Cidades

Solicitação

MPMS exige transparência de prefeitura, mas esconde os próprios salários

Recomendação tem como base inquérito civil encabeçado por uma ex-vereadora

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul recomendou que a prefeitura de Miranda, comandada por Fábio Santos Florença (PSDB) seja mais transparente na divulgação dos salários dos servidores municipais, contudo, apesar de correta, a recomendação esbarra na falta de transparência do próprio MP, que também esconde os salários de seus servidores.

A solicitação assinada pela Promotora de Justiça Talita Zoccolaro Papa, tem como base um inquérito civil encabeçado pela ex-vereadora Lenis Gonçalves de Matos, que alega falta de transparência or parte da prefeitura, imbróglio que se arrasta desde abril do ano passado. 

A recomendação  publicada no diário oficial desta quinta-feira (24), e pede para que a administração municipal divulgue quanto recebe cada servidor municipal, “assegurando-se transparência ampla e detalhada quanto aos gastos com pessoal” com detalhes como o nome completo; cargo ou função exercida; valores discriminados da remuneração, incluindo vencimentos básicos, gratificações, adicionais, verbas indenizatórias, além de eventuais descontos tributários e de previdência social, detalhes também de difícil acesso junto ao portal do MPMS.

Além dos pedidos, a promotoria solicitou que a prefeitura atualize as informações lançadas no Portal da Transparência, de modo a “evitar omissões ou inconsistências que comprometam o controle social e a fiscalização por parte dos órgãos competentes e da sociedade”.

Conforme exposto, a prefeitura possui 30 dias para atualizar os dados. Em caso de descumprimento, a recomendação, também encaminhada à Câmara Municipal de Miranda, poderá acarretar em adoção de medidas administrativas e judiciais além do ajuizamento de ação civil pública.

Transparência

Desde fevereiro do ano passado, a cúpula do MPMS  passou a esconder a remuneração nominal dos servidores da instituição, contrariando a Lei de Acesso à Informação (LAI) e determinação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

No site da instituição até é possível acompanhar os valores dos salários e de uma série de penduricalhos em diferentes tabelas. Porém, o nome de nenhum promotor ou procurador aparece. A  única informação é sobre a promotoria.

Nesta checagem, é possível acompanhar o pagamento de supersalários, que em determinadas promotorias ultrapassam os R$ 150 mil mensais, mas é praticamente impossível cravar quem é exatamente o beneficiário de tal remuneração naquele mês ou se estes valores estão diluídos de forma a impedir a confirmação as altas remunerações.

Para efeito de comparação, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que no ano passado pagou R$ 734 mil acima do teto constitucional a cada um dos 221 magistrados, publica o nome tanto dos juízes quanto dos servidores. O mesmo ocorre com qualquer outro órgão público.

À época, a procuradoria-geral alegou que a mudança no formato de divulgação tem como objetivo dificultar a raspagem de dados e proteger a segurança dos membros. Cabe destacar que a divulgação nominal da folha de pagamento se enquadra em uma das hipóteses de tratamento de dados pessoais (o que inclui a divulgação) permitidas pela LGPD. O art. 7º, inciso II do texto estabelece que o tratamento pode ser feito se necessário ao “cumprimento de obrigação legal ou regulatória” por quem detém os dados.

Afronta ao STF

Além disso, ao se negar a repassar as informações após o pedido via LAI, o MPE-MS também ignorou decisão do Supremo Tribunal Federal tomada em 2015. Conforme esta tese de repercussão geral, a divulgação nominal da remuneração de servidores públicos é legítima e não configura violação de privacidade.

Os ministros entenderam que, nesse caso, prevalece o interesse público pela publicização das informações. O comando do MPE-MS alegou, à Transparência Brasil, que a divulgação dos nomes poderia ser usada “para posterior venda a terceiros”  destas informações. 

Em resposta a um pedido da Transparência Brasil por uma relação de casos em que a segurança pessoal de promotores ou procuradores foi comprometida pela divulgação de remunerações, o MPE-MS alegou que o fornecimento de eventuais informações sobre esse tipo de ocorrência geraria riscos aos membros e à segurança do próprio órgão. 

A Lei de Acesso à Informação estabelece que, caso haja necessidade justificada de impor sigilo a alguma informação que componha um conjunto delas, o órgão público pode ocultar ou restringir o acesso apenas aos dados de fato sensíveis (os relativos a membros comprovadamente em risco por conta de suas funções). 

Ou seja, não há necessidade de limitar o acesso a dados sobre todo o corpo funcional. Assim, garante-se que o sigilo seja a exceção, e não a regra.

*Colaborou Neri Kaspary

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CAMPO GRANDE

Câmara mantém veto e ressarcimento de previdência complementar segue em 36 parcelas

A prefeita Adriane Lopes alega que o ressarcimento em 12 parcelas implicaria o orçamento municipal. Além disso, a proposta foi discutida com sindicato dos beneficiários, segundo o Executivo

24/02/2026 16h30

Ao todo, 19 vereadores votaram pela manutenção do veto e cinco pela derrubada

Ao todo, 19 vereadores votaram pela manutenção do veto e cinco pela derrubada Divulgação

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Nesta terça-feira (24), a Câmara Municipal de Campo Grande manteve o veto parcial da prefeita Adriane Lopes (PP), referente a emenda dos vereadores ao Projeto de Lei Complementar 1.012/25, que dispõe sobre o ressarcimento das contribuições previdenciárias complementares. A parte vedada assegurava a redução dos meses para pagamento das parcelas, de 36 para 12 meses, além de atualização dos valores pelo IPCA-E. A prefeitura justificou o veto alegando que a medida implicaria no planejamento orçamentário.

A proposta do Executivo beneficia os servidores públicos efetivos com exercício entre 13 de novembro de 2019 e 18 de outubro de 2022 (data que antecede a vigência da previdência complementar no município) e que fizeram a opção para o Regime de Previdência Complementar.

Além de argumentar que o ressarcimento em 12 parcelas implicaria o cofre público de Campo Grande, a Prefeitura também fundamenta seu veto alegando que a proposta foi discutida com sindicato dos beneficiários, que concordou com os prazos.

Com isso, foi aprovado Projeto de Lei 1.024/26, do Executivo, a respeito do ressarcimento de contribuições previdenciárias, que será efetuado em rubrica específica em folha de pagamento, divididos em 36 parcelas.

A 6ª Sessão Ordinária contou com 24 parlamentares no plenário e quatro presentes remotamente. Ao todo, foram 19 votos para manter o veto e cinco para derrubada. Confira a decisão de cada vereador abaixo.

Votaram pela manutenção do veto

André Salineiro (PL)

Ana Portela (PL)

Beto Avelar (PP)

Carlão (PSB)

Clodoilson Pires (PODEMOS)

Dr. Jamal (MDB)

Dr. Lívio (UNIÃO)

Flávio Cabo Almi (PSDB)

Herculano Borges (Republicanos)

Leinha (AVANTE)

Otávio Trad (PSD)

Professor Juari (PSDB)

Ronilço Guerreiro (PODEMOS)

Silvio Pitu (PSDB)

Veterinário Francisco (UNIÃO)

Wilson Lands (AVANTE)

Votaram pela derrubada

Marquinhos Trad (PDT)

Maicon Nogueira (PP)

Luiza Ribeiro (PT)

Landmark (PT)

Jean Ferreira (PT)

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Mulheres que defendem mulheres

Congresso gratuito vai focar no efetivo atendimento a mulheres vítimas de violência

Segundo a organização, o evento tem objetivo de capacitar advogados no acolhimento das vítimas e fortalecer o sistema de proteção às mulheres

24/02/2026 15h00

Evento é voltado à capacitação no atendimento das mulheres vítimas de violência

Evento é voltado à capacitação no atendimento das mulheres vítimas de violência Divulgação

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O Instituto de Ensino CPAA promove, em março, o 1º Congresso "Mulheres que Defendem Mulheres", evento gratuito que chega em meio a um cenário de altos índices de feminicídio e violência doméstica em Mato Grosso do Sul. 

O congresso tem a missão de combater a desinformação e mostrar que os mecanismos de proteção são ferramentas primordiais na sobrevivência das mulheres. 

O evento vai reunir mulheres especialistas que integram os atendimentos na Casa da Mulher Brasileiras, na Delegacia Especializada (DEAM) e nos tribunais, visando orientar advogados e advogadas que atuam na área.

A iniciativa pretende mudar a narrativa de que "nada acontece para defender as mulheres" e capacitar os profissionais responsáveis para que conheçam a fundo o funcionamento da rede e se tornarem agentes de encorajamento para suas clientes. 

De acordo com a organização, mesmo que o sistema enfrente desafios, ele ainda é a ferramenta e proteção mais potente disponível, mas tem sido descreditado pelas instituições, o que fragiliza a mulher que precisa de socorro imediato. 

Para a diretora do CPAA Instituto de Ensino, Maria Carloto, o congresso chega para mostrar de forma clara e efetiva como o sistema funciona. 

"Estamos indo na contramão do senso comum de que a proteção não chega para quem precisa; em Mato Grosso do Sul, temos profissionais qualificadas e protocolos que são referência nacional, e este congresso é um chamado à responsabilidade coletiva", explica. 

Ela ressalta que o papel do advogado é primordial nesse processo, formando uma rede viva de mulheres protegendo outras mulheres. 

"Queremos que a sociedade e os profissionais do Direito entendam que a justiça não é apenas um conceito distante, mas uma rede viva. Quando o advogado conhece o sistema, ele não descredencia a ferramenta; ele fortalece a defesa. Quando a informação chega de forma clara, o medo diminui e a coragem de romper o ciclo aumenta. Usar esses mecanismos salva vidas, sim", afirma. 

Estarão participando da programação as seguintes palestrantes:

  • Dra. Carla Charbel Stephanini: Conhecer para defender os serviços da Casa da Mulher Brasileira.
  • Me. Márcia Paulino: Escuta qualificada e a não revitimização: pilares do atendimento inicial.
  • Dra. Fernanda Barros Piovano: Estratégias de proteção imediata e preservação de provas.
  • Dra. Taís Soares Vieira Ferretti: Atuação com perspectiva de gênero no acesso à justiça.
  • Dra. Clarissa Carlotto Torres: Medidas protetivas de urgência e o papel do Ministério Público.

O Congresso acontece no dia 7 de março de 2026, das 8h às 12h30, no auditório da Associação dos Advogados de Polícia de Mato Grosso do Sul (Adepol), localizado na Rua Dr. Robson Benedito Maia 312, bairro Carandá Bosque. 

Números

De acordo com as estatísticas da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), desde o início do ano já foram registradas 2.833 ocorrências por violência doméstica, sendo 2.656 com vítimas femininas e três casos de feminicídio. 

Em 2025, foram 21.814 ocorrências por violência doméstica e 39 casos de feminicídio no Estado. 

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