Cidades

CONTRADIÇÃO

MPE-MS exige transparência de vereadores, mas esconde os próprios salários

Inquérito apura omissão de valores de diárias pagas a vereadores de Água Clara, mas o MPE se recusar a informar o salário nominal de seus integrantes

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O Ministério Público Estadual (MPE-MS) abriu inquérito civil para “colher indícios de eventual irregularidade no portal transparência da Câmara Municipal de Água Clara”, conforme publicação do diário oficial da próxima segunda-feira (24), que neste sábado (22) já está disponível no site do MPE. 

Porém, o mesmo MPE que exige transparência dos vereadores da cidade localizada a 200 quilômetros ao leste de Campo Grande esconde em seu site da transparência os dados relativos aos salários dos procuradores, promotores e servidores. 

A investigação sobre a suposta falta de transparência de informações na Câmara de Água Clara começou depois que um jornalista enviou, em maio de 2023, um e-mail à promotoria da cidade solicitando ajuda do MPE para ter acesso às informações sobre diárias pagas a vereadores e a funcionários da Câmara, já que ele não encontrava estas informações no site da transparência. 

Agora, depois de idas e vindas, parte dos vereadores foi substituída e a apuração já tem 1.431 páginas. O tema da falta de transparência já passou pelas mãos de diferentes promotores e até pelo Conselho Superior do Ministério Público, que reúne a cúpula da instituição, evidenciando que não se trata de um caso isolado de determinado promotor cobrando transparência. 

E é justamente esta cúpula do MPE que passou a esconder, desde fevereiro do ano passado, a remuneração nominal dos servidores da instituição, contrariando a Lei de Acesso à Informação (LAI) e determinação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). 

No site da instituição até é possível acompanhar os valores dos salários e de uma série de penduricalhos em diferentes tabelas. Porém, o nome de nenhum promotor ou procurador aparece. A  única informação é sobre a promotoria. 

E, nesta checagem, é possível acompanhar o pagamento de supersalários, que em determinadas promotorias ultrapassam os R$ 150 mil mensais, mas é praticamente impossível cravar quem é exatamente o beneficiário de tal remuneração naquele mês ou se estes valores estão diluídos de forma a impedir a confirmação as altas remunerações.

Para efeito de comparação, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que no ano passado pagou R$ 734 mil acima do teto constitucional a cada um dos 221 magistrados, publica o nome tanto dos juízes quanto dos servidores. O mesmo ocorre com qualquer outro órgão público.

O Instituto Transparência Brasil já chegou a solicitar as informações via  LAI (Lei de A  Acesso à Informação), mas o MPE-MS se negou a detalhar nominalmente os vencimentos. 

O Procurador-Geral de Justiça alegou, segundo o Instituto, que a mudança no formato de divulgação tem como objetivo dificultar a raspagem de dados, proteger a segurança dos membros e adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). 

Porém, conforme o Transparência Brasil, a divulgação nominal da folha de pagamento se enquadra em uma das hipóteses de tratamento de dados pessoais (o que inclui a divulgação) permitidas pela LGPD. O art. 7º, inciso II do texto estabelece que o tratamento pode ser feito se necessário ao “cumprimento de obrigação legal ou regulatória” por quem detém os dados.

Além disso, o CNMP determina a inclusão dos nomes dos membros na divulgação das remunerações. A Resolução 89/2012 estabelece que cada unidade deve disponibilizar em seu site as remunerações recebidas por seus membros e servidores com identificação individualizada e nominal do beneficiário.

AFRONTA  AO STF

Além disso, ao se negar a repassar as informações após o pedido via LAI, o MPE-MS também ignorou decisão do Supremo Tribunal Federal tomada em 2015. Conforme esta tese de repercussão geral, a divulgação nominal da remuneração de servidores públicos é legítima e não configura violação de privacidade.

Os ministros entenderam que, nesse caso, prevalece o interesse público da publicização das informações. Mas o comando do MPE-MS alegou, à Transparência Brasil, que divulgação dos nomes poderia ser usada “para posterior venda a terceiros”  destas informações. 

Mas, em resposta a um pedido da Transparência Brasil por uma relação de casos em que a segurança pessoal de promotores ou procuradores foi comprometida pela divulgação de remunerações, o MPE-MS alegou que o fornecimento de eventuais informações sobre esse tipo de ocorrência geraria riscos aos membros e à segurança do próprio órgão. 

A Lei de Acesso à Informação estabelece que, caso haja necessidade justificada de impor sigilo a alguma informação que componha um conjunto delas, o órgão público pode ocultar ou restringir o acesso apenas aos dados de fato sensíveis (os relativos a membros comprovadamente em risco por conta de suas funções). 

Ou seja, não há necessidade de limitar o acesso a dados sobre todo o corpo funcional. Assim, garante-se que o sigilo seja a exceção, e não a regra.


 

Choveu aí?

Com quase 100 mm de chuva em 48h, Capital segue em alerta para tempestade

Além das chuvas, Campo Grande registrou queda de mais de 5 mil raios em menos de três horas na última sexta-feira (12)

14/06/2026 10h00

Final de semana foi marcado por chuvas fortes e alagamentos em vários pontos da Capital

Final de semana foi marcado por chuvas fortes e alagamentos em vários pontos da Capital FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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As chuvas dos últimos dois dias deixaram acumulados expressivos em Campo Grande, com registros que se aproximaram dos 100 milímetros em algumas regiões da cidade.

De acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o volume registrado na estação pluviométrica da região do Córrego Anhanduizinho foi de 97,8 milímetros em 48 horas. 

Já na região da UPA Aparecida Gonçalves Saraiva, o acumulado foi de 88,2 milímetros no período até agora e ja estação do Jardim Panamá, foram contabilizados 42,2 milímetros.

Somente no último sábado (13), choveu o equivalente a 85,4 milímetros na região do Shopping Norte Sul Plaza, segundo dados do meteorologista Natálio Abrão. Na estação da Coca-Cola, foram registrados 54,2 milímetros. No bairro Carandá, o acumulado foi de 35,7 milímetros. 

Desde sexta-feira (12), a Capital tem sido atingida por chuva e descargas elétricas. Em apenas duas horas e meia, a cidade foi atingida por 5.750 raios, o maior volume registrado em um único dia desde o início do ano, segundo a estação meteorológica da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp).

Além disso, uma pancada forte de chuva caiu na cidade por volta das 19 horas, causando alagamentos em vários pontos, como na Avenida Guaicurus, na região do Aero Rancho, na Avenida Gunter Hans e na Vila Jacy. 

No interior do Estado, também foram registrados volumes significativos durante o final de semana. Dourados ocupou a segunda posição entre as cidades brasileiras onde mais choveu no último sábado, chegando a 54,8 milímetros em 24 horas. Água Clara ficou em terceiro lugar, com volume de 51,2 milímetros, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). 

Também choveu forte durante o sábado (13) em:

  • Sidrolândia - 20,6 mm;
  • Ribas do Rio Parde - 43,6 mm;
  • Três Lagoas - 32,6 mm;
  • Chapadão do Sul - 23,6 mm;
  • Cassilândia - 27,2 mm;
  • São Gabriel do Oeste - 6,8 mm;
  • Bela Vista - 5,4 mm;
  • Bandeirantes - 9,6mm;
  • Nova alvorada do Sul - 29,0 mm;
  • Rio Brilhante - 21,6 mm;
  • Ponta Porã - 10,6 mm.

Alerta para tempestade

Pelo menos 69 municípios de Mato Grosso do Sul continuam em alerta para tempestade durante todo o domingo. Isso quer dizer que são esperados volumes de até 50 milímetros de chuva no dia, acompanhados de rajadas de ventos. 

Há risco de alagamentos e queda de galhos de árvores nas regiões leste, centro norte, sudoeste e centro sul do Estado. 

Em Campo Grande, o domingo começou com névoa, nuvens e tempo frio. Logo no início da manhã, choveu forte na região central da cidade. 

Os volumes elevados reforçam o cenário de instabilidade que predomina em Mato Grosso do Sul neste mês de junho. As prováveis causas são as influências do fenômeno El Niño e também a chegada do inverno se aproximando, combinando áreas de instabilidade e umidade disponível na atmosfera. 

Para a semana

Na segunda-feira (15), uma massa de ar frio chega e derruba as temperaturas em todas as regiões de Mato Grosso do Sul, com mínima prevista de 7°C, com possibilidade de registros pontuais ainda menores.

As condições de chuva diminuem na maior parte do Estado. A previsão indica tempo mais firme, com sol e variação de nebulosidade, mas não se descartam pancadas de chuva isoladas, principalmente nas regiões norte e nordeste.

Segundo o Cemtec, os ventos estarão bem variáveis, com velocidades entre 30 e50 km/h, com possibilidade de rajadas pontuais superiores a 50 km/h.

As menores temperaturas devem ser registradas na região sul, cone sul e grande Dourados. Na Capital, as temperaturas variam entre 17°C e 23°C.

Inverno

Em 2026, o solstício de inverno no Hemisfério Sul, que marca o início do inverno, ocorre no dia 21 de junho, às 4h24, horário de Mato Grosso do Sul, fazendo com que a noite do dia 20 para 21 de junho seja a mais longa do ano.

Em Campo Grande, o inverno tem aproximadamente 2h30 a menos de sol, resultando em 10h53min de luz no dia. Em comparação, no início do verão, os dias duram 13h22min na Capital de MS. 

Segundo o Inmet, a tendência para o mês de junho é de um padrão de temperaturas quentes e secas em grande parte da região Centro-Oeste do Brasil, com temperaturas elevadas, tardes mais quentes e uma redução gradual de chuvas, características de estação seca. 

 

Saúde

Dia D prevê mais de 2,3 mil atendimentos oncológicos na Capital

O Hospital do Câncer Alfredo Abrão realiza mutirão em parceria com instituições para agilizar atendimento de pacientes com câncer nesta segunda-feira (15)

14/06/2026 08h25

O Hospital do Câncer atende cerca de 70% dos pacientes com câncer no Estado

O Hospital do Câncer atende cerca de 70% dos pacientes com câncer no Estado Divulgação: Hospital do Câncer Alfredo Abrão

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Pacientes que aguardam por cirurgias, exames e tratamentos especializados contra o câncer terão um reforço na rede pública de saúde de Campo Grande.

O Hospital do Câncer Alfredo Abrão (HCAA) promove nesta segunda-feira (15) o Dia D do programa Vira CG Saúde, com previsão de realizar 2.313 procedimentos oncológicos para reduzr a fila de espera e agilizar o atendimento dos pacientes da Capital. 

A programação inclui cirurgias em oncologia ortopédica, urológica, mamoplastias e procedimentos de cabeça e pescoço. Também estão programados exames diagnósticos, tratamentos especializados, sessões de radioterapia e procedimentos de hemodinâmica. 

A ação integra um dos maiores mutirões de saúde já lançado pela Prefeitura de Campo Grande. Com investimento superior a R$ 60 milhões, o programa Vira CG Saúde prevê mais de 24,8 mil atendimentos em diversas especialidades, entre cirurgias, exames e procedimentos diagnósticos. 

“A saúde não espera. Nossa prioridade é cuidar das pessoas e dar agilidade aos tratamentos especializados. Por meio do Vira CG Saúde, unimos forças com instituições de excelência para reduzir o tempo e entregar um atendimento mais humano e eficiente a quem necessita da rede pública”, destaca a prefeita Adriane Lopes.  

Os atendimentos ocorrem em parceria com instituições como a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf), o Cotolengo, Hospital do Pênfigo, Hospital São Julião e Maternidade Cândido Mariano.

No caso do Hospital Alfredo Abrão, o suporte financeiro conta com R$ 7,5 milhões provenientes de emendas da bancada federal. 

A admissão e o encaminhamento de pacientes para o Hospital de Câncer Alfredo Abrão ocorrem por meio do Sistema de Regulação (SISREG) da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Os pacientes agendados para o Dia D de triagem ortopédica devem comparecer à unidade (localizada na Rua Marechal Rondon) nesta segunda-feira (15), no horário informado por suas respectivas guias de regulação. 

A demanda por atendimento especializado acompanha o crescimento dos casos da doença em Mato Grosso do Sul. 

Dados do Painel de Oncologia do Datasus mostram que o Estado registrou cerca de 15,2 mil diagnósticos de câncer entre 2024 e 2026. Somente neste ano, já foram contabilizados 748 novos casos. 

Segundo levantamento, os tumores mais frequentes em MS são:

  • Câncer de Pele: 2.193 casos
  • Câncer de Mama: 1.584 casos
  • Câncer de Próstata: 1.176 casos
  • Câncer Colorretal (cólon): 728 casos
  • Câncer do colo do útero: 482 casos
  • Câncer de Pulmão: 479 casos
  • Câncer de Estômago: 454 casos

De acordo com especialistas, o diagnóstico precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de cura. Assim, a ampliação da oferta de consultas, exames e cirurgias é considerada estratégica para evitar que pacientes enfrentem longos períodos de espera.

Campo Grande concentra

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