Cidades

MS-345

MPMS investiga se obra em rodovia de acesso a Bonito causou turvamento de rio

Polícia Militar Ambiental e Imasul aplicaram multa de mais de R$ 125 mil no ano passado e mandaram que obra fosse refeita

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Inaugurada há um ano, a obra da MS-345, que encurtou a distância entre Campo Grande e Bonito, é alvo de investigação no Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). O órgão quer saber se a empresa responsável pela construção não seguiu todas as medidas adequadas para escoamento da água da chuva e contribuiu para o turvamento de um dos principais rios da região.

A investigação começou depois que tanto o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) quanto a Polícia Militar Ambiental (PMA) multaram a empresa responsável pela obra. Segundo os órgãos do governo do Estado, a Via Magna Infraestrutura não teria construído canaletas com o tamanho adequado para o escoamento da água da chuva. Como consequência, sedimentos estavam caindo no Rio Mimoso e deixando a água turva.

“Foram percorridas também as margens da rodovia MS-345 em aclive ao rio e observado que foram construídas canaletas para escoamento das águas da chuva, mas insuficientes para captação de toda a água, ainda em alguns pontos não foram construídas canaletas, causando assim o escoamento deste solo, que em grande parte não tem vegetação, levado pelas águas da chuva e depositado no leito do rio”, trouxe trecho da notificação da PMA.

A vistoria foi realizada em setembro do ano passado, porém, em abril do mesmo ano outra vistoria, segundo o documento, já havia sido identificado “o mesmo fato com escoamento deste solo, levado pelas águas da chuva e depositado no leito do Rio Mimoso”.

“Na época não havia canaletas, fato esse que gerou multa para a empresa em questão, pelo exposto na Lei nº 9.605/2008, no art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora”, prosseguiu a PMA.

Pelas fotos da fiscalização de setembro de 2024 também foi possível perceber que a situação já estava causando erosão às margens da rodovia e um acúmulo de sedimentos no leito do Rio Mimoso.

A situação gerou multa de R$ 100 mil por parte da PMA e de mais R$ 1 mil por dia em que a irregularidade não fosse sanada (valor confirmado pelo Imasul), além de boletim de ocorrência pelo crime de poluição.

Após a alegação, a empresa refez as obras na região e, conforme vistoria feita posteriormente pelo Imasul, as correções teriam sido satisfatórias, mas as multas foram mantidas, totalizando R$ 125 mil, já que a obra foi concluída em 25 de outubro do ano passado.

“Observamos in loco e realizamos registros fotográficos que a empresa em questão tomou as providências, em novas construções de canaletas e plantio de mudas de gramas em alguns pontos mais sensíveis à erosão provocada pelas chuvas e semeadura de sementes de grama em outros locais. [...] Uma nova fiscalização foi realizada e considerada como satisfatória pela equipe”, afirmou o Imasul no documento.

Como o caso resultou em boletim de ocorrência, o MPMS agora quer saber se os erros apontados pelos órgãos do governo do Estado na execução da construção resultaram em impacto ambiental para a região, já que o Rio Mimoso é um dos atrativos de Bonito, importante destino do turismo ecológico de Mato Grosso do Sul.

O rio ainda é um dos afluentes do Rio Formoso, um dos mais importantes para o município e onde estão localizados vários atrativos de ecoturismo.

Ao MPMS, a Via Magna Infraestrutura afirmou que não teria sido a responsável pelo turvamento do Rio Mimoso, apesar de fazer questão de demonstrar que realizou todas as obras solicitadas no auto de infração que resultou nas multas. 

A empreiteira alega que a quantidade de chuva na região teria sido acima do normal, o que teria causado o carreamento de sedimentos para o leito do rio.

“Conclui-se que as fortes chuvas que caíram na região, o que é de conhecimento público e notório, bem como descrito no laudo de constatação pelo ilm. agente fiscalizador, contribuíram para a lavratura dos autos de infração ambiental em desfavor da notificada, sem, contudo, que esta fosse a verdadeira causadora do suposto dano”, alegou a Via Magna em resposta ao MPMS.

“Nota-se ainda que, diante da ausência de prova da ocorrência de dano ambiental, bem como sua extensão, as provas constantes nos autos são insuficientes para comprovar e condenar a requerida a suposto dano ambiental”, completou a empresa.

Apesar da justificativa, dada ainda durante a fase inicial do recebimento da denúncia pela 2ª Promotoria de Justiça de Bonito, o procedimento foi convertido nesta semana em inquérito civil. 

OUTROS INQUÉRITOS

Matéria do Correio do Estado publicada ontem mostrou que o MPMS abriu uma ofensiva contra danos ambientais em Bonito nos últimos dias. 

A reportagem trouxe que existem ao menos cinco investigações em curso, que apuram fatos como desmatamento em Áreas de Preservação Permanente (APPs), degradação de rios e nascentes e armazenamento inadequado de agrotóxicos.

SAIBA

Reportagem publicada em maio pelo jornal O Globo mostrou que o avanço do plantio de soja estaria contribuindo para o aumento do desmatamento em Bonito.

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Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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