Cidades

RAKING POR PESSOA

MS é "vice-campeão" brasileiro de judicialização da Saúde

Estado soma 18,5 mil ações contra o serviço público de saúde e planos de assistência médica; maior média por habitante

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Mato Grosso do Sul é o segundo estado com mais processos por habitante envolvendo o Sistema Único de Saúde (SUS) e planos de assistência médica no País, deixando para trás grandes estados brasileiros como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

De acordo com dados obtidos pelo jornal O Globo, com base em números do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Estado somou mais de 18,5 mil ações em 2025 contra o serviço público de saúde e as operadoras dos planos, com 13.816 e 4.775, respectivamente.

Ao dividir o total de processos pela quantidade de habitantes em Mato Grosso do Sul (2.757.013 de pessoas), o Estado chega ao índice per capita de 0,006746, o que lhe rende a segunda posição no ranking, atrás apenas do Distrito Federal (0,012758), que no ano passado somou mais de 35,8 mil ações – quase o dobro de Mato Grosso do Sul com um volume populacional parecido.

No contraponto do número preocupante de judicializações, Mato Grosso do Sul é um dos 12 estados brasileiros que apresentam vara ou núcleo judicial dentro do Poder Judiciário para tratar de ações específicas no setor de Saúde.

Atualmente, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) mantém ativa a 1ª Vara do Juizado Especial da Saúde e o Comitê Estadual de Mato Grosso Sul do Fórum Nacional da Saúde do CNJ, que apresenta sedes regionais nos municípios de Três Lagoas, Dourados e Corumbá, além da sede estadual em Campo Grande.

No portal da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a autarquia nacional expõe que, até novembro de 2025, entre 20% e 30% da população do Estado tinha plano de saúde, o que resulta entre 551,4 mil e 827,1 mil sul-mato-grossenses com seguro de assistência médica.

Ademais, a reportagem também entrou em contato com o TJMS, a fim de saber os dados detalhados de ações contra o SUS e as operadoras de saúde nos últimos seis anos. Mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Vale destacar que, segundo orçamento do governo do Estado do ano passado, aprovado em outubro de 2024 pela Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul (Alems), a Saúde foi responsável por 12% do total, ou seja, cerca de  R$ 2,6 bilhões de um montante de R$ 26,4 bilhões.

2020 a 2025

Segundo tabelas divulgadas pelo Comitê Estadual de Saúde, Mato Grosso do Sul enfrenta aumento no registro de ações na Saúde ano após ano.

Em 2020, ano do início da pandemia da Covid-19, o Estado totalizou 4.006 processos, com as categorias Unidade de Terapai Intensiva (UTI)/Internação (679), consultas (325) e alimentação especial (304) entre as mais frequentes.

O município de Campo Grande foi responsável por quase 70% das judicializações.

No ano seguinte, em 2021, o número total subiu para 4.900, novamente com a UTI e internação como maior fonte de reclamação dos usuários, com 507 ações. Porém, desta vez, a alimentação especial foi para a segunda colocação, com 429 ações, e a categoria outros medicamentos ficou com a terceira posição, com 359 ações.

Já em 2022, o ano encerrou com 5.786 judicializações, com as duas primeiras colocações iguais a de 2021, com UTI/internação (574) e alimentação especial (561) nas lideranças. A categoria cirurgia ortopédica subiu de posição e assumiu a terceira colocação, com 440 ações.

Em 2023 o Estado ultrapassou a marca de 7 mil processos pela primeira vez. Além disso, um novo primeiro colocado foi registrado: cirurgia ortopédica (706), seguido por UTI/internação (697) e alimentação especial (599 ações).

No ano seguinte, em 2024, o TJMS divulgou os dados apenas até novembro, e na tabela consta 6.672 ações, com UTI/internação voltando ao topo, seguido por consultas (673) e cirurgia ortopédica (637).

Já no ano passado, até dia 16 de dezembro, a tendência de crescimento voltou, com 7.362 judicializações registradas. Novamente, UTI/Internação foi a categoria que mais gerou processos durante 2025, com outros medicamentos e consultas na sequência.

LEITOS

Há três meses, o Correio do Estado reportou que o Poder Judiciário registrou um aumento de 42% nas demandas recebidas acerca de leitos hospitalares de 2024 a este ano, segundo dados fornecidos pelo Comitê Estadual de Mato Grosso do Sul do Fórum Nacional da Saúde do CNJ.

Em 2024, foram 1.090 notas técnicas elaboradas pelo Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus) envolvendo demandas por leitos hospitalares. Já de janeiro a julho do ano – cinco meses a menos do que o período analisado do ano passado – foram 1.114 notas técnicas.

Porém, o que chamou a atenção foram os dados de pedidos de judicialização de agosto até outubro: 435 em aproximadamente 70 dias (cerca de 6 pedidos por dia), o que coincidiu com a época em que os leitos estavam com superlotação em quase todos os hospitais de Campo Grande.

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CRIME

Jovem é presa com munições de fuzil e maconha em MS

A abordagem ocorreu em frente à residência da jovem

12/01/2026 11h00

No interior do veículo, os agentes localizaram munições de fuzil e outros entorpecentes

No interior do veículo, os agentes localizaram munições de fuzil e outros entorpecentes Divulgação

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Uma mulher de 25 anos foi presa em flagrante na noite de domingo (11), em Ponta Porã, após ser flagrada transportando drogas e munições de fuzil durante uma ação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul na região da fronteira com o Paraguai.

A prisão foi realizada por equipes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), que desenvolviam diligências para coibir o tráfico de drogas e armas, crimes recorrentes na faixa da fronteira. Durante o trabalho investigativo, os policiais passaram a monitorar a movimentação da suspeita, que estaria utilizando um Toyota Corolla para fazer o transporte dos materiais ilícitos. 

A abordagem ocorreu na Rua Benjamin Constant, em frente à residência da jovem. No interior do veículo, os agentes localizaram cerca de dois quilos de maconha, além de 40 munições calibre 7,62, armamento de uso restrito, comumente empregado em fuzil de alto poder de fogo.

Diante do flagrante, a mulher foi encaminhada à delegacia e autuada pelos crimes de tráfico de drogas e porte ilegal de munição de uso restrito. O material foi encaminhado para perícia, e o caso segue sob investigação para apurar a possível participação de outros envolvidos no esquema.

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tribunal de justiça

No topo do ranking salarial, juízes de MS elevam produtividade em 9%

Magistrados de primeira instância julgaram 512 mil processos ao longo de 2025, ante 469,8 mil no ano anterior

12/01/2026 10h55

Ao longo do ano passado, 465 novos processos deram entrada nos fóruns. No mesmo período, 463 mil foram arquivados

Ao longo do ano passado, 465 novos processos deram entrada nos fóruns. No mesmo período, 463 mil foram arquivados

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Com salários que em 2024 tiveram uma média mensal de R$ 151.256,00, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça, os juízes de primeira instância de Mato Grosso do Sul elevam em 9% o número de ações julgadas em 2025 na comparação com o ano anterior, conforme dados divulgados pelo Tribunal de Justiça nesta segunda-feira (12).

Ao longo de 2025 foram 512.032 processos julgado, ante 469.870 no ano anterior. As decisões interlocutórias também cresceram, passando de 615.007 em 2024 para 671.351 em 2025, novamente um acréscimo de cerca de 9%. Já os despachos somaram 975.969 em 2025, frente a 939.687 no ano anterior.

Outro destaque é o volume de movimentações processuais, que alcançou 44,5 milhões em 2025, superando as cerca de 42 milhões registradas em 2024. No mesmo período, os fóruns receberam 465.558 novos processos e promoveu o arquivamento de 463.237 feitos, demonstrando equilíbrio entre entrada e saída de demandas.

MAIORES CIDADES

As comarcas de entrância especial tiveram papel fundamental no resultado. Campo Grande, maior comarca do Estado, concentrou o maior volume de trabalho em 2025, com 207.632 processos distribuídos e 272.779 julgados. A capital também liderou em despachos (449.647), decisões interlocutórias (321.662) e movimentações processuais (20.143.642), além de 239.620 processos arquivados.

Na sequência, Dourados registrou 35.704 processos distribuídos e 35.455 julgados, praticamente igualando a entrada e a saída de processos.

Três Lagoas apresentou 22.621 processos distribuídos e 19.556 julgados, com 50.588 despachos, 36.187 decisões interlocutórias e 2.152.786 movimentações processuais, além de 18.893 processos arquivados.
Em Corumbá, foram 12.291 processos distribuídos, com 13.916 julgados e 13.802 arquivamentos, demonstrando capacidade de reduzir o estoque processual.
 

SUPERSALÁRIOS

O aumento no número de casos julgados aconteceu no ano seguinte ao da elevação em 25,6% nos custos salariais dos magistrados estaduais. Em 2023, o custo médio era de R$ 120,354,00, deixando Mato Grosso do Sul em primeiro lugar no ranking dos magistrados mais caros do país. 

Em 2024, apesar do aumento,  o Estado foi superado pelo Rio de Janeiro, onde o custo médio mensal subiu de R$ 92.643,00 para R$ 162.897,00. Mas, o valor médio de R$ 151 por mês não se refere somente aos juízes de primeira instância. Os 37 desembargadores, os que recebem os salários mais altos, também estão incluídos.

A disparada nos custos não foi exclusividade de Mato Grosso do Sul. O CNJ apontou que, em média, os valores cresceram em 20% na despesa por magistrado em todo o país, passando de R$ 73.777,00 para R$ 92.752,00 mensais.

Os dados mostram que os juízes de Mato Grosso do Sul custam 63% acima da média nacional. Porém, se a comparação for Amazonas, estado onde é registrado tem o menor custo, de R$ 41.555,00, a diferença é de 263%. 
 
 

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