Cidades

MATO GROSSO DO SUL

MST diz que não está envolvido em invasão de fazenda da família de Tereza Cristina

Em nota, o Movimento repudiou a tentativa de vincular a luta do MST à ação ocorrida na propriedade ligada à senadora

Continue lendo...

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) informou por meio de nota na tarde deste domingo (30), que não está envolvido na ocupação do grupo de oito pessoas denominado como "Acampamento Fênix" na Fazenda Santa Eliza, no município de Terenos.

A fazenda é de propriedade da Família Corrêa da Costa, e pertence ao espólio de Maria Manoelita Corrêa da Costa, mãe da senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP).

Em nota, o MST em Mato Grosso do Sul comunicou que não está ligado à ocupação e não organizou nenhuma ação na propriedade da senadora. O Movimento também repudiou a tentativa de vincular o episódio ao MST.

Por fim, a direção estadual do Movimento afirmou que a luta do MST é legitima e seguirá em defesa da Reforma Agrária Popular, da produção de alimentos saudáveis, da luta contra o latifúndio e da reconstrução do país

Confira a nota na íntrega:

O MST em Mato Grosso do Sul vem, por meio desta nota, afirmar que não realizou ocupação em áreas ligadas à senadora Tereza Cristina (PP), em Terenos, MS. Ainda que seja figura proeminente do agronegócio e tenha em seu histórico a condução do Ministério da Agricultura durante o governo Bolsonaro, o MST não organizou nem apoiou nenhuma ação em latifúndios da senadora.

Na Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária deste ano, conhecida como Abril Vermelho, realizamos uma série de atividades com nossas famílias acampadas, sendo que, nenhuma delas foi ocupação de terra. No último período, aprofundamos nossas ações de solidariedade, principalmente, com indígenas.

A partir dos nossos cinco acampamentos e diversos assentamentos no estado, doamos centenas de quilos de alimentos saudáveis, além de sementes agroecológicas para diversas comunidades indígenas. Compreendemos que a luta de indígenas e Sem Terra é a mesma no Mato Grosso do Sul, pois a concentração de terras pelas elites agrárias atinge a ambos. 

Repudiamos a tentativa de vincular a luta do MST à ação ocorrida na propriedade ligada à senadora. Em um momento de avanço da criminalização contra o MST, através, por exemplo, da instalação de uma CPI ilegal contra nós, tais vinculações só servem para incitar a sociedade contra a luta legítima do Movimento. É esta luta que nos permitiu, durante a pandemia, doar mais de 8,5 mil toneladas de alimentos saudáveis à população mais carente.

Seguiremos em nossa luta histórica em defesa da Reforma Agrária Popular, da produção de alimentos saudáveis, da luta contra o latifúndio e da reconstrução do país, por meio da defesa do governo Lula. 

Entenda o caso

A Fazenda Santa Eliza foi invadida por sem-terra na manhã deste domingo, conforme informam advogados e familiares da senadora Tereza Cristina. A propriedade, de aproximadamente 1,3 mil hectares, no município de Terenos, a 16 quilômetros de Campo Grande, estava ocupada pelos sem-terra desde a madrugada de hoje (30).

Conforme o advogado de Fernando Corrêa, Brenner Lucas Dietrich Espíndola, o grupo que invadiu a fazenda chegou de madrugada. “Eles adentraram à área de reserva legal da propriedade e lá fincaram uma bandeira do MST”, conta o advogado. “Estamos desde a manhã desta segunda envolvidos nisso”, admitiu. 

Segundo Brenner Espíndola, a fazenda de 1,3 mil hectares é “extremamente produtiva”. Nela há uma área de confinamento arrendada para o Grupo JBS e também outras áreas arrendadas para produtores rurais de Mato Grosso do Sul, como por exemplo para a família Schlatter, de Chapadão do Sul, entre outros produtores. 

O Correio do Estado apurou que o governador Eduardo Riedel (PSDB) já foi informado da ocupação. Equipes da Polícia Militar e da Polícia Militar Ambiental estiveram no local. Duas mulheres identificadas como líder do grupo prestaram esclarecimentos.

A Polícia Militar informou que o grupo foi orientado a fazer o desmonte do acampamento e, para evitar maiores transtornos, deixar o espaço. Ninguém foi preso.

Assine o Correio do Estado

 

susto

Veterinário Francisco é submetido a angioplastia após passar mal em sessão

Vereador segue internado e ainda não há previsão de alta hospitalar

04/09/2026 08h15

Chico, veterinário Francisco, vereador de Campo Grande

Chico, veterinário Francisco, vereador de Campo Grande DIVULGAÇÃO/Câmara Municipal de Campo Grande

Continue Lendo...

Vereador de Campo Grande, Francisco Gonçalves de Carvalho (União), de 72 anos, popularmente conhecido como “Chico”, foi submetido a um procedimento de angioplastia, na noite desta quinta-feira (3), para desobstrução de uma artéria coronária, em um hospital particular de Campo Grande.

De acordo com a assessoria de imprensa do vereador, Chico está estável e permanece internado, sob observação médica. Ainda não há previsão de alta hospitalar.

Conforme apurado pela reportagem, o parlamentar estava conversando normalmente no fundo do plenário, quando sentiu dores no peito durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Campo Grande, realizada na manhã desta quinta-feira (3).

Ele recebeu os primeiros socorros de um colega da Casa de Leis, que é médico. Em seguida, foi levado ao hospital, onde passou por exames.

“A família agradece as manifestações de carinho e apoio, bem como as orações recebidas neste momento e pede que continuem em oração pela recuperação do vereador”, informou a assessoria de imprensa do parlamentar por meio de nota.

ELEIÇÕES 2026

Chico era pré-candidato a deputado estadual de Mato Grosso do Sul, mas, em 12 de agosto de 2026, divulgou que desistiu de concorrer as eleições.

A decisão foi comunicada pelo parlamentar em suas redes sociais, onde agradeceu o apoio recebido e afirmou que continuará atuando na defesa da causa animal.

“Não vou disputar as eleições para deputado estadual, mas isso não significa que vou deixar de lutar”, afirmou.

Na publicação, Francisco mencionou os 6.371 votos recebidos anteriormente e disse que pretende continuar honrando a confiança dos eleitores que apoiaram seu trabalho. 

O vereador também agradeceu às pessoas que o acompanharam durante o período em que esteve se preparando para a disputa.

* Colaborou Alicia Miyashiro

doença

Policial se afunda em dívida de R$ 4,6 milhões em apostas esportivas

Em quatro anos, homem contraiu empréstimos com bancos e familiares, divorciou-se depois de oito meses de casado e foi diagnosticado com ludopatia

04/09/2026 08h10

Paulo Ribas / Correio do Estado

Continue Lendo...

Um policial lotado no interior do Estado, atualmente afastado, foi diagnosticado com ludopatia, após ter movimentado R$ 4,6 milhões em apostas esportivas na plataforma Betano em quatro anos.

Agora, o apostador abriu processo contra a empresa pedindo indenização por danos morais e materiais que ultrapassa os R$ 100 mil, após se afundar em empréstimos bancários e concedidos por familiares.

De acordo com o que consta nos autos do processo, ao qual o Correio do Estado obteve acesso, é relatado que o sul-mato-grossense entrou no mundo das apostas em outubro de 2022, primeiramente, como forma de entretenimento. Naquele ano, apenas quatro apostas foram realizadas no site.

Porém, a partir de fevereiro de 2023, ocorreu uma disparada no volume de apostas e nas movimentações financeiras realizadas pelo policial na plataforma, o que acabou se tornando um padrão do apostador até este ano, chegando ao uso incontrolável dos jogos de azar e ao quadro de doença mental.

Policial de Mato Grosso do Sul teria movimentado R$ 4,6 milhões no aplicativo de apostas da Betano - Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

Para se ter uma ideia, entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, foram registradas apenas 11 de apostas, com movimentação total de R$ 1.806,26. Somente em fevereiro de 2023, foram registradas 168 apostas, com movimentação de R$ 65.917,16.

A partir de março, os registros oficiais da Betano revelam movimentação de R$ 4.653.098,89 em apostas esportivas e cassino, distribuídas em 12.719 operações registradas e 43.402 eventos operacionais, descritos como “marco técnico-financeiro para a caracterização da ruptura comportamental compatível com o quadro de ludopatia”.

Ainda conforme o levantamento inserido nos autos, foi apurado que o apostador obteve R$ 114.332,28 de dano material mínimo, valor calculado diante da diferença dos depósitos (R$ 907.156,59) e dos saques (R$ 792.824,31) desde o marco técnico-financeiro, em março de 2023.

Em outra tabela que lista os 10 dias de maiores gastos do policial, as 24 horas do dia 2 de agosto de 2025 foram as mais movimentadas, com 110 operações, que movimentaram R$ 94,6 mil.

Outras sete datas do ano passado aparecem no ranking, o que confirma que 2025 foi o ano mais crítico para o apostador em termos financeiros.

De acordo com o advogado da vítima, era dever da Betano identificar as movimentações intensas do policial na plataforma, o que caracterizaria a prática de dano moral.

“O dano moral, no presente caso, não decorre de mero dissabor inerente a perdas voluntárias em jogos de azar. Decorre da exploração, por mais de três anos, de uma condição psiquiátrica grave e progressiva, que a ré [Betano] tinha o dever legal de identificar e conter, e cuja omissão culminou em quadro clínico de extrema gravidade”, destaca o advogado.

VIDA PESSOAL

Em junho deste ano, o apostador foi diagnosticado com ludopatia, transtorno mental que se caracteriza pelo desejo incontrolável e compulsivo de jogar, especialmente em jogos de azar e apostas on-line.

Além da doença, o policial também foi diagnosticado com transtorno depressivo Grave e transtorno do pânico, condições que também foram desenvolvidas em função do vício em cassinos virtuais.

“Diante da gravidade clínica atual, do risco de agravamento global do quadro psiquiátrico e da necessidade de manejo intensivo multidisciplinar, há indicação de internação psiquiátrica especializada para tratamento da dependência comportamental (vício em jogos), estabilização clínica, ajuste medicamentoso e reabilitação psicossocial”, indica o laudo.

As mudanças drásticas na vida pessoal da vítima foram cruciais para o diagnóstico. O apostador se casou em março de 2024, relacionamento que terminou oito meses depois, em função do agravamento do vício em apostas.

Para piorar, o quadro de ludopatia também gerou consequências quanto à guarda compartilhada da filha menor de idade, “circunstância que, associada ao colapso emocional e financeiro do autor, vem comprometendo severamente o convívio paterno-filial”.

Com remuneração mensal aproximada de R$ 5 mil, o sul-mato-grossense precisou buscar empréstimos informais com familiares e amigos para manter vivas suas operações diárias na plataforma, o que o fez acumular dívidas e gerou afastamento de inúmeras pessoas do seu círculo social. Inclusive, seu pai vendeu um imóvel para auxiliá-lo nas despesas.

“Os próprios extratos bancários acostados aos autos comprovam, ainda, que o autor passou a recorrer a sucessivos empréstimos informais de amigos e familiares, inclusive da ex-cônjuge, para sustentar o ciclo de apostas, numa espiral de endividamento que a separação precede e acompanha a desestruturação de sua vida pessoal”, aponta a defesa do policial.

Tanto que, segundo a folha salarial da vítima de junho deste ano, o policial recebeu um salário líquido de apenas R$ 1.054,02, o que representa cerca de 60% do salário mínimo atual.

Somado ao vale-alimentação, o total de proventos mensal deveria ser de R$ 6.045,30, mas os descontos de quase R$ 5 mil, em função dos altos empréstimos, acabam diminuindo drasticamente seu rendimento.

PROCESSO

Agora, o apostador e seus representantes abriram processo judicial contra a Betano, pedindo indenização por danos morais e materiais. Além disso, o advogado pede a nulidade das apostas, que é a devolução de valores com base na proibição legal de participação de pessoas diagnosticadas com ludopatia, como garante um dos artigos da Lei nº 14.790/2023 (Lei das Bets).

Em decisão assinada em julho pelo juiz Maurício Cleber Miglioranzi Santos, foi determinado que a empresa bloqueie todas as contas do policial na plataforma, além da Betano ter de apresentar diversos documentos da relação entre a vítima e o site desde o primeiro dia de aposta. Por fim, ficou marcada uma audiência de conciliação para o dia 15 de outubro.

*SAIBA

Segundo definição do médico Edgar Oliveira, a ludopatia é um transtorno caracterizado pela perda de controle sobre o comportamento de apostar mesmo diante de consequências negativas evidentes. A pessoa continua jogando apesar de dívidas, conflitos familiares, sofrimento emocional e prejuízos no trabalho ou nos estudos.

A doença envolve alterações no funcionamento cerebral, especialmente nos sistemas de recompensa, impulsividade e tomada de decisão. Por esse motivo, o transtorno do jogo é reconhecido como uma forma de dependência comportamental.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).