Cidades

POLÊMICA

Chefe do MPE é contra reajuste de 97% no salário de Adriane

Parecer do chefe do Ministério Público provocou revolta entre servidores concursados que seriam beneficiados com o aumento

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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), conseguiu apoio do Ministério Público Estadual (MPE) em sua batalha jurídica para tentar impedir que seu salário aumente em 97%, saltando de R$ 21,2 mil para R$ 41,8 mil mensais a partir de fevereiro deste ano.

Agora, tanto a Câmara quanto servidores envolvidos e  o MPE já se manifestaram e, o Tribunal de Justiça deve decidir sobre a polêmica antes do final do mês, a não ser que seja feito um acordo judicial sobre o valor do salário. 

O pedido de liminar para que a lei, aprovada pela Câmara de Vereadores de Campo Grande em fevereiro de 2023, seja considerada inconstitucional deu entrada no Tribunal de Justiça no dia 15 de fevereiro e nesta terça-feira (18) o chefe do MPE, Romão Avila Milhan Júnior, deu seu parecer dizendo que a lei é inconstitucional e a liminar deve ser concedida pelo Tribunal de Justiça. 

Com remuneração média cerca de 250% superior ao do salário que a prefeita passa a ter, o Procurador de Justiça argumenta que "não há oposição ao mérito do reajuste proposto".

No entanto, acrescenta "é imprescindível que todas as etapas do processo legislativo sejam rigorosamente cumpridas, conforme estabelecido pela legislação vigente".

Além de elevar o salário da prefeita, a lei aumenta para R$ 41,8 mil o teto do funcionalismo municipal, beneficiando todo o secretariado e cerca de 500 servidores de carreira ativos e inativos, como educadores, médicos, dentistas, procuradores e, principalmente, auditores fiscais.

Alguns destes auditores teriam reajuste no mesmo percentual ao da prefeita. Outros, porém, receberiam acréscimo salarial inferior a 5%. A alegação destes servidores da ativa é de que parcela deste grupo está sem reajuste há 14 anos. 

E, para o presidente do sindicato de uma destas categorias, a dos auditores da secretaria de finanças, Inácio Leite, o parecer do MPE é contraditório, uma vez que anos antes a mesma instituição deu parecer contrário ao de agora em uma ação judicial com o mesmo teor. 

Naquela ação, quando servidores administrativos entraram na Justiça contra um reajuste concedido aos professores, o MPE  não deu importância à suposta ausência de um estudo de impacto financeiro.

Agora, porém, foi o argumento utilizado para se posicionar contra a lei, segundo o presidente do Sindafir (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita de Campo Grande, Inácio Leite. 

“Nossa reação é de incredulidade. Teria o Ministério Público mudado seu entendimento para atender o Executivo desse município?”, indaga o sindicalista depois de apontar a suposta contradição. 

TENTATIVA DE ACORDO

Mas, apesar da ação judicial protocolada em meados de janeiro no Tribunal de Justiça, a prefeita Adriane Lopes sinalizou, no dia 12 de fevereiro, que está disposta a firmar um acordo judicial e reduzir seu salário de R$ 41,8 mil para cerca de R$ 35 mil, o que contentaria boa parte dos envolvidos. 

Procuradores jurídicos do Executivo estão negociando este acordo com a Câmara de Vereadores, autora da lei que definiu o valor do salário. Além de argumentar que a lei é inconstitucional, por conta da ausência de estudo de impacto financeiro, a prefeita também alegou, em entrevistas, que é contra a medida porque passaria a ter o maior salário entre os prefeitos brasileiros, o que seria prejudicial do ponto de vista político.

Outro argumento da prefeita é de que a prefeitura está sem recursos para bancar o reajuste, que causaria impacto da ordem de R$ 8 milhões por mês. E, com a redução  R$ 7 mil no valor do teto, esse impacto cairia praticamente pela metade, ficando na casa dos R$ 4,5 milhões. 

POLÊMICA

No começo de fevereiro veio a público a informação de que o Tribunal de Justiça desengavetou uma ação judicial relativa à lei municipal 7005, que havia elevado o salário da prefeita para R$ 35,4 mil, valor que deveria ter entrado em vigor em março de 2023, mas que foi barrado por decisão judicial. 

Porém, como a decisão judicial foi tomada sem a presença do número mínimo de desembargadores, ela foi contestada por servidores e agora está voltando à pauta. E, o valor que está sendo proposto agora pelo Executivo municipal coincide com aquele que havia sido definido para entrar em vigor ainda em 2023.  

Além disso, o acordo em negociação atualmente também seria benéfico para os próprios vereadores, cujos salários também tiveram um aumento após quatro anos de congelamento, passando de R$ 18,9 mil, para R$ 26,08 mil. 

Ou seja, se a Justiça barrar o aumento da prefeita, quase R$ 4 mil do salário dos vereadores terão de ser retidos todos os meses, já que o teto do funcionalismo municipal continuaria em R$ 21,2 mil. 

 

Conferência das Partes

PF age na COP15 em Campo Grande e fiscaliza segurança privada do evento

Polícia Federal tanto compõe e estrutura esquema especial de segurança, quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais

26/03/2026 09h44

Agentes estão  empregados de forma estratégica e preventiva

Agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional".  Reprodução/PF/CS.SRMS

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Até o próximo domingo (29), a Polícia Federal atua e também fiscaliza a segurança privada da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada no espaço Bosque Expo em Campo Grande. 

Nessas duas frentes, a PF tanto compõe e estrutura um esquema especial de segurança quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais. 

Durante essa semana acontecem ações de fiscalização dos vigilantes privados que atuam durante a Conferência, que basicamente garantem que toda a segurança contratada da COP15 "esteja de acordo com a legislação vigente". 

Como bem esclarece a PF, através do setor de comunicação social da superintendência regional em Mato Grosso do Sul, essa fiscalização da segurança privada é essencial em eventos de grande porte, garantindo um ambiente seguro e regulado para servidores, público e os profissionais que realizam o evento. 

Esquema de segurança

Além de fiscalizar a segurança privada, o emprego das chamadas equipes especializadas do Comando de Operações Táticas (COT) estrutura um esquema especial responsável por reforçar as ações preventivas e proteger as autoridades e delegações participantes. 

Dessas medidas, por exemplo, cabe destacar que esses agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional". 

Ou seja, esses agentes do Comando de Operações Táticas (COT) trabalham a todo o tempo durante a COP15 com objetivo de identificar e de neutralizar eventuais ameaças. 

"A atuação envolve vigilância qualificada, posicionamento tático em locais estratégicos e capacidade de pronta resposta a incidentes que podem comprometer a segurança das autoridades, das delegações estrangeiras, do público e das estruturas relacionadas ao evento", complementa a PF em nota.

Além disso, como bem acompanha o Correio do Estado, até mesmo "fuzis anti drones" estão sendo usados pela Polícia Federal durante a COP15, para inclusive neutralizar eventuais voos irregulares de aeronaves remotamente pilotadas (RPAs) nas áreas sob proteção.

É importante esclarecer que há protocolos específicos para inclusive resposta imediata, por isso a PF reforça que o emprego de aeronaves remotamente pilotadas nas áreas de interesse da segurança do evento deve observar as normas vigentes e eventuais restrições temporárias de espaço aéreo estabelecidas para a COP15.
 

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Campo Grande

Prefeitura monta plano para privatizar unidades 24 horas

Proposta apresentada pela Sesau para o Conselho Municipal de Saúde foi rejeitada pela maioria; ideia seria conceder a parte administrativa dos CRSs

26/03/2026 08h35

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital Gerson Oliveira

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A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), montou um plano para privatizar duas Unidades de Saúde com atendimento 24 horas da Capital e apresentou a proposta para o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal.

Ontem, membros da Sesau se reuniram com representantes do CMS para apresentar uma proposta de terceirização dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e do Tiradentes. O plano é alterar o modelo de gestão dessas unidades para Organizações Sociais de Saúde (OSSs), sem mudanças estruturais previstas inicialmente.

A ideia seria entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada, o que, segundo a Sesau em sua apresentação, daria celeridade a processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

Em nota enviada à reportagem, o CMS se posicionou contrário à intenção da Sesau de privatizar ambos os Centros de Saúde, por entender que a alteração no modelo de gestão não vai resolver os principais problemas das unidades, podendo, inclusive, piorar a situação dos gargalos que hoje elas enfrentam.

“O Conselho Municipal de Saúde não se opõe a essa proposta por mero posicionamento político circunstancial. O conselho se opõe porque compreende, à luz de sua história, de suas atribuições legais e da experiência acumulada no SUS, que a terceirização da gestão das Unidades Públicas de Saúde não enfrenta os principais problemas hoje vividos pela população de Campo Grande e ainda pode agravar fragilidades já existentes”, pontua.

“Transferir a gestão administrativa dessas unidades não cria leitos hospitalares, não reorganiza de forma automática a retaguarda assistencial e não elimina, por si só, os fatores que produzem superlotação e desassistência”, completa o CMS.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente do CMS, Jader Vasconcelos, disse que as duas Unidades de Saúde não recebem financiamento do Ministério da Saúde e, por isso, viraram alvo de privatização por parte da Sesau.

Durante a tarde, foi a vez dos vereadores da Comissão Permanente de Saúde receberem os representantes da Sesau para debater a proposta de terceirização. 

O vereador Lívio Viana de Oliveira Leite, o Dr. Lívio (União Brasil), que integra a comissão, disse que não esperava esta atitude do Município, além de esclarecer que é contrário ao plano.

“Fomos pegos de surpresa. Não sabíamos nada disso e fomos alertados pelo Conselho Municipal de Saúde. Hoje [quarta-feira] a reunião é um pedido da Comissão de Saúde para estes esclarecimentos. Eu, pessoalmente, sou contrário a essa terceirização”, afirma o vereador.

Cabe ressaltar que as OSSs são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em conjunto com o poder público no gerenciamento de Unidades de Saúde via contratos de gestão. Focadas em eficiência e agilidade, buscam maior produtividade no SUS, mas enfrentam desafios de transparência.

A conversão de administração pública para OSS já foi feita no âmbito estadual. A ideia começou em 2016, quando o secretário de Estado de Saúde era Nelson Tavares. Algumas das empresas que ingressaram naquela época, no entanto, foram retiradas posteriormente por problemas na gestão dos hospitais.

PLANO INICIAL

Em contato com a Sesau para mais informações sobre esse plano, a secretaria limitou-se a declarar que se trata de uma ideia inicial, ainda em análise, que será amplamente debatida com outros órgãos.

“Uma ideia de proposta para implementação de OSS na Remus [Rede Municipal de Saúde], que será amplamente discutida com o Conselho Municipal de Saúde, Câmara Municipal, Tribunal de Contas, entre outros”, afirma a Sesau.

A reportagem também questionou o gasto mensal da prefeitura para gerir as CRSs Aero Rancho e Tiradentes. Contudo, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

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