Cidades

PREFEITO DE IVINHEMA

MPE pede que "mais louco do Brasil" seja multado em quase R$ 1 milhão

Juiz aceitou denúncia do MPE dizendo que ele usou recursos públicos para promoção pessoal. Maior parte do dinheiro seria destinado a vítimas das cheias do RS

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Por supostamente ter feito promoção pessoal em festas populares que consumiram mais de R$ 3 milhões de recursos públicos da prefeitura de Ivinhema, o prefeito Juliano Ferrro, que se autodenomina o “mais louco do Brasil”, corre o risco de ser punido ao pagamento de R$ 931 mil aos cofres municipais e a vítimas das enchentes do Rio Grande do Sul. 

A denúncia do Ministério Público apontando que o prefeito utilizava shows e outros eventos públicos para sua promoção pessoal foi entregue à Justiça em julho deste ano. Agora, o Judiciário aceitou a acusação e deu prazo para que o prefeito apresente sua defesa. 

 A promotoria pede que o juiz condene o prefeito ao pagamento, por danos morais, de R$ 307 mil para os cofres da prefeitura, o que equivale a 10% daquilo que foi gasto. Além disso, pede que ele seja multado ao pagamento de 24 vezes o valor de seu salário, que é de R$ 26 mil, totalizando R$ 624 mil (em 2025 o salário sobe para R$ 35 mil).

Se o juiz acatar o pedido do MPE, o dinheiro desta multa seria destinado à Defesa Civil do Rio Grande do Sul, para auxiliar famílias atingidas pelas cheias no final de abril e maio deste ano. 

Curiosamente, durante a cheia, o prefeito Juliano Ferro, com seu jet ski, ficou cerca de uma semana na região de Porto Alegre auxiliando no resgate de pessoas e animais no meio das áreas alagadas.

Ele acompanhou um grupo de pilotos de motos aquáticas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e São Paulo que se juntou para auxiliar nos resgates. Naquele período, conquistou milhares de seguidores nas redes sociais. 

De acordo com a denúncia oferecida pelo promotor Daniel do Nascimento Britto , “é certo que a presença do gestor quando da realização de eventos festivos é algo tradicional e aceitável, inclusive com acesso ao palco para breve discurso e cumprimento aos presentes”. 

Mas, de acordo com o promotor, “no caso em debate, a presença do Requerido no palco durante os eventos festivos não se limitou ao curto discurso e tradicional cumprimento aos presentes, na verdade descambou para evidente e irrefutável promoção pessoal, violando os mais corriqueiros princípios que regem a administração pública, algo inaceitável que exige a responsabilização do gestor por prática de ato de improbidade administrativa”, escreveu o promotor na denúncia.  

“No auge de sua “apresentação”, o Requerido (o prefeito) chegou a ingressar na arena em um veículo fazendo cavalinhos de pau, e, na sequência, vestido como peão, montou um touro para delírio do público presente”. 

Em seu relatório ele cita seis eventos, os quais consumiram exatos R$ 3.070.224,85 dos cofres municipais. Além disso, lembra o promotor, houve gastos de dinheiro do governo estadual e que não foram contabilizados. 

Além disso, lembra que para a festa do peão de 2024, que por exigência dele foi remarcada de abril (período pré-eleitoral) para novembro (8, 9 e 10), estavam privistos desembolsos de outros R$ 1,47 milhão dos cofres municipais. 

A queda de braço entre a promotoria e o prefeito youtuber (só no Instagran ele tem quase 770 mil seguidores) existe desde o começo do ano e o principal argumento de defesa do prefeito é que os gastos públicos são feitos exatamente para aquecer a economia local e que por conta dos eventos todo o comércio e o setor de serviços da cidade acaba sendo beneficiado. 

Na denúncia, o promotor destaca que até as redes sociais do prefeito são “turbinadas” com dinheiro público. “Além de se autopromover, o Requerido ainda promoveu a divulgação de sua marca “Barracão Assombrado” ao público presente e seus milhares de seguidores das redes sociais, tudo às expensas do erário público”. 

Ma, apesar de ter sido denunciado à Justiça e apesar do adiamento da festa do peão, o tucano Juliano Ferro foi reeleito com facilidade para seu segundo mandato em Ivinhema, obtendo pouco mais de 81% dos votos, tornando-se o prefeito mais bem votado da história do município. 

INTIMIDADE COM ARTISTAS

Além de pedir a restituição de R$ 307 mil e de exigir que “o mais louco do Brasil” deixe de ser “animador de eventos”, o MPE destaca a intimidade com determinados artistas, que sempre são contratados sem licitação. 

Na segunda Festa do Peão, em novembro de 2022, foram gastos R$ 550 somente com artistas, conforme a denúncia. Um dos prediletos do prefeito, segundo o promotor, é Luan Pereira, que faturou R$ 125 mil na Festa da Mandioca, em julho de 2023. 

“Luan Pereira é “garoto propaganda” de rifas promovidas pelo Requerido através da empresa S. Da Silva Ferro e Donato LTDA, nome fantasia “Barracão Assombrado” que está registrada em nome de sua esposa, Samara da Silva Ferro e Donato”, escreve o promotor. 

Com relação a Luan Pereira, denuncia o promotor, a “proximidade é tamanha que frequentemente o cantor é visto em momentos de lazer na residência do gestor, bem como na casa de veraneio no Município de Rosana/SP. Recentemente o cantor Luan Pereira passou a participar como garoto propaganda da "rifa" realizada pelo Prefeito Juliano Ferro de uma camionete Silverado, além disso, em vídeo divulgado nas redes sociais, o cantor afirma ter sido presenteado pelo prefeito Juliano Ferro com um veículo JEE”, cita o promotor no documento que fundamenta a denúncia. 

Transporte Coletivo

Atrasos e ônibus fora do horário rendem derrotas ao Consórcio Guaicurus em Campo Grande

Decisões publicadas nesta sexta-feira mantêm penalidades por atrasos, viagens adiantadas e falta de ônibus articulado; infrações foram registradas em anos anteriores.

11/09/2026 17h59

Decisões mantiveram penalidades contra o Consórcio Guaicurus por atrasos, viagens antes do horário previsto e outras irregularidades no transporte coletivo de Campo Grande.

Decisões mantiveram penalidades contra o Consórcio Guaicurus por atrasos, viagens antes do horário previsto e outras irregularidades no transporte coletivo de Campo Grande. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado.

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O Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, sofreu uma sequência de derrotas administrativas em processos envolvendo irregularidades na operação dos ônibus da Capital. Entre os problemas reconhecidos estão atrasos, viagens realizadas antes do horário previsto e até a ausência de veículo articulado em tabela na qual esse tipo de ônibus era exigido pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).

As decisões constam na edição desta sexta-feira (11) do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) e envolvem autos de infração lavrados em anos anteriores, alguns deles ainda em 2019 e 2022, que chegaram agora ao julgamento administrativo de recursos.

Em diferentes processos, a Junta de Análise e Julgamento de Recursos de Transporte decidiu manter as penalidades impostas ao consórcio.

As decisões aparecem em meio a um cenário de reclamações recorrentes de passageiros sobre o transporte coletivo de Campo Grande.

Usuários convivem com queixas relacionadas a atrasos, longos períodos de espera nos pontos, superlotação e dificuldades para cumprir compromissos quando a programação das linhas não é respeitada.

Nesse contexto, sair antes ou depois do horário previsto não representa apenas uma irregularidade administrativa: pode significar mais tempo no ponto e atraso para chegar ao trabalho, à escola, a consultas médicas ou a outros compromissos.

Em um dos casos, referente ao processo nº 31.729/2022-34, a fiscalização apontou atraso no cumprimento do horário estabelecido para uma viagem.

Ao analisar o recurso apresentado pelo Consórcio Guaicurus, a Junta considerou o atraso comprovado e registrou que a empresa não apresentou prova capaz de contrariar os fatos descritos no auto de infração. O recurso foi negado por unanimidade. 

Situação semelhante aparece no processo nº 31.727/2022-17. Também neste caso, o julgamento concluiu pela existência de atraso e manteve a autuação. O recurso apresentado pelo consórcio foi rejeitado por unanimidade. 

Outro processo, de nº 31.726/2022-46, terminou da mesma maneira. A Junta considerou comprovado o atraso, afirmou que o Consórcio Guaicurus não apresentou prova contrária aos fatos registrados pela fiscalização e manteve a penalidade. 

Ônibus saiu antes do horário

As irregularidades, porém, não se restringem aos atrasos. Uma das decisões trata justamente da situação inversa: ônibus que saiu antes do horário.

No processo nº 31.724/2022-11, a Junta considerou comprovado o adiantamento de uma viagem. Conforme o acórdão, o Consórcio Guaicurus também não apresentou prova suficiente para afastar o conteúdo da autuação. O recurso foi rejeitado e a penalidade mantida. 

Um julgamento envolvendo outro auto avançou ainda mais ao estabelecer qual deve ser a tolerância para considerar uma viagem pontual.

O caso envolvia um ônibus que havia partido oito minutos antes do horário previsto. Inicialmente, a autuação havia sido anulada sob o entendimento de que o adiantamento estaria dentro de uma margem de dez minutos. A Agetran recorreu. 

A Junta reformou a decisão. Segundo o entendimento firmado, a tolerância padrão é de cinco minutos quando não existe Ordem de Serviço da Agetran estabelecendo margem superior.

A legislação permite que esse intervalo seja ampliado até dez minutos, mas essa ampliação não ocorre automaticamente.

Dessa forma, atraso ou adiantamento superior a cinco minutos, sem justificativa aceita pela agência, caracteriza viagem não pontual. A autuação foi considerada procedente e a multa restabelecida. 

Na prática, a decisão estabelece um parâmetro importante para a fiscalização do sistema: não basta considerar automaticamente dez minutos como margem de tolerância. Sem determinação específica da Agetran ampliando esse período, prevalecem os cinco minutos.

Falta de ônibus articulado também virou multa

Outro conjunto de decisões envolve o descumprimento das determinações sobre o tipo de veículo que deveria operar determinadas viagens.

No processo nº 55.723/2019-57, a Junta considerou comprovado que o Consórcio Guaicurus deixou de disponibilizar veículo articulado na tabela exigida pela Agetran. O ônibus articulado é aquele de maior capacidade, formado por duas partes interligadas por uma estrutura flexível, popularmente conhecida como “sanfona”, que permite transportar mais passageiros.

Para os julgadores, a ausência desse tipo de veículo na operação programada configurou infração à Lei Municipal nº 4.584/2007. O recurso do consórcio foi negado por unanimidade.

A mesma irregularidade aparece no processo nº 58.655/2019-13. Novamente, a ausência de ônibus articulado na tabela determinada pela agência foi considerada comprovada e suficiente para manter a penalidade administrativa. 

Argumentos sobre trânsito não afastaram responsabilidade

Em outros julgamentos, a Junta também endureceu o entendimento sobre as justificativas apresentadas para o descumprimento dos horários.

Em um dos processos, os julgadores afirmaram que alegações genéricas relacionadas a congestionamentos, ausência de faixas exclusivas ou falhas sistêmicas não afastam a responsabilidade do prestador do serviço público. O entendimento foi utilizado para manter uma multa por descumprimento de horário. 

Em outro caso, além dessas justificativas, aparecem alegações relacionadas a obras. A Junta entendeu novamente que os argumentos apresentados não foram suficientes para descaracterizar a infração e negou o recurso. 

As decisões publicadas agora reforçam, portanto, uma série de autuações contra a concessionária responsável pelo transporte coletivo da Capital.

Embora os processos tenham origem em infrações registradas em anos anteriores, os julgamentos mantêm penalidades por problemas diretamente ligados à prestação do serviço ao passageiro, como pontualidade e cumprimento da programação determinada pelo poder público.

 

Maus-Tratos

Ex-vereadora de Água Clara é denunciada após simular matar pintinho; veja o vídeo

Simone Chucra aparece segurando o animal e levando-o à boca durante "brincadeira"

11/09/2026 17h45

Suspeita é ex-vereadora do Município de Água Clara

Suspeita é ex-vereadora do Município de Água Clara Divulgação: Governo Federal

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A ex-vereadora da cidade de Água Clara, Simone Chucra, foi denunciada após a publicação de um vídeo nas redes sociais em que aparece segurando um pintinho e simulando que arrancaria a cabeça do animal. A gravação repercutiu nas redes e levou um delegado da Polícia Civil de São Paulo, que atua em defesa da causa animal, a comunicar o caso às autoridades.

Nas imagens, Simone segura o pintinho nas mãos, aproxima o animal da boca e faz o movimento como se fosse arrancar sua cabeça. A situação é apresentada em tom de brincadeira, mas provocou críticas nas redes sociais diante da possibilidade de o comportamento configurar maus-tratos.

Ao comentar a gravação, o delegado classificou a atitude como grave e afirmou ter procurado autoridades de Água Clara para que o caso seja analisado.

A denúncia deverá ser avaliada pelos órgãos competentes, que poderão verificar as circunstâncias da gravação e se houve efetivamente maus-tratos contra o animal. Até o momento, não há informação de que o pintinho tenha sido ferido ou morto durante a gravação.

Simone Chucra foi vereadora de Água Clara e chegou a ser lançada como pré-candidata a deputada estadual pelo MDB em 2022. No período, ela era apresentada como uma das representantes políticas da região do Bolsão.

O vídeo que motivou a denúncia foi publicado nas redes sociais e passou a circular após a manifestação do delegado.

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