difamação, com aplicação de causa de aumento de pena devido à ampla divulgação das falas, além de indenização de R$ 150 mil.

Em caso de condenação, as penas para os crimes contra a honra podem variar em uma pena de seis meses a dois anos, além de multa. Uma eventual condenação não implicaria automaticamente na perda do mandato da prefeita, por se tratar de ato de natureza pessoal. No entanto, efeitos secundários, como inelegibilidade futura, podem ocorrer a depender do desfecho judicial.

O processo segue sob análise no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que ainda deve decidir se recebe formalmente a queixa-crime.

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ULTIMA RATIO

Advogado dispensado por Vorcaro defende ex-desembargador de MS

O criminalista Pierpaolo Bottini, considerado um dos mais caros do país, defende Sideni Soncine Pimentel, que é investigado pela PF por suposta venda de sentenças judiciais

18/03/2026 11h30

Depois de ser afastado do cargo em outubro de 2024, Sideni Soncine Pimentel pediou aposentadoria em outubro do ano seguinte

Depois de ser afastado do cargo em outubro de 2024, Sideni Soncine Pimentel pediou aposentadoria em outubro do ano seguinte

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Apontado como um dos mais caros do país e dispensado na última sexta-feira da equipe de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, o advogado Pierpaolo Bottini é um dos defensores do desembargador aposentado Sideni Soncine Pimentel. Em outubro de 2024, quando ainda estava na ativa, o magistrado foi alvo da operação Ultima Ratio e para se defender contratou o renomado criminalista. 

Ele foi desligado da equipe de defesa do ex-dono do Banco Master porque Vorcaro estaria disposto a fazer delação premiada. E, caso realmente faça esta delação, o advogado enfrentaria atrito com outros clientes, já que seu escritório defende pessoas cujos interesses poderiam ser afetados (delatados) por Vorcaro, gerando uma incompatibilidade ética para a continuidade da defesa.

Pierpaolo Bottini foi contratado pela família de Sideni Soncini logo depois que o desembargador foi afastado do cargo, em 24 de outubro de 2024. Dois filhos de Pimentel também foram alvos da Polícia Federal, que aponstou a existência de um suposto esquema de venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ele é especializado em ações judiciais que apontam lavagem de dinheiro.

Em abril do ano passado, depois que o ministro Cristiano Zanin, do STF, manteve o afastamento do Sideni Pimentel, o advogado Pierpaolo chegou a divulgar uma nota dizendo que "a defesa apresentou um extenso parecer técnico contábil no qual aponta a origem de todas as receitas do desembargador, todas explicadas e lícitas. O desembargador prestou depoimento na Polícia Federal e esclareceu todos os fatos, não havendo motivo para continuidade de seu afastamento", afirmou à época.

Pelo fato de não conseguir voltar ao cargo, Sideni Pimentel acabou pedindo aposentadoria em outubro do ano passado. Ele estava com 73 anos e poderia permanecer durante mais dois anos na magistratura, já que a aposentadoria compulsória por idade ocorre somente aos 75 anos. 

Mas, apesar da aposentadoria, no mês seguinte o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou, por unanimidade, Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ex-magistrado. E, caso seja condenado, sua aposentadoria deixa de ter o status de voluntária e pass a ser compulsória. 

A operação Ultima Ratio também teve como alvo outros quatro desembargadores da ativa, dois aposentados, um conselheiro do Tribunal de Contas e um juiz de primeira instância. Um dos desembargadores voltou ao cargo e outros três seguem afastados. Contra estes três também foi instaurado Processo Administrativo no CNJ. 

Embora não exista um preço fixo para contratação de um escritório renomado semelhante ao do criminalista Pierpaolo Bottini, um jurista com experiência na atuação em tribunais superiores consultado pelo Correio do Estado acredita que uma contratação deste porte não tenha custado menos de R$ 1 milhão à família Pimentel. "Mas, possívelmente o valor final será bem superior a isso", opinou o advogado que preferiu manter o anonimato. 

 

 

DIÁRIO OFICIAL

Barradas, emendas de vereadores somam mais de R$ 200 milhões em Campo Grande

Parte vetada da LOA 2026 revela corte de propostas que incluem hospital de R$ 100 milhões, obras de infraestrutura e projetos sociais

18/03/2026 11h00

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final.

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final. Gerson Oliveira/Correio do Estado

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As emendas apresentadas por vereadores à Lei Orçamentária de 2026 e barradas pela Prefeitura de Campo Grande somam aproximadamente R$ 216 milhões, conforme levantamento com base na parte vetada da Lei nº 7.565/2025 - Lei Orçamentária Anual (LOA), publicada nesta quarta-feira (18) no Diário Oficial do Município.

Entre as propostas rejeitadas está a de maior valor individual: uma emenda de R$ 100 milhões da vereadora Luiza Ribeiro, que previa a implantação de um complexo hospitalar na Capital.

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final.

Na área de infraestrutura, que concentra a maior parte dos recursos barrados, aparecem propostas como a destinação de R$ 10 milhões, também de Luiza Ribeiro, para obras de pavimentação e drenagem no Bairro Parque do Lageado. Já o vereador Maicon Nogueira teve vetadas emendas de R$ 3 milhões para pavimentação no Bairro Nossa Senhora Aparecida e outros R$ 3 milhões para intervenções no Bairro Bom Retiro.

O presidente da Casa, Epaminondas Neto (Papy), também teve barradas propostas relevantes, como R$ 5 milhões para pavimentação no Residencial Oliveira I e II e R$ 3 milhões para obras em vias do transporte coletivo no Bairro Riviera Park.

Na mesma linha, o vereador Ronilço Guerreiro teve rejeitada emenda de R$ 5 milhões para pavimentação e drenagem no Bairro Bosque da Saúde, enquanto o vereador Landmark propôs R$ 4,5 milhões para implantação asfáltica no Residencial Betaville, igualmente vetados.

Na saúde, os cortes também atingem projetos expressivos. O vereador Jean Ferreira teve barradas duas emendas de R$ 6 milhões cada para implantação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) nos bairros Parque do Lageado e Vila Nasser. Já o vereador Junior Coringa propôs R$ 2 milhões para criação de um centro especializado no atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista, que também não foi incluído no orçamento.

Ainda na área, Luiza Ribeiro teve vetada uma emenda de R$ 7,6 milhões voltada à ampliação de castrações de cães e gatos, enquanto Ronilço Guerreiro propôs R$ 200 mil para equipar unidades dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

As emendas barradas também atingem ações sociais e culturais. Jean Ferreira, por exemplo, teve rejeitada proposta de R$ 600 mil para manutenção de uma casa de acolhimento à população LGBTQIA+ e outra de R$ 700 mil para implantação de restaurantes populares. Na cultura, o mesmo vereador sugeriu R$ 1,4 milhão para repasses a escolas de samba.

Mesmo propostas de menor valor, mas com impacto direto nos bairros, ficaram de fora. É o caso de emendas do vereador Beto Avelar, como R$ 4 milhões para recapeamento da Avenida Madri e R$ 700 mil para asfalto na Rua Aquidaban, além de iniciativas de requalificação de praças apresentadas pelo vereador Carlão, na faixa de R$ 150 mil cada.

Embora aprovadas pela Câmara, as propostas podem ser vetadas quando consideradas incompatíveis com o planejamento financeiro ou com as diretrizes da administração municipal. Na prática, isso significa que os recursos previstos nessas ações não serão executados em 2026, após a manutenção dos vetos.

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