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RECORDE

Mato Grosso do Sul tem o maior número de internados de toda a pandemia

Ontem eram 683 pessoas hospitalizadas no Estado; infectologista teme colapso a partir do fim de semana
05/03/2021 08:30 - Ana Karla Flores


Mato Grosso do Sul registrou recorde no número de pessoas internadas em decorrência da Covid-19 em toda a pandemia. Ontem havia 683 pessoas hospitalizadas em leitos clínicos e de unidades de terapia intensiva (UTIs) no Estado.

Esse é o maior número de internações de casos confirmados de toda a pandemia em MS. A última vez que a ocupação chegou nesse patamar foi no boletim epidemiológico do dia 22 de dezembro, quando havia 678 pessoas internadas por causa da Covid-19.

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De acordo com o infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda, este é apenas o começo da alta de casos e internações no Estado. “O cenário é bastante complicado. Vai ser complicado o mês de março, e não vejo os principais gestores [governador e prefeito] se posicionando a respeito do cenário futuro”.

O infectologista detalha que na tarde de ontem restavam apenas 28 leitos disponíveis no Estado, que pode entrar em colapso a qualquer momento nos próximos dias.  

“Apenas 28 leitos para colapsar. Está só no começo da piora, sem se recuperar de dezembro e janeiro. Sem nenhuma perspectiva de abertura de novos leitos ou muito poucos”.

Croda destaca que o motivo do novo pico de casos e internações está relacionado com a circulação da nova variante, que teve o primeiro caso confirmado no Estado na quarta-feira. “O que com certeza causou isso foram a nova variante, que é muito mais mais transmissível, e a falta de medidas preventivas – foi liberado até reunião com 120 pessoas”.

TEMOR

O infectologista conclui que, se a tendência se manter e nada for feito até o fim da próxima semana, Mato Grosso do Sul estará em colapso. “Falta pouco: os 100% de ocupação estão próximos”.  

O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, afirma que a situação atual é resultado da desobediência da população aos protocolos de biossegurança e da falta de adesão dos gestores municipais.  

“Nós estamos colhendo o que plantamos, frutos da desobediência civil do Estado. A população não contribui para o isolamento social, e tem uma parcela que acha que usar máscara é inapropriado, o que faz com que haja um alto grau de transmissibilidade, que aumenta o número de óbitos e internações”, ressalta.  

Resende complementa que a falta de adesão dos municípios é em razão do medo dos gestores quanto à reação da população. “Gestores seguem as pressões da população dos municípios, e as regras que deveriam ser adotadas não são adotadas e o resultado é isso”.

De acordo com o secretário, a alta nos registros também está relacionada à cepa P.1, que possui um alto grau de agressividade e transmissibilidade do vírus. “A variante tem um contágio muito mais forte, uma quantidade muito maior de vírus e pode estar presente em várias regiões do Estado já. Nós vamos ter um quadro grave se não tivermos a adesão imediata dos prefeitos às medidas que devem ser adotadas pelos gestores municipais”.

O secretário ainda pede para que os municípios de MS acelerem a vacinação da população dos grupos de risco e apliquem as doses disponíveis o mais rápido possível. “Vacina não tem de estar na geladeira, tem de estar no braço de cada cidadão do grupo de risco. Temos de convocar toda a população para a imunização”.