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EDUCAÇÃO

MS lidera proposta feita pelos estados para mudanças no novo Ensino Médio

Documento foi entregue nesta semana ao Ministério da Educação e baseia as alterações em quatro pontos principais

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Com suas mudanças baseadas em quatro eixos significativos, o documento entregue nesta semana ao Ministério da Educação (MEC) propõe alterações para o novo Ensino Médio em todo o País.

Feita em consenso pelos 26 estados e pelo Distrito Federal, a proposta foi entregue pelo titular da Secretaria de Estado de Educação (SED), Hélio Daher, o qual também é coordenador nacional do Ensino Médio.

Desde o início do ano, o governo federal vem discutindo mudanças no novo Ensino Médio, que entrou em vigor oficialmente no País no ano passado.

O MEC já anunciou que deseja aumentar a carga horária das disciplinas obrigatórias e reduzir o itinerário formativo (as aulas optativas que os alunos podem escolher por área de conhecimento). Inclusive, esse é um dos pontos de discordância entre o governo e os secretários de Educação.

O governo federal pede que disciplinas obrigatórias, como Português e Matemática, tenham mais horas-aulas do que na atual composição.

Hoje, são 1,8 mil horas-aulas para essas duas matérias durante todo o Ensino Médio, e o MEC quer ampliar para 2,4 mil horas-aulas.

Entretanto, segundo Daher, isso não seria possível. Ele argumenta que para que seja mantida a opção de ensino profissionalizante, uma das áreas de conhecimento presentes no itinerário formativo deveria ter, ao menos, 800 horas-aulas para essas disciplinas, visto que o Ensino Médio é composto de 3 mil horas-aulas.

"Os estados não podem mais continuar com essa insegurança. É urgente que se defina as mudanças. Hoje, os alunos estão sem saber como vai ser o próximo ano letivo”
-Hélio Daher, secretário de Estado de Educação e coordenador nacional do Ensino Médio

Por isso, os secretários criaram uma contraproposta, a qual foi apresentada nesta semana ao governo federal. Conforme Daher, que entregou o documento ao ministro da Educação, Camilo Santana, a ideia é chegar a um meio-termo que consiga atender ao que o MEC imaginou, porém, sem prejudicar os alunos.

“Nós entregamos um documento fruto de consenso, baseado em quatro itens principais que achamos que são importantes para que essa mudança não afete os estudantes”, afirmou.

O primeiro item, de acordo com Daher, é o mais fundamental: a mudança da carga horária para disciplinas de formação geral obrigatória de 1,8 mil horas-aulas para 2,1 mil horas-aulas nos três anos.

Segundo ponto: manter a educação a distância (EAD). “Não é viável proibir a EAD. Nós temos lugares como o Pantanal e a Amazônia que tem suas particularidades e que devem ser respeitadas.

Mas concordamos com um regramento. Não se pode ter esse tipo de ensino em lugares com acesso fácil à escola”, declarou o secretário.

Por sua vez, o terceiro ponto envolve a educação profissional ter uma carga horária mínima de 900 horas-aulas durante os três anos do Ensino Médio.

“Menos que isso a educação profissional não tem validade. Não se pode ensinar uma profissão com uma carga horária menor que 800 horas-aulas. Por isso, essa proposta casa com a primeira, porque assim nós teremos 900 horas-aulas para o ensino profissionalizante”, explica.

Propostas

  • PRIMEIRO PONTO

Carga horária de 2.100 horas-aulas para disciplinas obrigatórias, como Português, Matemática e Biologia, durante todo o Ensino Médio;

  • SEGUNDO PONTO

Manutenção da educação a distância (EAD), porém, com um novo regramento;

  • TERCEIRO PONTO

Carga horária para educação profissionalizante de 900 horas-aulas durante os três anos do Ensino Médio;

  • QUARTO PONTO

Criar regramento de transição entre o atual programa e as mudanças que devem ocorrer na base de ensino e estabelecer essas alterações a partir de 2025.

Já o quarto item propõe criar uma regra de transição entre o atual modelo do novo Ensino Médio e o que será proposto pelo governo federal.

“Os estados já começaram a planejar o ano letivo a muito tempo. Estamos a quatro meses do fim do ano praticamente, isso é muito pouco tempo para se realizar uma mudança dessa, como quer o MEC. Seria muito ruim de implementar. Como vamos pegar um aluno que está no segundo ano e falar que no terceiro ele vai ter uma carga horária completamente diferente? Então, pedimos esse período de transição, para que essas mudanças só passem a valer a partir de 2025”, continua o secretário.

A nova proposta para o Ensino Médio deverá ser discutida na próxima semana pelo MEC, já com a expectativa de que um texto final seja apresentado pela Pasta.

“Os estados não podem mais continuar com essa insegurança. É urgente que se defina as mudanças. Hoje, os alunos estão sem saber como vai ser o próximo ano letivo”, conclui Daher.

Novo Ensino Médio

Alterando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei nº 13.415/2017 estabeleceu uma mudança na estrutura do Ensino Médio, ampliou o tempo mínimo do estudante na escola – de 800 horas-aulas para 1 mil horas-aulas anuais – e definiu uma nova organização curricular, que contemplou uma Base Nacional Comum Curricular e a oferta de diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes – os itinerários formativos – com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional.

O então senador de Mato Grosso do Sul, Pedro Chaves, foi relator da medida provisória que alterou a estrutura do Ensino Médio no País.

Na época, a mudança teve como objetivo aproximar as escolas à realidade dos estudantes de hoje, considerando as novas demandas e complexidades do mercado de trabalho e da vida em sociedade.

Porém, a realidade não foi a mesma que o projeto previa, e muitas críticas surgiram, principalmente em relação ao itinerário formativo para os alunos que optavam por áreas de conhecimento ligada à formação.

No Estado, uma das disciplinas mais controversas ensina os alunos a fazer sabão com óleo de cozinha. A aula consta no itinerário formativo de algumas escolas estaduais.

Sobre o assunto, a SED alega que a disciplina Joga Fora Não... Óleo Velho Vira Sabão tem, sim, relação com os conteúdos ofertados em Química.

 

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Reviravolta

STJ determina andamento de ação contra o 'prefeito mais louco do Brasil'

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PSDB) vai responder novamente por improbidade administrativa, após se autopromover em festas da cidade às custas dos cofres públicos

05/09/2026 10h30

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PSDB)

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PSDB) GERSON OLIVEIRA

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Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PSDB), popularmente conhecido como “o mais louco do Brasil”, vai responder novamente pela ação de improbidade administrativa, após se autopromover em festas da cidade às custas dos cofres públicos.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) havia encerrado o processo contra o prefeito, na fase inicial, por suposta falta de provas.

Mas, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) reverteu a decisão e determinou o andamento do processo, com a justificativa de que a apuração sobre a intenção do prefeito deve ocorrer após a fase de instrução processual, quando haverá análise profunda das provas.

O STJ avaliou que o TJMS agiu de forma precipitada ao julgar o mérito da ação e extinguir o processo logo na fase inicial.

Em primeira instância, a Justiça havia acatado o pedido liminar do Ministério Público e determinou que o prefeito pare de se promover em eventos públicos (com multa de R$ 20 mil por descumprimento) e o pagamento de aproximadamente R$ 307 mil a título de dano moral coletivo.

Com isso, o processo foi reaberto e o STJ determinou o restabelecimento imediato da decisão de primeiro grau e o andamento das investigações.

De acordo com o Ministério Público (MPMS), o prefeito agia como se fosse parte das atrações musicais contratadas pela prefeitura: subia no palco, cantava, dançava e até participou de uma montaria em touro vestido como peão.

Tal fato evidencia que ele se promovia às custas dos cofres públicos em eventos festivos da cidade, cujos gastos giravam em torno de R$ 3.070.224,85.

Além disso, ele postava toda essa atuação em suas redes sociais, que somadas (Instagram, TikTok e Facebook) totalizam aproximadamente 1,5 milhão de seguidores.

Para a promotoria, a conduta fere os princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade.

Ao Correio do Estado, o prefeito afirmou que irá recorrer contra a decisão do STJ e que não subiu ao palco com o objetivo de se autopromover.

"Respeito a decisão do STJ, mas eu vou recorrer sim. Eu como gestor não vejo que foi cometido nenhum tipo de irregularidade. Não vejo que foi cometido algum tipo de crime. Não acho justo uma coisa que já estava encerrada, uma parte virada, mas estamos aí para responder juridicamente. Se eu quero me promover, eu me promovo na minha própria rede social que hoje é maior que qualquer evento dentro da minha cidade", explicou Juliano Ferro.

De acordo com o chefe do executivo municipal de Ivinhema, o evento em questão rendeu R$ 40 mil em doação para um asilo.

DENÚNCIA ELEITORAL

Faltando um mês para as eleições denúncias ultrapassam 80 registros de infrações eleitorais

Aplicativo da Justiça Eleitoral e Ouvidoria de Ministério Público do Estado dividem registros de denúncias e principal alvo é cargo para deputado estadual

05/09/2026 10h00

Paulo Ribas / Correio do Estado

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Faltando um mês para as eleições de 2026, o número de denúncias na Ouvidoria do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) é menor que as queixas registradas em aplicativo de Justiça Eleitoral. Até o momento, os dois modelos de denúncia somam mais de 80 notificações de irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral.

Com o objetivo de incentivar a participação popular e fortalecer a transparência e lisura do processo de eleição, ambas as ferramentas buscam verificar a existência de crimes ou ilegalidade que podem acontecer para que os responsáveis sejam devidamente procesados.

Segundo o Coordenador do Núcleo Eleitoral, o Promotor de Justiça Moisés Casarotto, são 44 denúncias recebidas via Tribunal Regional Eleitoral (TRE) realizadas pelo aplicativo Pardal, enquanto na Ouvidoria do MPMS foram registradas 43 denúncias até o último balanço divulgado nessa sexta-feira (4) .

Apesar da semelhança entre os números, os registros são baixos. Segundo o órgão, o volume menor é uma característica comum das eleições estaduais e federais, que apresentam nível de denúncias abaixo quando comparadas as eleições municipais.

No Estado o município com maior número de denúncias registrados pelo aplicativo é Campo Grande, com 21 denúncias; em seguida aparece Bonito com quatro registros; seguido de Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas com três e Jardim com duas denúncias.

Outras seis cidades registram uma denúnia, sendo elas Caarapó, Corumbá, Coxim, Ivinhema, Miranda e Sonora.

Dessas notificações os motivos mais recorrentes são de:

  • propaganda na internet (23,81%);
  • bens públicos (19,05%);
  • comícios e showmícios (11,91%);
  • outdoors e outdoors eletrônicos (11,91%);
  • vias públicas (9,52%);
  • adesivos em automóveis (7,14%);
  • distribuição de material gráfico (7,14%);
  • confecção, utilização e distribuição de brindes (2,38%);
  • envio de mensagens (2,38%);
  • não informado (2,38%);
  • omissões de informações obrigatórias (2,38%);

Dentre os cargos em disputa, a maioria das denúncias são destinadas ao de Deputado Estadual, em seguida Deputado Federal, Partido/Coligação/Federação, Governador e Senador, respectivamente.

Confome noticiado anteriormente pelo Correio do Estado o aplicativo recebe mais de duas denúncias por dia, e alcança apenas 13 de 79 cidades sul-mato-grossenses. No entanto, o equivalente de 16,5% dos municípios do Estado, demonstra que o uso da ferramenta não está restrito à Capital ou aos maiores centros urbanos.

É válido lembrar que apesar de o eleitor precisar se identificar, os dados pessoais de quem apresenta a denúncia permanecem sob sigilo. A exigência de autenticação também ajuda a evitar registros falsos ou comunicações sem elementos mínimos que permitam a apuração.

Filtro judicial

As denúncias que chegam ao TRE passam por um filtro judicial antes de serem repassadas ao Ministério Público Eleitoral, que irá investigar a irregularidade denunciada, com o objetivo de manter a organização no fluxo de atendimento aos cidadãos.

A equipe técnica do setor da Ouvidoria do MPMS e do Núcleo Eleitoral realizam o processo de filtragem para agilizar e garantir a otimização de uma resposta rápida diante das demandas que surgem durante o processo de votação.

Outros canais de denúncia

Além das ferramentas digitais, as denúncias de crimes eleitorais chegam presencialmente às Promotorias de Justila de todo o Mato Grosso do Sul.

As notificações aparecem por meio de boletins de ocorrência registrados em canais como a Polícia Civil e a Polícia Federal, que ainda não estão contabilizados no balanço.

O objetivo do MPMS e da Justiça Eleitoral com a integração é reforçar a atuação de ambos na prevenção e no combate às infrações que ocorrem durante eleições.

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