Cidades

contra o narcotráfico

MS reforça policiamento na fronteira com o Paraguai e Bolívia

MS reforça policiamento na fronteira com o Paraguai e Bolívia

THIAGO GOMES

30/03/2011 - 00h02
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Mato Grosso do Sul vai reforçar o policiamento nas regiões de fronteira com o Paraguai e Bolívia, intensificando o combate ao tráfico de drogas e armas, assim como ao contrabando. A medida alinha-se às estratégias da política de segurança pública do Governo federal, que ontem enviou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, à La Paz, Capital da Bolívia, para assinatura de um acordo de cooperação na repressão ao narcotráfico e ao crime organizado. Tanto é o interesse do Estado, que também mandou o seu secretário de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, ao país vizinho.

Jacini juntou-se ao ministro José Eduardo Cardozo em La Paz, acompanhando-o em sua agenda internacional. Além de representar Mato Grosso do Sul, o secretário também participou do encontro como presidente do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), cargo em que tomou posse recentemente durante encontro de secretários em Brasília.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU), indicam que o cultivo de cocaína na Bolívia chega a ocupar 30.900 hectares, sendo apenas 12 mil consideradas legais (produção para rituais religiosos andinos). O país é considerado o terceiro maior produtor mundial de cocaína, depois do Peru e Colômbia, daí a necessidade de um estreitamento nas ações de repressão, tanto por parte do Governo federal quanto pelo Mato Grosso do Sul, que tem Corumbá como porta de entrada do entorpecente que vem daquele país.

 Apoio

Por conta da necessidade de reforço em sua atuação policial, o Governo do Estado está insistindo junto ao Ministério da Justiça para que sejam reativados os convênios de implantação do Projeto Pefron (Policiamento Especializado de Fronteira), suspensos no final do ano passado.

Essa reativação foi objeto de conversa entre o governador André Puccinelli e o ministro José Eduardo Cardozo quando de sua vinda à Campo Grande, no início do mês.

Jacini lembrou que o Governo federal vem implementando o Projeto Pefron, direcionado aos estados que tem municípios situados em linhas de fronteira, visando o enfrentamento ao tráfico de drogas, armas e munição.

Outra evidência da preocupação federal com as áreas fronteiriças surgiu no último dia 15, quando o Ministério da Justiça autorizou a permanência da Força Nacional de Segurança Pública no Mato Grosso do Sul, visando o seu emprego no combate ao tráfico de drogas e armas nas regiões de fronteira com a Bolívia e Paraguai. O trabalho da Força Nacional, num prazo de 90 dias, prorrogável se necessário, deverá ser desenvolvido em conjunto com a Polícia Federal.

Paralelamente, aguarda-se a ativação do Sistema de Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), ferramenta tecnológica que irá auxiliar os serviços de inteligência da Polícia Federal, aprimorando o trabalho de monitoramento da fronteira brasileira com o Paraguai e a Bolívia. O sistema estava previsto para entrar em funcionamento neste mês, o que ainda não aconteceu. Duas aeronaves não tripuladas devem ser empregadas no trabalho de fiscalização, pela Polícia Federal, a partir de uma base montada no Estado, mais especificamente no núcleo Itamaraty, em Ponta Porã.

Fronteiras secas

O secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, revelou que foi lembrado ao Governo federal, por intermédio de documento enviado ao Ministério da Justiça, que Mato Grosso do Sul tem 12 municípios, com população estimada em 400 mil habitantes, que estão localizados em fronteiras secas com cidades paraguaias e bolivianas, numa extensão de 1.517 quilômetros.

O Estado sustenta que em razão de sua situação estratégica para o efetivo enfrentamento do crime organizado, o Governo federal precisa dar um tratamento diferenciado ao Mato Grosso do Sul, a fim de estabelecer uma primeira linha de combate aos crimes transfronteiriços.

Recursos

No final do ano passado, o Projeto Pefron foi suspenso para análise e realinhamento, deixando Mato Grosso do Sul de ser contemplado com recursos previstos para a construção da sede do DOF, modernização das comunicações desse mesmo departamento, aquisição de viaturas e de materiais e equipamentos necessários à execução da atividade policial. (TG)

Anastácio

Polícia Federal deflagra operação contra abuso sexual infantil em MS

Mandado é cumprido em Anastácio e equipamentos são apreendidos; investigação apura possível envolvimento de outros suspeitos e reforça alerta sobre riscos na internet

23/04/2026 17h32

Polícia Federal deflagra operação contra abuso sexual infantil em MS

Polícia Federal deflagra operação contra abuso sexual infantil em MS Foto: Arquivo PF

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A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (23), a Operação Aeges 2 com o objetivo de combater crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes praticados na internet. A ação resultou no cumprimento de um mandado de busca e apreensão no município de Anastácio.

Durante a operação, foram apreendidos equipamentos eletrônicos considerados relevantes para o avanço das investigações. 

O material será submetido à perícia técnica, que deve analisar o conteúdo armazenado e verificar a possível participação de outras pessoas nos crimes investigados.

A corporação também destacou a importância da atualização na forma de tratar esse tipo de crime. Embora a legislação brasileira ainda utilize o termo “pornografia” previsto no artigo 241-E do Estatuto da Criança e do Adolescente, há uma orientação internacional para que se utilize expressões como “abuso sexual de crianças e adolescentes” ou “violência sexual de crianças e adolescentes”.

A mudança de nomenclatura busca evidenciar a gravidade das violações e o impacto causado nas vítimas.

Prevenção 

Além da repressão, a Polícia Federal reforçou o papel fundamental da prevenção. Em nota, a instituição orienta pais e responsáveis a acompanharem de perto o uso da internet por crianças e adolescentes, estabelecendo diálogo aberto sobre os riscos presentes no ambiente virtual.

O monitoramento de redes sociais, jogos online e aplicativos, aliado à educação digital, é apontado como uma das principais formas de proteção.

A recomendação inclui ainda atenção a mudanças de comportamento, como isolamento, uso excessivo ou sigiloso de dispositivos eletrônicos, que podem indicar situações de risco.

A orientação é que crianças e adolescentes sejam incentivados a relatar qualquer abordagem inadequada, tanto no ambiente virtual quanto no convívio presencial.

Para a Polícia Federal, a informação e o acompanhamento familiar continuam sendo ferramentas essenciais no enfrentamento desse tipo de crime, considerado um dos mais graves por atingir diretamente a dignidade e o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Operação Oncojuris

Fraude milionária envolvia ex-servidor, donos de farmácias e candidato a vereador

Esquema manipulava decisões judiciais para compra de medicamentos e desviava recursos públicos

23/04/2026 17h20

Delegada titular do Dracco, Ana Claudia Medina

Delegada titular do Dracco, Ana Claudia Medina Foto: Marcelo Victor/ Correio do Estado

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Guilherme de Oliveira Neto, Luiz Henrique Marino, Reginaldo Pereira dos Santos, Victor Guilherme Lezo Rodrigues e Altair Penha Malhada presos na manhã desta quinta-feira (23) no âmbito da 'Operação Oncojuris' são apontados como integrantes de um esquema criminoso que teria causado prejuízo de R$ 78 milhões aos cofres públicos do Estado.

Segundo apurado pela polícia, os cinco exerciam diferentes funções no esquema que manipulava decisões judiciais para compra de medicamentos e desviava recursos públicos por meio de pequenas farmácias e empresas de assessoria, sem qualquer capacidade financeira ou estoque. O grupo ingressava em ações judiciais como parte interessada, oferecendo medicamentos com valores muito abaixo do Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG).

As investigações começaram há sete meses após o Núcleo de Atendimento à Saúde (Nas) identificar um padrão considerado atípico em decisões sobre a compra de medicamentos, inclusive para tratamento de câncer.

Outro ponto crítico revelado pela investigação é que os medicamentos, em muitos casos, eram importados de forma irregular, sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sem número de lote e sem garantias mínimas de segurança, colocando em risco pacientes, especialmente aqueles em tratamento oncológico.

Donos de farmácias, Luiz Henrique Marino e Reginaldo Pereira dos Santos são investigados por atuar como empresários locais, fornecer orçamentos e participar diretamente da execução financeira das fraudes.

Ex-servidor público, Guilherme de Oliveira Neto e Victor Guilherme Lezo Rodrigues e Altair Penha Malhada, estes advogados, são investigados por compor o chamado "núcleo jurídico" do esquema, responsável por viabilizar as decisões que autorizavam o bloqueio de verbas públicas.

Ao todo, foram cumpridos 21 mandados em diferentes regiões do país. Entre os cinco mandados de prisão expedidos em Mato Grosso do Sul, apenas  Luiz Henrique Marino foi preso em Ribas do Rio Pardo. Os demais foram detidos em Campo Grande.  

Operação

Exonerado em junho de 2025, Guilherme de Oliveira Neto trabalhava na Secretaria de Estado de Saúde apontado como uma das peças de articulação interna do esquema. A apuração aponta ele como um dos que direcionavam os orçamentos de empresas específicas para subsidiar decisões judiciais.

Reginaldo Pereira dos Santos aparece como responsável por empresas como a Medic Import, além da Drogaria Vitória, localizada na Avenida Ernesto Geisel. Conforme as investigações, as empresas atuariam fornecendo orçamentos e, posteriormente, recebiam os valores liberados judicialmente.

Conhecido como "Henrique da Farmácia", Luiz Henrique Marino, foi candidato a vereador em Ribas do Rio Pardo em 2024 pelo PL, obteve 381 votos e não se elegeu. 

Segundo as autoridades, após a liberação dos recursos, grande parte dos valores era desviada por meio de cobranças de taxas de serviço ou assessoria, que podiam ultrapassar 70% do total repassado. Apenas uma pequena fração era efetivamente utilizada na aquisição dos medicamentos.

Estimamos que o montante de notas fiscais emitidas de forma irregular chega a aproximadamente R$ 78 milhões, afirmou o superintendente substituto da Receita Federal, Erivelto Alencar.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar o rastreamento dos recursos desviados.

A deflagração da Operação Oncojuris, foi conduzida pela Receita Federal em conjunto com o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público Estadual e o Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) da Defensoria Pública do Estado.

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