Cidades

CRIME

MPMS prende homem que comandava pena de morte do PCC

Operação foi deflagrada nesta quinta-feira (3), duas pessoas que tiveram os nomes divulgados nas redes sociais foram posteriormente assassinadas

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Um homem investigado por manter um perfil nas redes sociais usado para divulgar nomes de pessoas que estariam "decretadas" para morrer por uma facção criminosa foi preso nesta quinta-feira (3), em Juscimeira (MT). A prisão aconteceu durante a Operação Death List, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

A investigação é conduzida pela Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC) do MPMS e apura a publicação de listas que identificavam os possíveis alvos da organização criminosa. 

Além dos nomes, as postagens exibiam fotografias, apelidos e as cidades onde as pessoas "marcadas" moravam. Conforme o MPMS, a maioria das vítimas era de municípios do interior do Estado.

Até o momento, duas pessoas que apareceram nas publicações foram assassinadas. Em um dos casos, a vítima foi morta junto com a filha, de apenas três anos. 

A identificação do suspeito foi feita a partir de uma investigação digital. Segundo o MPMS, foram realizadas análises técnicas que reuniram elementos que relacionavam o perfil investigado ao homem preso, mesmo depois de diversas tentativas de apagar rastros deixados na internet. 

Com as informações obtidas durante a apuração, a Justiça autorizou mandados de prisão e de busca e apreensão contra o investigado. 

As ordens foram cumpridas em Juscimeira, município de MT, com apoio da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT). 

Durante a operação, aparelhos celulares foram apreendidos. Os equipamentos deverão passar por extração de dados e análise forense, seguindo os procedimentos de preservação da cadeia de custódia. 

De acordo com o Ministério Público, as condutas apuradas podem configurar, em tese, o crime de favorecimento ao domínio social estruturado, previsto no Marco Legal do Combate ao Crime Organizado (Lei nº 15.358/2026).

A legislação prevê pena de 12 a 20 anos de prisão para as condutas apontadas pelo MPMS, no caso, além da classificação como crime hediondo. 

O investigado ainda poderá responder por ameaça em contexto faccional, prevista no artigo 147-C do Código Penal, sem prejuízo de eventual responsabilização por organização criminosa.

Para o MPMS, a investigação também evidencia uma mudança na forma de atuação de organizações criminosas, que passaram a utilizar as redes sociais como instrumento de intimidação, exposição de rivais e demonstração de poder.

O Ministério Público orienta que conteúdos com ameaças ou exposição de pessoas a risco de morte não sejam compartilhados, mesmo quando a intenção for alertar outras pessoas. A recomendação é comunicar a existêcia das publicações diretamente às autoridades de segurança. 

Risco das bets

MS: em seis meses, 300 viciados em apostas pediram ajuda ao SUS

Ministério da Saúde oferece consulta on-line para pessoas que estão em apuros em decorrência do vício em apostas esportivas e jogos de cassino virtuais

03/09/2026 05h00

Plataformas de Bets espalham publicidade por toda a parte

Plataformas de Bets espalham publicidade por toda a parte Paulo Ribas

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Dados do Ministério da Saúde enviados ao Correio do Estado revelam que, nos últimos seis meses, mais de 300 apostadores de Mato Grosso do Sul se cadastraram no serviço de teleatendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) voltado às pessoas que estão viciadas em jogos de azar esportivos, as famosas bets.

Há alguns anos, o SUS oferece atendimento presencial especializado em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e em outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Em março deste ano, visando ampliar a acessibilidade, o Ministério da Saúde lançou o mesmo atendimento de forma virtual, por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. 

De acordo com a Pasta, 27.701 pacientes já se cadastraram no serviço on-line, desses, 304 em Mato Grosso do Sul. A alta procura fez com que o Ministério da Saúde ampliasse o serviço de forma significativa no mês passado, passando de 600 atendimentos mensais para 100 mil teleconsultas. 

“Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa, pelo celular”, disse Alexandre Padilha, ministro da Saúde, quando a ampliação foi anunciada.

Em conversa recente com a reportagem, o psicólogo clínico Alexandre Zanirato Contini da Silva Vitoriano, especialista em Análise do Comportamento, destacou o serviço disponibilizado pelo SUS, mesmo que evite descrever o teleatendimento como solução para o problema.

“Ter uma linha aberta e acolhedora para começar a conversar a respeito, entender e identificar a necessidade de ajuda pode, sim, atuar como um fator protetivo para pessoas que enfrentam essas questões, para compreender como esses comportamentos se desenvolveram e quais alternativas são possíveis para uma melhor qualidade de vida”, afirmou o especialista.

Ainda segundo o psicólogo, há alguns sinais que merecem a atenção para observar se uma pessoa está viciada em jogos. Até porque, quanto mais cedo vier o diagnóstico e a busca por ajuda, menor será o prejuízo financeiro e psicológico da pessoa afetada.

“Podemos observar alguns elementos, como a quantidade de tempo que a pessoa passa apostando, quais os valores, como reage quando está em uma sequência de derrotas, como estão as relações sociais, se há algum afastamento em função de apostar e se tem deixado de arcar com compromissos financeiros essenciais para poder utilizar o dinheiro em apostas”, explicou.

Vale destacar que há um transtorno mental reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que se caracteriza pelo impulso incontrolável e compulsivo de jogar e apostar em jogos de azar, chamado de ludopatia.

Como funciona?

Primeiro, o usuário responde a um autoteste para avaliar a relação com o jogo. Em seguida, a pessoa preenche seus dados cadastrais, informa se o atendimento é destinado ao próprio apostador ou a um familiar, escolhe a forma de contato e finaliza a solicitação.

Ao concluir essa etapa, o sistema gera um número de protocolo para acompanhamento do pedido. Após o agendamento da consulta, o usuário recebe automaticamente a confirmação do atendimento, o link para a videochamada, orientações para a preparação da consulta e lembretes sobre o horário e os equipamentos necessários.

As consultas psicológicas são realizadas por videochamada, têm duração aproximada de 50 minutos e ocorrem uma vez por semana. 

O profissional de psicologia poderá indicar um ciclo inicial de até 10 sessões, seguido de uma nova avaliação. A partir dessa avaliação, o paciente poderá receber alta, ser encaminhado para um novo ciclo de teleconsultas ou para atendimento presencial.

Apostas na Capital

Levantamento realizado pelo Ministério da Fazenda aponta que 3,35% dos campo-grandenses estão envolvidos em jogos de azar on-line, o que corresponde a aproximadamente 32,5 mil pessoas. 

Esse número é superior à população de 79,75% dos municípios de Mato Grosso do Sul, ou seja, 63 de 79 municípios, de acordo com a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A título de comparação, o número de apostadores em Campo Grande é praticamente igual ao da população de São Gabriel do Oeste e maior que o da população de Ivinhema, Aparecida do Taboado, Costa Rica e Miranda. 

Mesmo com esse panorama estadual que assusta, Campo Grande é uma das capitais com o menor porcentual de apostadores em seu território. Para efeito de comparação, quem lidera essa lista é o Rio de Janeiro (RJ), com 26,89% da população sendo apostadores, portanto, um a cada quatro cariocas está no mundo das apostas esportivas.

Perdas

Em matéria publicada pelo Correio do Estado nesta semana, um funcionário de empresa pública em Mato Grosso do Sul, morador de Campo Grande, foi à Justiça para recuperar mais de meio milhão de reais – R$ 597 mil – de apenas uma plataforma de apostas on-line: a Betano. 

Ele perdeu este valor depois de tirar de sua conta bancária R$ 1,33 milhão ao longo de três anos, tendo retorno de bem menos: R$ 740,3 mil, segundo apuração do Correio do Estado.

Dentro da plataforma (da porta para dentro do cassino virtual, entre perdas e ganhos), movimentou  
R$ 9,5 milhões; desses, foram R$ 8,7 milhões em saques e créditos do sistema, gerando uma perda contábil de R$ 715,7 mil.

Agora, o funcionário público enxerga a ruína: está afundado em empréstimos, tendo quase dois terços de sua renda comprometida: ele ganha aproximadamente R$ 12 mil por mês, mas só recebe em torno de R$ 4 mil líquido. Isso porque a maior parte do recurso é descontada na folha, por meio de empréstimos consignados e operações bancárias.

Reforço

MPMS dobra efetivo para combater corrupção e crime organizado

Depois de comprar duas licenças de software israelense para decifrar celulares, MPMS também vai integrar equipes em sede única

03/09/2026 05h00

Unidade especializada ficará em anexo da Procuradoria-Geral de Justiça, em Campo Grande

Unidade especializada ficará em anexo da Procuradoria-Geral de Justiça, em Campo Grande Paulo Ribas

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) vai dar mais um passo no reforço das estruturas de combate ao crime organizado e à corrupção. Depois de quase dobrar o número de servidores dedicados exclusivamente à investigação e ao combate às organizações criminosas, de colarinho branco ou não, a instituição agora pretende construir um anexo para abrigar todos esses servidores de forma integrada.

A licitação para ampliar um dos anexos da Procuradoria-Geral de Justiça de Mato Grosso do Sul já está em andamento. A expectativa do MPMS é de investir R$ 22,6 milhões no anexo, onde trabalharão não apenas promotores de Justiça especializados, mas também especialistas de várias áreas, além de policiais militares e civis cedidos pelo Poder Executivo por meio de convênio.

Mas o reforço do combate ao crime pelo MPMS não depende de nova sede, ele já está em andamento. Nos últimos dois anos, quase duas dezenas de prefeituras já foram alvo de operações coordenadas pelo Grupo Especializado de Combate à Corrupção (Gecoc), um dos grupos que atuarão no anexo.

Unidade especializada ficará em anexo da Procuradoria-Geral de Justiça, em Campo GrandeProcurador-Geral de Justiça, Romão Ávila

A unidade integrada também abrigará o Grupo Especializado de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Central de Inteligência (CI), que dá apoio a outras unidades do MPMS, como a especializada no combate a crimes cibernéticos.

O reforço milionário no combate ao crime pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul também se dá por meio do reforço de pessoal. Desde 2023, Gecoc, Gaeco e CI, combinados, dobraram o efetivo: passaram de 65 servidores trabalhando para mais de 130 atualmente.

O procurador-geral de Justiça, Romão Avila Milhan Júnior, explica ao Correio do Estado que reforçar e modernizar unidades de combate ao crime é uma atividade permanente na instituição.

“As organizações criminosas crescem e estão entremeadas em muitas atividades ilícitas e, mais recentemente, nas lícitas também. Agora, as instituições públicas têm de fazer frente a este crescimento da criminalidade que assola a sociedade sul-mato-grossense e brasileira”, afirma.

“O Ministério Público, órgão investigativo e também o que inicia a persecução penal contra criminosos, deve fazer o máximo dentro de suas possibilidades para investir em estrutura física, de pessoal e de equipamentos”, complementa.

Inteligência

Um dos exemplos do investimento no combate ao crime organizado, de colarinho branco ou não, pelo MPMS é o investimento no software israelense Cellebrite, utilizado por forças de segurança em mais de 140 países e, no Brasil, pela Polícia Federal.

Em Mato Grosso do Sul, o MPMS é a única instituição a utilizá-lo e detém duas licenças para o uso: uma com o Gaeco e outra com as unidades CI e Gecoc.

A principal ferramenta do Cellebrite é a Ufed (Dispositivo de Extração Universal de Provas, na tradução da sigla em português), que permite desbloquear e extrair dados de celulares e tablets, incluindo informações de aplicativos de mensagens, redes sociais, e-mails e até conteúdos armazenados em nuvem. Foi essa ferramenta que permitiu ao Gecoc desbaratar um esquema de corrupção que começou na prefeitura de Terenos e se espalhou por outras prefeituras do Estado.

As conversas por telefone celular para tratativa de crimes ligados ao desvio de verbas públicas resultaram na prisão do prefeito de Terenos, Henrique Budke, o primeiro titular do Poder Executivo a ser preso no exercício do cargo na história de Mato Grosso do Sul.

O alcance da tecnologia do Cellebrite é amplo: consegue acessar dispositivos Android e iOS, mesmo em versões recentes e com sistemas de criptografia avançados. Isso torna o Cellebrite essencial em investigações criminais, já que praticamente todo delito hoje tem algum componente digital.

Em Mato Grosso do Sul, o MPMS já empresta sua tecnologia até para instituições federais, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.

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