Cidades

ILUSÃO

MP investiga advogados do "conto de fadas" em mais uma cidade de MS

Escritório que prometia recuperação de créditos tributários firmou contrato com pelo menos 13 prefeituras e desta vez o inquérito foi aberto em Eldorado

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Contratado sem licitação em pelo menos 13 prefeituras de Mato Grosso do Sul, o escritório escritório Nunes Golgo & Alves Sociedade de Advogados e o Instituto Ibrama virou alvo de investigação do Ministério Público em mais uma cidade por suposta ilegalidade na contratação e por não entregar aquilo que prometeu. 

Agora, conforme publicação do diário oficial do Ministério Público Estadual desta quarta-feira (7), o promotor Fábio Adalberto Cardoso de Morais instaurou inquérito civil para investigar a contratação do escritório pela prefeitura de Eldorado, cidade no extremo sul do Estado. 

A investigação ainda está no começo e não traz informações exatas sobre o valor que o município repassou ao escritório e nem sobre o prejuízo que supostamente sofreu. Porém, a promessa do escritório foi de que a prefeitura poderia recuperar em torno de R$ 1,4 milhão em impostos pagos à Previdência Social.

O contrato, assinado pelo então prefeito, Aguinaldo dos Santos, previa o repasse de 20% sobre o valor recupera e vigorou entre abril de 2018 e abril de 2019. 

A investigação foi aberta depois que o Tribunal de Contas do Estado constatou um prejuízo da ordem de R$ 2,16 milhões no município de Glória de Dourados. O escritório prometeu que faria a recuperação de quase R$ 4 milhões que a prefeitura supostamente teria pagado a maior à Previdência Social. 

O prefeito de Glória de Dourados acreditou na promessa, reteve o dinheiro que supostamente tinha a recuperar e pagou 20% sobre aquele montante aos advogados.

Porém, anos depois a Receita Federal concluiu que esse crédito simplesmente não existia, multou a prefeitura e exigiu o pagamento dos valores retidos. O escritório de advocacia, porém, desapareceu e  passou a alegar que culpa pela cobrança retroativa e pela multa era da prefeitura, que perdeu o prazo para se defender. 

Por conta do não pagamento de R$ 3.943.499,18 em tributos, da multa e dos juros, no fim de 2023 a prefeitura de Glória de Dourados tinha uma dívida de R$ 5.618.751,73 com a Receita Federal. A prefeitura teve de parcelar a conta em 20 anos, ou 240 vezes.

Antes da investigação em Eldorado, o escritório já era alvo de denúncias e investigações por parte do Tribunal de Contas, Justiça ou Ministério Público Estadual em pelo menos seis cidades: Mundo Novo, Bataguassu, Glória de Dourados, Deodápolis, Bela Vista e Corguinho. 

Em Deodápolis, uma ação que tramita na Justiça exige que o escritório cubra um rombo de R$ 5.909.652,97. A administração municipal aponta a ineficácia da prestação dos serviços, vez que a Receita Federal declarou ilegal e fraudulenta a compensação dos créditos apurados pela banca de advocacia. 

Em Bataguassu, o ex-prefeito Akira Otsubo também denunciou seu antecessor, o deputado Pedro Arlei Caravina, por prejuízo de R$ 2.893.080,92. Por conta desta dívida junto à Receita, a prefeitura foi inscrita no CADIN e ficou sem direito a receber repasses públicos. 

A orientação do TCE é para que investigações sejam abertas em todos os municípios nos quais os advogados atuaram. Além de escritório de advocacia, os mesmos advogados são proprietários do Instituto Ibrama, que também firmou uma série de contratos de assessoria com prefeituras do Estado. 

E não é somente em Mato Grosso do Sul que o "conto de fadas" dos advogados fez sucesso. Eles são alvos de investigações nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e  em Mato Grosso. 

TUDO DETALHADO


O escritório atua em prefeituras de Mato Grosso do Sul desde 2018 e o contrato mais recente foi assinado em Chapadão do Sul, em 2024. 

Normalmente os advogados chegavam às prefeituras dizendo que foram realizados levantamentos precisos dos valores pagos a mais, com a respectiva indicação individualizada do amparo jurídico, possibilitando relacionar cada um deles à sua origem, bem como ao tipo de crédito e fundamentação.

Eles citavam, por exemplo, o recolhimento de imposto relativo a adicional por tempo de serviço, horas extras, auxílio-educação, um terço de férias e outros benefícios salariais de servidores.

Na alegação deles, os impostos relativos a estas parcelas dos salários não deveriam ser pagos e era possível recuperar este dinheiro. Os prefeitos acreditaram, assinaram contrato sem licitação e agora estão caindo na mira do MPMS e do TCE-MS.

Em outubro do ano passado, após publicação da primeira reportagem do Correio do Estado sobre as investigações, os advogados alegaram que a reportagem fazia ilações e generalizações e que por conta disso havia perdido clientes. 

Alegou, ainda, que o caso de Glória de Dourados eram caso isolado e insistiu na tese de que a responsabilidade pelas cobranças retroativas feitas pela Receita Federal eram de responsabilidade das prefeituras, que teriam perdido os prazos para se defenderem. 


 

Cidades

Saúde receberá R$ 20 milhões para compra de medicamentos em Campo Grande

Senadora Tereza Cristina anunciou o recurso e secretário disse que será para atenção primária e média e alta complexidade

08/01/2026 19h21

Marcelo Vilela tomou posse como secretário de Saúde nesta quinta-feira

Marcelo Vilela tomou posse como secretário de Saúde nesta quinta-feira Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Campo Grande deve receber R$ 20 milhões que serão investidos na Saúde. A verba foi anunciada nesta pela senadora Tereza Cristina (PP), enquanto a destinação foi informada pelo secretário de Saúde, Marcelo Vilela, que tomou posse oficialmente nesta quinta-feira (8) como secretário municipal da Pasta.

Segundo a senadora, a verba já está empenhada e parte deve ser usada para a compra de medicamentos.

Marcelo Vilela disse que parte do dinheiro é de indicação para a atenção primária e parte para a média e alta complexidade, sem detalhar qual o montante para cada área.

O secretário, que assumiu a Pasta quatro meses após a queda da então titular da Pasta, Rosana Leite de Melo, em 30 de dezembro, disse ainda que os principais desafios encontrados apontado por pacientes, são a demora no atendimento e a falta de medicamentos, e garantiu que ambos já estão em fase de regularização. 

Conforme o secretário, a compra de remédios já foi iniciada e 80% dos medicamentos já estão no almoxarifado, enquanto outros insumos "estão chegando" para regularização nas unidades de saúde.

Já sobre a demora no atendimento, ele afirma é um problema multifatorial, sendo o principal deles a procura em unidades "erradas".

"A maioria dos pacientes vai atrás de acesso mais fácil nas UPAs [Unidades de Pronto Atendimento]. Temos 10 e, nessas dez, a pessoa acha que é o atendimento mais fácil, mas entra em uma classificação de risco e quando é azul ou verde, vai ficar esperando mais. Se for nos hospitais privados, acontece a mesma coisa, o paciente precisa de acesso que é na atenção primária, que resolve 70% dos problemas das UPAs", explicou.

Ele acrescenta que essa organização precisa ser implementada e estratégias serão feitas ao longo do ano para conscientizar a população a não procurar atendimento de urgência e emergência em casos de menor gravidade.

Na posse, Vilela afirmou também que sobre a denúncia de pacientes da falta de médicos nas unidades de saúde, há estratégias que serão implementadas ao longo do ano para diminuir o problema, sem detalhar quais.

"Hoje os nossos colegas [médicos] ficam sobrecarregados e a demanda fica muito alta. Se tirar a demanda alta da UPA, vai melhorar a qualidade do atendimento, temos o prontuário eletrônico que ajuda a organizar, mas existem outras estratégias que a gente vai implementar para até o fim do ano diminuir esse problema.

Ele volta a falar que a demanda nas UPAs de pacientes que não são de urgência e emergência gera uma espera maior, que causa "aflição" no paciente e recai sobre os profissionais. "Médicos são trabalhadores e a gente precisa organizar para não sentirem tanto a cobrança da sociedade".

Por fim, sobre a situação da Santa Casa, onde houve paralisação de alguns atendimentos sob alegação da falta de repasse da Prefeitura e Governo do Estado, o secretário explica que um acordo foi feito antes que ele assumisse a secretaria.

"A Santa Casa sempre foi uma parceira, a gente tem que reconhecer, mas, ao mesmo tempo, nós como gestores de saúde precisamos saber como está sendo utilizado o recurso. Estive com doutora Alir Terra [presidente da Santa Casa] e vamos voltar a conversar, o Estado também está com a gente", se limitou a comentar.

No entanto, ele afirma que parte da sobrecarga vem de dois principais fatores, sendo o não funcionamento eficaz da atenção primária e os pacientes do interior que buscam atendimento na Capital, gerando falta de leitos.

"É um desafio, porque quando faz levantamento, passa de 1,4 milhão de pacientes, a conta não fecha, mas é porque as pessoas não têm acesso lá [no interior] e vem para cá [Capital], mas temos um projeto de regionalização muito importante que o Estado está fazendo para, assim, diminuir o atendimento em Campo Grande", concluiu.

Posse

Além de Marcelo Vilela na Secretaria de Saúde, em solenidade realizada no Teatro do Paço Municipal, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, oficializou também a posse do novo comando das pastas de Governo e Fazenda.

Na Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais (Segov), Ulisses da Silva Rocha que já exerce a função desde novembro, continuará na função.

Para a Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento (Sefaz), foi empossado Isaac José Araújo, no lugar de Márcia Hokama, que pediu exoneração após licença médica.

A solenidade contou com a presença de diversas autoridades, incluindo a senadora Tereza Cristina, que, além da liberação de R$ 20 milhões para a saúde, destacou outros cerca de R$ 90 milhões para a execução do viaduto da “Coca-Cola”.

NOVOS TITULARES

Adriane troca comando de pastas e anuncia três novos secretários para Campo Grande

Ulisses da Silva Rocha assume a pasta da Segov; Marcelo Luiz Brandão Vilela é o novo titular da Sesau; e Isaac José Araújo substitui Márcia Hokama na Secretaria de Fazenda

08/01/2026 19h15

Ulisses da Silva Rocha (Governo), Isaac José Araújo (Fazenda) e Marcelo Luiz Brandão Vilela (Saúde)

Ulisses da Silva Rocha (Governo), Isaac José Araújo (Fazenda) e Marcelo Luiz Brandão Vilela (Saúde) Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Na tarde desta quinta-feira (8), a prefeita Adriane Lopes (PP) empossou, oficialmente, três novos secretários. São eles: Ulisses da Silva Rocha (Governo), Isaac José Araújo (Fazenda) e Marcelo Luiz Brandão Vilela (Saúde). Durante a posse dos titulares, a senadora Tereza Cristina destacou a liberação de R$ 20 milhões para a compra de medicamentos e cerca de R$ 90 milhões para a execução do viaduto da “Coca-Cola”.

Ulisses da Silva Rocha assumiu a Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais (Segov). O advogado, que já ocupa o cargo desde novembro do ano passado, continuará coordenando a pasta, com o objetivo de dialogar com a Câmara. Ele esteve presente nos últimos debates que envolveram a questão do aumento no IPTU.

Rocha entrou no lugar de Youssif Assis Domingos, que ocupou o cargo por apenas 10 meses e pediu para ser exonerado, alegando motivos pessoais e familiares. 

Para a Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento (Sefaz), foi empossado Isaac José Araújo, que estava no cargo de secretário adjunto. Em meio aas polêmicas financeiras da Capital, ele assume a vaga que era de Márcia Hokama, a qual estava afastada, com atestado médico por questões de saúde mental desde o dia 25 de novembro.

Ao Correio do Estado, Hokama confirmou que deixou a titularidade da Sefaz à pedido, em uma decisão própria previamente alinhada diretamente com a prefeita Adriane Lopes.

Já na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), o comando agora é do médico urologista Marcelo Luiz Brandão Vilela, que já ocupou o cargo anteriormente, entre os anos de 2017 e 2019, na gestão de Marquinhos Trad.

Quatro meses após a queda da então secretária municipal de Saúde, Rosana Leite de Melo, Adriane anunciou Marcelo como novo titular da pasta antes de virar o ano, no dia 30 de dezembro.

Desde o início de setembro, a pasta vinha sendo administrada por um comitê intergestor, criado após a exoneração de Rosana. À época, a mudança ocorreu em meio a uma série de reclamações da população sobre a prestação dos serviços de saúde na Capital.

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