Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, nenhum caso foi grave e todos foram considerados reflexos normais da aplicação do imunizante pelo Instituto Butantan
A aplicação da vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, está suspensa pelo Ministério da Saúde em razão de uma investigação que apura a relação entre sintomas graves apresentados por pessoas que a tomaram.
Em Mato Grosso do Sul, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), 137 pessoas tiveram reações ao imunizante.
Essas pessoas, no entanto, não apresentaram reações graves e, de acordo com a SES, “todas as ocorrências foram classificadas como não graves, com sinais e sintomas já descritos em bula e compatíveis com os eventos esperados após a imunização”.
“As notificações são acompanhadas pelas equipes de vigilância em saúde, conforme os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Parte dos casos já teve a investigação concluída, enquanto os demais seguem em análise”, confirmou a nota.
Ao todo, foram aplicadas 7.333 doses das 15.200 doses do imunizante recebidas pelo Estado. Desse total, a SES informou que ainda existem 408 doses na Rede de Frio Estadual. O imunizante está armazenado “de acordo com as normas de conservação e segurança vigentes”.
“A Secretaria reforça que o monitoramento dos eventos adversos é uma prática rotineira dos programas de imunização e integra as ações permanentes de vigilância para garantir a segurança e a qualidade das vacinas ofertadas à população”, completou a Pasta.
Em Campo Grande, de acordo com a coordenadora da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Veruska Lahdo, 56 pessoas buscaram os postos de saúde por conta das reações à vacina da dengue.
Assim como informou a SES, a Sesau confirmou que apenas foram registrados casos considerados compatíveis com as reações já previstas da vacina, e que nenhum foi considerado grave.
Segundo Veruska, essas notificações foram feitas por pessoas que procuraram unidades de saúde com sintomas comuns a qualquer vacina, como dor no braço e vermelhidão no local da aplicação, e todos são considerados não grave.
Foram aplicadas 1.033 doses na Capital, todas em profissionais de saúde. A superintendente afirmou que ainda há vacina em estoque, mas elas seguem armazenadas e não estão sendo mais aplicadas, até nova ordem do Ministério da Saúde.
“É comum haver reações leves, como as que foram registradas aqui, nós tivemos reação da Qdenga também. Já essas 42 [doses] em investigação não são habituais. Suspender uma vacina não é comum, é muito raro acontecer, mas é um número muito pequeno em relação as doses aplicadas”, explicou.
Veruska ainda pede que as pessoas não tenham medo de se imunizar por conta desses casos.
“Essa foi uma medida [suspensão da vacina] adotada por precaução, então pedimos para as pessoas não criarem insegurança para tomar as vacinas, temos imunizantes que são aplicados a anos e nunca houve nenhum problema. Pedimos que as pessoas se orientem pelos órgãos oficiais e pelos veículos de imprensa sobre o assunto. Temos que ter muito cuidado com isso, pelo risco de retornar doenças que já estavam erradicadas”, declarou Veruska ao Correio do Estado.
MINISTÉRIO DA SAÚDE
A decisão de suspender a aplicação das doses da vacina do Butantan é preventiva, até que investigações mais aprofundadas entendam se os efeitos foram ou não causados pelo produto.
Desde janeiro, quando a vacina começou a ser usada no Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de 501 mil pessoas foram vacinadas, a grande maioria profissionais de saúde da atenção básica.
Desses que receberam o imunizante, 42 pessoas apresentaram reações severas e 2 pessoas morreram, o que acendeu de vez o alerta das autoridades de saúde.
Nos dois óbitos, as vítimas tiveram sintomas compatíveis com um quadro de dengue grave. Por isso, o único alerta dado pelo ministério aos que tomaram a dose é ficar atento a sintomas incomuns nos 21 dias seguintes à aplicação.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que não é possível concluir que os eventos adversos foram causados pela vacina, mas representam um sinal de alerta e serão investigados por um comitê de especialistas.
“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa] e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas; fazer uma espécie de estudo de caso, controle”, disse em coletiva de imprensa.
Vale lembrar que a suspensão vale apenas para a vacina produzida pelo Butantan e não inclui o imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório Takeda e também aplicado no SUS.
“O Ministério da Saúde tem total confiança na capacidade institucional do Butantan”, destacou Padilha ao enfatizar a importância da vacinação para a redução e eliminação de doenças no País.
* Saiba
Em entrevista à GloboNews, o diretor do Butantan, Esper Kallás, afirmou que quem tomou a vacina há mais de 21 dias e não teve reações graves pode ficar despreocupado e “só usufruir do benefício da proteção”, porque, segundo ele, não terá problemas.