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MPMS quer saber se Fundo Municipal de Saúde foi gasto corretamente

Órgão instaurou inquérito civil após gestão criar conta única para movimentar recursos recebidos da União e do Estado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para apurar se a gestão e as movimentações do Fundo Municipal de Saúde de Campo Grande estão sendo feitas da maneira correta, segundo a lei municipal que instituiu novo mecanismo de gestão orçamentária.

Ontem, o MPMS divulgou publicamente a abertura do procedimento que tem por objetivo “apurar a regularidade da gestão e da movimentação dos recursos do Fundo Municipal de Saúde de Campo Grande-MS, especialmente após a promulgação da Lei Municipal nº 7.442/2025, que instituiu o Sistema Financeiro de Conta Única”, sob requerimento da 32ª Promotoria de Justiça da Saúde Pública.

Como tramita em sigilo, o inquérito não está disponível para visualização de mais detalhes. Contudo, o MPMS afirmou à reportagem que a investigação vai se concentrar apenas nas ações feitas a partir de julho do ano passado, quando a lei municipal citada no objeto do procedimento passou a vigorar.

Ademais, o órgão explica que o inquérito surgiu a partir de um ofício enviado pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS) há quase nove meses, em que a entidade “manifestou preocupação quanto aos possíveis impactos da Lei Municipal nº 7.442/2025 sobre a autonomia orçamentária e financeira do Fundo Municipal de Saúde”.

“A preocupação apresentada refere-se à compatibilidade do Sistema Financeiro de Conta Única com a legislação federal que rege o financiamento do SUS, especialmente a Lei Complementar nº 141/2012, as Leis nº 8.080/1990 e nº 8.142/1990 e normas que exigem segregação, rastreabilidade e transparência na aplicação dos recursos vinculados à Saúde”, disse o MPMS.

“Essa foi uma provocação do conselho [CMS] para o Ministério Público, porque justamente o próprio conselho acha uma situação um pouco delicada, no ponto de que os recursos da saúde vinculados especificamente à Saúde não podem ser utilizados para outros meios, e com a conta única dificulta um pouco a possibilidade de rastrear esses recursos”, reforça Jader Vasconcelos, coordenador do CMS.

O Correio do Estado entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para saber seu posicionamento diante da abertura do inquérito. Em resposta, o Município afirmou estar dentro das conformidades das leis vigentes e que não apresenta qualquer irregularidade quanto à gestão do Fundo.

"A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informa que mantém atuação pautada na transparência, na responsabilidade fiscal e na colaboração permanente com todos os órgãos de controle e fiscalização, colocando-se à disposição para prestar os esclarecimentos necessários, dentro dos trâmites institucionais e legais", disse.

"Ressalta, ainda, que todas as movimentações orçamentárias do Fundo Municipal de Saúde (FMS) são realizadas em estrita conformidade com a legislação vigente, especialmente a Lei Federal nº 4.320/64, bem como com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA), devidamente aprovadas pela Câmara Municipal, assegurando a correta aplicação dos recursos públicos", complementa a administração.

Recursos do fundo são revertidos para todos os atendimentosRecursos do fundo são revertidos para todos os atendimentos - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

LEI MUNICIPAL

Citada pelo MPMS como “pivô” deste inquérito civil, a Lei Municipal nº 7.442/2025 institui o Sistema Financeiro de Conta Única.

Em suma, o mecanismo de gestão orçamentária centraliza todos os recursos financeiros da administração pública (União, Estado ou Município) em uma única conta principal no Banco Central ou banco oficial.

Ele serve para otimizar o caixa, melhorar a liquidez, aumentar a transparência e facilitar o controle de receitas e pagamentos.

DENÚNCIA

Em dezembro do ano passado, o CMS solicitou auditoria extraordinária a diversos órgãos de controle após identificar duas supostas irregularidades nas contas da Saúde de Campo Grande.

Primeiro, entre agosto e outubro de 2024, o conselho identificou que uma quantia de mais de R$ 25 milhões havia sido retirada da conta do Fundo Municipal de Saúde, que estava na casa dos R$ 35 milhões e “despencou” para R$ 9 milhões durante o período de 60 dias.

No documento, o CMS reforçou que oscilações financeiras similares a esta já haviam acontecido em anos anteriores, contudo, eram sempre seguidas de compensações feitas nos meses subsequentes, o que não teria sido feito, resultando na dificuldade operacional da Saúde em 2025, principalmente para pagar corretamente os fornecedores.

A outra suposta irregularidade apontada no ofício foi a abertura de uma nova conta sem oficialização ou anúncio público por parte do Executivo. De acordo com o CMS, esta ação ocorreu logo após a queda brusca citada anteriormente, que não teria sido “acompanhada de qualquer ato administrativo formal apresentado” ao conselho.

Vale destacar que, à época das duas ações suspeitas, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) era comandada por Rosana Leite de Melo, que foi exonerada do cargo em setembro de 2025.

Já no período em que as denúncias vieram à tona, a Sesau era chefiada por um comitê gestor da Saúde, formado por seis pessoas, cuja coordenadora era Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli, ex-secretária de Iguatemi. Agora, o comando da Sesau está nas mãos do médico urologista Marcelo Luiz Brandão Vilela.

*Saiba

Em julho, o Conselho Municipal de Saúde enviou denúncia aos órgãos de controle por susposta falta de transparência e agilidade para envio dos extratos que foi recusada pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus) e pelo Tribunal de Contas de MS.

*Matéria atualizada às 13h43 para acréscimo do posicionamento da Prefeitura.

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Instituto Guarda Animal: uma luta urgente pela sobrevivência e bem-estar animal em Campo Grande

Atualmente, 141 animais residem no abrigo da ONG, dependendo integralmente de alimentação, higiene, medicamentos e acompanhamento veterinário

13/03/2026 15h15

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Desde 2016, o Instituto Guarda Animal, uma organização não governamental dedicada ao resgate e cuidado de animais abandonados em Campo Grande, enfrenta um de seus períodos mais desafiadores.

Presidida por Nathalia Brizuena, a instituição necessita urgentemente de apoio financeiro para sustentar suas operações e cobrir despesas mensais que se aproximam de R$ 40 mil.

Atualmente, 141 animais residem no abrigo da ONG, dependendo integralmente de alimentação, higiene, medicamentos e acompanhamento veterinário.

Desde outubro do ano passado, Nathalia assumiu sozinha a responsabilidade por todos esses cuidados. “Minha rotina é limpeza, alimentação e medicação. Antes eu tinha ajuda da minha mãe e da minha irmã, mas por motivos pessoais elas não puderam continuar. Hoje estou fazendo tudo sozinha”, relata Nathalia, destacando a dedicação solitária à causa.

A Transição para um novo lar e seus Desafios

Recentemente, o Instituto Guarda Animal realizou a mudança para uma nova chácara. Embora o novo espaço ofereça condições aprimoradas para os animais devido ao seu tamanho expandido, essa transição acarretou um aumento significativo nos custos de aluguel e manutenção.

Adicionalmente, a mudança trouxe uma nova preocupação financeira: a necessidade de reparos na antiga chácara antes da rescisão definitiva do contrato de locação.

A Reforma inadiável da antiga chácara

Nathalia explica que o imóvel anterior foi entregue pela imobiliária em condições impecáveis. Contudo, a convivência com um grande número de animais ao longo do tempo resultou em um desgaste considerável da estrutura, especialmente no piso e na pintura.

“Quando recebemos a chácara ela estava impecável. Com o tempo, por causa da quantidade de animais, o piso e a pintura foram muito deteriorados. Pelo contrato, precisamos devolver o imóvel reformado ou pagar multa”, afirma. Assim, além das despesas operacionais mensais, a ONG agora precisa angariar fundos para custear a reforma da chácara anterior, garantindo o cumprimento das cláusulas contratuais.

Um orçamento mensal de R$ 40 Mil e a ausência de apoio público

Os custos operacionais do Instituto Guarda Animal são abrangentes, incluindo ração, medicamentos, tratamentos veterinários, manutenção das instalações e o aluguel do novo abrigo. “Alguns bichinhos precisam de tratamento médico e medicamentos manipulados todos os meses. Tudo isso gera um custo muito alto”, detalha Nathalia.

Ela ressalta que a ONG não recebe apoio financeiro fixo do poder público. “Não tenho ajuda de ninguém além dos seguidores da página e dos padrinhos. Já procurei apoio da prefeitura, do governo e de outros órgãos, mesmo com todos os documentos em dia, mas até hoje não tive retorno.”

Um apelo urgente à comunidade

Diante das crescentes dificuldades, Nathalia faz um apelo emocionado à comunidade, buscando garantir a continuidade das atividades da ONG e a manutenção dos cuidados essenciais aos animais resgatados.

“Qualquer ajuda faz diferença neste momento. Precisamos manter os cuidados com eles e também conseguir cumprir nossas obrigações com a chácara anterior”, declara. As doações podem ser realizadas via PIX, utilizando o CNPJ da instituição: 37.912.316/0001-60.

Além das contribuições financeiras, o Instituto Guarda Animal também busca voluntários dispostos a auxiliar na organização de eventos ou na divulgação da campanha. “São muitas vidas que dependem da gente todos os dias”, conclui Nathalia, reforçando a importância do engajamento coletivo para a sobrevivência da causa animal.

Mais um

PRF apreende 182 kg de cocaína escondida em caminhão de minério

O motorista de 32 anos foi preso, mas não deu detalhes da origem e destino da droga

13/03/2026 15h01

Droga foi encontrada em Terenos, durante fiscalização da PRF na BR-262

Droga foi encontrada em Terenos, durante fiscalização da PRF na BR-262 Divulgação/PRF

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Um motorista de 32 anos foi preso nesta sexta-feira (13) em Terenos, a aproximadamente 30 quilômetros de Campo Grande, após ser flagrado pela Polícia Rodoviária Federal carregando 182 quilos de cocaína.

A abordagem foi feita pelos policiais durante fiscalização na BR-262. Inicialmente, o motorista afirmou que estava carregando minério de ferro e que tinha saído de Corumbá, seguindo até Pindamonhangaba, em São Paulo. 

No entanto, os agentes perceberam nervosismo no homem após tentar dar mais informações sobre o carregamento e do propósito da viagem. 

Assim, a equipe iniciou uma busca no veículo e encontraram dois compartimentos ocultos, escondendo 114 quilos de cloridrato e 68,8 quilos de pasta base de cocaína. 

Com o flagrante, o motorista foi preso e encaminhado à Polícia Civil de Terenos, juntamente com a droga. Ele não deu informações sobre a origem ou o destino da droga. 

A BR-262 tem estado na mira da PRF desde o ano passado por ser palco recorrente de casos de transporte de entorpecentes nas cargas, especialmente em caminhões de minério.

A rota, vindo de Corumbá, tem mais de 400 caminhões com carga de minérios saindo da cidade, tornando os casos cada vez mais comuns. 

Por ser uma rodovia que atravessa Mato Grosso do Sul, ligando até São Paulo, o uso dessa rodovia para transporte de drogas não é uma novidade. 

Os traficantes utilizam veículos com grandes cargas para esconder as drogas para transportá-las até os receptores, com ajuda das famosas “mulas”, que se expõem aos perigos, como ultrapassar barreiras policiais, em troca de recompensas que podem chegar a 10 salários mínimos. 

Maior apreensão 

O flagrante acontece um dia após a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras) realizar a maior apreensão de cocaína do ano em Mato Grosso do Sul e na Capital, após encontrar quase uma tonelada da droga escondida em uma imóvel que servia de entreposto na região norte de Campo Grande.

Avaliada em cerca de R$ 30 milhões, a apreensão é a maior do ano em Mato Grosso do Sul e uma das maiores da história da Polícia Civil do Estado, conforme informou a assessoria da instituição. 

A ação teve início com a denúncia anônima de uma negociação suspeita em uma oficina da Capital, e resultou na prisão de cinco indivíduos, além da apreensão de 975 quilos de cocaína – ao todo, foram contabilizados 614 volumes de substância análoga à droga, entre tabletes e volumes embalados. 

Há cerca de três semanas, outra ação da PRF apreendeu 745 quilos da droga em um ônibus que transportava cerca de 30 bolivianos, sem possuir a documentação regular de entrada no País. 

Segundo a polícia, o motorista e os passageiros apresentaram versões contraditórias, o que levou a uma vistoria detalhada na carroceria, onde foram encontrados tablets com a droga. Até ontem, esta havia sido a maior apreensão de cocaína do ano no Estado, superada pelo flagrante em Campo Grande. 

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