Cidades

ESTELIONATO RELIGIOSO

MP investiga clínica que usa veneno de sapo contra dependência química

As investigações ainda apontam comercialização ilegal de substâncias como Ayahuasca e Ibogaína

Continue lendo...

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, divulgou na edição de hoje do diário oficial, a investigação de uma organização religiosa xamânica, a Oficina da Consciência, suspeita de violar os direitos dos consumidores, além de vendas ilegais de substâncias controladas e utilização de Kambô (veneno de sapo) para cura de dependência química.

Segundo o documento, existe e é divulgada a promessa de reabilitação, por meio do uso dessas substâncias, mas sem respaldo científico ou acompanhamento adequado, o que coloca em risco a integridade física e mental dos consumidores.

Além disso, constatada como uma organização religiosa, estaria agindo também sobre funcionamento irregular como centro de tratamento para dependência química, o que necessitaria de aprovação e licença para agir como tal.

A denúncia foi realizada anonimamente e apontou também a cobrança de valores entre 70 e 90 reais para sessões individuais com substâncias, que têm a venda proibida no Brasil, o que configura como comercialização ilegal.

Eram realizadas também cobranças para manter os pacientes internados e não só a comercialização ilegal, mas também o uso de alguma dessas substâncias são consideradas venenosas, como o Kambô, que é a secreção de rã.

Outras substâncias indicadas no documento, como a Ayahuasca, Ibogaína e Rapé, também são utilizadas em rituais, com duração aproximada de 5 horas e estão dentro da lei. Fundamentadas na liberdade de crenças e no direito à manifestação religiosa do artigo 5º, inciso VI da Constituição Federal de 1988. Além da Lei Nacional nº 11.3432, de 23 de agosto de 2006, que autoriza essa utilização.

Porém, a alegação é que no mesmo local em que a organização celebra sua religiosidade e realiza os rituais, há também o tratamento de desintoxicação.

Segundo o documento, é oferecida a pílula de ibogaína administrada no quarto do paciente internado mediante pagamento ou remuneração, o que os caracteriza como comunidade terapêutica acolhedora.

“De acordo com a legislação vigente, essas comunidades são instituições que utilizam como instrumento terapêutico a convivência entre os pares*, não oferecendo terapêutica que dependam de profissionais de saúde. São consideradas como serviços de interesse para a saúde, e não serviços de saúde. Tais estabelecimentos são regulamentados, do ponto de vista sanitário.”

Apesar disso, perante ao que diz respeito ao consumidor, “o acolhimento de dependentes químicos requer averiguações quanto a adequações de ordem sanitária e quanto a atendimento do previsto no Código de Defesa do Consumidor, que prioriza a prevenção de danos (art. 6º, inc. VI, CDC) e que estabelece ser direito básico dos consumidores, dentre outros, ‘a proteção da vida, saúde e segurança [...]’ (art. 6º, inc. I, CDC)”.

Assim, o caso encaminha-se para a Promotoria de Defesa do Consumidor, para investigar o "funcionamento desse centro, a legalidade da internação dos pacientes e riscos a saúde pública causados pela utilização indiscriminada" das substâncias no tratamento e sua venda, em que algumas são até proibidas comercialização no Brasil.

SUBSTÂNCIAS

Ayahuasca

Uma bebida enteogénica usada em rituais xamânicos, feita a base da combinação da videira Banisteriopsis caapi – também conhecido como Jagube, liana, Mariri, Yagé ou Caapi –, que é um cipó desidratado e misturado com outras plantas. Tem sua venda proibida e ilegal pelo Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD), desde 2010, por ser uma substância de uso controlado.

Kambô

Secreção da Rã-Folha-Gigante, encontrada na Amazônia. Também conhecida por ser utilizada para curar ferimentos ou queimaduras na pele de alguém. Apesar de sua utilização tradicional, sua comercialização é ilegal e proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2016, devido a sua composição tóxica e risco real à saúde.

Ibogaína

É o princípio ativo extraído da raiz da iboga produzida fora do Brasil. Possui efeitos alucinógenos e não existe avaliação e aprovação da Anvisa. Sua comercialização é proibida em território nacional desde 2006. A agência ainda explicita que não há confirmação de que a substância auxilia no tratamento de dependência em maconha e cocaína.

Rapé

É o pó extraído das folhas de tabaco, moído e torrado. Nesse caso, o uso é regulamentado e segue as normas de comercialização estabelecidas pela Anvisa.

*é a interação e o relacionamento entre pessoas de um mesmo grupo.

Assine o Correio do Estado

 

Judiciário

Juiz que atuou em ônibus toma posse como desembargador nesta sexta

Após 23 anos na Justiça Itinerante de Campo Grande, magistrado assume cargo no TJMS

26/03/2026 12h45

O magistrado foi promovido ao cargo de desembargador por antiguidade durante sessão do Tribunal Pleno

O magistrado foi promovido ao cargo de desembargador por antiguidade durante sessão do Tribunal Pleno Divulgação TJMS

Continue Lendo...

O juiz Cezar Luiz Miozzo, conhecido por atuar durante 23 anos no ônibus da Justiça Itinerante de Campo Grande, toma posse como desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) nesta sexta-feira (27).

A sessão solene de posse e juramento está marcada para às 16 horas, no plenário do Tribunal Pleno, na Capital, e marca oficialmente o início da atuação do magistrado no segundo grau de jurisdição.

Miozzo foi promovido ao cargo no último dia 18 de março, por antiguidade, após decisão por aclamação dos integrantes do Tribunal Pleno. A escolha levou em consideração a longa trajetória do magistrado, marcada pela atuação próxima à população sul-mato-grossense.

“Chegar ao cargo de desembargador do nosso Tribunal de Justiça é uma sensação de profunda responsabilidade, mas, acima de tudo, um sentimento de dever cumprido nessa trajetória de 35 anos de magistratura.”

Segundo o magistrado, a chegada ao Tribunal representa o reconhecimento de uma trajetória pautada pelo esforço e pela ética, além do compromisso de contribuir com o trabalho da Corte, com foco no diálogo e no respeito à colegialidade.

Perfil

Natural de Verê (PR), ele ingressou na magistratura sul-mato-grossense em fevereiro de 1991, após ser aprovado no XIV Concurso para o cargo de juiz substituto do Estado, e atuou como juiz substituto em Dourados e Campo Grande.

Judicou nas comarcas de Miranda e Naviraí até ser promovido para a Capital, em novembro de 2001, onde atuou, desde abril de 2003, na 8ª Vara do Juizado Especial - Justiça Itinerante.

“Para ser sincero, nem no maior dos meus sonhos eu imaginava chegar a este honroso cargo. Para quem começa na magistratura, o tribunal parece um horizonte distante, quase inalcançável. Olhar para trás hoje e ver que agora passo a integrar esse tribunal não é apenas uma vitória na carreira, é o testemunho de que o esforço e a ética valem a pena”, contou.

Quase quatro décadas depois de optar pela magistratura, Miozzo é enfático ao afirmar que faria a mesma escolha.

Ele ressalta que é preciso ter vocação e, aos que buscam essa carreira, aconselha: é necessário pensar que, por trás de um processo, existem pessoas com suas angústias, na expectativa de que a demanda seja resolvida.

Questionado sobre o que se pode esperar dele ao assumir o novo desafio, Miozzo garantiu que está ciente da responsabilidade que a toga impõe e do impacto das decisões na vida do cidadão.

Assim, deve seguir comprometido com a celeridade, a imparcialidade e o fortalecimento do Estado de Direito, mantendo a humildade de quem sabe que o poder só faz sentido se for usado para servir.

“Chego ao Tribunal com o propósito de somar ao trabalho já realizado pelos desembargadores, pautando minha atuação no diálogo constante e no respeito à colegialidade. É verdadeiramente uma honra que ultrapassa qualquer ambição que eu tenha cultivado, ainda na infância ou na juventude. Agradeço a Deus, que me deu saúde e discernimento necessários para atravessar os momentos mais difíceis da carreira, e também à minha família, apoio de todas as horas”, completou.

Ao agradecer ainda aos colaboradores durante sua trajetória, assessores, estagiários e servidores do cartório, o agora desembargador lembrou que, no início da carreira, a estrutura de trabalho era menor e as demandas eram diferentes, já que o Judiciário não era tão procurado para solucionar os problemas da população.

“A era dos computadores estava começando, e trabalhávamos com máquina de escrever. Não havia celular nem internet de fácil acesso. Tínhamos um fax. Se hoje se reclama de estrutura deficiente, imagine naquela época.”

Dos lugares pelos quais passou, ele lembra com carinho de todas as comarcas, mas não esconde a paixão por comandar a 8ª Vara do Juizado Especial – Justiça Itinerante.

“Atuar na Itinerante, em contato direto com a população, com pessoas que necessitam da Justiça, é gratificante. Muitas vezes, os problemas são resolvidos de forma simples, e você abre a porta para a solução do que aflige aquela pessoa. Resolver processos e demandas é a profissão que escolhi, e há sempre um ser humano por trás de cada processo”, ressaltou.

*Colaborou Laura Brasil*

Assine o Correio do Estado

CAMPO GRANDE

Polícia prende mulher que decepou orelha de companheiro

A suspeita esteve foragida desde o crime e tinha histórico de tentativa de homicídio de 2023

26/03/2026 12h30

Divulgação PCMS

Continue Lendo...

Na última quarta-feira (25) a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Policiamento Interestadual e Capturas (Polinter), prendeu uma mulher, de 46 anos, em Campo Grande. Foragida desde o início deste mês, a mulher teria histórico de crimes violentos.

A motivação da prisão foi por tentativa de homicídio e lesão grave. O primeiro crime ocorreu em janeiro de 2023, quando a mulher tentou assassinar um homem com uma faca. A vítima foi atingida com facadas no ombro, costas e abdômen.

O segundo crime foi mais recente, em outubro de 2024, suspeita de agredir o companheiro. De acordo com as informações, na ocasião, ela atacou o homem e decepou a orelha dele. Posteriormente, ela descartou o membro no lixo comum.

A mulher estava foragida desde a investigação do segundo crime, e foi capturada ontem.

Devido a violência dos crimes e fuga da envolvida, foi decretada prisão preventiva pela Justiça. A equipe da Polinter a encaminhou para realizar os procedimentos legais e agora permanece à disposição do Judiciário.

Não foi divulgada a motivação dos crimes.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).