Cidades

MATO GROSSO DO SUL

MS cresce em educação tecnológica e classifica equipes para Nacional de Robótica

Competição reuniu entusiastas da programação, com robôs feitos de lego e até modalidades que as construções chegam a pesar 56 kg e atingem dois metros de altura

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Há cerca de um ano Campo Grande servia como sede do Circuito de Robótica, responsável por reunir cerca de 200 alunos entusiastas da educação tecnológica, e vê hoje essa iniciativa crescer e transformar-se em um verdadeiro Festival Regional, classificando inclusive equipes para a etapa nacional de construção dos mais variados robôs, marcada para março de 2026. 

Vale lembrar que, em 16 de novembro de 2024, como bem acompanha o Correio do Estado, a Capital foi sede do Circuito de Robótica com modalidades de programação com Lego, até robôs que chegam a 56 kg e dois metros de altura. 

No último sábado (29) a Capital recebeu de forma inédita em MS o Festival Regional Sesi de Robótica, reunindo mais de 360 alunos de 38 escolas da Rede Sesi e de instituições públicas no ginásio Moreninho, em Campo Grande.

Conforme divulgado pelo Sistema da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), distribuindo vagas para a fase nacional, ontem (29) foram premiadas equipes em duas modalidades: 

  • FIRST Lego League Challenge (FLLC) e
  • FIRST Tech Challenge (FTC)

Batizada de FIRST Lego League (FLL), esse programa se baseia no chamado conceito STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática), onde dois adultos técnicos de equipe lideram os jovens para trabalhar com base nos  Valores Essenciais (Core Values). 

Ou seja, na base do respeito e competição amigável, a tarefa para os estudantes é construir robôs com a tecnologia LEGO e programá-los para a execução de uma série de missões. 

Na FLLC, o principal prêmio de desempenho do dia ficou com a equipe Tech Vikings, da Escola Sesi de Naviraí, da qual a aluna Maria Luisa da Silva detalha ser fruto de "muito trabalho". 

"É a quarta vez que a gente consegue, então é muita luta, tentando mudar e melhorar para sempre conseguir mais. E a gente fica muito grato pelo apoio das pessoas em volta, principalmente dos nossos técnicos que nos ajudaram a chegar até aqui. E agora é rumo ao nacional", expôs. 

Robôs de peso

Além dessas programações em lego, a modalidade FTC chegou a contar com uma virada época, que teve desempate em uma partida extra, em uma disputa entre as alianças azuis e vermelha, formadas respectivamente pela Tech Vikings (Naviraí) e pela CapiTech (Campo Grande), contra a Tera Robotics (Três Lagoas) e XMachine (Salvador-BA).

Nessa modalidade, FIRST Tech Competition (FTC), os robôs já atingem um porte médio e chegam a pesar 19 kg, sendo montados com kit de peças reutilizáveis. 

Nessa categoria os robôs precisam pegar e carregar objetos, como discos e blocos, com o desafio sendo disputado em arena, onde o desafio é ainda maior e as construções chegam até 56 kg e dois metros de altura. 

Com a aliança azul saindo na frente, o duelo seguiu com a recuperação da vermelha que conseguiu um empate. Até mesmo na partida de definição as equipes empataram, sendo necessária uma rodada extra para definir o campeão. 

Somente no quarto duelo a aliança vermelha se consagrou campeã, com Nathan Wander, em seu primeiro ano na Tera Robotics, detalhando bem a emoção do confronto. 

"Quando deu empate, fiquei em choque. Nossas baterias boas tinham acabado, não sabia o que fazer. Graças a Deus, a Mega Mentes (Dourados) ajudou, trouxeram bateria para a gente. A XMachine também ajudou bastante, então estou muito feliz com tudo isso", disse. 

Vale lembrar que a fase nacional fica marcada para o próximo ano, e deve ser realizada em março de 2026, na cidade de São Paulo. 

Resultados Festival Regional Sesi de Robótica 2025 - etapa MS

  • FIRST Tech Challenge (FTC)

Aliança finalista
Tech Vikings (Naviraí) e CapiTech (Campo Grande)

Aliança vencedora
XMachine (BA) e Tera Robotics (Três Lagoas)

Alcance
CapiTech

Design
Tech Vikings

Pensamento criativo 
Tupitech (Corumbá)

Inspiração
XMachine (BA)

Classificadas para a fase nacional (5 a 8 de março de 2026 em São Paulo)
XMachine (BA)
Tera Robotics (MS)
Tech Vikings (MS)

  • FIRST LEGO League Challenge (FLLC)

Prêmios extraoficiais
Estrela em ascensão 

Ottotech (Maracaju)

Desafio do Robô 
Tech Vikings

Prêmios oficiais
Técnico/mentor destaque

André Gregolim (SGO Tech - São Gabriel do Oeste)

Desempenho do Robô 
Tech Vikings

Design do Robô 
Finalista - Mega Mentes (Dourados)
Vencedora - Tupinambótica (Corumbá)

Projeto de Inovação
Finalista - Big Mechs (Dourados)
Vencedora - Guardiões do Templo (Três Lagoas)

Core Values
Finalista - SGO Tech 
Vencedora - CapiTech

Champions Award (Classificadas para a fase nacional)
2a. Finalista - Alphadroid's (Aparecida do Taboado)
Finalista - Tera Robotics 
Vencedora - Tech Vikings

Suplentes para fase nacional 
Tupinambótica 
Mega Mentes 
Guardiões do Templo
**(Com assessoria)

 

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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