O Ministério Público da República do Paraguai ofereceu no último sábado (27) denúncia contra 29 carcereiros que teriam facilitado, em janeiro do ano passado, a fuga orquestrada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) de 76 detentos do presídio de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com o Mato Grosso do Sul.
Ao todo, 75 conseguiram fugir, outro foi recapturado no momento da fuga.
O clima na região é tenso. A cidade faz fronteira com Ponta Porã, sendo o município sul mato-grossense, umas das principais portas de entrada para os criminosos brasileiros voltarem ao território nacional.
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Segundo informações do portal Uol, os promotores Federico Delfino, Irene Álvarez e Juan Olmedo afirmam na denúncia que os 29 detentos ajudaram na liberação, prejudicaram a perseguição policial e se associaram criminalmente ao bando ao ajudá-los a fugir da prisão.
Os promotores solicitaram a sustentação oral dos denunciados.
O MP divulgou a lista com os nomes dos agentes acusados. Todos eles negam a associação criminosa. São eles:
- Christian Rolando González Morel;
- Luis Miguel González Larrea;
- Tadeo David Cristaldo Florentín;
- Arnaldo Matias Báez Torrez;
- Concepción Fernández Arguello;
- Alcides Villalba Arévalos;
- Justino Rolón Cantero;
- Rosalino Ocampos Diana;
- Robert Daniel Quevedo Añasco;
- Antonio Salinas Duarte;
- Adán Adriano Aquino Céspedes;
- Domingo Antonio Zaracho Martínez;
- Eligio Benítez Ortellado;
- Francisco Javier Estigarribia Villalba;
- Marcelino Ferreira Rodríguez;
- Carlos Alberto Ortellado Morel;
- Evert Ramón Castro Ferreira;
- Pablo Alcides González Ayala;
- Ramón Amarilla Escobar;
- Héctor Cándido.
Guardas em liberdade
Em agosto do ano passado, o ex-diretor do presídio, Cristian González, e o ex-chefe de segurança da unidade, Arnaldo Matias Báez Torrez, foram colocados em liberdade por decisão judicial que analisou o estado de saúde dos dois.
Uma semana depois, todos os demais foram colocados em liberdade.
De acordo com policiais nacionais do Paraguai, o custo da fuga estava estimado em US$ 1,5 milhão (mais de R$ 6 milhões), subdividido entre a propina que teria sido paga pelo PCC a agentes penitenciários e valores gastos com a logística da fuga — escavação de um túnel e o transporte para saída da região.
Entenda
O caso aconteceu em 18 de janeiro de 2020. Durante o motim, 35 presos paraguaios e 40 brasileiros fugiram da panitenciária.
Na época, a ministra do Paraguai, Cecilia Pérez, durante coletiva de imprensa, declarou que era “categórico” a cumplicidade de policiais na fuga dos presos.
A suspeita é que, aproximadamente, R$ 330 mil foram gastos para corromper alguns agentes. Os valores foram computados de acordo com a cotação do dólar de ontem.
Em entrevista ao site paraguaio Abc Color, a ministra tinha anunciado a destituição do cargo do diretor da prisão e que os agentes tinham sido presos.
A maior suspeita apontada pela ministra é em relação ao volume de areia encontrado dentro de uma das celas. Foram utilizados 200 sacos para guardar a areia retirada do túnel e para a ministra, era impossível alguém não ter percebido a movimentação toda.



