Cidades

FISCALIZAÇÃO

MP vai à Justiça contra descarte de entulhos sem licença ambiental em obras do governo

Agência de Gestão de Empreendimento afirma que cobrar apresentação do plano já na licitação encareceria obras públicas

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O Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul (MP/MS) abriu uma ação civil pública solicitando que a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul) elabore um Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC), ou seja, tenham uma licença ambiental para descartar o entulho gerado pelas obras públicas estaduais, realizadas em Campo Grande e no interior do de MS.

De acordo com o relatado pelo MP/MS, o objetivo de instituir um plano assim é fiscalizar se o entulho gerado por obras em prédios ou empreendimentos estaduais estão sendo descartados de forma correta e em local adequado, o que, de acordo com o órgão, não vem acontecendo em várias cidades do Estado. 

O Ministério Público também aponta que houve a necessidade de ingressar com a ação porque a Agesul se recusou a cumprir com o Termos de Ajustamento de Conduta sugerido pelo órgão ministerial, já que não houve mudanças na fiscalização desses entulhos. 

No processo ainda é relatado que até uma reunião foi realizada para que todos órgãos públicos entendessem como se faz um gerenciamento de resíduos, mas não surtiu resultado. 

À época, a Agesul afirmou que cobrar e colocar um plano desses em prática encareceria a obra, o que poderia afastar os interessados nas licitações. Ainda de acordo com a instituição, o orçamento teria que incluir desde a contratação de empresa para fazer o planejamento até os custos como a destinação correta.

A Agesul argumenta que na maior parte dos municípios de Mato Grosso do Sul não existem aterros com licença ambiental para receber descarte de entulhos e isso também elevaria o orçamento, já que o descarte deveria ser levado para algum local já licenciado.

Por outro lado, a Agência afirma que existem obras que precisam de licença ambiental para serem realizadas e, neste caso, a responsabilidade de apresentar um plano para destinação dos entulhos é da empresa contratada para realizar os demais estudos e planos ambientais necessários para que a obra tenha licenciamento. 

A Agesul também aponta que nas obras que não precisam ser licenciadas por órgão ambientais aponta que o plano de descarte se sustente na obtenção da Declaração Ambiental Eletrônica (DAE), ou seja, a empresa executora da obra precisa apresentar o Plano de Gerenciamento para obter a licença ambiental. 

Ainda de acordo com a Agesul, fiscais do órgão exigem que o plano seja posto em prática quando supervisionam o local onde a obra está sendo feita. 

Consultado pelo Ministério Público Federal, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) esclareceu que para conceder a licença é cobrado o Plano Básico Ambiental, que precisa conter o Programa de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. 

O Imasul explica que no Programa precisa ser apresentada a solução que o operador da obra vai dar para o entulho gerado pela obra que deverá ser jogado fora. 

Assim, o Ministério Público afirmou que há uma contradição entre os órgãos de controle do Estado, uma vez que a Agesul afirma que determinar um plano para o descarte de entulhos ficaria caro, mas, ao mesmo tempo, o Imasul afirma que cobra o mesmo plano. 

Logo, o Ministério Público afirma que, diante das evidências, fica claro que, ao menos os entulhos de obras que não necessitem de licença ambiental, o lixo não é jogado em local adequado, já que também não existe fiscalização. 

O Ministério ainda lembra que a Agesul chegou a sugerir que o órgão poderia articular uma possível solução com os municípios. Em resposta, o órgão apontou que até poderia fazer o acompanhamento das ações, mas só se a Agesul aceitasse cumprir o termo de ajustamento de conduta. 

O órgão ministerial ainda pede que a Agesul seja obrigada a cobrar o Plano no momento em que a licença ambiental for solicitada à instituição, que também deverá ter a obrigação de monitorar e fiscalizar se a empresa executora está descartando os entulhos corretamente. 

No caso em que a obra não necessita de licenciamento ambiental, o plano deve ser apresentado junto com o projeto de construção do empreendimento. O monitoramento do descarte deve ser feito pelo órgão municipal competente da cidade onde a obra está sendo feita.

Assim, o Ministério Público pede que haja previsão nos editais abertos para que as empresas interessadas fiquem cientes do compromisso de apresentar um Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil caso ganhem a licitação de determinada obra. 

Conforme destacado, a Agesul teria um ano para se adequar à normativa, mas, caso a decisão seja favorável ao MP e a Agência não a acate, fica sujeita à multa diária de R$ 1mil. 

CAMPO GRANDE

Em relação à Campo Grande, o Ministério Público afirmou que não encontrou qualquer ilegalidade, já que a Capital tem legislação que normatiza o descarte de entulhos de obras públicas. Então, “considerou-se que há existência de legislação e documentação a demonstrar que não há, em regra, prática de nenhum ilícito.”

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NARCOTRÁFICO

PF mira grupo ligado ao tráfico e bloqueia R$ 50 milhões

Operação Suécia XXXV cumpre 15 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná

22/09/2026 09h00

Polícia Federal cumpre 15 mandados de busca e apreensão e mira R$ 50 milhões em patrimônio de investigados por tráfico transnacional de cocaína

Polícia Federal cumpre 15 mandados de busca e apreensão e mira R$ 50 milhões em patrimônio de investigados por tráfico transnacional de cocaína Divulgação

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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (22) a Operação Suécia XXXV, contra suspeitos de integrar uma organização criminosa investigada pelo tráfico transnacional de pelo menos 1,3 tonelada de cocaína. A ação cumpre 15 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

A Justiça também determinou medidas de sequestro de até R$ 50 milhões em bens dos investigados. Entre o patrimônio alcançado pelas ordens judiciais estão imóveis, veículos e valores mantidos em contas bancárias.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam que o grupo estaria envolvido no transporte de pelo menos 1.302 quilos de cocaína que ingressaram no Brasil pelo Paraguai. A quantidade foi contabilizada a partir de quatro apreensões realizadas ao longo das apurações.

Durante o cumprimento das ordens judiciais nesta terça-feira, os policiais apreenderam imóveis, ativos financeiros, joias, relógios de luxo, veículos e armas de fogo que estavam em posse dos investigados.

A operação busca avançar na identificação dos integrantes da organização e atingir a estrutura patrimonial utilizada pelo grupo. O bloqueio e o sequestro de bens têm como objetivo impedir que recursos supostamente relacionados à atividade criminosa permaneçam sob controle dos investigados.

As diligências da Operação Suécia XXXV continuam nos três estados.

Segurança Pública

Mato Grosso do Sul tem salto de assassinatos em meio à guerra de facções

Briga entre Comando Vermelho e PCC por território influenciou no número de homicídios registrados este ano no Estado

22/09/2026 08h15

PCC e CV são as principais facções em atuação em MS

PCC e CV são as principais facções em atuação em MS Foto: Agência Brasil

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A briga entre Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) por domínio de territórios em Mato Grosso do Sul tem contribuído para que 2026 seja o ano com mais mortes dos últimos nove anos. De janeiro a setembro, ocorreram 405 homicídios no Estado, um aumento de 22% em relação a 2025.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que este foi o primeiro ano em que o Estado ultrapassou a marca das 400 execuções em nove meses desde 2018.

Em 2025, por exemplo, foram registradas 332 mortes de janeiro a setembro, isso contabilizando os 30 dias do mês, já os dados deste ano compreendem o período de janeiro até o dia 20.

O aumento está diretamente ligado a guerra entre as duas maiores facções criminosas do País, que, desde o ano passado, têm travado uma batalha sangrenta pelo domínio de regiões próximas às fronteiras com a Bolívia e o Paraguai.

Matéria do Correio do Estado deste mês já apontava o ano como o mais sangrento da guerra entre as facções. Segundo o promotor de Justiça Felipe Almeida Marques, coordenador da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (Uicc) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a estimativa é de que mais de 100 pessoas já tenham sido mortas em razão desse conflito neste ano.

“A guerra de facções já está aí há um tempo, e ela já fez várias vítimas aqui do Estado. A gente não tem o número exato, mas, talvez, seja o ano mais sangrento de Mato Grosso do Sul nessa guerra de facções. Mais de 100 [já morreram] só aqui”, afirmou o promotor, que participou de investigação sobre perfis de supostos membros do CV que estariam publicando fotos de pessoas que seriam membros do PCC e que estariam “marcadas para morrer”.

PCC e CV são as principais facções em atuação em MS

Segundo a investigação, pelo menos 24 pessoas, que seriam membros do PCC, estariam nessa lista de jurados de morte.

Por fazer fronteira seca com a Bolívia e com o Paraguai, Mato Grosso do Sul é usado por organizações criminosas como corredor para o transporte de maconha e cocaína, porém, a facção criminosa com maior presença no Estado sempre foi o PCC, originário de São Paulo, estado que faz divisa com MS.

Entretanto, nos últimos anos, o Comando Vermelho tem intensificado sua presença no Estado, principalmente na região norte, na divisa com o Mato Grosso, unidade federativa onde é mais atuante.

Um exemplo da briga entre as facções foi o triplo homicídio cometido neste fim de semana em Nova Andradina. Foram mortos Daniel Matos Alves, de 32 anos, Eliane Franco, de 37 anos, e Raissa Franco, de 21 anos. Segundo a polícia, o crime foi atribuído a integrantes do Comando Vermelho. Um adolescente de 14 anos também ficou ferido gravemente e foi encaminhado para o hospital.

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