Cidades

aponta pesquisa

MS registrou 1,7 mil mortes associadas a ondas de calor em 20 anos

Pesquisa aponta que população idosa é a mais suscetível aos efeitos das temperaturas extremas no Estado

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Um estudo lançado nesta quarta-feira (17) estima que aproximadamente 1,7 mil mortes ocorridas em Mato Grosso do Sul entre os anos de 2000 e 2018 estiveram associadas às ondas de calor. 

O estudo 'Saúde e ondas de calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS' foi elaborado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Conforme o estudo, nos 20 anos analisados, 1.722 pessoas morreram em decorrência de problemas relacionados aos períodos de temperatura extrema no Estado, o que equivale a 0,72% da mortalidade total registrada no período, excluindo os óbitos por causas externas, como acidentes e violências.

  De acordo com a Fiocruz, os resultados revelam de modo consistente a associação entre a exposição ao calor extremo e ondas de calor e o aumento da mortalidade. 

Os efeitos dos períodos de aumentos substancial das temperaturas foram mais evidentes entre idosos, com cerca de 1,3 mil óbitos entre pessoas com 65 anos ou mais em MS. O levantamento identificou, nessa população, elevada sensibilidade para doenças respiratórias, renais e metabólicas, incluindo diabetes.

Segundo os pesquisadores, do ponto de vista fisiopatológico, esses efeitos podem estar associados à redução da capacidade de termorregulação, à maior prevalência de doenças crônicas e ao uso de medicamentos que interferem no balanço hídrico e eletrolítico, favorecendo a desidratação e a disfunção renal.

O estudo sugere que, durante ondas de calor mais severas, internações por doenças cardiovasculares podem evoluir rapidamente para quadros graves, com possibilidade de óbito antes da hospitalização.

Em todo o Brasil, foram aproximadamente 120 mil mortes associadas às ondas de calor.

Em âmbito nacional, a pesquisa também explorou os efeitos do calor extremo sobre as internações hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na população em geral foi identificado um aumento consistente do risco de internação por doenças respiratórias, especialmente pneumonia, e geniturinárias, como insuficiência renal, em quase todas as regiões, mas sem trazer estatísticas regionalizadas.

O levantamento aponta que o estresse térmico sobrecarrega as funções cardiorrespiratórias, contribuindo para inflamações sistêmicas e agravando doenças respiratórias pré-existentes, além de afetar o trato urinário por meio da desidratação, da hipovolemia (redução do volume total de sangue e líquidos no corpo) e da disfunção renal.

A pesquisadora da Fiocruz Beatriz Oliveira destaca a relevância do estudo pela capacidade de fazer um diagnóstico mais abrangente do país.

“A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor considerando frequência, intensidade e duração com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade”, explica a pesquisadora.

“Percebemos que os efeitos são observados em todo o território. Quando a gente olha para os resultados, consegue ter uma dimensão melhor do problema e orientar políticas públicas mais eficazes”, complementa.

O pesquisador da UFBA Ismael Silveira diz que os resultados alertam para a seriedade do problema.

“Uma importante implicação é o reconhecimento das ondas de calor como um risco importante para a saúde pública. Com isso, podemos chamar atenção para planos de contingência específicos, além de fortalecer a capacidade tanto de antecipação quanto de resposta do SUS”, diz.

o diretor de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do projeto ProAdapta, Maurício Guerra, alerta para a necessidade de fomentar planos e projetos pra enfrentar os períodos de ondas de calor.

"A pesquisa traz uma mensagem inequívoca: o calor extremo já está custando vidas no Brasil. Os mais de 120 mil óbitos associados às ondas de calor revelam que a adaptação à mudança do clima precisa avançar com urgência, ampliando a construção de cidades verdes e resilientes", afirmou.

LUTO

Morre primeiro prefeito eleito de São Gabriel do Oeste

Roberto Emiliani participou da estruturação do município; prefeitura também lamentou a morte do servidor Ronilso Freitas Brandão, que atuou por mais de 40 anos no serviço público

22/09/2026 11h30

Roberto Emiliani foi o primeiro prefeito eleito de São Gabriel do Oeste e participou do período de estruturação administrativa do município

Roberto Emiliani foi o primeiro prefeito eleito de São Gabriel do Oeste e participou do período de estruturação administrativa do município Divulgação

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São Gabriel do Oeste decretou luto oficial de três dias pela morte de Roberto Emiliani, primeiro prefeito eleito do município, e do servidor público municipal Ronilso Freitas Brandão. Em razão das duas mortes, o Paço Municipal ficará fechado na tarde desta terça-feira (22), para que os servidores possam acompanhar os velórios e prestar as últimas homenagens.

De acordo com o portal de notícias da Prefeitura de São Gabriel do Oeste, Emiliani teve participação importante na história político-administrativa do município ao assumir a administração em um período de estruturação e consolidação da cidade.

Primeiro prefeito escolhido pelo voto popular em São Gabriel do Oeste, ele participou da construção das bases administrativas do município. A prefeitura destacou que sua trajetória permanece ligada à história do desenvolvimento da cidade.

O município também decretou luto pela morte de Ronilso Freitas Brandão, servidor que acumulou mais de quatro décadas de atuação no serviço público municipal.

Ao longo de mais de 40 anos, Brandão acompanhou diferentes períodos da administração de São Gabriel do Oeste. Segundo a prefeitura, ele era reconhecido pela dedicação ao trabalho e pela relação construída com colegas e moradores durante sua trajetória profissional.

Como forma de homenagem aos dois, as bandeiras dos prédios públicos municipais permanecerão a meio-mastro durante os três dias de luto oficial.

Além disso, o Paço Municipal não terá expediente na tarde desta terça-feira. A medida permite que servidores participem das cerimônias de despedida. Após o período de suspensão, o atendimento será retomado conforme o expediente regular.

Em nota, a administração municipal manifestou pesar e solidariedade aos familiares e amigos de Roberto Emiliani e Ronilso Freitas Brandão e destacou as contribuições deixadas por ambos à história e ao serviço público de São Gabriel do Oeste.

 

CAMPO GRANDE

Prefeitura oficializa modernização de licenças para táxis

Atualizações passam desde a prorrogação do prazo de vida útil dos veículos até a permissão para taxistas rodarem nas faixas exclusivas de ônibus, sem menção ainda ao "táxi black"

22/09/2026 11h15

Atualização traz inclusive mudanças que liberam taxistas a rodarem pela faixa que até então era exclusiva para ônibus

Atualização traz inclusive mudanças que liberam taxistas a rodarem pela faixa que até então era exclusiva para ônibus Arquivo/Correio do Estado/Paulo Ribas

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Foram publicadas hoje (22), através do Diário Oficial de Campo Grande, três portarias da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) oficializando algumas das modernizações ligadas às licenças dos táxis na Cidade Morena. 

Com intuito de tornar o serviço de táxis mais atrativo, tentando fazer frente à concorrência dos aplicativos de transporte, as novas flexibilizações vão desde um maior prazo da vida útil dos veículos até a permissão para taxistas rodarem nas faixas exclusivas do transporte público. 

Ainda ontem (22) a chefe do Executivo da Capital, Adriane Lopes, convocou evento de assinatura, no teatro Octávio Guizzo, localizado no Paço Municipal. Nesta terça (22) foram publicadas as portarias de número 08, 09 e 10, assinadas pelo diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito, Ciro Vieira Ferreira. 

Entenda

A primeira dessas portarias trata justamente da autorização para os veículos de aluguel do tipo táxi transitarem em faixas exclusivas do transporte público, buscando dar eficiência ao sistema de mobilidade urbana. 

Autorizados a rodarem nas faixas de ônibus todos os dias da semana e horários, independentemente da condição de ocupação do veículo, esses taxistas devem apenas respeitar os veículos do transporte público, uma vez que a lei frisa que não há uma "prioridade operacional" em relação aos ônibus só por transitarem no mesmo lado da via. 

Entretanto, fica expressamente destacada a proibição aos condutores de veículos de táxi, que não devem realizar embarques e desembarques de passageiros quando estiverem circulando nas faixas de ônibus, como bem destacar o artigo número quatro dessa primeira portaria: 

"Art. 4º Fica proibido aos condutores de veículos de táxi, quando em circulação nas faixas
exclusivas de ônibus:

  1. – realizar embarque de passageiros;
  2. – realizar desembarque de passageiros;
  3. – efetuar estacionamento ou qualquer forma de imobilização do veículo que comprometa a fluidez do tráfego"

Um segundo ponto desta portaria trata justamente da identificação desses veículos beneficiados com as flexibilizações, com o característico luminoso "TÁXI" sendo agora obrigatório, essencial, indispensável e inseparável da caracterização desses carros.

Ou seja, além de estar devidamente enquadrado na categoria "aluguel", conforme termos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), há uma série de elementos obrigatórios para estar devidamente identificado e caracterizado como táxi, sendo: 

  1. — registro do veículo na categoria “aluguel”, constante no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo — CRLV;
     
  2. — utilização de placa de identificação veicular com fundo vermelho e caracteres brancos, conforme regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito — CONTRAN;
     
  3. — autorização, permissão ou concessão expedida pelo poder público municipal competente para exploração do serviço de transporte individual remunerado de passageiros;
     
  4. — inscrição municipal ou cadastro específico perante o órgão regulador competente;
     
  5. — afixação de identificação externa padronizada exigida pela legislação municipal;
     
  6. — aprovação em vistoria periódica e atendimento às exigências de segurança, higiene e conforto previstas na legislação vigente;
     
  7. — instalação obrigatória de sistema luminoso no teto do veículo contendo, de forma visível e permanente, a inscrição “TÁXI”.

A portaria destaca que nenhum veículo poderá operar, circular, captar passageiros ou prestar serviço de táxi sem a devida instalação do sistema luminoso, que deverá permanecer permanentemente instalado e plenamente visível durante toda a prestação do serviço, tanto no período noturno quanto durante o dia. 

"A ausência, retirada, ocultação, desligamento proposital, inutilização ou instalação irregular do luminoso descaracteriza imediatamente o veículo como táxi regular para todos os efeitos administrativos e fiscalizatórios", complementa o texto oficial. 

Há ainda um parágrafo específico frisando que o dispositivo precisa ter iluminação suficiente para permitir "identificação imediata e inequívoca pela população", tanto pelos usuários como pelos agentes de fiscalização.  

"Art. 9º. O descumprimento das disposições previstas neste Capítulo, especialmente quanto à inexistência do luminoso “TÁXI” no teto do veículo, sujeitará o permissionário, proprietário ou condutor:

  1. — à imediata descaracterização do veículo como táxi regular;
     
  2. — à aplicação das sanções administrativas previstas na legislação municipal e de trânsito;
     
  3. — à suspensão ou cassação da autorização, permissão ou licença para prestação do serviço;
     
  4. — às demais penalidades civis, administrativas e legais cabíveis

Como bem frisa o Executivo, esse uso compartilhado dos corredores exclusivos por ônibus e táxis, bem como demais faixas exclusivas do transporte público, acontecerá inicialmente em caráter temporário. 

Em outras palavras, a depender de uma avaliação de desempenho periódica, esse compartilhamento poderá ser cancelado a qualquer tempo que for do interesse público. 

Demais benefícios

Ainda que a publicação não trate de alguns pontos anunciados ontem (21), como a regulamentação da categoria "executiva" deste tipo de transporte, chamada de "táxi black", as outras duas portarias trazem flexibilizações para a classe. 

Entre essas destaca-se a prorrogação excepcional do prazo de vida útil desses veículos, pedido feito pelo próprio Sindicato dos Taxistas do Estado de Mato Grosso do Sul, para aqueles que iriam atingir o limite regulamentar neste ano. 

É alegado que a atual conjuntura econômica nacional é marcada por "taxas de juros elevadas", o que em tese dificultaria uma substituição imediata da frota. 

Nesse sentido, aqueles veículos fabricados em 2016 que neste ano completam uma década, terão agora o seu prazo da considerada "vida útil" prorrogado de forma excepcional e temporariamente pelo período máximo de seis meses. 

Ou seja, a extensão deste prazo será finalizada em 30 de junho de 2027, e só será concedida para os veículos que atenderem todos os requisitos legais, e que foram aprovados em vistoria obrigatória que será realizada pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran). 

Nesse período de um semestre, os veículos deverão ser vistoriados a cada dois meses, que deverá estipular mais um bimestre de renovação ou reprovação e imediata retirada do veículo de circulação como táxi. 

Fica prevista ainda a possibilidade do chamado "permissionário" vincular até dois outros condutores auxiliares. Esses, por sua vez, só poderão manter vínculo com um único alvará por vez. Esse vínculo fica limitado também a seis meses, não podendo ser superior a 180 dias 

"O Permissionário que estiver temporariamente impossibilitado de utilizar o veículo vinculado à sua permissão poderá, excepcionalmente, ser autorizado pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) a vincular-se temporariamente ao alvará de outro Permissionário, para atuar como Condutor Auxiliar, respeitado o limite estabelecido", cita o texto oficial. 

 

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