Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, Mato Grosso do Sul registra um dado alarmante: uma mulher foi vítima de feminicídio a cada oito dias em 2026. Na luta por direitos e segurança, entre 16 de janeiro e 6 de março, seis mulheres foram assassinadas em diferentes cidades do estado.
O levantamento realizado pelo Correio do Estado evidencia a sequência de crimes que atingiram mulheres em pouco mais de 50 dias, casos que envolvem principalmente companheiros, ex-companheiros e familiares das vítimas.
A morte mais recente ocorreu na noite de sexta-feira (6), em Anastácio, a 122 quilômetros de Campo Grande. Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, foi encontrada morta dentro de casa, na Rua Professora Cleusa Batista. O principal suspeito é o marido da vítima, Edson Campos Delgado, que acabou preso.
Inicialmente, Edson disse às autoridades que havia encontrado a esposa sem vida e levantou a hipótese de suicídio. No entanto, durante as investigações, confessou ter asfixiado a mulher.
O caso
A Polícia Civil foi acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar. Investigadores, acompanhados pelo delegado responsável e pela perícia, foram até o imóvel, onde constataram que a área já havia sido preservada pelo Corpo de Bombeiros.
No primeiro relato, o suspeito disse que saiu para trabalhar por volta das 7h, deixando a esposa em casa. Segundo ele, retornou por volta das 13h para levar o almoço e afirmou que ela aparentava estar bem, voltando depois ao trabalho.
À noite, por volta das 22h30, disse ter encontrado a casa completamente escura. A porta principal estava trancada e, por isso, entrou por outra porta com o vidro quebrado. Dentro da residência, encontrou a esposa deitada de bruços na cama. Sem obter resposta, acionou o Corpo de Bombeiros, que confirmou o óbito.
Durante o andamento da investigação, acabou admitindo o crime. Ele foi preso e segue sendo investigado.
Outras vidas
Também no dia 6 de março morreu Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 52 anos, que estava internada após ser brutalmente agredida pelo marido em Três Lagoas.
Ela foi atacada com golpes de marreta no dia 3 de março. Após o crime, foi socorrida e transferida para o Hospital da Vida, em Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.
No dia 25 de fevereiro, Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, foi assassinada em Três Lagoas. O autor do crime foi o namorado da jovem, Wellington Patrezi. Após o feminicídio, o suspeito procurou a polícia e confessou o crime.
Em 22 de fevereiro, Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, foi assassinada a facadas em Coxim, a 253 quilômetros de Campo Grande. O principal suspeito do crime é o próprio filho da vítima, de 22 anos, que passou a ser investigado pela polícia.
Em 24 de janeiro, a aposentada Rosana Candia Ohara, de 62 anos, foi morta a pauladas pelo marido, Antônio Lima Ohara, de 73 anos, em Corumbá.
O crime ocorreu por volta das 19h, na Rua Bahia, no bairro Vila Guarani. Um vizinho ouviu os gritos de socorro e viu a agressão por cima do muro. Ele tentou intervir, mas não conseguiu impedir o ataque.
O primeiro caso de feminicídio de 2026 em Mato Grosso do Sul foi registrado no dia 16 de janeiro, na aldeia Damakue, em Bela Vista.
A vítima, Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta a tiros pelo marido, João Fernando Viegas, de 51 anos. Logo após o crime, ele tirou a própria vida, segundo a Polícia Civil.
Quando a Polícia Militar chegou ao local, encontrou os dois corpos já sem vida. Uma espingarda estava ao lado de ambos.


